HOMEM ANIMAL # 10 – A tinta vermelha de Jeff Lemire

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Resenha de Homem Animal # 10 de Jeff Lemire (roteiro) e Steve Pugh (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

Homem Animal

Buddy Baker, o Homem Animal está morto.

Enquanto um dos três caçadores da Podridão possui seu corpo e se faz passar por ele, a consciência do verdadeiro Buddy viaja até o Vermelho, onde ele encontra um antigo Avatar, agora um pastor, que o guia até os Totens, onde ele deseja tentar uma audiência com eles. Durante o trajeto, eles são atacados por infestações da Podridão, e recebem ajuda dos guerreiros das Terras Vermelhas, seres dispostos a seguir a filha de Buddy, Maxine, como sua rainha. O pastor explica a Buddy que o Vermelho está mudando de acordo com a vontade de Maxine, e que ela é praticamente onipotente, sendo considerada pelos “Grandes Kahunas” a própria vida encarnada. Mas ela ainda não está pronta para assumir suas responsabilidades. O Podre por outro lado, está no auge do seu poder. Dadas as circunstâncias, apenas uma aliança forçada com o Verde pode impedir o pior…

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No plano físico, Ellen Baker recebe a visita de John Constantine, Zatanna e Madame Xanadu, os controversos membros da Liga da Justiça Dark. Eles a previnem sobre o perigo que estão correndo e das consequências de ignorar os fatos. Mas é exatamente o que ela faz, entrando apressada no trailer de sua mãe com ela e Maxine e saindo em disparada do local, para só então se dar conta de que seu filho Cliff não está no veiculo…  o menino está na presença de um homem que ele acredita ser seu pai, mas na verdade é apenas o caçador da Podridão vestindo suas carnes…

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Diante dos Totens do Vermelho, Buddy é lembrado de como fracassou em proteger sua filha, a Avatar do Vermelho e do descontentamento deles em tê-lo “criado”. Os Totens prefeririam criar um novo campeão, mas não existe tempo para isso. Então eles decidem mandar Buddy de volta ao plano físico, mas como seu corpo já está sendo ocupado, é preciso criar um novo…

Jeff Lemire continua espalhando sua tinta vermelha pela revista do Homem Animal, mostrando sua ingrata jornada, seja pelo abstrato mundo do Vermelho, seja como herói e pai. Uma história em que o personagem principal não é o protagonista, e que bebe da fonte do legado deixado pelos grandes autores que passaram pelo título.

Em todas as suas encarnações, ele sempre foi cult e marcou uma época. Com Jeff Lemire, não é diferente.

“Homem Animal”? É sério?

É muito sério. Criado por Dave Wood e Carmine Infantino em 1965 como coadjuvante numa história da Mulher Maravilha, ele era o “Homem com Poderes Animais”. Em sua trajetória ele já se uniu a outros heróis como Adam Strange, Capitão Cometa e Delfim, onde juntos desbravaram o espaço, sendo conhecidos como “Os Heróis Esquecidos”. Título muito justo. Anos depois ele ganhou o famoso título próprio escrito por Grant Morrison, onde experimentaria situações pouco usuais a maioria dos super heróis. O tom de suas histórias ganharia um alto teor de ficção científica com nuances de terror e o alerta em defesa dos direitos dos animais. Morrison estabeleceria seus poderes como advindos de uma intervenção alienígena, na qual ele teria sido ligado ao “Campo Morfogenético” da Terra, de onde poderia acessar as habilidades de todos os animais do planeta. No início com algumas limitações, e depois de forma mais ampla. Após a saída de Morrison, seu título continuaria tendo narrativas pouco convencionais, com histórias excelentes escritas por Peter Milligan, que o faria despertar de um coma em uma realidade paralela e colocaria em seu caminho heróis e vilões “exóticos” para dizer o mínimo. Mais tarde, Jamie Delano teria a inteligente sacada de aproveitar o conceito criado por Alan Moore em sua passagem pelo Monstro do Pântano, o VERDE, uma força primordial da natureza que rege o mundo vegetal, e o adaptaria para sua histórias, fazendo uma versão para o mundo animal, o qual ficou conhecida como o VERMELHO. Rick Veitch (que também ilustrou algumas edições de Monstro do Pântano de Alan Moore e depois de sua saída escreveu ótimas histórias para o pantanoso) também daria sua contribuição ao Homem Animal, mas os conceitos inseridos por Delano é que deixariam a marca mais forte no personagem, provando que não existe uma história tão boa que não possa ser escrita de outra forma sem perder a qualidade ou mesmo excede-la.

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Buddy Baker ainda voltaria ao espaço, mais uma vez ao lado de Adam Strange mas desta vez acompanhado também da princesa Koriander de Tamaran, mais famosa na Terra como a Estelar dos Novos Titãs. E ainda ganharia a minissérie em seis partes “Os últimos dias do Homem Animal”, com roteiro de Gerry Conway, arte de Chris Batista e as capas lindíssimas de Brian Bolland, revisitando seu trabalho espetacular de capista já realizado antes no personagem. Esta história se passa em 2024, onde em um futuro possível, vemos Buddy Baker tentando continuar com sua carreira heroica e lidando com a rejeição dos heróis (e vilões) mais jovens, além de tentar reconstruir sua relação com os filhos. Mas sua nova chance de brilhar voltou quando seu título foi ressuscitado após o reboot da DC Comics. Jeff Lemire, um promissor roteirista do selo Vertigo, assumiu os roteiros de forma a conquistar uma nova legião de jovens leitores e resgatar os antigos fãs. Os conceitos criados por Grant Morrison não foram desconsiderados, mas os alienígenas foram substituídos pelos Totens do Vermelho, que fizeram Buddy acreditar que havia sido abduzido numa tentativa de fazê-lo digerir melhor a situação. O termo “Campo Morfogenético” foi abandonado, e agora a fonte de seus poderes é totalmente atribuída ao Vermelho, aproximando essa versão da apresentada por Jamie Delano, e encurtando cada vez mais a distância entre o Monstro do Pântano e o Homem com Poderes Animais, que agora enfrentam juntos a ameaça em comum da Podridão.

A série começou ilustrada pelo ótimo Travel Foreman, que continua fazendo as capas, mas se afastou da arte da revista devido ao falecimento de sua mãe; o clima sombrio da trama não combinava com seu estado de espírito. Felizmente ele continua desenhando outras coisas para a editora, com o título “Aves de Rapina”, bem mais ameno.

Steve Pugh, velho companheiro de Delano no Homem Animal retornou então à arte, substituindo Foreman, numa escolha muito feliz dos editores, pois seu traço é muitíssimo apropriado ao tom das histórias atuais.

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O escritor Scott Snyder que trabalha no Monstro do Pântano está alinhado com Jeff Lemire na trama dos personagens contra a Podridão, e juntos, esses dois autores da nova geração estão produzindo algumas das melhores revistas de super heróis da atualidade… exatamente pelo fato de fugirem das velhas fórmulas clichês do heróis habituais, e trazendo para eles a inteligência dos roteiros da linha Vertigo de onde vieram.

E embora os campeões do Verde e do Vermelho ainda não tenham se encontrado, é uma questão de tempo até que sua batalha mútua convirja, forçando-os a unir-se contra o Podre.

A capa espetacular de Travel Foreman!!
A capa espetacular de Travel Foreman!!

 Resenha anterior? AQUI! JUNTO!

 Agradecimentos especiais: DARKSEID CLUB!

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38 comentários sobre “HOMEM ANIMAL # 10 – A tinta vermelha de Jeff Lemire

    1. O Vermelho não moral nenhuma ao meu ver… nem o Verde, nem o Podre… estão acima ou apenas ignoram as morais humanas, só querem soberania, comandar… apesar de usarem avatares humanos, eles não estão nem um pouco preocupados com nada que não seus próprios interesses… não existem herois, nem vilões nem tons de cinza……

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  1. Adoro as aventuras do Homem-animal,e agora ele encontra o poder do VERDE,um poder incomparável!Os desenhos estão muito bonitos,espero que a revista permaneça com essa qualidade!Ótimo texto,como sempre,Rodrigo!

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  2. Impressionante como a DC é amadora! O Homem Animal morre e ela nem pra criar um hype com o assunto para atrair leitores! Ela tem muito o que aprender com a Marvel, coitada.

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  3. Jeff Lemire se coloca muito bvem entre Grant Morrison e Jaime Delano como um dos melhores escritores do Homem-Animal, E Steve Pugh melhorou muito desde sua última passagem pelo título. Parabéns pela resenha Rodrigo!!!!

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    1. Valeu amigo… concordo, é bom ver que o personagem tem a sorte de pegar alguns caras tão talentosos como escritores… tomara que isso se torne uma tradição e que um dia alguém que venha a substituir Jeff Lemire nos surpreenda tão positivamente quanto!

      Abraços!

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  4. Esse é um dos poucos títulos do reboot que pode e deve ser visto com respeito. O Steve Pugh está mandando bem pra macaco! “Ululante”, como diria o meu amigo Rodrigo Garrit, em risos. Bem, tenho um interesse todo especial por esse título, por conta do seu histórico explosivo liderado pelo carequinha fofo, Morrison. Mais uma ótima resenha. Abraços!

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    1. Está mandando bem pra macaco? Isso é pra puxar o saco do Victor, Felipe? rsrsrsrs…é sim, esse título é mesmo ululante… rsrs…
      Também devo muito do meu gosto pelo Homem Animal ao Morrison, e apesar dele ter ficado chateadérrimo por terem parado de usar o termo “campo morfogenético” que ele criou com tanto carinhos, sei que ele também deve estar curtindo a volta por cima de Buddy.

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  5. cara mais uma matéria do homem animal na sequencia, assim vc mata papai!!! kkkkk sério, to curtindo muito o site e as materias e homem animal é uma das minhas revistas favoritas (to comprando a revista dark da panini). vlw!!!!

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  6. Ainda bem que tem material de qualidade que se salva.nesse reboot. E também a presemça de pessoas como você Rodrigo e a galera do Darkseid prá separar o joio do trigo e mostrar prá gente!

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    1. A Vertigo ganhando espaço dentro da DC tradicional é um avanço na maturidade da editora… claro, eu sei que ainda estamos longe de ver isso acontecendo de forma mais abrangente, mas essas poucas e boas pérolas já são bem satisfatórias!

      Abs!

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  7. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – All New X-men #2

    Terça – Mulher Maravilha

    Quarta – Arrow episódio #4

    Quinta – Surfista Prateado

    Sexta – Homem Animal de Jeff Lemire

    Sábado – O Quarto Mundo de Jack Kirby
    Tardis

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