Eu, o Vampiro # 11 – Vampiros contra Zumbis (que tecnicamente são múmias, não que isso importe).

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1Resenha de “Eu, o Vampiro # 11 de Joshua Hale Fiakov (roteiro) e Andrea Sorrentino (arte).

Por Rodrigo Garrit

I, Vampire” criado por J.M. DeMatteis e Tom Sutton.

Contém spoilers revelações saídas da tumba sobre a história.

A capa de Clayton Crain

Andrew Bennet proibiu todos os vampiros de se alimentarem de humanos e numa tentativa de selar a paz entre as raças, enviou seus amigos John (Troughton, não o Constantine) e Tig (Sim, aquela mesma que o matou) para o covil dos Van Helsing na Alemanha, os maiores caçadores de vampiros da história. A ideia era tentar uma trégua. Ou eliminar dois exércitos de uma só vez numa batalha isolada. De qualquer forma, a humanidade estaria a salvo.

Mas quando o acampamento de Andrew é atacado por homens bomba zumbis (múmias amaldiçoadas… mas sim, em última análise, zumbis), os planos do vampiro não poderiam dar mais errado. Uma batalha insana é iniciada e toda a boa vontade é castigada com um banho de sangue.

Tradicionalmente, quando um zumbi morde uma pessoa, ela se transforma, morde o próximo e assim a  infecção se alastra. Mas o que acontece  quando um vampiro morde um zumbi (Ou múmia amaldiçoada, que seja)?

Perdeu alguma coisa? Então deixa eu explicar melhor…

Andrew Bennet é um vampiro de centenas de anos que se dedica a proteger a raça humana de monstros que ao contrário dele, enxergam as pessoas como gado. Mas há uma razão para ele ter mantido sua essência humana após se transformar. Andrew era uma espécie de “trava mística” que mantinha Cain, o Primeiro, no mundo dos mortos, que foi o precursor da raça vampírica e dono de poderes terríveis e imensuráveis, comparáveis apenas a sua crueldade e desprezo pelos humanos. Enquanto Andrew vivesse, Cain não poderia retornar… e assim foi por eras, até ele ser morto por Buffy Tig, uma caça-vampiros adolescente  que recentemente havia se aliado a ele. Com a morte de Andrew, Cain retornou e foi preciso a intervenção da Liga da Justiça Dark, que numa desesperada tentativa de aprisioná-lo novamente, enviou John Constantine e Boston Brand, o Desafiador, ao mundo dos mortos, de onde eles simplesmente ressuscitaram Andrew, que retornou repleto de poder e magia acumulada. Andrew rechaçou Cain, e arrebanhou todos ou quase todos os vampiros do mundo em um único local, tornando-se seu “messias”. Mesmo Mary, a rainha do sangue, ex-amante e inimiga jurada de Andrew viu-se forçada a submeter-se a seus planos utópicos… e delirantes.

É muito feio apontar!!
Eu, a múmia?

Avanço. É com essa palavra que defino  os roteiros de Joshua Hale Fiakov. É a prova de que a trama de uma história em quadrinhos não tem que necessariamente ser de uma complexidade meticulosa,repleta de ramificações e mensagens nas entrelinhas… mas definitivamente, não precisa (não deve) ser algo superficial e desprovido de conteúdo que reverencie a inteligência do leitor. Estamos falando de um gibi de vampiros, é claro, mas antes que alguém diga que se trata de entretenimento barato, eu defendo que apesar de todas as falhas que possivelmente ocorrem, é entretenimento de primeira. São vampiros no contexto super-heróis da DC Comics… um gibi onde temos cenas de canibalismo e mutilações, mas também o protagonista recitando palavras ao contrário para mimetizar o poder da heroína Zatanna…

Os desenhos de Andrea Sorrentino são tão espetaculares, que mesmo numa fraca história valeria a leitura. Mas não é esse o caso, uma vez que o roteiro acompanha o alto padrão da arte.

Os vampiros enfrentam homens bomba caçadores de vampiros zumbis (ou múmias se preferir) que mordidos por vampiros os transformam em outros homens bomba caçadores de vampiros múmias (ou zumbis se preferir).

Essa invasão dos personagens clássicos da Vertigo (retornando) ao Universo DC, será o surgimento de um novo segmento de HQs capaz de reunir o melhor do terror dentro do estilo super herói? Estamos presenciando o início de uma nova Era dos quadrinhos (a Era das Trevas?), seu último fôlego antes do fim ou um novo sopro capaz de conceder nova vida ao gênero?

No próximo número, o Stormwatch decide intervir na guerra vampírica… e talvez nos mostre algum vislumbre dessa resposta.

Resenha anterior de Eu, o Vampiro? Morda AQUI!

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29 comentários sobre “Eu, o Vampiro # 11 – Vampiros contra Zumbis (que tecnicamente são múmias, não que isso importe).

  1. Em constantes mutações, creio que os Quadrinhos de Terror dentro de um universo tradicional de heróis e heroinas, vilões e anti-heróis, venha a se tornar mais uma modinha passageira. Creio que essa invasão de zumbis na analisada edição vem a ser um dos efeitos da modinha de The Walking Dead, algo bem típico de roteiristas menores que escrevem histórias para mentes menores ainda, que aceitam tudo. Não quero ofender ao autor deste artigo e nem a nenhum leitor do mesmo, escrevendo deste modo, mas não consigo aceitar a mesmice que os Quadrinhos, no geral, estão se tornando.

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    1. Eu entendo seu ponto de vista e acho que ele é compartilhado pelo autor da HQ, uma vez que através do personagem principal, teve o mesmo preconceito que você contra o uso dos zumbis, enfatizando que eram na verdade “múmias”… uma bem usada auto-crítica para algo que realmente tem sido usado de forma massificada dentro do gênero do terror, desde séries de tevê até aos quadrinhos passando por “poesias” góticas e toda a forma de expressão capaz de pegar carona nessa onda… o filme “Crepúsculo” é um exemplo, trazendo o foco de volta aos vampiros, do preconceito generalizado contra o uso dos personagens, pois apesar do sucesso da franquia cinematográfica, existe uma legião de críticos que recusam a forma como as criaturas são utilizadas… o que felizmente não é o caso dos vampiros da série “I, Vampire”, embora de modo semelhante, a mesma tenha sofrido uma publicitada negativa devido a isso…

      Obrigado pela sua opinião, o espaço está sempre aberto para todos se expressarem e fique tranquilo, não ofendeu ninguém!

      Abraços!

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      1. De todo modo, ainda penso na tônica da minha expressão como uma idéia fora de qualquer preconceito que eu tenha contra a massificação de um Gênero apenas para garantir o lucro. Até porque assisto The Walking Dead, mas não concordo em nada com a modinha que o mesmo se tornou.

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        1. Eu concordo com você em tudo, só previno contra os equívocos que a generalização pode causar… eu te afirmo que a série”Eu, o Vampiro” não está incluída na moda do vampiro romantizado que se espalhou pela mídia… o protagonista dessa HQ existe há muitos tempo, desde muito antes do advento dos filme “Crepúsculo” e seus semelhantes, tendo sido criado pelo conceituado J.M. DeMatteis para uma série de terror da DC… não podemos encarar toda obra nova (embora “Eu, o Vampiro” não seja nova) como sendo parte da dita “modinha”, correndo o risco de deixar de conhecer uma boa história movidos por conceitos pré estabelecidos.

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  2. É uma pena a DC ter cancelado a série… ou voltaram atrás com a decisão?
    Eu li há há dois meses que a DC queria cancelar, mas que havia muita resistência ao nível dos fãs, porque a série foi elogiada em muitos artigos de jornais importantes, mas depois não sei como ficou essa história…
    Acabei por não comprar o 1º TPB por ter lido essa notícia, vou ver como param as modas…
    😉

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  3. Que capa é essa malandro!!! Que arte é essa malandro!!!! 🙂 🙂 🙂

    Até aceito que pra se ter esses títulos, não precisava de reboot (mas entendo e vejo a necessidade dele para a sobrevivência da indústria) No entanto, alguém realmente acredita que os Novos 52 são uma droga???

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      1. Eu.. não. Os Novos 52 sõ tão ruins quanto a DC antiga, quanto a Matvel, quanto a Dark Horse… são vários títulos e histórias diferentes, não dá pra julgar toda uma linha assim de uma vez. Existem coisas ótimas e outras coisas péssimas. Cabe ao leitor separar o que gosta e ler aquilo que lhe convém.

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    1. Parceiro, já fui execrado e tido como louco defensor do Reboot.

      Mas taí, independente da sua necessidade, é inegável que no quesito boas histórias, essa jogada teve um saldo mais que positivo.

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      1. Pois é gente, é por aí, claro que pra se ter boas histórias, não há necessidade de reboot, mas combinemos, a cronologia precisava se tornar mais acessível para atrair novos leitores (independente do quanto isso se tornou verdade),

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    2. O reboot realemente não era necessário, mas criou um impulso que permitiu a editora a ousar com títulos fora do padrão normal, como “Disque H” e o próprio “Eu, o Vampiro”… são experiências válidas… algumas vão fracassar… outras não.

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  4. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – O que aconteceria se?

    Terça – Novíssimos X-men #10

    Quarta – O Questão: a série mensal

    Quinta – Steve Ditko & os macacos gigantes!

    Sexta – Eu, o vampiro # 11

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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