MAINSTREAM X UNDERGROUND ROUND 2 ou JUSTICEIRO VERSUS UNIVERSO MARVEL X COMO UMA LUVA DE VELUDO MOLDADA EM FERRO

Terceiro Reich

por Carlos “Atordoado e Perdido” Lenilton

Img-de-CapaVSÀs vezes, uma história em quadrinhos é apenas uma história em quadrinhos, certo? Do tipo passatempo, sem nenhum compromisso com a perenidade da obra. Sem nenhuma pretensão de ser a próxima “Watchmen dos quadrinhos”. Pensando assim, Jonathan Maberry (roteiro), Goran Parlov (arte) e Lee Loughridge (cores) se uniram para contar uma nova história alternativa com o personagem Justiceiro.

Não sei você, mas há tempos criei uma certa antipatia ao Justiceiro do universo regular da Marvel. Motivo: repetição. Contudo, admito que ainda curto o conceito do personagem e suas histórias na linha adulta (MAX) e várias de suas aventuras alternativas continuam bem divertidas. É o que acontece aqui.

Junte o anti-herói assassino Frank Castle aos já manjados (e hilários) zumbis Marvel e é quase certo de se ter em mãos um gibi ao estilo “cinema pipoca de alto nível”. A caracterização unidimensional do Justiceiro continua intacta e nessas tramas alternativas é isso o que importa: sua carranca dura e sem sentimentos e seus dedos cada vez mais ágeis no gatilho. O mesmo pode-se dizer dos zumbis: tudo o que importa é um naco de cérebro!!!!

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Nossa aventura começa num futuro próximo, onde uma praga transformou a população da Terra em mortos-vivos (e a outra parte em comida deles) e, nas ruínas de Manhattan, o Justiceiro continua sua guerra pessoal contra o mal. Caçar zumbis é a sua nova meta. Aliás, caçá-los é sua responsabilidade. Afinal, ele foi o causador do desastre. Tudo aconteceu durante uma de suas batidas habituais: pensando estar impedindo uma venda de armas nucleares, Frank Castle impede, de maneira trágica, a comercialização de um produto militar biológico. Um vírus de tecnologia pós-conflito (Tá! É ficção científica ao cubo) que deveria ser usado depois de uma guerra nuclear, alterando a genética humana para torná-la capaz de sobreviver no planeta pós-guerra nuclear. Tornando-a adaptável ao ar poluído e ser capaz de alimentar-se de qualquer coisa. Em parte, conseguiram. Só não esperavam era que a tal alteração genética tornaria a humanidade em zumbis. Após balear toda a quadrilha de traficantes de armas e quebrar, sem querer, os cilindros que carregavam o patógeno, este se espalha pelo ar. Meses depois, começa a loucura. Tendo o Homem-Aranha como “paciente zero”, aos poucos, toda a população de meta-humanos do planeta vira zumbis devoradores de pessoas.

Uma das coisas mais legais nesse tipo de história é a aparição das versões “zumbificadas” dos nossos conhecidos heróis e vilões. Aqui temos os clássicos como, também, temos uma vasta gama de personagens que aparecem rapidamente como composição dos quadros, em verdadeiras aparições “piscou, perdeu”. É um barato “encontrar Wally”. As versões que se sobressaem são as de Deadpool (impagável), Homem-Aranha, Rei do Crime e uma péssima caracterização do Hulk (que mais parece um índio).

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Um prato cheio para quem gosta de ação desenfreada e não procura uma leitura complicada. O enredo aqui é bem simples: mate os monstros, salve as pessoas, cumprindo muito bem o seu papel de divertir. E, é exatamente por isso que indico sua leitura: uma aventura honesta, simples, despretensiosa e bem executada. Ideal para ler nos momentos solitários, onde viramos senhores absolutos sentados em nosso trono.

Você já ouviu falar de snuff movies? É necessário conhecer ao menos a definição “wikipediana” do termo para podermos adentrar no universo sufocante de Como uma luva de veludo moldada em ferro do genial Daniel Clowes.

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Tudo começa com uma lenda que surgiu, nos longínquos anos 70, sobre filmes que mostravam cenas reais de assassinatos. Tudo gravado, segundo a lenda, com requintes de crueldade. Claro que logo o cinema se apropriou da lenda e fez disso uma “nova” fonte de ideias para filmes diversos de terror. Ainda hoje o cinema produz bons filmes sobre o tema, tais como 8 mm, Sem Vestígios e Temos Vagas.

Bom, a essa altura você está se perguntando: esse texto não deveria ser sobre quadrinhos? E tem toda razão de perguntar isso, mas nossa história começa pra valer dentro de um cinema, sacou?!

Nosso personagem Clay Loudermilk, que não é a Capitu, mas também tem olhos de ressaca, encontra-se em uma pequena sala de cinema e, ao assistir a um filme absolutamente desconsertante, revê uma ex-namorada, seu grande amor, atuando nele. Ele decide então, ir a sua procura para descobrir o motivo de sua partida e como foi se meter em filmes tão estranhos, os tais snuff movies. Loudermilk encontra respostas e um local onde começar sua busca (a cidade de Gooseneck Hollow) dentro do banheiro do cinema (isso mesmo, dentro do banheiro) dica fornecida por uma espécie de guru ‘sabe tudo cheirador de pum’… e olha que as esquisitices ainda nem começaram de fato.

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O problema de Loudermilk parece bem simples, basta ir do ponto “A” ao ponto “B” e encontrar sua ex, certo? Seria, se no meio do caminho não tivesse uma pedra… ou várias. Tipos dos mais estranhos, bizarros e simplesmente absurdos cruzam seu caminho. Não é brincadeira, desafio qualquer um a encontrar outra obra em quadrinhos com tantos tipos bizarros quanto esta. Temos policiais sádicos, seitas sexistas, grupos paramilitares feministas, malucos por conspirações, todos os tipos de deformidades físicas e um desfile de lendas urbanas americanas que nos obriga a prestar atenção em todos os detalhes e entrelinhas da trama.

O sentimento que permeia toda a história é o de solidão. Todos estão largados no mundo, é claustrofóbica a intensa sensação de angústia nos olhos dos personagens, uma sensação que deixa o bizarro e o surreal assombrosamente próximo da realidade, onde milhões de pessoas levam suas vidas à base de antidepressivos. Retrato triste do nosso tempo em que a tecnologia avança cada vez mais, enquanto nós, humanos, estamos cada vez mais sem norte.

Por fim, a loucura insana que permeia sua volta acaba por engolir o pobre Clay Loudermilk, e nada em sua jornada termina como esperado. A velha máxima que diz: quando você olha pro fundo do abismo, o fundo do abismo olha de volta para você. Mas se o solitário e perdido Clay não encontrou o que procurava, nós, leitores, encontramos muito mais do que esperávamos.

História pra se ler mais de uma vez. Triste, bizarra e imperdível.

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S_Final

Refugiados-Balseiros

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9 comentários sobre “MAINSTREAM X UNDERGROUND ROUND 2 ou JUSTICEIRO VERSUS UNIVERSO MARVEL X COMO UMA LUVA DE VELUDO MOLDADA EM FERRO

  1. Posso estar enganado, mas todos os personagens dessa arco de estórias estão vivos, mas se transformaram em canibais e não em zumbis, como ocorreu em “Zumbis Marvel”.

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  2. Cara, me interessei demais por essa do Daniel Clowes (só li Wilson dele), valeu a dica! Muito legais essas matérias do Mainstream vs Underground. Neste caso acho que o Underground leva.

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  3. Gostei muito das matérias,Lenilton!Espero que os filmes sobre assassinatos”reais”seja só uma lenda…Essa história do justiceiro parece ser muito divertida!Justiceiro caçando zumbis…é cada uma…

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  4. Ótimas dicas, Carlos. O Justiceiro realmente já foi exposto a exaustão , mas mil vezes ele do que o Wolverine, sem dúvida, quanto a outra revista, muito bem-vindo um quadrinho que merece ser lido mais de uma vez, coisa rara hoje em dia! 🙂

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