O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 01 – As crônicas perdidas dos velhos deuses!

Quarto Mundo

484349_425693114150460_845541137_nResenha de Jack Kirby´s Fourth World # 01 de John Byrne (roteiro e arte) e Lee Loughridge (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

No início o universo era vazio e destituído de forma. Grandes energias nasciam e quase imediatamente sucumbiam enquanto o que era disforme esforçava-se para encontrar seus contornos…

…e a existência desprovida de razão ou sentido ansiava por um propósito.

E disto nasceu aquilo que é eterno, aquilo que é tudo e está além de tudo…

A FONTE!

Por uma eternidade, este foi o PRIMEIRO MUNDO.

Todavia o ente que pensava e vivia no interior da Fonte entendeu, com o tempo, que o universo era destinado a conter mais do que sua própria e imensurável essência…

…então formou-se, no centro do redemoinho daquele antigo cosmo, um mundo.

Vasto ele era.

Selvagem e ainda assim, brutalmente belo.

E a vida gerada sobre a face acidentada de planeta foi igualmente selvagem e bela.

Perdidos nos mais distantes confins do tempo agora estão estes seres.

No entanto, tão magnífico foi o menor momento de suas vidas que, mesmo após incontáveis milênios, a lembrança de suas palavras e feitos continuam a sussurrar na mente dos mortais.

Deuses e deusas eles eram. E até mesmo a mais ínfima porção de suas vidas era gloriosa.

Por dez mil eras, este foi o SEGUNDO MUNDO.

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Então…

…deu-se o momento em que estes antigos deuses sucumbiram.

Os bravos morreram ao lado dos ardilosos. Os bons tombaram, travando combate com o mal incalculável.

Foi o fim para todos.

Tão terrível foi o conflito final, que seu mundo, maior do que a mais ampla das estrelas viu-se destroçado pela fúria daquele Ragnarok. A partir da destruição, uma onda de energia cósmica varreu o espaço, singrando um universo ainda bruto e inacabado.

Onde quer que tocasse deixava para trás um fragmento de si. Uma semente do divino.

Num distante confim do cosmo nascente, esta onda deificada inundou um globo não mais talhado do que o firmamento que o circundava e semeou lá pequenas porções de suas energias já retraídas, tocando e maculando as rochas e os solos de muitas paragens.

…e em seu esplendor, glorioso como o dos outros, na TERRA e nos DEMAIS planetas, fez-se surgir o auge e a nobreza do TERCEIRO MUNDO.

E enquanto tudo isto transcorria, no centro, no ponto de onde a onda energética se propagara, onde outrora um só poderoso mundo revolvera, DOIS incandescentes planetoides lentamente aglutinavam-se a partir dos rodopiantes fragmentos da antiga esfera.

Com o passar dos milênios, um par de planetas pairava contrastando com as trevas infinitas…

…irmanados por seu terrível natalício…

Nova Gênese e seu gêmeo sombrio, Apokolips”.

O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 01: Nascido do trovão e das chamas!

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Capa de Walt Simonson

A história dos Novos Deuses é contada, e o leitor fica conhecendo mais profundamente certos aspectos da criação desses seres e como eles influenciaram todos os outros assim chamados “deuses” em todo o universo.

Segundo a prerrogativa de John Byrne, a destruição do Velho Mundo, além de ter propiciado o surgimento dos planetas gêmeos Nova Gênese e Apokolips, também emitiu poderosas emanações de energia através do cosmos… essas energias se deslocaram através do tempo e do espaço, e ao tocar o planeta Terra séculos atrás na região que um dia seria chamada de Grécia, fez surgir os deuses do Olimpo, que em sua divindade, abriram caminho retroativo no tempo, criando sua própria história pregressa, com contos sobre Titãs colossais e Krakens furiosos.

Da mesma forma, dá-se a entender que outros planetas também foram tocados pelas energias do Velho Mundo… assim sendo, em Tamaran, surgiu a deusa Xhal. Trigon, por outro lado, nasceu como um deus sombrio. Em Krypton, mesmo os mais céticos não podiam ignorar o deus Rao, assim como os sete infernos foram para os thanagarianos. E assim a “onda divina” se perpetuou pelo espaço, diversa em sua essência, mas nascida da mesma Fonte.

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Não vejo a história e os conceitos apresentados como desrespeitosos a nenhuma religião, ela não afirma nem contradiz nenhuma crença, apenas exerce o seu direito de fazer aquilo que vem sendo feito desde as pinturas nas cavernas há milhares de anos; contar uma história. E convenhamos, uma história em quadrinhos que em nenhum momento tem interesse em lidar com a religiosidade da vida real. Parece supérfluo que eu precise dizer isso… e tomara que seja mesmo.

Essa edição nada mais é do que uma grande homenagem ao trabalho de Kirby, com grandes painéis onde Byrne emula os quadros desenhados pelo mestre nos anos 70. O autor elaborou de forma linear o surgimento dos deuses, criou e explicou três mundos anteriores. (Afinal, se o que vimos é o quarto mundo, imagina-se que houve o primeiro, o segundo e o terceiro…). Uma viagem histórica dos primórdios da criação do mundo dos deuses até os dias de hoje, onde John Byrne revisita, reinterpreta e insere novos detalhes ao trabalho deixado por Jack Kirby. Vemos o passado do sanguinário guerreiro Izaya, seus amores, seus tormentos… e o longo caminho que ele trilharia até assumir o manto de Pai Celestial… assim como o jovem e astuto príncipe de Apokolips, sempre rejeitado e subestimado, mas que manipularia a vida de todos à sua volta até se tornar o regente absoluto de seu mundo, cujo nome se repetiria em odes de louvor e gritos de desespero: Darkseid!

“Se uma mentira é dita a fim de garantir um bem maior, ela ainda é uma mentira”?

Pai Celestial

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Somente ao fim da edição, voltamos ao tempo presente, onde vemos Tákion discutindo com o Pai Celestial sobre a loucura de ter fundido Apokolips com Nova Gênese no que aparentemente teve a intenção de desviar a atenção de Darkseid de algo muito maior. Esse diálogo acontece pouco antes dele mesmo e do próprio Darkseid fundirem-se à Fonte. Paralelamente, Tigra, a mãe de Órion e prisioneira do Senhor de Apokolips consegue se libertar e invadir o laboratório de Desaad, que desapareceu junto com o filho de Darkseid. Ela aciona sua máquina proibida, cujo efeito causa até mais medo nos engenheiros de Apokolips do que o seu próprio mestre sombrio… e Tigra logo descobre a finalidade da máquina: ela abre um portal de matéria de onde é possível resgatar deuses há tempos esquecidos…

E o primeiro deles a ressurgir é o poderoso Thor.

Leia mais sobre os Novos Deuses clicando aqui.

– O texto de abertura deste artigo é de autoria de John Byrne, trabalhado em cima do original de Jack Kirby.

PARABÉNS AO ANIVERSARIANTE  DE HOJE, O NOSSO SACERDOTE DESTEMIDO E VENERÁVEL VICTOR VON DOOM VAUGHAN !!!

1

OBRIGADO PELAS MACAQUICES!! FELICIDADES!!!

S_Final

2

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15 comentários sobre “O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 01 – As crônicas perdidas dos velhos deuses!

  1. Show de bola demais a resenha desta semana de Novos Deuses! Nota 10 sem dúvida alguma. Parabéns, Rodrigo pela escolha da abertura… fantástica narrativa do Byrne!

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  2. Caraca….. esse material me lembrou o OMAC recente pois tenta simular o traço do mestre Kirby. Vindo do Byrne eu vejo isso como uma grande prestação de contas e ode àqueles que incurtiram a arte na cabeça de várias pessoas que seguiram e seguem o caminho dessa arte.!!!! E só o povo do Santuario prá mostrar essas coisas. Obrigado e mais uma vez obrigado!!!!

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  3. LINDA resenha, olha, muito obrigado pela lembrança e homenagem no fim da matéria, Garrit. Que aniversário abençoado esse que cai logo em um dia de Novos Deuses no site! mais uma coisa, arrepiei no final da matéria… Thor??? Que viagem maravilhosa e cheia de simbolismo…

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  4. Acho que comecei o meu sábado maravilhosamente bem, Rodrigo! Muito obrigada, fico até com medo de perguntar o que vai ser de nós quando acabar o material dos Novos Deuses… E Victor… Parabéns seu FDP maravilhoso!!!!! (é carinho, tá? Mas você sabe que é! rs)

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