Mulher Maravilha #14 – “As pessoas da sala de jantar são preocupadas em viver e morrer”

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por Venerável Victor “tratador divino de macacos” Vaughan

Img-de-CapaWW14Brian Azzarello tem feito algo realmente especial com a Mulher Maravilha após o reboot. Ele recriou sua origem de uma maneira muito mais interessante que todas as outras canônicas interpretações, enquanto possibilita a expansão do mundo da princesa Diana em qualquer revista que ela também faça parte.

Mulher Maravilha – criada por Willian Moulton Marston

Brian Azzarello & Tony Akins
Brian Azzarello & Tony Akins

Todo o reino grego mitológico é incorporado nessa série de uma forma nova, excitante e realmente diferente do que foi feito até hoje com esses deuses, deusas, demônios e suas crias. Apolo, Hera, Hermes, Afrodite e Ares, esses podem ser nomes vagamente familiares para alguns, enquanto outros podem passar horas contando fatos sobre cada um, mas quando Azzarello os escreve e Cliff Chiang ou Tony Akins os desenham, eles se tornam algo que você nunca havia visto antes.

Capa de Cliff Chiang
Capa de Cliff Chiang

A edição quatorze não desaponta em nada. Quando nós vimos a Mulher Maravilha pela última vez, ela havia sido ludibriada para dentro do que parecia ser uma armadilha fatal. Sua inimiga é cruel e despojada de remorso, como descobrimos em sua origem. Essa é mais uma violenta história que permite aos leitores mais desavisados entender o quanto fria e traiçoeira Hera realmente é e quantos atos de violência desenfreada ela cometeu por causa dos erros e infidelidades de Zeus. Toda desgraça que ela provoca na humanidade são atos de uma deusa enlouquecida pela ira, que foi levada até o seu limite mais extremo de sanidade. Um ótimo elemento para a origem de uma adversária acima da altura de Diana e que faz jus as origens mitológicas da “matriarca do Olimpo”

Com a notícia da chegada dos Novos Deuses na próxima edição um novo desafio para as divindades gregas é introduzido. E com o copo de Diana cheio assim de mágoa (a morte de sua mãe, a transformações de suas irmãs amazonas e a recém-tomada do Olimpo pelo deus Apolo) ninguém sabe até onde a Mulher Maravilha pode suportar com sanidade.

A maior das amazonas está sozinha contra uma infinidade de desafios e sua melhor chance de sobrevivência é recrutar outros filhos de Zeus pelo mundo assim como ela. Ela começa por Siracca (a deusa dos ventos), uma criança que se parece mais com um esqueleto do que um ser humano – e você descobre nessa edição por que… Os anos que passou isolada e magoada a tornaram ressentida contra quem quer que seja que tenha tido uma história de vida mais alegre que ela, como toda criança imortal…

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Pobre criança rica

Siracca tem uma ótima razão para ser invejosa. Hera ao descobrir que ela era mais um fruto da infidelidade de seu marido (que nunca conseguiu deixar o pinto guardado embaixo do saiote), retirou tudo que lhe era mais precioso e a deixou para morrer. Sem a generosidade de um Zeus arrependido, Siracca nunca teria sobrevivido, apesar de que isso não fez com que ela se sentisse melhor de qualquer maneira. Sua batalha com Diana dessa edição fez trazer a tona os sentimentos bonitos que ela tinha antes do encontro com Hera, no momento certo para poder ajudar sua “irmã” a encontrar o bebê de Zola – outra criança de Zeus recém-nascida e que fora sequestrada por motivos ainda ignorados, pelo deus Hermes.

Hera, a maior vaca do universo DC
Hera, a maior vaca do universo DC

Do outro lado do mundo nós temos mais problemas, problemas bem grandes. Um deus de uma época muito antiga, volta a respirar ar fresco após sete mil anos, por causa de Apollo. Seu ódio por Zeus pode significar o fim do nosso mundo e os deuses mais modernos precisarão se unir se quiserem sobreviver. No final sabemos que vai sobrar para Diana essa batata quente de ter que salvar as pessoas que mais ama e os deuses que venera.

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A forma como Azzarello comanda as constantes batalhas dessa revista mostram para os fãs o verdadeiro caráter de Diana. Ela sempre encontra uma forma de através da compaixão, encontrar um meio termo entre ela e seus oponentes e na maioria das vezes chega a uma solução justa antes que o problema se torne incontrolável. Muitos momentos de profunda sensibilidade temperam seus roteiros, com boas doses de ação e tensos diálogos entre deuses e homens.

Muito mais do misterioso deus ressurgido na Antártica é revelado, mais intrigas são arquitetadas entre Apolo e seus irmãos e até fomos reapresentados para personagens muito queridos que darão até o fã mais chato e fundamentalista da DC, orgasmos múltiplos. Essa pode parecer uma participação esquisita a princípio, os Novos Deuses envolvidos nesse título? Mas com Azzarello a frente do caminho, será uma aventura emocionante com certeza.

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Ares tomando seus bons drink

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A Arte de Tony Akins a princípio pode ter causado estranheza para quem já tinha se acostumado com o trabalho de Cliff Chiang na revista, mas muitos fãs já foram conquistados a essa altura. Dinâmicos painéis repletos de ação fluem tranquilamente à medida que os diálogos e caracterizações do roteirista nos seduzem a cada página. Essa edição por sinal é ainda mais interessante porque temos dois arte finalistas completando os traços de Akins, nas cenas atuais e nos flashbacks, o que nos permitem duas interpretações totalmente diferentes de seus desenhos.

Essa revista é garantia de leitura de qualidade a cada mês, mas experimente pegar todos os números passados antes de entrar na série. Por Hera!!! Vale muito a pena!

Será que é assim que a Mulher Maravilha acredita que os nazistas veem as mulheres?
Será que é assim que a Mulher Maravilha acredita que os nazistas veem as mulheres?

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63 comentários sobre “Mulher Maravilha #14 – “As pessoas da sala de jantar são preocupadas em viver e morrer”

  1. O Cliff Chiang fez o Ares ficar a cara do Azzarello mesmo haha

    No mais, tenho gostado muito do que li do título até agora. Azzarello tem feito algo que a personagem precisava a anos e, na maior parte das vezes, ele tem acertado.

    Sobre os personagens de Kirby na revista, eu diria que faz muito sentido. Azzarello & Chiang estão tentando estabelecer a Mulher Maravilha como a heroína que “enfrenta os mitos”, então faz sentido a “família” do Orion aparecer nesse título.

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  2. Esse Ares é um cara que sabe viver muito bem a vida, muito melhor que a versão mau humorada de antes do reboot, tinha cara de que a mulher dormia de calça jeans. Bom texto, 3V !!!

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  3. Parabéns pela matéria V³, não sou muito fã da MM, sempre achei as histórias meio medíocres…como falaram acima, a matéria está melhor que ela propriamente dita…bjos Victor

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  4. Finalmente a Mulher-maravilha está tendo as histórias Mitológicas que merece e com desenhos cheios de ação!Tenho certeza que a Gata-Maravilha irá trilhar o caminho dos grandes personagens(da qual ela é)!

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  5. Estor adorando a revista da MM sob a batura do Azzarello. É daquelas histórias que de tão boas pouco importa quem desenha. Ruim que acompanho via Universo DC e pra ler o Venerável Victor sou obrigado a ler spoiler! =D

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  6. Houve a Mulher Maravilha de George Peréz, linda e decidida, renascida depois de anos e pronta pra bilhar no primeiro time. E mais tarde depois Phil Jimenez seguiria os passos dele. William Messner Loebs e Mike Deodato sensualizaram a personagem, mostraram outro lado de Diana e deixaram Ártemis de presente. John Byrne Brincou um pouco nesse playground do Olimpo, e ele deixou Cassie Sandmark de presente para nós. Então, tivemos Greg Rucka que foi um dos melhores escritores da personagem… até agora. Confesso que não sou fã de Azarrello em outros trabalhos, (seu John Constantine permanece indecifrável pra mim), mas em Mulher Maravilha, ele entra no meu hall pessoal dos grandes autores da personagem, aquele seleto grupo digno de nota e que continuará sendo lembrado senão para sempre, até que os deuses permitam.

    Parabéns pela resenha estupenda, Victor…

    E que venham os Novos Deuses……………!

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  7. Eu passei a me interessar mais por DC com esse reboot, quem diria? Uns cinco títulos acho excelente, esse é um deles. Achava clássica e bonita a visão do George Perez, a Diana era linda e grega… Mas agora esses deuses estão realmente especiais e a Mulher Maravilha parece depois dessa fase antiga, ter realmente uma função interessante na editora.

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  8. Antes dos Novos 52,eu nunca tinha ligado para as hqs da Maravilhosa,mas passei a ler(baixar scans)e realmente está bem interessante.A MM sendo levada ao extremo do que pode suportar realmente está bem interessante.

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  9. Faz anos que a Mulher Maravilha não eh tão bem aproveitada como no reboot, mesmo eu n gostando muito dela, o roteiro é muito rico e totalmente diferente do que estou acostumado.
    Parabens pela materia Victor.

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  10. Isso mostra que, com um mínimo de empenho e pesquisa, é possível escrever muito bem um personagem.
    Azzarello ainda é o meu “medalha de prata”, de qualquer forma. Rucka é o ouro.
    Mas a forma como a MM vai interagir com os novos Novos Deuses já me alegra mais do que a forma como Byrne tratou do assunto.
    Enfim, sucesso pra equipe e que a série / filme não estraguem a ótima fase da Diana.

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  11. Eu comprei o Hardcover há pouco tempo e adorei! E felizmente o 2º volume vai sair já em Janeiro (penso eu). Tou em pulgas para ler a continuação!
    Azzarelo “rula” nesta Mulher Maravilha!
    Está tudo bem feito até agora. Este é um “must have” definitivamente!
    🙂

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  12. É…. e eu me enganei quando imaginava ver a MM de uma forrma e me deparo com outra bem diferente. A pesquisa que o Azzarello fez prá escrever foi surpreendente e ao seu modo ele vai conquistando um lugar de respeito e resgatando o quee estava perdido na personagem. Material massavéio VVV!

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  13. Quem diria… Eu achei que o Azzarello fosse colocar duas pistolas na mão da amazona e fazê-la viajar pelo país dando tiro em ameaças sobrenaturais que nem um episódio medíocre de Supernatural, mas o cara me surpreendeu até o tutano do osso. Essa revista é muito boa mesmo, tirou a Mulher Maravilha de vinte anos de histórias ruins ou razoáveis. 🙂

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  14. Realmente os desenhos do Tony Akins não são dos mais gatim… Porém o cara manda muito bem na composição das cenas! O domínio do traço nos personagens, na fotografia, nos ângulos e nos pequenos detalhes da narrativa são de encher os olhos! O que falta mesmo é um arte-finalista decente! Que deixe o traço digno e limpo com cores mais impactantes!

    Honestamente eu amaria ver a Diana e sua nova “galera olimpiana” no traço do Aaron Lopresti!!! Ela nunca esteve tão maravilhosa quanto na fase em que ele cuidou de suas histórias!!!

    Mas independente disso o que vale é que essa nova Mulher-Maravilha tem uma história muito bem elaborada!!! Há tempos que a amazona mais gostosa da DC (desculpa aí Donna) não era tão bem retratada!!!

    Excelente resenha Grande Victor!!!! 😉

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    1. Provavelmente após a saída de Azzarello (mas que demore bastante, pelo menos mais um ano…), um desenhista que agrade mais no geral, entre, mas com o velho Brian Azzarello nos roteiros, ele vai continuar trabalhando com seus artistas de fé.

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  15. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – All New X-men #2

    Terça – Mulher Maravilha

    Quarta – Arrow episódio #4

    Quinta – Surfista Prateado

    Sexta – Homem Animal de Jeff Lemire

    Sábado – O Quarto Mundo de Jack Kirby
    SANTUARIO

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