O SOMBRA # 12 – Onde a jornada termina, e o desfecho da história se revela, embora a clareza das respostas permaneça absorta em suas recônditas paragens sombrias.

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711061_271784692950085_1180705284_nResenha de “The Shade” # 12 de James Robinson (roteiro), Gene Ha (arte) e Art Lyon (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história.

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Mais uma capa espetacular de Tony Harris

Na Londres de 1838, Richard Swift era um bem sucedido comerciante, casado com uma linda mulher e pai de dois meninos. Um de seus melhores amigos era o escritor Charlie Dickens, que estava presente quando a sua vida anoiteceu… Quando Richard Swift  mergulhou de forma irreversível na âmago das sombras.

O que você sabe sobre mágica?

Imagine viver em paz, cuidar da sua vida, tratar de seus assuntos e seguir sua rotina até que… por algum motivo, alguma razão desconhecida, alguém decide que você está predestinado a desistir de tudo o que ama e viver uma existência que nunca quis…

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Mas tudo bem, já que é assim, então vamos encarar. Richard encarou, tirou proveito da própria miséria… tornou-se o Sombra, passou a viver por si e para si… entregou-se a seus desejos,  e não permitiu que ninguém ficasse em seu caminho. Ele roubou, trapaceou e matou. E saiu ileso no final, porque afinal ele podia. A vida lhe devia isso. Todo o poder que ele recebeu deveria ser suficiente para compensar as suas perdas… deveria ser, não havia outra forma de encarar. Sem tempo para mágoas, sem tempo para falsas esperanças, ou tentar reverter o ocorrido e mudar o passado.

Então, ele se tornou o Sombra. Ladrão e assassino. O Sombra. O vilão. O monstro.

Mas…

Uma coisa que a imortalidade concede é tempo para pensar. Reavaliar seus conceitos e refazer seu juízo. Então, ele mudou? Tornou-se um samaritano? Ah não, claro que não… obviamente não. Mas é possível que tenha dissipado parte das sombras que encobriam sua alma… permitiu-se ser novamente… humano.

Mas claro, já havia passado tanto tempo desde aqueles bons e velhos tempos… onde apenas uma lembrança de felicidade genuína reside, e de onde foi arrancado… sem ter a chance de envelhecer com o amor da sua vida. Sem poder ver seus filhos crescerem… na verdade, as sombras de sua mente o encorajaram a afastar-se cada vez mais e por tanto tempo… até que quando ele decidisse novamente se aproximar de sua família, não encontraria mais a amada esposa e filhos… mas teria um vislumbre de seus netos e bisnetos… embora nem sempre gostasse do que visse. Ele veria a decadência de sua linhagem e se perguntaria o quanto disso era sua culpa. Ele teria feito alguma diferença mesmo para as gerações que viriam se tivesse ficado com eles, ou o mal já estava entranhado neles de modo que tudo seria exatamente igual? Bem, certamente ele não se importa… afinal, se uma coisa não mudou nele, é que ninguém fica em seu caminho, bisneto ou não. Depois de séculos de vida, é impressionate como ainda existam tantas  surpresas, mas é igualmente impressionante como as mesmas histórias se repetem num enorme ciclo, como que se a vida tentasse ensinar as mesmas lições repetidamente para os frágeis humanos, que mostram-se incapazes de aprender… ou a aprender muito devagar…

Richard aprendeu algumas coisas. Ele ainda é um egoísta convicto, hedonista, ambicioso e arrogante… mas também sabe olhar com olhos de compaixão e compreende a necessidade de se fazer alguma justiça nesse mundo cruel, terrível… e sombrio.

Se ele é hoje o mesmo homem do passado? Talvez, em alguns aspectos. Para muitos ele é um meliante inescrupuloso… mas quantos podem dizer que ao receber tanto poder, manteriam um senso de justiça ainda vivo em si? Richard não é um bom moço, não é o herói que vai salvar o dia, mas mesmo assim, quando o dia está ameaçado pelas sombras, ele está lá para ajudar. Ele também não é o monstro, não é a criatura que vai devorar bebês numa caverna… mas um aviso, não pisem em seus calos. Ele não é o vilão, ele não é o herói. O Sombra é humano. E ele sabe ser cruel.

James Robinson finalizou sua epopéia em doze partes deixando gosto de quero mais e provando que o personagem renderia facilmente uma série longínqua e de sucesso, fora dos padrões normais dos quadrinhos que estamos acostumados e ainda assim agradável para os fãs do bons e velhos folhetins de super heróis.

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Durante essas doze edições, conhecemos o passado do personagem, fomos apresentados a sua família, seus amigos mais íntimos… seus maiores atos de nobreza e também as suas atitudes mais reprováveis. Descobrimos como ele se tornou imortal, e que isso não teve nenhuma relação com a sua transformação num ser das sombras, embora, em algum nível, é certo que tudo está relacionado e, de certa forma, talvez estivesse até mesmo predestinado a ser assim.

O que você sabe sobre mágica?

No decorrer desse trajeto, vimos inúmeros artistas dando forma as ideias loucas e brilhantes de Robinson, e passeamos pelas camadas de intensos sentimentos que recobrem a superfície do personagem.

Também descobrimos enfim, como Richard se tornou o Sombra… ou pelo menos, pudemos presenciar através de suas memórias a noite em que tal evento se sucedeu, ainda que algumas respostas não tenham ficado claras nem mesmo para ele no momento de sua transformação… Mas, claro, como ele mesmo explica, ficaria sabendo de tudo em detalhes apenas 87 anos depois… todos os “comos” e “por ques” de sua mudança… Mas isso é algo que ele deve nos contar numa próxima incursão à sua alma…

E com isso termino aqui a prazerosa série de resenhas dessa HQ fantástica, (ainda) inédita no Brasil, onde expus muito mais dos meus pensamentos do que realmente fiz uma resenha de fato… muito embora a resenha verdadeira desse último número possa ser encontrada completa no título deste artigo…   sutilmente explicitada de forma a ter tanta evidência a ponto de passar despercebida… algo que aprendi com o Sombra enquanto sondava o personagem em busca da compreensão de seus atos…

Eu poderia terminar agora dizendo apenas: “Obrigado James Robinson”… Mas realmente quero  terminar deste jeito:

Obrigado a todos os leitores devotos do Santuário que me acompanharam até aqui. Foi realmente um grande prazer.

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Capa alternativa de Gene Ha

Resenhas anteriores do Sombra? Clique AQUI!

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18 comentários sobre “O SOMBRA # 12 – Onde a jornada termina, e o desfecho da história se revela, embora a clareza das respostas permaneça absorta em suas recônditas paragens sombrias.

  1. Muito bom Rodrigo, uma coisa que noto no jeito que tanto voce, quanto victor escrevem, é que vcs fazem a história ficar mais empolgante do que ela parece, e isso eh realmente muito bom, só de ler as resenhas de voces, fico realmente com vontade de ler. Parabens ^^

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    1. Po, valeu mesmo amigo que bom que a gente passa essa impressão… acho que isso vem do fato de que na maioria das vezes a gente escreve sobre as coisas que a gente gosta, e faz isso com o maior prazer mesmo… então nosso lado nerd/fanboy acaba sobresaindo.. rsrs

      Abraços!

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    2. Poxa vida, Lucas, é uma honra ler isso! 😉 Ainda mais sendo colocado na mesma sentença que o Garrit. Só há prazer para mim em escrever algo para compartilhar com todos nós, se for por amor a isso e com amor.

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  2. Sem sombra (no próprio e figurado) de dúvida um grande marco dentro do UDC. Robinson estava devendo isso desde que revitalizou o Starman e colocou o Sombra no seu caminho (roubando a cena. Será que esse trunfo já tinha desde aquela época?). A gente sempre que te agradece Rodrigo.

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    1. O bom é saber que essa não foi a canção do personagem… afinal, apesar dessa minissérie ter ocorrido no universo pós relaunch (onde tivemos a participação inclusive do novo Exterminador) nada impede de que James Robinson traga o Sombra para a sua Terra 2, onde é o seu lugar… quem sabe pegando uma carona interdimensional com o gênio Sr. Incrível… apesar que ele precisa disso, o Sombra vai aonde quer, quando quer… Muito obrigado meu amigo… grande abraço!!

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