Astronauta – Magnetar

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Por Carlos Lenilton

astroDepois de ler inúmeras resenhas elogiativas e de ver circulando no Twitter outros tantos belos comentários a respeito desde álbum, eu disse a mim mesmo que precisava ler este lançamento. E que não podia deixar de falar sobre o melhor quadrinho brasileiro de 2012.

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Vi a oportunidade de adquiri-lo na X Bienal do Livro de Fortaleza, minha querida cidade. Muito já se falou desta revista, o que torna a tarefa de comentá-la um tanto mais difícil, pois vários foram os pontos de vista e aspectos já apresentados. Portanto decidi abordar minha relação pessoal com ela.

Era certo que compraria Astronauta – Magnetar naquela sexta. É o tipo de lançamento que você não tem opção a não ser possui-lo. Isso ou ficar pra trás nas conversas com os amigos, seja no posto tomando uma breja ou no Facebook participando de alguma discussão. Comprei-o no estande da Comix e no primeiro instante fiquei em dúvida sobre qual versão comprar: o de capa dura ou o de capa cartonada. Decidi-me pelo último e somar os R$10,00 economizados a outro quadrinho. Depois me arrependi muito da minha decisão, pois sua capa belíssima é de encher os olhos e merecia mesmo o investimento na sua versão de luxo.

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Os ilustríssimos Danilo Beyruth (artista) e Sidney Gusman (editor).

Nem esperei chegar em casa, pus-me a lê-lo por lá mesmo. De primeira já afirmo que o álbum não deixa a desejar pra nenhum concorrente estrangeiro. A arte, as cores o acabamento tudo coisa finíssima, me deu orgulho este Astronauta – Magnetar. A esta altura você está careca de saber do que se trata, mas não custa nada informar: Astronauta – Magnetar nos apresenta uma releitura do clássico personagem criado por Mauricio de Sousa. Narra uma aventura que na verdade se torna um fracasso, similar ao de Apollo 13 citada de forma muito inteligente na trama, onde após pesquisar um fenômeno natural conhecido como magnetar, o Astronauta vê-se, após um erro, perdido e isolado nos confins do espaço. São meses à deriva, completamente solitário e sofrendo todos os efeitos psicológicos que uma situação dessas traz. A única “força” presente aqui é a da própria vontade do personagem, que “teima” em não desistir e deixar-se levar pelo esquecimento, sozinho e distante de todos que ama. E é nas lembranças dos entes amados onde, talvez, resida sua única chance de salvação. Magnetar se passa no espaço, a bordo de uma astronave, e mesmo assim, consegue contar a mais humana das histórias.

Pode não ter nada a ver e talvez eu esteja apenas “viajando”, mas como sou do nordeste e vira e mexe vejo notícias em telejornais sobre o assunto, não pude deixar de me comover com sua luta desesperada em busca de um elemento tão abundante e por vezes tão difícil de se conseguir quanto a água ( e que não tomem isso como um reforço negativo sobre minha região). Também me fez brilhar os olhos a excelente opção pela repetição de páginas para mostrar o terrivel isolamento e o longo e lento passar dos dias… é angustiante.

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O texto econômico quando preciso, e explicativo quando necessário, é certeiro e mesmo em se tratando de um monólogo, a maior parte do tempo nunca cansa.

Parabéns a todos os envolvidos, mas principalmente a Danilo Beyruth pelo trabalho aqui apresentado. Criou uma HQ memorável, um clássico instantâneo.

Que venham mais releituras desse nível. Estou aguardando ansioso.

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16 comentários sobre “Astronauta – Magnetar

  1. mais um belo trabalho do Danilo Beyruth e parabenizar também Sidney Gusman por dar corda a esses caras vlww santuario………. já li e recomendo.

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  2. Desde que ouvi falar desse projeto, já sabia que iria ter. Li os dois Necronauta, e Bando de Dois, e acho que o Danilo Beyruth pode ser considerado um dos melhores artistas nacionais da atualidade. Sua narrativa simples, mas completa tem o melhor de Will Eisner, mas com personalidade próprias. Adorei! E AStronauta, com toda certeza, vai ser considerado a melhor hq de 2012!
    Já estou me preparando pra ver ela ganhando todos os prêmios do meio.
    Escrevi um texto sobre ela assim que terminei de ler, confira aqui:
    http://www.mauafacil.com.br/ler-artigo/80/astronauta–magnetar/
    Abraços!

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    1. Oi, Lexy! Concordo com vc quando diz que a despretensão do Beyruth torna seus quadrinhos muito melhores do que os de vários autores que estão sempre em busca da obra perfeita… forçosamente perfeita. É muitas vezes do simples que surgem obras eternas. Meu voto pra melhor de 2012 já.

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  3. Eu quero muito ler isso… tenho muito orgulho de saber que existe uma HQ com tanta qualidade sendo publicada no BRASIL, criada e editada por BRASILEIROS… e o melhor é que é dentro (ou muito próximo) dos meus gêneros preferidos: super-herois e ficção cientifica!

    Parabéns pela matéria, Carlos!!

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    1. Valeu, Rodrigo! Dei uma atualizada no texto pois ele foi escrito há meses durante a Bienal. E dê um jeito de ler pois vale cada centavo/minuto empregado. Abraço!

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  4. Essa é uma edição que o próprio Sidão (que esse momento passa por merecidas férias em Orlando e Miami) me disse: “Nilsão, esse é um material que mesmo o cara que parou de ler, precisa ter!!!! Já é um sucesso!”. Isso aconteceu no lançamento do álbum na Fest Comix. Os camaradas que me acompanham no Facebook podem conferir uma foto minha ao lado deste companheiro que já conheço bem há uns 15 anos (acompanhando seus trabalhos em outras editoras e diversas vezes como concorrente de seu site: o Universo HQ).
    Ele é uma pessoa determinada, ousada e tem tino afinadíssimo para o que realmente dá certo! Prá quem tem boa lembrança, a idéia de trazer novamente a Wizard (revista) para o brasil foi dele e a Panini comprou. Sucesso de primeira e que aumentou ainda mais o prestígio que ele já tinha no mundo editorial. Maurício de Souza, também conhecedor do trabalho dele o arrebatou para o lado “dentuço” da força e o colocou como braço direito, junto de sua família, primeiramente para tocar os negócios e depois de uma forma ousada também captanear todos os novos projetos da empresa. “MSP 50” foi só a ponta do iceberg de não um universo, mas de um multiverso: Infinitas releituras dos personagens da turma da Mônica dando um grande gás e abrindo caminhos para explendorosas viagens, como é o caso de Magnetar (lançado no ano passado), A Turma da Mônica (pelos irmãos Lú e Victor Cafaggi e que até ganhou um destaque num comercial de fim de ano da Coca-Cola), Chico Bento por Gustavo Duarte, Piteco por Shiko (estes últimos tiveram seus lançamentos adiados, mas com o sucesso de Magnetar -, que só a lembrar está na sua 2º tiragem tanto no de capa dura como cartonada).
    Não tomei vergonha ainda, mas acredito que posso dispor de um lugar na minha pequena caixa de fósforo, que dizer, apartamento, para colocar este clássico que PRECISA conquistar o mercado externo e mostrar que a produção brasileira não é somente feita de coadjuvantes dos escritores americanos mas de mentes pensantes que dominam com maestria aos desafios que lhe são dados.

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    1. Concordo em gênero, número e “degrau” com tudo escrito aqui. Não sei quanto aos EUA, mas creio que o mercado europeu seria fisgado na hora.

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      1. Eu também concordo com tudo, só digo que não vejo o Universo HQ como nosso concorrente… é um dos melhores sites de quadrinhos, senão o melhor… acesso todo dia e sou fã. E o Sidney Gusman é tudo de bom na vida das pessoas… tomara que ele consiga realizar tudo o que pretende, pois os quadrinhos brasileiros só tem a ganhar e a se desenvolver talvez como nunca antes na história, ouso dizer. Astronauta é presença obrigatória na minha estante, e mal posso esperar pelos próximos lançamentos da linha.

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        1. Rodrigo. Não o Santuário seria um concorrente do UHQ, mas a época que eu trabalhei com o pessoal do HQ Maniacs (HQM). Foram 2 anos, antes do Carlos abrir a editora. A gente levava o trabalho como concorrência mesmo. Atualizávamos. o site no final da noite e início da madrugada prá mostrar todas as novidades antes de todo mundo.

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      2. Já foi!! Se você olhar pela quantidade dos nossos colegas luzitanos que já lançaram resenhas do material, e a facilidade como o Maurício coloca as suas publicações na Europa, não demora prá uma editora ou até mesmo a Panini européia fazer isso!

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