J.K. Rowling e Morte Súbita.

Bar da Barda

541701_441581532561618_455497655_nPor Leticia “Nimphadora” Fiuza, que ao fazer esse texto não conseguiu ser muito imparcial.

Depois que Harry Potter foi finalizado, os fãs do bruxinho ficaram ávidos por um novo livro vindo das mãos de Joanne Kathleen Rowling e quando ela anunciou em seu Twitter que tinha novamente voltado a escrever, houve o maior frisson. Teorias que um novo livro ambientado no mundo na magia poderia ser lançado, talvez a tão esperada enciclopédia ou a série sobre Os Marotos, pulularam por todas as redes sociais e mídias.  Mas J.K. estava preparando uma surpresa ainda maior, um desafio para ela e até para os fãs.

 Saindo do conforto e certeza de sucesso que a série Harry Potter lhe trouxe, a escritora escocesa anunciou que lançaria um romance único, para o publico adulto e em nada ligado ao bruxinho inglês. Choque? Sim, Inicialmente foi esse o sentimento, mas algum tempo depois, a curiosidade e fidelidade sobressaíram.

Os fãs que cresceram lendo Harry Potter, hoje já são adultos, ou seja, publico garantido, mas será que J.K. conseguiria se firmar num terreno novo e tão diferente de Hogwarts?

JK-Rowling-Morte-Subita
J.K. Rowling e seu novo livro, The Casual Vacancy, ou Morte Súbita no Brasil.

 Confesso que fiquei aliviada por terminar as últimas páginas de “Morte Súbita” – o novo livro – com lágrimas nos olhos e laços criados com os novos personagens que a escritora nos apresentou. J.K. Rowling está livre do estigma de ser escritora de uma história só.

Um livro simples, porém, muito criativo. Com personagens bem construídos, eles são complexos e reais.  Pessoas comuns, com segredos, medos, costumes; são falíveis, corruptíveis e também amáveis, simpatizantes ou repugnantes.  E você vai aos poucos os conhecendo e isso dá profundidade ao relacionamento entre leitor e leitura, proposto pela escritora.

 A premissa da história é o que um acontecimento casual pode acarretar na vida de várias pessoas, direta e indiretamente. E isso nos faz pensar, por que é algo que realmente acontece, por que é da natureza humana.

 Quando comecei a ler “Morte Súbita” estava super empolgada, afinal, era o livro da minha escritora amada, mas de cara senti uma estranheza imensa na forma da escrita e vocabulário e situações apresentadas.

 A primeira vista foi um choque, pela crueza de ações e acontecimentos, mas me fiz lembrar que esse livro era para o público adulto e que se estivesse lendo um livro escrito, digamos, por Stephen King, isso não teria me causado nenhum tipo de surpresa, mas como era J.K.  e até então eu ainda estava condicionada a relaciona-la aos livros de Harry Potter e a sutileza usada naquela história, levei algum tempo para me acostumar. Não que isso prejudique de alguma forma o livro, pelo contrario, isso a meu ver, mostra que ela pode brincar em qualquer tema e se sair muito bem.

 O começo do livro não prende, não chega a ser cansativo, mas não é algo que te faça querer voltar correndo para as páginas ou não soltá-las, entretanto, de uns capítulos em diante (a partir da página 100 mais ou menos), você começa a querer continuar na vida dos moradores de Pagford, quer saber mais, quer conhecer mais os segredos de cada um e ai sim, a história engrena e fica gostosa de ler.pagford

O livro trata de assuntos pesados, porém de forma clara e até leve. Tabus como drogas, sexo e gravidez na adolescência, prostituição, estupro, bullying, incesto, preconceito, doenças mentais, violência doméstica, mentiras, política, ganância, e acima de tudo, superação e bondade preenchem as páginas de “Morte Súbita”.

Mostra com detalhes como dois eventos trágicos de morte podem revelar o que há de pior e o melhor das pessoas. Desde desejos mesquinhos e arrependimento e doação profundos, coragem incondicional acima dos próprios temores, tentativa desesperada de corrigir seus erros e de outras pessoas pensando no bem de um terceiro. O livro não fala sobre magia, mas mostra magia sendo feita no dia-a-dia, na vida de pessoas comuns.

 Para mim, esse livro veio para mostrar que J.K. Rowling acerta em tudo que faz, sendo com bruxos, com personagens ordinários, seja com coelhos. Espero ansiosa por mais títulos vindo dessa escocesa que é meu ídolo.

Recomendo a leitura, fãs e não fãs vão gostar, mas lembro de que o livro trata dos temas citados abertamente, com palavras e ações de acordo, portanto, não indico esse livro para menores de 15 anos.

 E também, depois de ler esse livro, nunca mais ouvirei “Umbrella” da Rihanna da mesma forma que antes, hoje ela tem um significado muito mais bonito e especial para mim.  😉

 

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19 comentários sobre “J.K. Rowling e Morte Súbita.

  1. “Umbrella” tem um significado muito forte para mim por razões extremamente pessoais, imagina agora quando for ler esse livro? Porque fato, vou ler, você pôs tanto amor nessas palavras que mesmo que tivesse “uma certa resistência” , já estava vendido para a J. K. Rowling no meio do seu texto, bruxinha.

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  2. Resenha incrível de um livro fabuloso! Amo o jeito como a J. K. Rowling “vende” seus personagens… Eles não se baseiam em características amadas pela mídia. Além de tudo, ela parece contar a história que quer com as melhores palavras para tal. Sem dúvida, minha fonte de inspiração.
    Parabéns pela resenha! E que nos venham muitos outros livros (ligados a Harry Potter E não, porque a tia Jo pode tudo! Hahahaha…). ;D

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      1. o livro é legal. história trágica, final emocionante e tal.
        Mas (sempre tem um mas) se fosse outro o autor talvez nem fosse publicado.
        realmente esperava mais e desejo que a autora desista dessa linha e volte a escrever o que a consagrou
        Sobre sexo, drogas e infâncias infelizes não faltam livros, e autores, mas prefiro os baseados em fatos reais e não os de tragédias inventadas.

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  3. J.K. Rowling tem o dom de transitar pelos universos e dominar cada área daquilo que se propõe a fazer. Ela nasceu com uma estrela para o sucesso… se isso não é mágica, não sei mais o que é…

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  4. Chuchu, parabéns! Um primor de resenha! >Soube ser imparcial mesmo colocando o coração!;)
    Estou com o meu aqui, mas ainda não li, tá na fila. E tenho certeza que vou gostar, porque J.K. é uma escritora de mão cheia mesmo ^^

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    1. Brigada *-*
      Eu babo nela, não tem jeito. Qdo comecei a ler, tava com tanto medo de não gostar que isso parecia meio que deslealdade hahahha, mas não tive esse pbm, amei o livro e tenho certeza que vc tbm vai gostar e muito. É tenso, mas vale a pena. =D

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  5. Amei o texto. Sei que muitos não vão concordar comigo, mas gostaria que ela escrevesse mais livros ligados à Harry Potter ( pq esse nerd aqui, apesar di ser 19 aninhos, nao curte muito histórias de “sexo, drogas e prostituição”).
    Mas tenho que admitir: o livro deve ser ótimo.

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    1. Bem, eu sou uma das que vão concordar com vc. Não digo um livro de Harry Potter, pq ela finalizou bem a história dele, mas pode ser algo voltado ao universo da magia, isso já estaria ótimo, afinal, os livros apêndices de HP são super legais.
      E obrigada! ^^

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