O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 9 – “Se contemplas Apokolips, a ti Apokolips também contempla”

Quarto Mundo

2Uma análise de Jack Kirby´s Fourth World # 09 de John Byrne (roteiro e arte) e Noelle Giddings (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre as fossas ardentes da história.

A capa de Walt Simonson!
A capa de Walt Simonson!

Após os eventos da saga Gênesis, os planetas Nova Gênese e Apokolips, antes fundidos em um único mundo, foram novamente separados, mas não sem sofrer várias sequelas desse ato divino. A vitória foi alcançada, mas cobrou um alto preço. O Pai Celestial está morto e os planetas do Quarto Mundo estão praticamente em ruínas. Os deuses encontram-se alquebrados, recuperando-se da batalha. Darkseid está incapacitado após ser unido à Muralha da Fonte, deixando seu planeta sem um regente… e criando uma brecha para as especulações sobre a sucessão ao trono. Mas Desaad  e a Vovó Bondade já lidaram com a ausência de seu líder antes e sabem que não é inteligente tentar tomar seu lugar antes de certificar-se de que ele realmente não retornará. Mas a verdade é que não existe interesse imediato deles em subir ao trono.

Pois Darkseid sempre retorna.

A elite de Apokolips.
A elite de Apokolips.

Por outro lado, existem dois príncipes aptos a reivindicar o trono de Apokolips, os filhos de Darkseid, Kalibak e Órion. E se sempre existiu uma rivalidade entre eles, ela agora acontece de força incontrolável. Em sua fúria para destruir seu irmão, Kalibak se depara com Magtron em seu caminho, que o desafia para o combate. E embora seja muito poderoso, Magtron é mais poeta do que guerreiro… embora suas mãos possam manipular a luz conforme sua vontade, ele cresceu em um ambiente de passividade e harmonia… é um lutador de coração puro, disposto a se sacrificar por aqueles que ama… Kalibak, por outro lado, herdou não apenas força bruta de seu pai, mas toda a sua indiferença pelo bem estar alheio… ele cresceu aprendendo a matar ou morrer… é um animal selvagem treinado pelos piores  assassinos de Apokolips. Sua batalha com Magtron é breve e o deixa a beira da morte, soterrado e indefeso sob os destroços do planeta.

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Mas o alvo principal de Kalibak não demora a chegar, e não decepciona seu meio-irmão. Embora esteja sem o equipamento que o permite manipular a Astro-Força, Órion não dá a mínima e ataca sem nenhum receio… em sua mente, o código do guerreiro deve ser respeitado até as últimas consequências e se ele cair, será por uma morte gloriosa.

Mas o Corredor Negro não virá para ele hoje… não virá para nenhum dos dois. Kalibak percebe que não pode superar a fúria incontrolável de Órion, e antes de ser derrotado, ativa seu Tubo de Explosão, retornando como um covarde para o seu mundo natal.

Órion então presta auxílio a Magtron, usando sua Caixa Materna para curar os ferimentos mortais infligidos a ele por Kalibak. Eles tem uma relação de amizade profunda, ainda que discordem efetivamente dos meios com os quais chegam aos fins. Ele o ampara de volta para casa… ou o que restou dela, pois Nova Gênese, assim como Apokolips, não foi poupada dos danos causados pela separação dos planetas. A Super Cidade flutuante despencou dos céus e está arruinada, em meio a um cenário que lembra muito mais as paisagens de seu mundo-irmão decadente.

Opostos e sempre unidos.

É neste cenário desolado que eles encontram Tigra, a mãe de Órion. Ela afirma que a fuga de Kalibak foi providencial, pois a sua morte teria decretado o fim da velha profecia, a qual reza que no fim, pai e filho lutarão até a morte nas fossas escaldantes de Apokolips, determinando o final do reinado de Darkseid. Segundo ela, o filho a que a profecia se refere não é Órion, e sim Kalibak.

Pois Darkseid não é pai de Órion.

Apokolips… um ótimo destino de férias… só que não!

Essa edição nos traz uma história de transição ligando o fim da saga Gênesis com as consequências sentidas pelos Novos deuses. Nada que interfira na leitura, uma vez que os personagens comentam os fatos ocorridos e situam o leitor sobre os acontecimentos.

John Byrne prestou uma nova homenagem ao mestre Kirby ao retratar a batalha entre Órion e Kalibak de forma semelhante ao ocorrido no clássico New Gods # 11, produzido por Jack Kirby nos anos 70 (saiba mais). Sempre é um prazer ler essas referências nas HQs mais recentes.

E é interessante notar algumas similaridades entre Órion e Magtron com outros personagens que só viriam a ser criados anos depois, como Apolo e Meia Noite do Authority/Stormwatch e até mesmo Shun de Andrômeda e Ikki de Fênix do mangá e animê Cavaleiros do Zodíaco.  Não importa se são amantes, irmãos ou melhores amigos… são yin e yang e mesmo assim sempre podem contar um com o outro.

No próximo número, o novo regente de Nova Gênese sobe ao trono.

Até domingo que vem!

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Quer entender melhor a saga Gênesis? Leia a análise anterior de Novos Deuses! Embarque direto via Boom Tube clicando AQUI!

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13 comentários sobre “O QUARTO MUNDO DE JACK KIRBY # 9 – “Se contemplas Apokolips, a ti Apokolips também contempla”

  1. Eu nunca ia imaginar que um exame de DNA do programa do ratinho ia ser necessário no meio desse “samba do afro descendente com problemas para aceitar a realidade como ela é”.

    Linda amizade entre Órion & Magtron, assim como lindo texto, Mágico Garrit.

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  2. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – O que aconteceria se?

    Terça – Novíssimos X-men #10

    Quarta – O Questão: a série mensal

    Quinta – Steve Ditko & os macacos gigantes!

    Sexta – Eu, o vampiro # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!

    4

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