Cavaleiros Demoníacos #17 “As metades da laranja, dois amantes, dois irmãos!”

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por Venerável Victor “metade tratador, metade macaco” Vaughan

Img-de-CapaEtrigan17Toda vez que um novo escritor assume uma revista, deve-se permitir um pouco de tempo ao roteirista para que ele encontre a “voz” de cada personagem e de toda mecânica desse universo que o autor anterior deixou antes dele.

ETRIGAN, o Demônio – criado por Jack Kiby

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Robert Venditti & Cliff Chiang

Obviamente o ideal seria que ele já entrasse no título “mandando ver”, mas isso é quase uma utopia que raramente se faz concreta. Para a maioria dos profissionais da área, leva-se mesmo algumas edições até que tenham algum controle sobre toda a mitologia.

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Capa de Cliff Chiang

Robert Venditti por sua vez fez uma excelente estreia em Cavaleiros Demoníacos mês passado, ou na pior das hipóteses, respeitou e entendeu perfeitamente as personalidades de cada um dos protagonistas. E qualquer um que acompanhe quadrinhos regularmente pode atestar o quanto raro isso acontece.

Venditti claramente compreendeu que apesar da distância de trinta anos que separam sua atual encarnação da revista, da anterior de Paul Cornell, ele ainda assim tem como obrigação respeitar as caracterizações estabelecidas. Nessa segunda edição, o escritor se mostra ainda mais competente em todas as pequenas alterações que fez.

Por exemplo, o prazer frio de Vandal Savage em torturar seu ex-colega de equipe, Jason Blood, ao passo que foi uma grande surpresa no final da edição passada, não é algo que cause estranheza para quem conhece o personagem de antes do reboot ou teve a oportunidade de ler sua versão futura escrita por James Robinson em DC comics Apresenta. Ele agora vive ainda mais para honrar seu sobrenome. Sim, ele não é nem um pouco melhor que Etrigan, mas é tão natural e confortável em sua própria pele de torturador que é crível o fato dele se achar certo no que faz com o alter ego do demônio criado por Jack Kirby.

Dito isso, uma coisa é certa. Familiaridade com personagens é uma coisa, mas controle sobre um roteiro é outra. Esse mês, a revista gira em torno de um único desenvolvimento: libertar Jason Blood das garras de Vandal. Na maioria dos casos, isso seria o suficiente, caso essa sequência de resgate fosse feita de forma genial.

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O plano para salvá-lo de Savage é genial e se resumia a Exoristos distrair o Cro Magnon momentaneamente, enquanto Sir Ystin – o Cavaleiro Andante – adentrava nas catacumbas para libertar o prisioneiro e a Cavaleira cobriria a tarefa de garantir que os quatro escapassem. Tudo acontece com eficiência feminina.

Mas nem tudo são flores, já que essa edição continua não esclarecendo a maioria das dúvidas dos leitores. Exoristos e Ystin continuam ambíguas sobre as circunstâncias do fim de seu relacionamento, ao ponto de não se saber quem terminou com quem.

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Existe também o motivo de por que Vandal resolveu gastar boa parte de seus dias torturando Jason. Talvez por conta da traição de Etrigan no arco anterior, que os levou para o Inferno? E por fim, por que a Madame Xanadu e Jason Blood não estavam mais juntos e ela nunca foi tentar salvá-lo?

Chiang continua fazendo um trabalho maravilhoso na arte da revista e cada vez mais se pode apreciar a profundidade de caracterizações que ele retrata cada personagem. Prestem atenção nos olhos de Jason na sequência inicial da revista, quando Vandal o tortura com o cheiro da comida, em um painel vocês tem o desespero do rapaz e no outro a expressão de desolação ao constatar que é impossível sair daquela situação. Em um quadro seguinte é perfeitamente identificável o olhar de ódio de Jason ao ouvir a lealdade amorosa de Xanadu por ele posta em dúvida. Um trabalho extremamente sutil e eficaz. As cores do Marcelo Maiolo casam perfeitamente com toda a arte da revista.

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Pelo segundo mês consecutivo é claro que Venditti foi a melhor escolha da editora para essa maravilhosa revista.

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27 comentários sobre “Cavaleiros Demoníacos #17 “As metades da laranja, dois amantes, dois irmãos!”

  1. Não conheço o trabalho de Venditti. Mas fico feliz por saber que está a fazer um bom trabalho nos Cavaleiros Demoniacos!
    Por duas razões… primeiro porque esta série é uma das minhas preferidas da DC actualmente, e segundo (MUITO IMPORTANTE) é ele quem vai substituir o Geof Johns no Lanterna Verde!
    😉

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  2. Já falei isso antes e volto a falar de novo. revista maravilhosa, mas as mulheres é que “ruleiam” nesse título! Estou doidinha para ver o Etrigan tendo que encarar seus antigos companheiros em breve!

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  3. É verdade, esse roteirista tem feito um trabalho muito legal, apesar de que nessas duas edições, pois mais que tenham sido muito bem caracterizadas e a arte do desenhista estar cada vez mais empolgante, quero ver ele me surpreender! ops…Ou estou exigindo algo que só se pode pedir de um título X? ser Fabuloso, Surpreendente…

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  4. Um hiato prá frente pode colocar inúmeras possibilidades. Mudar o que já foi escrito é sinonimo de burrice. Certeza que esse escritor também pensa assim, por isso por mais esperneio que se tenha, a coisa dá certo. Continue firme e forte Venerável e você vai ver que eu estou certo.

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  5. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Terça: Fabulosos X-men #1

    Quarta: Quadrinhos: Fracasso de Público

    Quinta:
    Cavaleiros Demoníacos

    Sexta: Quem é o herói Marvel mais forte?

    Sábado:
    Umas tiras da pesada
    o

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