Fabulosos X-men #2 – IF LOOKS COULD KILL…

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por Venerável Victor “tratador de macacos com poderes zoados” Vaughan

Img-de-Capafabulosos#2Apesar de toda a ação ter se passado em recapitulações os novos Fabulosos X-men foram apresentados na edição passada. O roteirista Brian Michael Bendis conseguiu trazer para os fãs uma revista com sólidas caracterizações e um interessante roteiro.

X-men – criados por Jack Kirby & Stam Lee

Brian Michael Bendis & Chris Bachalo
Brian Michael Bendis & Chris Bachalo

Nesse número, Bendis muda o foco da narrativa para Emma Frost e na maior parte do espaço dedicado à mutante ele é eficiente em definir sua personalidade e papel na equipe.

Com a aparente perda de sua formidável telepatia ela se vê numa encruzilhada. O roteirista faz um trabalho fabuloso em apresentar seus problemas com a “quebra” de seus poderes como sendo a pior das tragédias dos três personagens que estão passando por esse mesmo calvário.

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Capa de Fabulosos X-men #2 oficial e alternativa

Apesar do conceito disso tudo ser muito mais dramático e complicado do que os diálogos dessa edição mostram, para novos leitores Emma é uma “tabula rasa” e Bendis pode apresentar sua caracterização da forma que quiser. Para os fãs da “velha guarda” no entanto, ela pode parecer pouco profunda em suas questões.

Os diálogos, que são a excelência de Brian Michael, são a estrela desse número, a ação dá espaço para o desenvolvimento das interações entre os personagens principais e seus novos recrutas. Mas por melhor que sejam, ainda assim, Emma não é mostrada com todas suas nuances de personalidade que merece, mas que diabo! Ela está sendo novamente reapresentada para uma nova audiência. A verdade é que a perda que sofreu, para ser exatamente explicada para os leitores, antigos e novos, merece muito mais trato.

Essa edição captura momentos da nova interação entre a Rainha Branca e Scott Summers, assim como sua com o novo elenco. Emma brilha em todos esses quadros e seus momentos com Ciclope são sinceros e delicados pela primeira vez em muito tempo, eles refletem todas as s suas inseguranças e fraquezas recentes. O fim de seu relacionamento é um interessante e melodramático combustível para a revista e possivelmente ainda vai gerar muitos outros conflitos cativantes para os fãs. Esse mês isso foi provado.

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O resto de toda a edição foi usado para expor e explicar a intenção dessa nova classe da Escola Xavier para Alunos Superdotados. Humor e ótimas caracterizações entre os novos mutantes são feitos, muito de cada novo X-men ainda tem que ser mostrado, mas alguns deles já demonstram ter mais potencial que outros entre os leitores, como por exemplo: Christopher.

O roteiro o tempo todo avança de forma orgânica e no fim temos a surpresa agradável de ver Magneto continuar seus planos para trair seu líder. Isso permite ao título algo palpável para trabalhar a nova narrativa. O que diferencia totalmente da fórmula antiga de “trabalhar e treinar uma nova equipe”. Entretanto é a assustadora Magia que rouba a cena. Ela é o tempo todo hilária e possui as melhores falas desse número.

O mistério que cada vez mais ronda essa personagem é o mais interessante de todos os outros da revista, com o maior potencial de impressionar os leitores no futuro.

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Chris Bachalo é aquele que muitos sabem… Tem seus méritos e seus problemas, mas nesse mês proporcionou aos leitores ótimos painéis e cenários, além de um esquema maravilhoso da nova escola. Mas sua falta de habilidade em compor as expressões faciais e as reações emocionais do personagens ainda enfraquece a ação (podia ser muito pior, podia ser o Greg Land…)

Algumas vezes ele consegue produzir um painel que fala alto sobre a situação emocional de um protagonista, como por exemplo o momento que Emma olha para Scott, quando Magneto menciona uma situação com reféns. Mas em outros ele parece ter desenhado o personagem de forma totalmente relapsa e inconsistente, como em alguns quadros que Magia é retratada. Muitos acreditam que ele não deveria estar em um título tão importante como esse, mas é justamente seu talento nas composições de páginas que o fazem tão importante para o mercado, fora que cada personagem desenhado por ele é único e indistinguível. Algo tão importante para o leitor e que nem sempre foi prioridade para um desenhista.

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O aprofundamento com as caracterizações dos protagonistas desse título é muito bem-vindo, a revista acabou de estrear e ainda busca mostrar a sua voz entre as demais, mas todos os elementos da narrativa pesam mais que as críticas feitas aqui e o gancho final da edição definitivamente fisgou todos para o próximo mês. Essa revista tem tudo para cair no gosto da maioria dos fãs.

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37 comentários sobre “Fabulosos X-men #2 – IF LOOKS COULD KILL…

  1. Resenha massa como sempre. Ainda não li esta, ams esta na fila hehe
    Não gosto do Bachallo, mas aqueles sentinelas ali ficaram massa, mas pode ser por que sou fã dos robozões caçadores hehe
    ABs meu

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  2. Esse edição foi melhor que a anterior, Bendis está fazendo um trabalho competente, gosto dos rumos que estão sendo dados para Fabulosos e All new X-men.

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  3. Emma Frost foi uma criação espantosa, desenvolvida com uma enorme força em New X-Men do Morrison.
    Espero que não comecem a desconstruir uma das maravilhosas personagens da Marvel… como andam entretidos em provar que não são mais uma Casa das Ideias…
    😛

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  4. Olá Victor
    E vamos a mais um capítulo da fase Bendis no mundo mutante. Peço licença para escrever (muito) algumas inquietações que me acompanham nestes últimos meses…

    Já disse antes e repito. O que me fascina nos X-Men é a possibilidade de associarmos suas histórias ao mundo real. Repletos de seres diferentes (étnico, religioso, sexual, cultural etc.) com atitudes diferentes. O que eventualmente causam alguns conflitos.

    Não sei qual a proposta do autor. Não sei (ainda) qual seria sua forma de interpretar o mundo em que ele vive (os personagens e suas histórias são, geralmente, resultado da própria percepção de certo e errado do autor e X-Men abre mais possibilidades a isso que os Vingadores). Mas há uma palavra utilizada que me faz coçar a cabeça: REVOLUÇÃO.

    Magia referiu-se a esta palavra como algo ruim que aterroriza os russos. Bem, a despeito do que foi o stalinismo, o povo oprimido da época czarista viu a revolução bolchevique como uma forma de libertação da opressão feudal. E há muitos saudosistas hoje dos tempos da URSS. Ou seja, é preciso relativizar. Mas essa discussão não é o foco aqui.

    Ainda sobre esta palavra, não sei até que ponto ela condiz com as intenções de Ciclope. Eu acredito que está mais para REFORMA do que REVOLUÇÃO. Com significados bem distintos, reforma costuma ser confundida com revolução (no Brasil há, por exemplo, a idéia de que houve uma revolução nos anos 30).
    Ora, para ser revolução deve-se pensar em uma mudança radical no status-quo, inverter o modelo vigente da sociedade (leia-se classes sociais, ou, no caso, étnicas ou raciais). Revolução é mudança profunda. Se Ciclope busca o respeito dos mutantes junto aos humanos e que sejam tratatos como iguais… hummmm…. Mas os “iguais” ainda ditariam as regras; com a diferença de que os antes marginais ascenderiam na escala social (ou racial)???

    Acredito que Bendis nos deve uma explicação para o que ele chama de “revolução”. Eu imagino que possa haver uma leve confusão por parte de seu significado (Hannah Arendt, Florestan Fernandes, entre outros, poderiam ajudá-lo).

    Mas se o grupo de Ciclope representa o rebelde, aqueles que não aceitam o status-quo e se organizam enquanto grupo para lutar pelo que acreditam, temos outros grupos que representam outros lados.

    O grupo de Wolverine seriam aqueles que, a despeito de serem vistos como inferiores (basta observar como outros heróis se referem à escola e seus alunos), se adaptaram ao sistema. Os marxistas os chamariam de “alienados”. São aqueles que são marginalizados mas recusam-se a organizarem-se como classe (no caso mutante, raça) e ainda repelem outros iguais a eles, mas que se organizam e vão à luta contra o sistema.
    Por outro lado, a escola sendo reconstruída poderia ser interpretada como uma forma clara de resistência, de reconhecimento da própria identidade e, portanto, fator de luta.

    Há ainda os Vingadores. Talvez eles nunca tenham sido tão bem ilustrados como “defensores do sistema”. São aqueles que, imbuídos de todo peso ideológico (sonho americano, american way of life…), buscam, incansáveis, derrotar o “inimigo”, o “terrorista”, o “revolucionário”. É preciso conter, prender o inimigo e, talvez, trazê-lo à razão, “curá-lo” (pois ele está quebrado) para, assim como os da equipe do Wolverine, incorporá-lo ao sistema (dessa vez, como herói).

    Ao escolher Havok como líder dos Uncanny Vingadores (e outros mutantes), Steve Rogers (o personagem mais político e emblemático dos quadrinhos/talvez até mais que Superman) mostra ao Ciclope que seu irmão traçou o caminho “correto”. Pensando enquanto temática racial brasileira, Havok seria um “negro de alma branca”. Manso, humilde, que não desafia o sistema, que vira as costas ao próprio irmão e sobrinho em nome deste mesmo sistema. É um “exemplo” a ser seguido.

    Voltando à analogia do negro brasileiro, Havok seria mais bem identificado como “preto”. Um preto era humilde, cortêz e obediente com seu dono, jamais um rebelde, um fujão, um quilombola. Este último era o “negro”. Analogia esta referente aos tempos da escravidão, muito presente nas crônicas, nos jornais e imaginário da época.

    Outro ponto interessante na escolha de Alex Summers (segundo as próprias palavras de Rogers) é que ele se parece com um “humano normal” (leia-se branco, louro, de olhos azuis, provavelmente protestante) e seria mais bem aceito pela sociedade que alguém como… Noturno, por exemplo.
    Ora, não por acaso, em nossa sociedade, o negro (ou índio) só seria aceito caso se parecesse (ou tivesse traços) com um branco. Um negro só é visto como “bonito” se tiver nariz fino, boca pequena, não for “tão negro”… e o que dizer do cabelo…. bem… Nada que uma boa política de miscigenação não resolva, transformando a população, a cada geração, em menos preta (isso foi feito no Brasil). Outra coisa é assumir outras nomenclaturas para a cor: moreno, mulato, pardo… negro não (seria pejorativo)…. assim como “mutante”.

    Finalmente (pois eu, para variar, me empolguei…), temos o discurso de Rogers (e Thor) ao assumir a responsabilidade pelo drama mutante. Temos aí mais um elemento típico da figura humana construída pelo ideal “americano”; o “bom burguês”, o “bom cristão”, que, diante dos pobres, miseráveis e marginais de toda espécie, dos ignorantes, dos negros que insistem em seus “cultos de feitiçaria”, sua “macumba”, seu primitivismo blablabla (sempre o outro é primitivo, tsc), assume a “responsabilidade” de salvá-lo, torná-lo um “bom cristão”, fincado nos princípios ocidentais e no american way of life. Este foi o argumento utilizado pelos colonizadores europeus/americanos na África/Ásia. É a “boa colonização”, retirando os colonizados de seu estado bruto de “barbárie”.

    A atitude de Rogers não é diferente de muitos de nós diante do outro. Assim como ele, agimos porque acreditamos sermos nobres, bondosos. Realmente cremos nisso. Não por acaso, Rogers é o personagem mais “nobre” entre outros na Marvel. Ocorrendo o mesmo com Superman na DC.
    Culturalmente somos impelidos a ver a caridade como algo bom, nobre (e é!!); mas quando o marginalizado decide se organizar com outros iguais a ele e tentar sair da sua condição de explorado, humilhado etc… por vezes ele deixa de ser visto com bons olhos… passa a ser um perigo à sociedade. Torna-se um terrorista. Mas se na liderança estiver alguém que pertença ao grupo dominante ou defenda claramente as regras do sistema… o discurso muda. Pois não haverá mudanças reais, ou seja: “revolução”, apenas “reformas”.

    Perceba que em filmes, novelas e nos quadrinhos, quando há grupos étnicos marginalizados, o herói é (quase sempre) um branco bondoso (não raro de origem aristocrática): Robin-Hood, Tarzan, Ka-zar, Cavaleiro Solitário… são bem evidentes. Nas novelas globais, os heróis contra a escravidão são os filhos dos barões, embalados pelo ideal burguês de “liberté, igualité, fraternité” importado da Europa oitocentista….

    Isso me faz lembrar de uma frase dita pelo bispo católico Dom Hélder Câmara: “Quando dou comida aos pobres chamam-me de santo. Quando pergunto por que eles são pobres chamam-me de comunista.”

    Na torcida pela equipe do Ciclope… e seja lá o que for essa sua “revolução”!!! Espero que Bendis tenha a inspiração e conhecimento necessários para não cair em clichês e nos brindar com belas histórias (com muito fundo político e ideológico).
    Eu espero muito que os Vingadores passem a respeitá-los, mas sem que o caolho caia no discurso pronto do arrependimento para tornar-se, ele próprio, um “negro de alma branca”.

    Abraços…

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    1. só um adendo: Bendis é de família judia. Diferente dos cristãos, judeus não tem em sua cosmogonia a “culpa” e portanto, o “dever” de “penitência”. Talvez, apenas talvez… seu Ciclope possa não vir a ter “culpa e arrependimento” levados tão à borda. O que vimos até agora demonstra isso.
      Apenas especulando…. rsrs

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      1. Como sempre, maravilhoso seu texto Lucy, uma resenha dentro de uma resenha! Assino em baixo tudo o que você escreveu, e tenho que dizer que repudio a atitude do Capitão e a postura do Alex Summers em se submeter a ela, bom que venham daí ótimos conflitos e histórias.

        Quanto ao Bendis e ao Ciclope, sim, a palavra certa para a proposta de Scott Summers seria “reforma”, mas sabemos que além de invariavelmente ser confundida como “revolução” tanto aqui em nossa sociedade quanto na americana, não tem o mesmo impacto “massa véio” que a seguinte teria nos leitores mais novos. Parabéns pela análise.

        Assim como você, espero que as raízes culturais e religiosas de Bendis nos brindem com uma alternativa menos óbvia para o futuro status quo, (se Odin quiser) consolidado de Ciclope como um herói Marvel sem nenhuma sombra de dúvida mais por ninguém. Que não precise em algum tempo em hipótese alguma abaixar a cabeça para o governo ou os Vingadores. Mas isso até agora parece que vai acontecer, se não houver alguma interferência…

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    2. Tomara MESMO que o caolho não caia neste ckichê, apesar de quê não vejo muito como isso não acontecer.

      Parabéns, seu pensamento é claro, embasado e direto. Citar Dom Helder foi a cereja do bolo.

      A propósito, se toda a mitologia da Marvel foi construída em cima da premissa de que o gene mutante é a próxima etapa da evolução na Terra, imagina-se que de minoria insurgente os mutantes almejem ganhar seu devido status de raça dominante mesmo! Assim sentdo teríasmos como resultado da ação de Ciclope um cenário como a Dinastima M, portanto consolidando-se uma REVOLUÇÃO de fato, no sentido marxista mesmo:: a ascenção de uma “classe” ou “raa” dominada para o statusd de dominante.

      Só o tempo dirá

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  5. Bem, nessa ediçao, gostei muito de ver um pouco mais de cada novo personagem. Mas ainda temo em pensar que, a partir de agora, eles serao os novos integrantes dos X-Men. Gosto muito a maneira que Bendis trata com a insegurança de cada personagem, tornando-os assim mais humanos.
    Sobre Bachalo, ele realmente tem seus contrar, mas, atraves de cada quadro, podemos ver o esforço do desenhista para tornar os cenarios mais cheios de elementos (o que, no final, acaba sendo tambem sua falha). E, aproveitando a deixa com Greg Land, eu estou odiando cada vez mais ele e seu trabalho em Iron Man…. Serio, comparado a ele, Bachalo é um artista. Ver sempre as mesmas expressoes nos rostos, principalmente das mulheres… Bem……
    Acho que esta ediçao realmente me deixou curioso para ver o que acontecera nas proximas.
    E isso ai VVV, otimo trabalho 😀

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  6. Menino!!! O Ciclope com os poderes zoados, essa Emma vadia com os poderes quebrados, esse bando de alunos destreinados e os Vingadores para enfrentar? Tomara que a psicopata da Magia salve o dia e tire todo mundo de lá. Porque a briga é muito desigual.

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  7. Uma nova equipe. Uma nova Emma,Illyana,Scott, Mmagneto, etc para um novo público. Parabéns ao novo público que se delicia com isso. Não vou me estender prá não ficar reptitivo, mas o que disse na outra resenha se mantem aqui. E o Vene4ável manda muito bem no texto sempre dosando parte do seu inconformismo (pois não é só velhaco que segue esta página) e apresentando estes personagens para a “audiência rotativa”.

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  8. Ah, seu nerd velho e conservado na Magia Negra!!! Adoro essa música! uahauahauahuaha

    É, parece que o Magneto não está pra brincadeira mesmo não. Mas como é o Bendis, tudo pode acontecer, inclusive ainda ser um plano dele com o Summers. E a Illyanna Rasputin ??? Tô com medo dessa gatinha dos infernos, rapá! Sinistro!

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  9. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – Revista Punk – “Faça você mesmo!”

    Terça – Fabulosos X-men #2

    Quarta – Mundo Cão

    Quinta – O Que aconteceria se o Homem Aranha mantivesse seus poderes cósmicos

    Sexta – Resenha: Liga da Justiça #11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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