FABULOSOS VINGADORES #2 & #3 – “Venham a mim meus racistas”

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por Venerável Victor “fabuloso tratador de macaco fabulosos” Vaughan

Img-de-CapacveiravermelhaQuanto mais o roteirista Rick Remender der asas às esquisitices e nojeiras  nessa revista, mais os fãs ganham. Fabulosos Vingadores tem se mostrado o melhor legado do que foi o caça níquel chamado: Vingadores vs X-men. O título começa sombrio e a cada página o inusitado cada vez mais toma conta, se esse ritmo continuar por pelo menos um ano, essa revista pode cair facilmente no gosto do público, ao mesmo estilo que Joss Whedon conseguiu com sua passagem por Surpreendentes X-men.

Rick Remender, John Cassaday & Laura Martin
Rick Remender, John Cassaday & Laura Martin

Um novo “Não mais mutantes” pode acontecer a qualquer momento…

Fabulosos Vingadores #2

Se a intenção é fazer com que a revista nascida dessa saga “massa veio” saia o quanto antes de sua sombra de pássaro cósmico, ela precisará realmente se focar em mostrar a tensão entre humanos e mutantes de uma forma que não vemos acontecer desde os anos oitenta.

Quando a Força Fênix trouxe de volta a espécie mutante, ela despertou algo adormecido na humanidade, algo primal e enegrecido. Fabulosos Vingadores precisa trabalhar em cima disso para justificar sua existência.

2529963-uncanny_avengers_2_superA edição #2 começa logo após a catástrofe perpetrada pelo terrorista mutante, Avalanche. O anteriormente reformado vilão usou suas habilidades para criar devastação nas ruas de Nova Yorque até que o Vingadores chegaram e salvaram o dia.

Enquanto o Capitão América explica seu plano de mostrar para a humanidade que é possível a coexistência entre as duas espécies, numa equipe de heróis composta por humanos e mutantes, seu maior antagonista, o Caveira Vermelha, continua movendo suas peças num tabuleiro de xadrez macabro.

Usando de habilidades psíquicas – leia a edição anterior para saber como o infeliz conseguiu tais poderes –, o Caveira projeta sua imagem através do mundo, se apresentando publicamente personificando um determinado líder muito admirado em cada nação e instigando a população local a matar os mutantes recém-aparecidos, justificando ser  uma medida de sobrevivência. Remender e o excelente desenhista John Cassaday nos brindam com três páginas repletas de violência, onde vemos humanos matando mutantes em uma barbárie tão real, quanto desconcertante.

Essa proeminente escuridão no dia mais glorioso da espécie mutante em anos se intensifica quando a Feiticeira Escarlate surpreendentemente concorda em ajudar a varrer o Homo Superior – novamente – da face da Terra, como deseja o Caveira Vermelha.

Ao que parece, o velho nazista resolveu substituir os judeus que perseguia no passado pelos mutantes do mundo moderno e os quer bem mortos – difícil matar mutante e mais difícil ainda eles continuarem mortos. Mas será que a filha do Magneto vai repetir o antigo massacre? Não parece que isso vá acontecer, muito menos a mutante Vampira, que tanto é magoada com ela, acredita ser possível.

Mas tudo vem à tona quando as duas mutantes encontram o corpo nu de Charles Xavier, numa mesa de autópsia, com metade de sua cabeça cortada. Tudo indica que o Caveira Vermelha retirou o cérebro do Professor X e o mesclou ao seu. Como disse acima, esquisito, nojento, mas prevejo tempos terríveis para os portadores do gene X.

John Cassaday é um dos maiores responsáveis pelo sucesso que é essa revista – como sempre foi em tudo que trabalha, por mais sorte que tenha tido em ter roteiristas, parceiros, excelentes ao seu lado desde sempre. Sua habilidade em caracterizar com perfeição as expressões de seus personagens é maravilhosa para qualquer título que se calque muito mais no conflito que na ação. No entanto, na maioria das vezes a falta de sombreamento nos quadros, muitas vezes interferindo na profundidade da cena, provoca um efeito cartoon na revista e isso pode trair toda a tensão constante que Remender busca com sua nova empreitada.

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Se você se importa com esses personagens, compre, leia essa revista, ela é uma das boas surpresas do evento: Marvel Now.

Fabulosos Vingadores #3

Muito trabalho de fundação foi realizado para estarmos onde chegamos na história desse mês de Fabulosos Vingadores. Ao passo que admitidamente o ritmo das duas primeiras edições foi um tanto lento, essa terceira parte não possui problemas nesse fronte e presenteia os leitores com uma ação desenfreada e de cair o queixo.

uncaven2012003dc11O roteirista Rick Remender conta a sua trágica história agora na terceira pessoa. Todo o caos chega a um ponto de gravidade poucas vezes vista em uma aventura. Tendo, literalmente, “fundido” o cérebro poderosíssimo do finado mutante Charles Xavier – o maior telepata que o mundo já teve –  no seu próprio, o Caveira Vermelha usa suas novas habilidades telepáticas para incitar um massacre mutante no coração da cidade de Nova York.

Através de sua poderosa sugestão mental, os humanos ordinários dessa grande metrópole chegam a vias de fato do absurdo. Procurando pelas ruas e matando os mutantes que encontram, tudo em nome do ódio e sede de poder de um único personagem doentio. É a história humana se repetindo de novo e de novo.

Infelizmente, alguns dos maiores heróis da Terra também caem vítimas dessa influencia, alimentando ainda mais a desconfiança da população e tornando o esforço para solucionar esse problema mais difícil de ser obtido.

A arte de John Cassaday, apropriadamente, funciona muito bem com esse roteiro, mostrando a violência que impera nas ruas da cidade sem ser demasiada chocante. As expressões faciais nessa edição são ainda mais fortemente caracterizadas do que o habitual, mostrando emoções cruas das mais variadas. A mensagem é bem recebida e tem o desejado impacto no leitor. Combinadas com o texto bem escrito, as últimas páginas apresentam uma especial cena aterradora que torna o final “fabuloso” para essa edição.

Sem sombra de dúvida, Fabulosos Vingadores #3 é o mais forte lançamento dessa semana da Marvel lá fora. A atitude orgulhosa apresentada em contar essa história contagia o leitor, enquanto a arte faz com que o fã não largue a revista até o último instante.

A situação é inquestionavelmente extrema e nossos heróis estão em um de seus momentos de maior conflito interno. É uma situação que todos nós conhecemos, admitidamente é até bastante clichê, mas não vem muito ao caso esse mesmo “clichê” quando é realizado de forma tão competente. Eventualmente seremos testemunhas do que o Caveira Vermelha vai receber como justiça ou “vingança” quando tudo for dito e feito no final.

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RESENHA DE FABULOSOS VINGADORES #1 aqui!

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30 comentários sobre “FABULOSOS VINGADORES #2 & #3 – “Venham a mim meus racistas”

  1. Fabulosos Vingadores não é dos que mais estou curtindo não viu… Espero que melhore, mas por enquanto quero acompanhar só Avengers e New Avengers. É muito Avengers pro meu gosto! shuauhs

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  2. Eu curti muito o conceito da devastação mutante. Não fazia sentido para mim aquela quantidade exagerada de mutantes ( o pior era que estavam inventando poderes que não tinham o menor sentido mas isso é um longo devaneio…) que a Feiticeira Escarlate acabe com uns 90% novamente. Buáá-Hááá-Háááá ( riso satânico forçado e meia boca).

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  3. No início dessa revista eu achei sim tudo meio perdido, mas já estou na leitura do número #6 e acho que a coisa tem engrenado. Ter o Caveira como inimigo, tomara que recorrente, da revista, achei muito interessante, só senti falta de mais detalhes sobre os S-men dele…

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  4. Eu continuo tendo a impressão de que o John Cassaday era melhor na revista dos Surpreendentes X-men do Joss Whedon, é impressão minha? Seria só por causa de um arte finalista diferente? Era a mesma? Seria agora por causa de pressa talvez por um prazo apertado de entrega de página???

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  5. Já faz um tempinho que li estas edições (li até a 5ª), então, corro o risco de citar algo que esteja na edição 4. (desculpas antecipadas)

    Concordo com o Luiz Felipe: este título está chato e recheado de clichês. Remender tem mostrado muito de seus próprios sentimentos em relação ao cenário em que ele vive (EUA), cheio de estrangeiros, negros, amarelos, muçulmanos, mestiços e outros que estariam “degenerando” seu tão amado país de arianos (Steve Rogers seria o modelo “perfeito” do “verdadeiro” estadunidense). A atitude do caveira nada mais é que a representação de muitos daquele país. E a resposta de Rogers ao nazista ilustraria aqueles que pensariam algo como: “sim, nosso país está degenerado, os tempos áureos ficaram para trás; mas é preciso ter esperança; é preciso acreditar na América”. Ou seja, inconscientemente (ou não) Remender, através do Capitão América (pobre Rogers, sempre ele. Afinal, É o personagem mais político da Marvel), mostra-se tão racista quanto aqueles que abertamente defendem a “limpeza” dos EUA.

    Veja que sua equipe é formada essencialmente por brancos. Não apenas brancos, mas loiros: Rogers, Thor e Havok. Aliás, Alex retira a máscara (acho que na edição 4, então não vou me aprofundar nisso) para a imprensa, afim de mostrar que ele é IGUAL a qualquer outro humano. Esse igual leia-se: hey, veja como eu me pareço com os americanos “legítimos”. Não tenham medo. Eu não sou um demônio azul com caldas ou um garoto sem boca, coração, pulmão e parte do torso, de onde saem explosões psiônicas…. eu sou “perfeito”, como vocês…

    E ainda tem o Thor…. um deus (nórdico, é verdade. Então, talvez sua fácil submissão ao nazista “possa” ser justificada aí)… um DEUS… foi facilmente submetido ao Caveira, enquanto o “americano perfeito” – branco, cristão, protestante – resistiu bravamente. Afinal, ele é um “legítimo americano” que defende até a morte a universalização do “sonho americano”.

    Sem falar que a revista – até aqui – se tornou uma espécie de anti-Ciclope… toda edição tem alguém falando mal do caolho, justificando que as ações dos vingadores, especialmente do Alex, são as “corretas”, o caminho “certo” a seguir, dentro da LEI (feita por humanos e não mutantes), da ORDEM (ordem humana e não mutante) e dos “bons costumes” (não resisti, hahaha). É tanto que já ficou chato. O autor apenas reforça sua visão conservadora sobre o líder de uma minoria e suas ações em favor dessa mesma minoria. Afinal, para quê um negro, um índio, curdo ou palestino quer criar seu próprio movimento? Deixa que os donos do poder fazem isso por eles. Ou aceitam essa possibilidade oferecida ou serão tratados como terroristas, fanáticos… Ah, senhor Remender….

    E o que falar da cara do Wolverine??? É lamentável… cada revista em que o canadense aparece ele tem uma atitude diferente. Nessa ele tem a cara mais meiga e tristonha de todos os tempos. hahaha!! Patético!! Wolverine era bom nos anos 80. Desde que virou onipresente e onipotente ficou chato, insuportável.

    A última edição deste arco gerou uma ENORME polêmica nos EUA. Saiu no site newsarama. O discurso de Alex à imprensa resultou em protestos de grupos minoritários ao senhor Remender. “Assimilação”, e não “Integração” foi a mensagem. E o magnífico autor ainda soltou os cachorros sobre os protestantes, mandando-os para…. bem… quando sair a resenha da edição 4 voltaremos mais a este assunto….
    (ps* Brubaker tinha nos deliciado com histórias detetivescas e cheias de espionagem com o Capitão América – Rogers e Bucky. Acho lamentável quando regridem ‘novamente’ o personagem a “modelo de americano a ser seguido”)

    Em suma: talvez por ser leitora das antigas… concordo com o Chris Claremont: X-Men, quando junta-se aos “mocinhos” e ao sistema, perdem sua essência, deixam de ser X-Men. Portanto, para mim, esse título, por enquanto, é dispensável.

    abraços.

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    1. caramba…era exatamente oq eu estava pensando…e era exatamente o que remender precisava ( e precisa ) ler. X-men da dando um chute no saco de quem é fã…. a ultima saga que eu achei interessante foi o segundo advento…que tinha ação…

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  6. Clichê. Mas se formos falar de clichê, e ainda mais envolvendo a Feiticeira Escalarte fica bem óbvio. Agora a dominação pelo racismo nos remete aos primórdios com Magneto, passando por Legião, X Tinction Agenda, comandante Stryke, Stryfe. e Trask com os Sentinelas. Todos exageros (seja do lado humano ou mutante) mostrando as facetas dos habitantes da Terra. A arte do Cassaday é sombria por excelência (quem não se lembra de Planetary?). Eu vejo isso tudo como um gancho para (mais uma???) volta de Xavier. O seguimento é bem mediano e essa super exposição dos mutantes pode mais uma vez esgotar a franquia e por a Marvel no descrédito. Mas o que importa tudo isso prá editora que batalha o seu milhão da semana e tá cheia de cartas na manga para os próximos (vide Angela, Marvel Man e um plágio de Guardiões da Galáxia) ????

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    1. Por norma gosto de tudo em que Cassaday se mete, este Uncanny Avengers não sigo, há títulos de mais de Avengers! Gostaria que houvesse apenas um único título, assim já me conseguiriam apanhar!
      Pelas tuas palavras parece interessante sim, mas é como disse não estou a acompanhar, portanto não posso concordar ou discordar.
      😉

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  7. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – Fabulosos Vingadores #2 & #3

    Terça – Fabulosos X-men #4

    Quarta – O Questão (artigo inédito)

    Quinta – O que aconteceria se….

    Sexta – Capitão Átomo

    Sábado – Umas Tiras da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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