MONSTRO DO PÂNTANO # 11 –Cadáveres mutilados, bestialismo canibal e outras poesias.

Img-de-Capamonstrodopantano11Resenha de “Monstro do Pântano” # 11 de Scott Snyder (roteiro) e Marco Rudy (arte).

Swamp Thing criado por Len Wein e Bernie Wrightson.

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história.

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A capa de Yanick Paquette

Abominações chafurdadas na lama tendo seus crânios esmagados por criaturas das trevas.

Anton Arcane ressurge do inferno, nutrido pelas forças da Podridão e mais forte do que nunca. Como seu primeiro ato na Terra, ele vai até o Rei Guerreiro do Verde, também conhecido como Dr. Alec Holland, o Monstro do Pântano, ainda enfraquecido e recuperando-se de sua batalha contra Seth e suas hordas. Aproveitando-se dessa fraqueza, Arcane o mata. Em seguida ele vai até o encontro de sua sobrinha, Abigail Arcane, que por sinal é a relutante avatar da Podridão que venceu seu instinto maligno por amor a Alec… ela agora está só em sua casa no pântano e vai tentar fazer o possível para sobreviver ao sádico Arcane e seus fiéis Un-Men…

Abominações chafurdadas na lama tendo seus crânios esmagados por criaturas das trevas.

No fim das contas, não é disso que se tratam os melhores contos de horror?

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Às vezes tudo o que se quer, tudo o que se precisa é descansar. Depois do dever cumprido e da missão completa, dormir o sono dos justos e recarregar as energias. Isso é tudo o que Alec Holland NÃO consegue nessa edição. Após sua grande vitória na batalha contra a Podridão, o Monstro do Pântano estava exausto e avisou a Abby que poderia não acordar de seu merecido descanso durante um longo período, e portanto não poderia protege-la de algum eventual ataque.

Mas Abigail Arcane não é mais aquela donzela imaculada das histórias de Alan Moore… a jovem esperançosa, professora e voluntária no apoio a crianças especiais… quase ingênua, dona de uma pureza rara no coração, que a fez enxergar a essência de um homem dentro do monstro e apaixonar-se por ele… Aquela Abby era uma espécie de fetiche gótico, bailando seminua com seu amado monstro sob a luz do luar… onde não raras foram as vezes que protagonizaram grandes cenas de amor e sensualidade, quando os dedos pegajosos da criatura do pântano escorregavam por seus cabelos úmidos até tocar seus seio nus…

É a beleza contra a morbidez.

Nem ela mesma sabia na época, mas era a avatar da Podridão, como Scott Snyder quis nos contar agora… desde a infância ela ouvia o chamado das trevas e a proximidade com o Monstro do Pântano a fazia sentir-se mais forte e segura. Mas o Monstro morreu, seu romance teve fim… e a podridão viu seu caminho livre, embora ela ainda resista bravamente ao seu chamado, a Abby de hoje não é mais a musa idealizada, mas uma mulher mais madura e austera, que cortou suas longas madeixas prateadas, passou a vestir couro e atira como ninguém.

Mesmo assim, ela é apenas um ser humano, desprezada tanto pelo Podre quanto pelo Verde, uma pária, com poderes efetivos apenas contra as coisas que ama, e que a deixam indefesa contra os agentes da Podridão.

Indefesa, é claro, até o ponto em que seu rifle estiver descarregado e ela não tiver mais força para se debater contra os seres imundos que pretendem possuí-la.

Curioso mesmo foi ver como sua conexão com o Podre agiu, incapaz de protege-la contra seus próprios agentes, manifestando-se nela na forma de uma visão do futuro. E o que ela viu, embora possa ser interpretado de várias formas, não tem nenhum lado bom.

Existe algo de podre no futuro…

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E quanto a Alec, cujo sono fora perturbado pelo toque pesado e carregado de ódio por seu inimigo mais terrível, basta dizer que colheu aquilo que semeou… e desfruta agora a consequência de seus atos. Basta analisar tudo o que ele fez até o momento para o leitor identificar se isso é bom ou ruim.

Depois de algumas sequencias épicas nos números anteriores, temos nessa edição uma história mais lenta, mas nem por isso desprovida do característico terror psicológico que Scott Snyder sabe trabalhar tão bem. Não é a melhor história até aqui, mas ainda assim é uma boa história. Ela pode ser comparada ao estado de seu protagonista: estava em repouso, mas precisou acordar e recuperar-se rápido, sem tempo suficiente para se recompor.

A arte dessa edição fica a cargo de Marco Rudy, que não deixa nada a dever ao ótimo Yanick Paquette, artista regular da série, imprimindo a mesma qualidade de terror e imagens desconcertantes, vistas nesse título e também com o mesmo tom na revista do Homem Animal, de Jeff Lemire e Steve Pugh. Não é segredo que cedo ao tarde, o homem com poderes animais juntaria forças com o gigante dos pântanos… unindo as forças do Verde e do Vermelho contra a Podridão. A partir da próxima edição, essa parceria se torna inevitável. Verde e Vermelho vão lutar juntos nessa guerra… não importa quem sejam seus avatares.

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É uma guerra onde não existem vencedores ou perdedores… apenas tonalidades de cores lutando por sobressair-se mais do que as outras.

Resenha anterior de Monstro do Pântano? Afunde a cabeça no lodo AQUI!

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27 comentários sobre “MONSTRO DO PÂNTANO # 11 –Cadáveres mutilados, bestialismo canibal e outras poesias.

    1. É muito difícil fazer terror em quadrinhos, assustas as pessoas nessa mídia é uma tarefa árdua… não chegou a ser o caso nessa edição específica, mas Snyder já conseguiu algumas proezas com terror psicológico antes, além do Monstro, em Vampiro Americano e Batman… só por isso já tem meu respeito.

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  1. Comecei a comprar a DARK, e parei no nº 5. O MP é bom, mas não é o máximo que todo mundo diz. Acho que hoje em dia estamos tão pobres de hq’s realmente excelentes que algo “apenas bom” é vilipendiado demais. Não achei ruim, mas não acrescenta nada. Achei que o fato do Alec Holland ter sido ressuscitado seria uma “revolução” nas histórias, mas acabou não sendo grande coisa.

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    1. Essa edição não cativaria mesmo um leitor novato, só tem valor mesmo pra quem acompanhou as histórias anteriores e sabe do potencial que elas tiveram e podem voltar a ter… eu não esperava revolução, mas me surpreendi com tom dessas histórias… é verdade que a qualidade caiu mesmo de modo geral, já vem caindo faz tempo, eu não sei se um dia vamos ter uma nova onde de historias excelentes, ou se um dia já tivemos, mas vamos vivendo o momento enquanto isso… ou não!

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  2. “Abominações chafurdadas na lama tendo seus crânios esmagados por criaturas das trevas” ADORO!!!

    Se o Monstro do Pântano é o campeão do Verde e o Homem Animal o do Vermelho, Scott Snyder é o campeão do Preto, a força naquim que dá vida aos textos de fantasia e horror mais interessantes dos últimos dezessete meses, obrigado por mais uma resenha inspirada, sacerdote!

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  3. Pensei que a qualidade dos desenhos fosse cair com a saída do Yannic. Mas o padrão continua ótimo. Quero só ver a sequência junto do Homem Animal. E o Rodrigo e suas nuances poéticas nos brindando com essa epopéia de terror e a simetria com os acontecimentos com o Vermelho é impressionante. Nem o melhor crossover que já li sairia dessa maneira.

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  4. É… sabes o que eu gostava? Que tanto Swamp Coisa e Animal Man tivessem direito a uns livros em capa dura e quando acontecer o crossover dos dois fizessem um belo OHC!
    Isso é que era. Duas das melhores s´rie não têm direito a livro de luxo não sei porque carga d’água! O material destas duas revista, vermelho e verde merecesse bem melhor, enquanto que outros livros de qualidade mais duvidosa logo de início tiveram essas edições.
    Raios…
    :\

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  5. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – Os Campeões

    Terça – Novíssimos X-men #8

    Quarta – Uma semana no Inferno com Mollye Crabapple

    Quinta – Aquaman #17

    Sexta – Resenha: Monstro do Pântano # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    p

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