O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 8 – A MORTE DO PAI CELESTIAL!

Quarto Mundo

BELOS SONHOSUma análise de Jack Kirby´s Fourth World # 08 de John Byrne (roteiro e arte) e Noelle Giddings (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a fonte da história.

A capa de Walt Simonson

Olá prezados devotos afoitos por informação… bem vindos a mais uma análise dos novos deuses! Antes de mais nada, é preciso explicar que essa edição se passa durante a mega saga “Gênesis” –  também escrita por John Byrne, e nunca publicada no Brasil, onde praticamente todos os títulos da editora se interligaram num grande crossover. A premissa de Gênesis era simples: A Fonte é a origem de todo o poder do universo, e ela teria surgido antes do início do tempo, emanando incontáveis feixes de energia pelo cosmo, as chamadas “Ondas Divinas”. Esse poder seria a fonte que propiciou o surgimento dos deuses através do universo e além, em maior ou menor intensidade, e de onde se originaram os Titãs da Mitologia, os deuses olímpicos e também outras entidades mitológicas em diversos mundos, como Xhal (de Tamaran), Azur (de Azurath), Rao (de Krypton) e assim por diante. A Fonte teria sido também o ventre do mundo dos Velhos Deuses, que ao ser destruído originou Nova Gênesis e Apokolips. A Onda Divina também teria sido responsável pelo surgimento do poder do espectro emocional captado pelos Guardiões do Universo para criar a Tropa dos Lanternas Verdes, e ainda a Força de Aceleração que concede o dom da velocidade ao Flash e seus associados, e a energia que alimenta o bastão cósmico do Starman. Claro que esses são apenas alguns poucos exemplos, mas ilustram bem a importância que John Byrne quis dar à Fonte dentro do Universo DC. O problema é que durante a citada saga, a Onda Divina iniciou um caminho oposto ao da sua criação, retornando para o lugar de onde veio e tomando de volta ou alterando a natureza de todo o poder divino anteriormente concedido. Darkseid obviamente aproveitou-se do evento para atacar a Terra, uma vez que a maioria de seus campeões não podia mais contar com seus poderes e tentou alcançar os segredos da Equação Anti-Vida.

Os quatro números de “Gênesis” tiveram capas de Alan Davis e arte interna de Ron Wagner, com roteiros de Byrne.

O Pai Celestial pediu que o Povo do Amanhã e os outros deuses fossem à Terra para ajudar, uma vez que a própria população estava a beira da loucura, mas mesmo o poder puro desses deuses de Nova Gênese começou a apresentar oscilações e a causar mais estragos do que auxílio, saindo do controle.

A Muralha da Fonte em agonia… clique para ampliar… se tiver coragem!

Decidido a tentar encontrar um meio de remediar a situação, o Pai Celestial formou um concílio de deuses, formado além dele por Odin, Zeus e Júpiter, com a participação não programada de Ares, o deus da guerra. O plano consistia em atravessar a própria muralha da Fonte e conter o avanço da Onda Divina de dentro para fora, mas nenhum deles teria poder para tal façanha sozinho… então o Pai Celestial sugeriu fundir-se com eles em um único ser, em um procedimento semelhante ao praticado pelo Povo do Amanhã, que podem usar sua Caixa Materna e unir-se para formar a entidade conhecida como Homem Infinito.

No caso do Pai Celestial e seus iguais, o catalizador foi o seu cajado que contém uma fração de todo o poder da Fonte. Assim sendo, Izaya, Zeus, Júpiter, Odin e Ares tornaram-se um único ser de poder inimaginável, conhecido apenas como Uno.

“Pela união de seus poderes…”

Esse novo deus fez o impensável e conseguiu atravessar a barreira, evitando o tormento de se tornar mais um gigante petrificado adornando a infinita muralha. Mas a cada novo avanço, a Fonte resistia, tentando expurgar o invasor, e a cada nova vitória, um dos deuses era desgarrado do Uno, até que no ápice da Fonte restasse apenas Ares e o Pai Celestial. Mas Ares não deseja conter a Fonte, pelo contrário, ele se agrada com a destruição causada por ela e pretende usar a situação para desvendar seus segredos e eliminar toda a divindade do universo, tornando-se ele mesmo um único e tirano deus da guerra. O Pai Celestial se separa dele, e o lembra que antes de trilhar o caminho da paz, ele fora Izaya, o maior dos guerreiros, e tais habilidades não o abandonaram. Eles travam uma batalha ferrenha, mas Ares havia se preparado para a situação, e vinha acumulando poder e se fortalecendo para esse evento. Ele então encerra o combate atravessando o Pai Celestial com sua espada, naquele lugar onde ele afirma, até mesmo os deuses podem morrer.

Por todos os cantos do universo, os seres divinos puderam ouvir um grito de morte e souberam que um dos seus havia tombado. Os deuses de Nova Gênese puderam sentir o poder do Corredor Negro agindo e levando um deles para os braços da morte.

Barda, Órion, Senhor Milagre e Magtron, que encontram-se na Terra lutando junto com os outros heróis contra as forças de Darkseid se veem perplexos e indefesos diante da sombra da morte.

E longe dali, em algum lugar do espaço/tempo, Tákion tem uma audiência com o deus ancião – o último dos primeiros entre os Velhos Deuses. E a notícia que ele traz é desanimadora: aquilo pelo que eles lutam já está perdido, e a esperança está tão morta quanto o Pai Celestial.

jkfw-08-16

“Gênesis” foi uma das sagas mais fracas já realizadas pela DC, tendo sido inclusive ignorada pela Editora Abril que publicava os personagens no Brasil na época. Vale lembrar que a editora não passava por um dos seus melhores momentos, contando com um Superman elétrico e a ausência da Mulher Maravilha, que estava morta (outro fato suprimido pela Editora Abril). Os desenhos de Ron Wagner na série também não agradaram o grande público e isso somado a equivocadas decisões editorais e vários outros fatores contribuíram para o fraco desempenho da saga como um mega evento, porém dentro do título dos Novos Deuses, ela funciona bem e é onde ela deveria ter ficado. Os outros autores dos demais títulos tiveram que se adaptar a história e muitos não souberam lidar com a situação e mantê-la alinhada com a proposta de Byrne. E mesmo na revista principal da saga, Byrne cometeu o erro de tentar expandir demais o conceito da Fonte e embora a explicação dela ser a origem de todo o poder divino do universo seja aceitável, ele não soube explorar isso de forma mais ampla e acabou tornando a situação toda muito forçada. Como mega saga, Gênesis foi uma fracasso, mas isoladamente, como mitologia do Quarto Mundo ela flui como mais uma aventura “normal” para os padrões cósmicos desses personagens.

Felizmente, é possível ler e compreender tranquilamente a história corrente de “O Quarto Mundo de Jack Kirby” apenas com algumas observações de rodapé, sem precisar necessariamente acompanhar todos os desdobramentos da saga nas outras revistas.

Na próximo domingo, as consequências da morte do Pai Celestial e uma batalha entre irmãos que literalmente abalará o firmamento! Até lá!

Análise anterior dos Novos Deuses? Busque o centro e clique AQUI!

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14 comentários sobre “O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 8 – A MORTE DO PAI CELESTIAL!

  1. Fixar a Fonte como início e final de tudo (só faltou relacionar ela com o Big Bang, a criação dos universos de matéria e antimatéria, seus guardiões: Monitor e Antimonitor, e bagunçar mais ainda a vida do Krona!!! Já pensou que belo remendo em tudo que daria??????) foi a premissa mais nobre em toda a vida do universo DC. É uma pena que a aderência não foi completa, pois numa magnitude dessas seria maior que a Crise nas Infinitas Terras. Derrubaria muitos conceitos colocados lá e mesmo com o atual reboot, são considerados verdadeiros e únicos para vários leitores, estudiosos e pesquisadores (como o próprio Rodrigo!!! Acredito eu). John Byrne roubaria a cena toda para ele, deixando no rodo anos de trabalho de Wolfman e Pérez. Imagina só!!!! Eu eu fico cá com minha imaginação, sonhando com o dia que o criador da Alpha Flight chegou perto de ser “deus”. E que infelizmente isso nunca mais aconteça!!!
    Mas mesmo com o material sendo fraco, eu sinceramente me impressione com as possibilidades (ainda mais porque não conhecia este lado da história). É a reverência máxima ao mestre Kirby elevando se legado a enésima potência e firmando os alicerces da sua obra. Espero que com a revisita destes personagens pelo reboot, se pense nessas possibilidades grandiosas e se dê o devido respeito e asas na imaginação, fazendo desse nicho o verdadeiro caminho para respostas fantásticas na reformulação da D.C.

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  2. Ter capa de Walt Simonson é um luxo e totalmente bem-vinda para esse tipo de temática., ah! finalmente a ninfeta Nova Gênesiana figurando como capa de suas análises maravilhosas, Garrit! Belos Sonhos é tudo na vida de uma pessoa.

    Se não fossem as decisões questionáveis do editorial da DC, a saga Gênesis, que para uma edição normal do título, nada mais é do que um dia normal entre seus personagens, poderia ter sido uma das melhores mega sagas da editora…

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  3. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – Os guardiões da Galáxia #1

    Terça – Aquaman #18

    Quarta – Questão: A fase DC Comics (parte um)

    Quinta – Cinco quadrinhos veneráveis

    Sexta – Frankenstein # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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