MAINSTREAM X UNDERGROUND ou BATMAN: GOTHAM CITY 1889 X A PISTOLA VOLCANIC

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Por Carlos “em cima do muro” Lenilton

Img de CapaHoje trago minhas impressões sobre dois maravilhosos gibis distantes léguas um do outro. Um é um formidável produto de massa, testado e aprovado por milhões. O outro é um finíssimo representante do que de melhor se pode ler nos quadrinhos americanos undergrounds. Cabe a você depois decidir o que vai por na sua feira do fim de semana.

Um dos grandes trunfos da DC Comics sempre foi suas histórias alternativas com versão variadas de seus conhecidos personagens. Dessa premissa, saíram grandes histórias, alguns clássicos eternos tais como Batman – O Cavaleiro das Trevas, Reino do Amanhã e Watchmen para citar apenas três. E, embora Gotham City 1889 não seja a primeira revista a beber dessa fonte inesgotável de boas histórias, foi a primeira a levar o selo Elseworlds na capa. Elseworlds ficou conhecido no Brasil como Túnel do Tempo.

Em Gotham City 1889 (Gotham by Gaslight, no original), o tradicionalíssimo personagem Batman e sua mitologia são transportados para o passado e recriados ao sabor da época. Assim, temos a oportunidade de ver o mito remodelado, sem influenciar sua versão tradicional.

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Nesta história, escrita por Brian Augustyn, acompanhamos o Cruzado de Capa em sua busca por justiça e vingança pela morte de seus pais (Sim. Aqui, como lá, ambos são assassinados quando Bruce Wayne era criança) treinando com o grande detetive inglês Sherlock Holmes (bem, diga-se a verdade, isso é apenas citado no álbum) e afiando a mente com ninguém menos que Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

Nossa história começa, exatamente, ao fim de seu árduo treinamento, consumado na Europa. Onde, na época, estavam as maiores mentes do planeta. Bruce Wayne embarca de volta pra América sem saber que, no mesmo navio, encontra-se Jack, O Estripador em busca de novos lugares para continuar seus bizarros crimes, uma vez que toda a Inglaterra está em seu encalço. Interessante notar que o escritor teve o cuidado de pesquisar em quanto tempo, na época, se fazia esta viagem e colocar o resultado nas anotações de Wayne (a embarcação que sai no dia 2 de Maio de 1889 da Inglaterra chega em Gotham no dia 23).

Ao chegar em casa, Bruce Wayne coloca em prática seus planos de combate ao crime. Já Jack, coloca em prática sua rotina de crimes contra prostitutas. Ao seu jeito, cada um provoca medo instantâneo na cidade.

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Como de costume, nessas histórias alternativas, somos apresentados, mesmo que rapidamente, às versões de vários personagens coadjuvantes na série regular. Temos Alfred (amigo, confidente e servil como sempre) o Inspetor Gordon (sim, inspetor e não comissário) e o jovem e perigoso Coringa (aqui uma espécie de viúva negra às avessas).

Acompanhamos Batman em sua luta contra o crime. Paralelamente, Jack começa a matança, que logo chama a atenção do Cruzado de Capa. A população de Gotham fica entregue ao horror e, no meio do pesadelo que se transformou a cidade, começam a pensar que a estranha criatura noturna talvez seja o causador das mortes. Coincidentemente, uma velha vingança familiar é colocada em curso para acabar com Bruce Wayne. Assim, vemos ambos os alter-egos de Wayne às voltas com sérios problemas…

O roteiro segue com belas reviravoltas e um final que se não pode ser chamado de original, ao menos, é muito bem realizado. E, nisso está parte do charme desta história: os clichês que são muitos são também muito bem praticados, não deixando o ritmo cair em nenhuma das 48 páginas da revista. Digo parte do charme porque o grande mérito desta história encontra-se na arte realizada com total competência por parte de Mike Mignola (criador de Hellboy) cujo traço casa perfeitamente ao clima gótico presente. Sua Gotham é impressionante! A arte-final do excelente P. Graig Russel, com certeza, aumentou muito o alcance de seus desenhos.

Enfim, Gotham City 1889 entrega um belíssimo conto alternativo de Batman e, graças a seus autores e ao próprio conceito da série Elseworlds, não envelheceu com o tempo.

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Na Nova York do início dos anos 30, duas famílias mafiosas disputam o poder na cidade. De um lado, os italianos da famigliaValdezio, do outro, o clã irlandês dos McMulligan. O foco principal da disputa gira em torno da falsificação de dinheiro. E nesse fogo cruzado somos alvejados por uma história envolvente digna de leitura pelo grande Cappo Mario Puzzo.

Pouco antes do horário de abertura da Padaria de Vincenzo, uma entrega é realizada. Vincenzo, grande padeiro e também um excelente artista gráfico, é também um notório falsificador de dinheiro e sua padaria serve de ponto de encontro dos mafiosos carcamanos, sendo, ela própria, o esconderijo das chapas impressoras das notas falsificadas. Prestes a fechar um novo negócio, quinhentos dólares de verdade por cinco mil falsos, Vincenzo percebe que dentro da maleta encontra-se, não grana, mas sim, bananas de dinamite. Um tiro de sua Pistola Volcanic de repetição encerra as negociações… e também a vida da biscaia que intermediava a transação.

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Chegou a hora da vendetta. Um elaborado plano se inicia e percebe-se a teia de corrupção estendendo-se em várias direções: mídia, governo e até mesmo a igreja. Neste momento somos brindados pelo autor com a entrada de vários tipos interessantíssimos. Mafiosos, matadores e trambiqueiros que são mostrados, não apenas como os facínoras que realmente são, mas como os seres humanos que, por várias vezes, não lembramos que também o são.

A trama pesada e é compensada por algumas doses de humor que podem passar desapercebidas do leitor desatento, mas estão lá e são vários os momentos em que você se pega sorrindo por conta dos deliciosos diálogos travados pelos sicilianos na padaria de Vincenzo, ele mesmo o mais humano dos personagens. Nota-se que sua índole não é má e sabe-se lá o porquê dele ter se metido naquilo tudo. Pintor de belos quadros que expõe em seu negócio, Vincenzo dá aulas ao Garotinho Jack, um ítalo-americano pelo qual tem enorme carinho. E Jack vai ser o estopim da mais pura revolta entre os italianos, quando é usado pelos McMulligan para matar Vincenzo. Usar uma criança para fazer o trabalho sujo? Isso não tem perdão.

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Chegou a hora de execução de plano. Que sobreviva o melhor.

A Pistola Volcanic é o primeiro trabalho de Scott Morse publicado no Brasil. É um trabalho ímpar e de grande apelo visual. Sue estilo caricato e cenários em estilo art-déco ilustram muito bem a época retratada. E uma particularidade se faz impressionar: Seu uso de quadros retangulares do começo ao fim do álbum nos faz lembrar os filmes em widescreen. E essa sensação é muito boa!

Agora cabe a você escolher a melhor alternativa de leitura. Você se identifica mais com quadrinhos underground ou mainstream? Eu como todo bom escalador de paredes fico em cima do muro.

S_Final

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7 comentários sobre “MAINSTREAM X UNDERGROUND ou BATMAN: GOTHAM CITY 1889 X A PISTOLA VOLCANIC

  1. Também fico em cima do muro… Gotham City 1889 mora comigo desde a minha adolescência, e como você bem disse, não envelheceu e bem pretende. Por outro lado, quadrinhos mais exóticos como Pistola Volcanic têm muito a oferecer e sempre me trazem bons momento… ou seja, não tem como escolher!!!

    Na dúvida, a coleção vai crescendo…

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  2. Esse foi o primeiro “Túnel do Tempo” que realmente li, que bom, pois não sabia que tinha sido o primeiro a ostentar esse selo. Apesar de que sempre achar esse título infeliz como analogia para “Elseworlds”. Quanto a revista under ground , imagino como deve ser interessante l^-la toda em quadros simples e impactantes, retangulares. Boa.

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