Liga da Justiça Dark # 10 – Os Mistérios da Vida!

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teste02 Resenha de Liga da Justiça Dark #10, de Jeff Lemire (Roteiros) e Mike Janin (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

Dark 10
Capa de RYAN SOOK!

John Constantine criou uma rede de mentiras para convencer alguns magos poderosos e  até dois agentes da organização A.R.G.U.S. (chefiados por Steve Trevor, porta voz da outra Liga da Justiça) a se juntarem a ele na busca pelos Livros da Magia, o que os leva até a famigerada Casa dos Mistérios.

Mas no mundo material, a Madame Xanadu tem uma visão do futuro, onde uma versão do próprio Constantine aparece para ela, alertando que é preciso impedir que seu “eu” mais jovem tenha acesso aos livros, ou os resultados serão catastróficos.

Só que para impedir que Constantine ponha suas mãos fedendo a nicotina nos Livros da Magia, é preciso que eles sejam dados a única pessoa mística do mundo pura o suficiente para controla-los. (Tim Hunter, certo? Hmn…)

Essa edição monstra muitos bons elementos do universo mágico da Vertigo, como a Casa dos Mistérios, que além de ter título próprio no selo adulto, também era um “personagem” importante nas HQs de Sandman de Neil Gaiman, quando se localizava no Sonhar, ao lado sua gêmea, a Casa dos Segredos, ocupadas por Caim e Abel, respectivamente. Os três demônios irmãos Abnegazar, Rath e Ghast também dão o ar de sua graça e são velhos conhecidos dos recônditos sombrios da editora. Criados por Gardner Fox como vilões coadjuvantes para a Liga da Justiça, também deram as caras na revista do Sandman na versão escrita e desenhada por Jack Kirby, e também na versão de Neil Gaiman para o personagem, onde eles causaram problemas para Morpheus e na mesma história, para o Sandman de Kirby. Eles também flertariam com Neron na Liga da Justiça de Grant Morrison, numa edição que por sinal tem a participação de Daniel, o sucessor de Morpheus como Sandman, que na verdade sempre foi o Sandman desde o início dos tempos…

É, esses lances de magia podem dar um nó na cabeça. Mas não dá para negar que são fascinantes, e conduzidos pelo habilidoso Jeff Lemire, nos fazem viajar na sua imaginação onírica. A forma como o mago maligno Félix Fausto é reapresentado aos leitores mostra que tempos sombrios estão à caminho… o que significa ótimas histórias de terror chegando, com uma pitada de super-heroísmo.  Mikel Janin mantém sua qualidade estética, detalhista e dentro do possível, realista. Eu acredito nos monstros que ele desenha.

É mais uma ótima edição da linha “Dark” dos Novos 52 da DC.

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É mais um dia exaustivo, chego em casa ainda zonzo do escritório. Estou cansado de verdade e ainda tem a mudança… estou me mudando e as caixas estão empilhadas no meu quarto, vazias, esperando por algo. Sinto uma dor de cabeça irritante, martelando meus pensamentos. Posso jurar que vi pequenas formações translúcidas à minha volta, como fios de cabelo prateados bailando ao meu redor. É preciso me recompor, é preciso me alimentar, é preciso alimentar os gatos.

É preciso…

O telefone toca. Do outro lado, alguém me chama para visitar um amigo, internado numa clínica. Uma clínica para dependentes químicos. Era hoje o dia de visita? Eu não sabia… afinal, eu nunca o havia visitado. Não por desinteresse, não por não desejar com todas as minhas forças que ele se recupere. Mas por uma covardia egoísta. Eu sempre dava uma desculpa para não ir… da última vez, lhe escrevi uma carta. Mas meu interlocutor disse que queria muito que eu fosse dessa vez, que seria importante que ele me visse, que soubesse que eu me importo. Mas eu me importo! Escrevi isso na carta. Escrevi, com palavras bonitas e reconfortantes, ausentes do tom da minha voz. Eu disse que não podia ir. E eu tinha todos os motivos do mundo. Cansaço, covardia egoísta, preparação para a mudança. Mas o motivo que lhe dei foi este: “Não posso sair de casa, pois preciso escrever um artigo para um blog”.

“É sério”? – ele me disse.

Eu derrapei nas palavras nesse momento. “É sério”?

E eu congelei em um segundo infinito, bombardeado por uma tempestade de questionamentos e reavaliações. Pois, até aquele momento, era sim, muito sério. Mas dali em diante, algo me tomou de assombrou… vergonha, estupidez… egoísmo.

Diante do meu silêncio, meu interlocutor perguntou: “E sobre o que você vai escrever”?

E eu falei sobre a revista em quadrinhos chamada “Liga da Justiça Dark”, onde alguns heróis obscuros do universo DC se unem para combater ameaças sobrenaturais. Falei sobre John Constantine, um mago inglês muito sacana… que tinha boas intenções, mas como de boas intenções o inferno está cheio, ele sempre deixava os seus amigos na mão…

Algo me paralisou de novo. O que era isso? Apenas culpa? Consciência pesada?

Tomei um banho, troquei de roupa e combinei tudo… estava decidido que não podia mais esperar, precisava ir para aquela clínica visitar meu amigo de qualquer jeito. Ao chegar lá, o encontramos sentado numa varando, com o olhar focado no horizonte. Nos cumprimentamos, e a mágica verdadeira começou. Eu esperava que ele estive, de fato, chateado por eu nunca ter ido antes, mas o sorriso dele ao me ver desmontou todo o cenário tenebroso que eu havia montado na minha cabeça. Nos abraçamos e ele tinha os olhos marejados. Me senti aquecido por dentro, como se tivesse voltado a experimentar velhas sensações puras e inocentes de quando era criança. A felicidade à nossa volta era palpável. A verdadeira mágica estava em andamento.

Mas logo me recuperei e senti a necessidade de dizer “Me desculpe por não ter vindo antes”, mas ele disse “o importante é que você veio”, sempre sorrindo.

Conversamos e rimos como nunca. E ele era como um sol jovem, despontando, reaprendendo a iluminar. Falamos bobagens e sobre coisas tristes também… falamos sobre o Crack. “Um dia de cada vez”. Falamos sobre a esposa que jogou suas coisas na rua. “Ela era como uma droga para mim também…” E falamos sobre os seus filhos pequenos. “São a minha luz, a minha força, o meu poder de transformação”.

A verdadeira mágica estava em seu auge.

Antes de ir, ele me disse: “Ei Rodrigo, você ainda gosta de quadrinhos”? Eu assenti. Então ele me mostrou um exemplar da revista “Dark” da Panini. “Eu tenho lido muito desde que cheguei aqui, mas numa das minhas saídas junto com meu supervisor, vi esse gibi numa banca e resolvi comprar. É bom”!

Nos abraçamos, despedindo-nos.

Voltei para casa, e não havia mais dores de cabeça. Nem preocupações ou cansaço. Mas ainda foi preciso alimentar os gatos.

Então me sentei aqui na frente do computador, e decidi redigir o meu melhor artigo jamais escrito para o Santuário. Mesmo que isso não seja necessariamente verdade. Mas não importa. Algo mudou em MIM, e essa mudança foi para melhor.

E assim a mágica verdadeira se completou.

Dark
Eis um mistério: Essa arte não parece levemente diferente da capa da revista mostrada acima?

Resenha anterior? Atravesse o portal AQUI!

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23 comentários sobre “Liga da Justiça Dark # 10 – Os Mistérios da Vida!

    1. Valeu meu amigo!! Que bom que além de vigiar o setor 2814 você anida tem um tempinho pra acompanhar nossos textos do Santuário! =)

      Abraços!!

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    1. Poxa. lamento que pense assim. Homem-Animal, Monstro do Pântano, Frakenstein – Agente da S.O.M.B.R.A., e outros em menor escala são muito bons.

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      1. A linha Dark não é uma unanimidade, mas tem cumprido bem o papel que foi proposto… mas é bom ver todos expondo suas opiniões!

        Abraços!

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  1. Quando essa revista estreou, acreditava que poderia ser o melhor título da DC ou um dos melhores, mas Peter Milligan não fez um trabalho ruim, porém não emplacava por causa do excesso de viagens sem sentido na narrativa, ele funciona muito melhor na Vertigo. Mas aí chegou o Jeff Lemire e essa revista é sim hoje muito boa de acompanhar. O melhor título Liga da justiça da DC, um “Pacto das Sombras”só com grandes astros ou os melhores brinquedos da DC! parabéns pelo texto, cara! 😉

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    1. Valeu Victor, realmente a Liga Dark está tendo histórias que na minha opinião são bem mais interessantes que as do outra Liga (pelo menos por enquanto), audacioamente indo aonde nenhum Pacto das Sombras jamais esteve… 😉

      Abs!

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  2. Só prá constar. A pose da segunda ficou melhor que a primeira! E rever o Harry Po…..ops, Tim Hunter com certeza será o máximo. Foi citado sobre o Fausto pai. E o filbo que apatecia nos Renehados? Olha que tem espaço prá ele aí. Como também a porteira anerta prá todo o Sonhar, já que a DC tá afundando a Vertigo, ojeito é se contentar com o que tá sonrando. Outro dia eu falei em atitudes suicidas
    Novos 52 prá algumas séries foi a morte e prá outras como essa, a vida.

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    1. Concordo… a segunda capa ficou bem melhor mesmo.
      Eu sou suspeito pra falar do Tim Hunter, sou fã do personagem criado por Neil Gaiman… e minha expectativa só cresce quanto a isso.

      Abração, Nilson!

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    1. Depois de muita desconfiança, hoje posso dizer que estou muito satisfeito com o uso dos personagens da Vertigo na DC tradicional.

      Valeu amigão…

      Abraços!!

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  3. Gaimam é um gênio.

    Lembro que comecei a ler “Os livros da Magia” uns 11 anos atrás pra saber quem era o Tim Hunter… longa história!

    Adorei a matéria, Rodrigo! Amo Gaiman e Sandman, e Constantine tbm é muito querido!

    “É preciso me recompor, é preciso me alimentar, é preciso alimentar os gatos.” -> meu lema diário.

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    1. Letícia, sempre é bom trocar essas ideias contigo! =)

      A série “Os Livros da Magia” merece ser publicado no Brasil em encadernados pra gente guardar na estante… eu vibro nessa energia!

      A gente pensa que tem gatos em casa… mas eles é que têm a gente… rs

      Bjos!

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    1. Putz! Vc resumiu Eu, Vampiro ( Eu, o Vampiro pela Panini numa desesperada tentativa de fugir da tradução dos scans?) em gênero, número e grau… POSE! A embalagem ali é melhor do que o conteúdo.

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      1. Além da pose do vampiro Andrew tem outra coisa diferente meus caros… 😉

        Eu tenho curtido as HQs do vampiro até o momento… acho que a história começou realmente bem lenta, mas está evoluindo…

        Abs!

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  4. A coisa melhorou com o Lemire, elas estavam um tanto chatas e monótonas com o Milligan. Valew por mais essa, Venerável Victor.

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