O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 05 – O Poder da Palavra!

Quarto Mundo

429729_10200670218859571_1098192319_nResenha de Jack Kirby´s Fourth World # 05  de John Byrne (roteiro e arte) e Noelle Giddings (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

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O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 05: Uma escolha dos deuses

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A capa de Walt Simonson

A história até aqui?

Darkseid vem assassinando os deuses de outros planetas e roubando seus poderes para si, o que despertou a ira de incontáveis mundos, que uniram-se numa colossal armada intergaláctica em busca de vingança contra o senhor de Apokolips. Sem seus deuses eles perderam toda esperança e não tem mais nada a perder. Por isso decidiram ferir Darkseid destruindo aquilo que ele mais deseja: o segredo da Equação Anti-vida, e para tanto empreenderam um ataque maciço na intenção de destruir o planeta onde reside o segredo que Darkseid tanto deseja… e claro que esse planeta é a Terra!

Como plano de contingência, esses  alienígenas carregam uma manumental bomba cósmica capaz de destruir toda a realidade… uma bomba que caso acionada só poderia ser contida pela Astroforça. E o único capaz de controlar esse poder é Órion, recentemente assassinado por Desaad. Em um ato desesperado, o Pai Celestial une forças ao ser conhecido como Tákion e juntos eles retiram Órion da Fonte, que é o local para onde a alma dos deuses é levada após suas mortes.

E os planetas Apokolips e Nova Gênese ainda encontram-se fundidos em um único mundo, separados por uma barreira quase intransponível.

Essa edição começa com os esforços das Fúrias Femininas de Apokolips cavando o subsolo com a ajuda de Parademônios, numa tentativa de atravessar a barreira que separou os mundos… um esforço do qual elas colhem frutos, pois através dessa passagem elas conseguem acessar o outro lado acompanhadas de suas hordas de Parademônios atacando os desprevenidos habitantes de Nova Gênese.

O sangue dos deuses mais uma vez é derramado, e a paz novamente torna-se um sonho distante.

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Na edição anterior vimos o planeta Terra ser destruído, mas como era de se esperar, o que aconteceu de fato foi uma tremenda ilusão criada pela deusa Belos Sonhos do Povo da Eternidade, que ultrapassando todos os limites conhecidos de seus poderes, fez parecer para os invasores alienígenas que realmente a Terra havia perecido. Tendo seu objetivo alcançado, esperava-se que eles se retirassem da batalha, mas Darkseid em pessoa invadiu sua nave de comando, disposto a fazê-los pagar por sua insolência. Usando seu temido Efeito Ômega, ele não apenas desintegrou os líderes da armada alienígena, como também apagou seu passado da existência, negando a eles qualquer tipo de redenção no pós vida. Porém, antes de ser vítima desse terrível destino, o último deles acionou a bomba cósmica, para desespero de Metron, Barda e Magtron que haviam chegado a pouco no local.

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O recém ressuscitado Órion estava incapacitado de lutar, pois voltou extremamente debilitado de sua experiência no pós vida… porém, mais uma vez o Pai Celestial quebrou suas próprias regras e infundiu em seu filho adotivo uma carga maciça de energia proveniente da Fonte, o que restaurou seu corpo e seu espírito. Mais uma vez, Izaya utilizou-se de Tákion como “ferramenta” para seus propósitos e cada vez deixa mais claro que criou esse novo deus com um objetivo maior em mente…

Pleno de sua selvageria irascível, Órion surge na nave de comando da armada, para espanto e admiração de seu pai. Ele invade o núcleo da bomba e contrariando toda razão e toda lógica, contém seu devastador efeito, garantindo a continuidade da existência do universo.

Os membros remanescentes da armada alienígena são levados a presença do Pai Celestial, que abençoa o pacto que Metron havia feito previamente com eles: em troca deles abandonarem as armas, seriam levados a conhecer novos deuses para ocupar o lugar daqueles assassinados por Darkseid… destituídos de sua mais poderosa arma e exaustos de tanta guerra, eles enxergam uma nova esperança para o futuro… e aceitam a oferta, retirando-se pacificamente do local.

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Longe de tais confabulações, Darkseid e Órion conversam em uma rocha no espaço. Ele revela a seu filho que sente que existe algo mais dentro dele… como se ele tivesse trazido algo consigo ao retornar da Fonte… algo familiar ao senhor de Apokolips. Órion rejeita a ideia, sabendo que seu pai é o mais hábil manipulador que existe e que de sua boca apenas são proferidas mentiras. Darkseid não o força a nada. Apenas lhe indica a direção onde as naves da armada alienígena estão traçando sua “rota de fuga”, e pergunta a seu filho se vai permitir que eles escapem impunes. Órion sente seu coração em brasas, e obedecendo o código do guerreiro, avança com toda sua ira incontrolável, arrasando cada uma das naves com sua irresistível Astroforça, alheio ao fato de que eles na verdade, estavam apenas voltando em paz para seus respectivos mundos…

Darkseid gargalha.

Pois o mais terrível poder do senhor de Apokolips é seu dom para manipular as palavras, e destruir milhares de vidas com apenas uma mentira…

Essa edição contém muitos fatos acontecendo ao mesmo tempo, com algumas situações previsíveis e outras nem tanto. É o clímax da guerra estelar que vinha acontecendo, e o começo de uma nova batalha, desta vez com o sangue dos novos deuses que habitam Nova Gênese manchando o cenário.

John Byrne vem trabalhando muito bem a caracterização de todos os personagens, e aos poucos, utiliza todo o elenco de deuses criados por Jack Kirby. Desta vez tivemos a presença das Fúrias Femininas, que embora tenham tido uma participação pequena, foi de grande importância. Vale também ressaltar que apesar de todos os eventos de proporções cósmicas ocorrendo no extremo inalcançável do universo onde vivem os deuses e da batalha espacial na órbita da Terra, Byrne ainda encontra tempo para fincar os pés em terra firme, onde faz uso dos personagens Thaddeus Brown e Shilo Norman, o primeiro e o terceiro Senhor Milagre (Scott Free foi o segundo a usar essa alcunha) além de criar um pequeno drama com a inclusão da suposta filha de Oberon em busca pelo pai que nunca conheceu…

Shilo Norman seria reutilizado anos depois por Grant Morrison como o Senhor Milagre da minissérie Os Sete Soldados da Vitória, e também daria ao personagem grande importância na sua Crise Final.

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Os desenhos de Byrne estão abaixo de seu padrão normal, com traços irregulares e pouco cuidado com detalhes, algo comum de se observar quando ele mesmo faz a arte-final. Em algumas páginas, vemos o uso de computação gráfica para demonstrar a complexidade da bomba cósmica… talvez na época tenha sido inovador, mas hoje soa tão antiquado quanto um Atari. São imagens frias e quase amadoras, do tipo que atualmente a maioria das pessoas poderia fazer em casa, só que com mais qualidade.

As páginas também estão inundadas de balões de falas, numa das edições mais verborrágicas até aqui. E embora os acontecimentos concomitantes tenham sido bem elaborados, ficaram espremidos na revista… o bom é que a maioria desses acontecimentos nasceram de boas ideias. A maioria.

Ainda não ficou claro o motivo dos planetas Apokolips e Nova Genêse terem sido mesclados pelo Pai Celestial, e esse assunto nem é abordado uma vez que todos estavam meio que ocupados tentando salvar o universo. A próxima edição promete confronto direto entre os planetas irmãos e a reação de Órion ao descobrir que foi enganado pelo seu pai. Mais personagens clássicos devem dar as caras e os mistérios começam a se desfazer.

Sem falar em Oberon, que está prestes a conhecer sua filha…

Até o próximo domingo!

Resenha anterior dos Novos Deuses? O Efeito Ômega se manifesta  AQUI!

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19 comentários sobre “O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 05 – O Poder da Palavra!

    1. Claro que analisando em retrospecto, parece que a obra de Kirby no Quarto Mundo está destinada a permanecer inacabada… sempre existe algo que falta e isso chegou até mais recentemente na saga Crise Final de Grant Morrison… será que um dia teremos uma finalização da saga dos novos deuses?

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  1. John Byrne até quando está ruim é bom de ler. Essa reviravolta com Belos Sonhos é prá mostrar que em cda trabalho ele escolhe sua musa feminina. Com o melhor do motor mental dele somos agra ciados e tentados a querer mais
    Só o Santuário pra dar dose dupla de Byrne com Novos Deuses e Campeões de uma vez só. E eu sou fã do Byrne do ÓRion dos Srs. Milagres Da Barda e de toda a galera!!!!

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    1. Existem muitas musad dentro dos novos deuses, escolhidas por Byrne para ter seu momento especial… dessa vez a escolhida foi Belos Sonhos, que brilhou e teve importância na história dele… falando nisso, não tem como não lembrar da Mulher Hulk, uma das musas maiores de Byrne!

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  2. Eu adoro muito tudo isso, essa semana estava me perguntando, quando nesse título e por sua vez, nessa revista, a importância de Belos Sonhos na trama e seus poderes seriam explorados. O próprio Homem Infinito seria uma solução perfeita para o conflito da trama com a armada interrestelar e a bomba, mas nada melhor que ver Byrne homenagear Jack Kirby mostrando o real “tamanho” de Orion no esquema das coisas. Em tempos atuais que o Uni-poder (fonte de força do Capitão Universo, na Marvel) volta a ter relevância nas histórias dos Vingadores, é muito gostoso vermos que o “mestre” criou um conceito muito anterior a esse de Bill Mantlo (adoro também esse cara) e mais surpreendente para a DC: a ASTROFORÇA

    O que posso dizer? Sou uma putinha do Kirby e segundo meu amigo Nilson Andrade: “os nerds velhos piram no Órion” e é verdade!

    Vida longa à Kirby, Byrne e Garrit!!!!

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    1. Na minha opinião Byrne é o que melhor trabalhou os novos deuses de Kirby, apesar de gostar muita da Odisseia Cósmica de Jim Starlin e Mike Mignola, mas o que melhor deu continuidade ao trabalho do rei nessa linha foi a visão de Byrne… valeu por estar sempre acompanhando com a gente Vinicius! Abraços!!

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  3. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – Os Campeões

    Terça – Novíssimos X-men #8

    Quarta – Quadrinhos

    Quinta – Aquaman #17

    Sexta – Resenha: Monstro do Pântano # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!

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