Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 10 – No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas

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FRANKContinuando a série de resenhas do título (agora) produzido por Matt Kindt (roteiro), Alberto Ponticelli (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

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As férias de Frankenstein são encurtadas pelo ataque de insetos extradimensionais enviados por um traidor da S.O.M.B.R.A.

Frank e seu Comando das Criaturas são enviados até o território inimigo, localizado numa dimensão inversa, onde precisam rastrear o traidor e trazê-lo para a base.

Durante o percurso, alguns estranhos flashbacks surgem na mente de Frankenstein. Após encontrar o suposto traidor, ele é surpreendido por uma revelação intrigante, na qual o próprio Frank seria o traidor… e em seguida é lançado através dos céus (mares?) inversos, rumo a sua própria dimensão, porém sem o equipamento de transição que usou para entrar, seu corpo está prestes a se desmaterializar molécula por molécula.

Ao mesmo tempo, os flashbacks retornam, e vemos alguns relances de sua memória onde ele parece vestir um traje típico da idade média… e uma camisa de força.

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É a primeira edição do escritor Matt Kindt, que substitui Jeff Lemire como autor dos roteiros. Houve uma pequena confusão devido ao fato do nome de Lemire ter saído na capa dessa edição, dando a entender que ele ainda teria algo a dizer nesse título. Mas o erro foi corrigido rapidamente, e novas capas foram impressas confirmando o novo roteirista de Frankenstein. (Notem a imagem da capa que usei para ilustrar essa matéria).

A transição do roteiro foi amigável, porém sem o equipamento que Lemire usou para entrar, a história de Kindt está prestes a se desmaterializar molécula por molécula.

Ele não ignorou o trabalho de seu antecessor, mas já deu a entender que não se aprofundará na caixinha de mistérios deixada por ele, tendo assim a oportunidade de confeccionar seus próprios mistérios. O que não é necessariamente ruim. O ritmo da história mantém o mesmo tom exagerado de ameaças impossíveis sendo combatidas por tecnologias ainda mais impensáveis. Matt fez uma boa caracterização dos personagens, incluindo o protagonista, exceto pelo fato de que Frank estava disposto a abandonar suas atividades como agente da S.O.M.B.R.A. por tempo indeterminado, o que se transformou apenas em breves e não concluídas férias. A citação de fragmentos poéticos, principalmente o romantismo gótico de Lorde Byron é uma característica do personagem, mas foi usada em excesso… em vez de frases de efeito assertivas, tornou-se maçante e perdeu sua profundidade. Mas o autor sabe disso, afinal, ele escreveu a fala do Lobisomem quando ele diz, referindo-se ao Frankenstein: “Não teria como deixa-lo no modo ‘mudo’”?

A equipe artística continua a mesma, com os desenhos convenientemente imprevisíveis de Alberto Ponticelli, e as cores sempre primorosas de Jose Villarrubia.

É um novo capítulo na história desse adorável monstro, que seguindo os parâmetros deixados por Jeff Lemire vai contar algumas histórias divertidas, mas deixar no ar que rumos ele teria tomado se tivesse continuado a desenvolver as minúcias criadas desde o início.

Independente do que esteja reservado a ele no futuro, dificilmente deixaremos de ver o personagem crescer em importância no cantinho Dark da DC Comics.

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No ciclo eterno das mudáveis coisas 
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.

No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas” – Ricardo Reis, in “Odes”
Heterônimo de Fernando Pessoa.

Resenha anterior de Frankenstein AQUI!

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15 comentários sobre “Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 10 – No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas

  1. Se a 89, a RÁDIO ROCK! voltou, porque o Frank não voltaria? Fazer os encadernados com tiragem menor e não deixar os fãs na mão é a saída. Só basta aos nerds da Panini/DC se convencerem disto. Mais uma visita massavéio ao universo de Frank trazida pelo poeta sobrevivente do fim do mundo. Agora a questã que não quer calar. Será que a essa hora o destemido Venerável Victor Vaughan já estaria no seu banker na Latvéria, protegido de todos os perigos do fim do mundo, ao lado de seu grande assecla Fubá e nem contato com o mundo virtual ele teria, pois não deu as caras prá deixar os comentos??? Minha imaginação está indo muito longe hoje………..

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    1. Frankenstein é um sobrevivente nato… quanto ao Victor, rogo com todas as forças que tenha se salvado…e volte logo!

      Abs!

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    1. Eu costumava odiar os desenhos dessa revista, mas agora acho o máximo… sempre fui fã do personagem, (na literatura, cinema e etc), e adorei o que Grant Morrison fez com ele em “Sete Soldados da Vitória”… sobre essa versão do Lemire, logo de cara, fiquei com o pé atrás nessa coisa dele ser o “Hellboy da DC”, mas entendi o tom de paródia e caricatura da coisa… é uma questão de entrar nesse clima… ou não!

      Abraços!!

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    1. E o mundo não se acabou… rsrsrs…Valeu amigo, tomara mesmo que pelo menos lancem um encadernado finalizando o título dele…

      Abraços!

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