Questão – Zen e a arte da violência

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por Carlos “cheio de dúvidas e questões” Lenilton

Img-de-CapashivaComo combinado semana passada, eis que nesta quarta comentarei o primeiro encadernado da série mensal do Questão, tal qual saiu nos EUA (afinal por aqui parou neste Zen e a arte da violência). O primeiro encadernado traz as edições 01 a 06 publicadas originalmente entre Fevereiro e Julho de 1987 sob a batuta de Dennis O’neil, Denys Cowan e Rick Magyar com as cores de Tatjana Wood.

O Questão – criado por Steve Ditko

qzv-capa-195x300O primeiro arco serve basicamente para apresentar (ou reapresentar) a personagem e desconstruí-la. Como conversamos semana passada o Questão era guiado pela filosofia objetivista (para maiores detalhes consultar texto anterior) e era preciso mudá-lo para enriquecer o discurso e incluir novos elementos (tais como os de contexto político-social tão caros ao escritor Dennis O’neil desde que em pleno anos 70 trouxe o problema do consumo de drogas e outras mazelas sociais ao até então ingênuo e perfeitinho mundo dos quadrinhos). Sendo assim, somos apresentados a Vic Sage, repórter investigativo um tanto auto-destrutivo que tem como razão pessoal limpar Hub City, a cidade mais corrupta dos EUA (tida como ainda mais suja que Gotham).

Vic Sage usa seu alter ego para ir mais fundo que o possível nas investigações e usa sua profissão para expor tudo o que descobre (ele literalmente vive jogando merda no ventilador). Ele agora está bem perto de toda a sujeira que cerca o prefeito Fermin e o homem que segura suas cordas ,o Reverendo Jeremiah Hatcht. Para dar um basta em Save, o reverendo usa a assassina de aluguel Lady Shiva, uma das mais mortais mulheres do universo DC. Ela acaba com o Questão sem dar-lhe chance de revide… e ele morre.

Lady Shiva porém não é uma vilã de coração negro e salva Vic Sage no último instante pois encantou-se com a curiosidade, tenacidade e disposição de luta ( mesmo que disso saiba muito pouco) do maluco. Salva-o e o entrega aos cuidados do mestre zen-budista mega ninja Richard Dragon. Ele cuida do corpo, da arte marcial e da mente de Vic. Tornando-o uma arma perfeita na luta contra a corrupção. É  hora de voltar pra casa. É hora de começar a faxina em Hub City.

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Conhecer a identidade de seu algoz torna tudo mais fácil. E o Questão sabe quem o mandou matar. Aparecendo como um fantasma, faz com que um homem crédulo como o reverendo Hatch tenha um ataque de pânico. “Eu quero que você reze” diz o Questão numa das frases mais fortes dos quadrinhos. O resto é um combate sem tregua ao odioso reverendo numa história bem conduzida pelo veterano O’neil que tem seu clímax com o assassinato do cretino.

O Questão estava de volta. Sua missão era conhecida. Seu recado foi dado.

Visão pessoal de história: apesar de excelente naquele período histórico o arco não sobreviveu intacto ao passar do tempo. Com exceção do próprio Questão todos os personagens jogados na trama principal são superficiais. São trabalhados de forma muito rápida. As soluções e recursos usados para a trama andar e ser resolvida são consideradas ingênuas hoje em dia (basicamente nosso herói ou visita o covil do chefe dos bandidos ou o lugar tosco onde seus capangas se encontram) e se você sentiu ecos do Demolidor de Frank Miller não se espante.

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Isso tudo não tira o brilho e sabor desta obra oitentista.  Até semana que vem.

S_Final

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24 comentários sobre “Questão – Zen e a arte da violência

  1. É uma pena que a Panini não tenha dado prosseguimento a estes encadernados d’O Questão, talvez em decorrência da nova política de publicação que veio com a onda dos Novos 52 ou pelo velho problema financeiro de poucas edições vendidas. Ler (ou reler) histórias como esta, além de constatar a forma como roteiros eram criados sem ter reviravoltas chocantes a cada página nem a pretensão de chocar o leitor com mortes efêmeras, é um exercício de como as HQs são mídias que definem e determinam a exploração de uma ideia, de uma trama que vai aos poucos se moldando, deixando que o leitor descubra o que acontece ao mesmo tempo que o protagonista na história em questão.

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  2. Concordo com a tua apreciação sobre este livro. Li esta aventura há muito tempo e este é o Questão que eu conheço. O dos textos anteriores era um pouco desconhecido por mim, Vic Sage acompanhei-o até ele passar o “manto” (neste caso a máscara) à Renné Montoya.
    Bom post!
    🙂

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  3. sou de uma safra (que nem vinho) que conheceu e aprendeu a gostar do Questão por intermédio dos desenhos da Liga sem Limites, portanto é muito bom ver esse material mais hermético sendo comentado aqui! 😉

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  4. Parabéns pelo texto amigo. Concordo com suas críticas, mas aqui entre nós, quem dera que todos os recursos de roteiro de outros autores dessa mesma época na DC, como os dessa primeira história, fossem datados assim. Salve O’Neill!!!

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    1. O’Neill foi um dos gigantes de seu tempo nos roteiros, com toda certeza. Uma das poucas coisas dele que ñ gostei foi o Demolidor.

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  5. Ares de Frank Miller???? Vários artistas daquela época almejavam escrever como ele. Podwr ter o seu cruzado urbano prá fazer justiça e impor ordem a qualquer custo. O Demolidor, Justiceiro (na Marvel) e até cito Adrian Vhase, o Vigilante (na DC). Tempos memoráveis que guardo com muito carinho nna casa de meus pais!!!! Era feliz e tinha certeza disso.

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  6. se muito dos criadores atuais tivessem o talento de dennis,os quandrinhos seriam bem melhores ,essa obra trouxe um personagem diferente humano ,maravilhoso na época,eu nao conseguia fazer nada enquanto nao comprava o proximo numero da revista caçadores.E batman ano um onde essa mini foi mostrada .Tenho saudade desse Vic Sage.

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  7. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – O que aconteceria se?

    Terça – Novíssimos X-men #10

    Quarta – O Questão: a série mensal

    Quinta – Steve Ditko & os macacos gigantes!

    Sexta – Eu, o vampiro # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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