A Mulher Maravilha de John Byrne – Dias de luta, dias de glória!

_0006_Infinitas Terras

CAPAResenha de “Wonder Woman: Second Genesis”, escrito e desenhado por John Byrne com cores de Patricia Mulvihill.

Mulher Maravilha criada por William Moulton Marston (valeu, cara!)

Novos Deuses criados por Jack Kirby (cujo reinado dura para sempre).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações extraídas pelo laço da verdade sobre a história.

1467_400x600Diana está se estabelecendo numa nova cidade, Gateway City, e tentando um novo recomeço após várias decepções e situações amargas, principalmente a morte de sua irmã amazona Ártemis, que durante um curto período atuou como Mulher Maravilha em seu lugar (na fase escrita por Bill Loebs com arte de Mike Deodato Jr., publicada por aqui pela Editora Abril na revista “O Poder de Shazam”. Ártemis voltaria à vida mais tarde, em história inédita no Brasil).

Mas como tudo na vida da amazona, essa nova fase também não se mostra fácil, uma vez que ela se depara com uma cidade repleta de bandidos fortemente armados com tecnologia alienígena, e se vê atraída para uma cilada preparada por Darkseid, que pretendia usá-la para encontrar os deuses olímpicos e roubar sua divindade. Nesse ínterim ela conhece um policial chamado Mike Schorr, que passará a acompanha-la em suas desventuras, seja na Terra ou nos confins do universo, e se mostrará um amigo fiel e confiável… um amigo, ou algo mais…?

2

No desdobrar dos acontecimentos ela é capturada e torturada de forma cruel pelo famigerado Desaad e levada confrontar o senhor de Apokolips em seu mundo natal, onde um encontro inesperado com Metron a faz repensar seus conceitos quando ele revela que os deuses olímpicos de quem ela é devota, bem como um sem número de divindades espalhadas pelo universo são nada mais que um efeito colateral da grande onda divina liberada pela Fonte após o ragnarok do mundo dos Velhos Deuses, que gerou diretamente os planetas Nova Gênese e Apokolips. Todas as outras divindades seriam então meros reflexos pálidos se comparados a esses novos deuses. Ainda aturdida por essa revelação que aos seus ouvidos soa como uma blasfêmia, ela continua escutando Metron, que segue em sua explanação, e como prova de sua boa vontade em auxiliar a amazona, abre um Tubo de Explosão para o santuário de Themyscira na Ilha Paraíso, terra natal de Diana, onde ela contempla com horror sua total devastação.

O próprio Darkseid liderou o ataque, forçando as amazonas a lutar, como seria de se esperar, sem se render. Mas os deuses olímpicos parecem ter abandonado as mulheres guerreiras, pois continuam escondidos, indiferentes ou temerosos pela presença do senhor de Apokolips. As amazonas não se renderiam até que a última delas tombasse, e sabendo disso, Darkseid decidiu dar fim a batalha; com um gesto de mão uma frota de naves batedoras surgiu nos céus da Ilha Paraíso, e o que se viu depois foi nada mais que um cenário digno do inferno. O deus sombrio se retirou do palco da batalha, sem obter o que almejava, mas deixando para trás um paraíso destroçado e centenas de amazonas mortas. Uma mácula que dificilmente será apagada do coração de Diana.

A rainha Hipólita não estava entre as amazonas, tendo se retirado da ilha pouco tempo antes do ataque, em um exílio auto-imposto.  Diana teve então que decidir entre ficar e assumir o trono ou voltar para o mundo do patriarcado. Uma decisão que lhe pesou o coração, mas ela preferiu deixar Philippus no comando e voltar a pregar a paz em mundo conturbado que aprendeu a reverenciá-la como Mulher Maravilha.

Layout 1

O encadernado “Segunda Gênese” reúne as edições # 101 a # 104 do título mensal da princesa amazona e foram as primeiras histórias de John Byrne para a revista solo da personagem em 1995, que marcariam um longo período com ele a frente da personagem. Infelizmente, apenas essa primeira saga foi publicada no Brasil, entre os números # 09 e # 12 da revista em formatinho “Os Melhores do Mundo” da Editora Abril em julho de 1998.  Essa história trazia premissas do envolvimento da feiticeira Morgana e consequentemente do demônio Etrigan nas aventuras posteriores, mas a editora responsável pela publicação na época ignorou o fato, parando a publicação ao fim da saga e deixando os leitores a ver navios. Tempos depois, Diana passaria um período “morta” e seria substituída por sua mãe, a rainha Hipólita que inclusive atuaria na Liga da Justiça, mas além desse fato não ter sido publicado na época, quando Hipólita aparecia na Liga, a tradução dava a entender que se tratava de Diana, auxiliada pelo fato da grande semelhança física entre elas. Outros eventos importantes foram abstraídos, como a saga “Gênese”, que verdade seja dita, realmente não teve todo o seu potencial aproveitado, mas amarrava várias pontas soltas da cronologia. Mas isso é outra história.

Capas de Wonder Woman # 101 a # 104, onde a história foi originalmente publicada.

John Byrne iniciou sua fase estabelecendo um novo status para a personagem e evidenciando sua marca nela, com sua forma inconfundível de contar histórias. Ela vinha de uma fase de muito sucesso, tanto pela ousadia de Bill Loebs que colocou Diana com um novo traje agindo quase as escondidas e elegendo a exuberante Ártemis como a nova Mulher Maravilha… isso sem falar no traço do brasileiro Mike Deodato que explorou de forma sensacional todas as curvas do corpo feminino e trouxe à tona uma sensualidade poucas vezes vistas antes na personagem, que conquistou uma legião de fãs. Mas o veterano Byrne não fez feio e colocou a princesa em histórias repletas de ação e misticismo, além de alinhar várias pontas soltas do passado dela e de suas associadas, principalmente Donna Troy. Vale lembrar que foi nesse período que ele deu vida a Cassandra Sandsmark, que viria a se tornar a nova Moça Maravilha, uma personagem de popularidade e força, que até hoje se destaca nos Novos Titãs.

No mais, uma boa lembrança de um passado (não tão) recente, em que os quadrinhos eram feitos de forma mais simples, mas assim como em tempos anteriores, serviram de base para muitas das histórias que são produzidas hoje em dia.

Arte original de John Byrne.

EDITORIAL SANTUÁRIO :

Segunda – Novíssimos X-men #11

Terça – Aquaman #18

Quarta – O Questão

Quinta – Parem de falar mal do Aquaman!!!

Sexta – Homem Animal # 12

Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

Domingo – Marvelman de Alan Moore e Gary Leach

o

2

Anúncios

35 comentários sobre “A Mulher Maravilha de John Byrne – Dias de luta, dias de glória!

  1. O que dizer do mestre? Queria ter acompanhado o restante do trabalho dele na princesa Amazona.
    Sabe dizer se da pra achar em scans essa fase dele?

    Curtir

  2. Hmmm, não foi um trabalho do Byrne que mais apreciei, mas o texto foi muito exclarecedor, tendo em vista que grande parte do material não saiu aqui. Esperava mais de Byrne no título. Eu acho que ele desenhava bem a Fênix, de personagens femininos. O cabelo da MM ficou muito estranho sob a arte dele, parecia o da Mônica com brilho. Gostei dele ter abolido aquele tanto de estrelas do short (que fazia a pobre amazona parecer cruzeirense) e ter aumentado o tamanho dos braceletes.

    Curtir

  3. Uma fase bem obscura aqui no Brasil, é verdade, mas graças à inescrupulosos editores que estão por aí até hoje trabalhando (ainda bem que o povo hoje em dia é mais inteligente e sabe discenir do bom e do mau profissional!!!), mas que graças à Deus e ao acesso ao estudo não são eternizados, somente pela sua inexperiência, falta de atenção e mau uso da profissão. Espero pelo menos no Brasil ter de me deparar com situações iguais a esta, e se acontecer, sei que não serei único em denunciar atrocidades desse tipo.

    Curtir

  4. O Byrne foi contra o misticismo da MM. Ele “Jack Kirbyzou” os deuses da DC, tornando-os algo mais próximo dos deuses da Marvel como já eram os Novos Deuses. Criaturas mais cósmicas que místicas.
    Byrne geralmente tem a mania de querer explicar demais o que não é necessário, como o Roy Thomas também fazia muito, mas essa explicação para a origem dos deuses da DC eu aprovo.
    É uma história legalzinha, mas foi posteriormente ignorada.

    Se bem que tem umas coisas estranhas, como o Darkseid parecer baixinho (ele deveria ter 2 metros e 30 cm de altura) e ainda ser ferido por uma simples lança de uma amazona.

    Curtir

  5. Devo confessar que a fase Byrne com a MM ocorreu durante uma época em que eu estava lendo muito pouco quadrinho. Mas ao ler esta resenha me deu uma vontade grande de voltar no tempo. Valew!!!!

    Curtir

  6. O Byrne é o máximo, rapidinho se livrou daquele maiô estrelado , chato de desenhar, sem desfigurar o ícone, colocando apenas duas estrelas grandes. E já começar a nova faze, incluindo Darkseid e os novos deuses é maravilhoso. O universo da diana e o criado por Jack Kirby se comunicam super bem, como se tivessem nascido um para o outro! Azzarello que o diga, agora!

    Curtir

  7. O que eu lembro da época que essa história saiu, mais que qualquer outra coisa, foi a mudança radical de tom da revista da Mulher-Maravilha. Deodato havia feito um trabalho marcante então, e as capas de Brian Bolland também eram um ponto alto da publicação. Dai achei até ousada a escolha de Byrne para dar continuidade ao título, mas esperava bem mais, porque o que ainda trazia como referência naquele período era o trabalho dele a frente de Namor, Next-Men e Mulher-Hulk, o que me fez continuar a comprar o título. Daquela época da DC lembro mais do:Flash do Mark Waid e de Starman.

    Curtir

  8. Essa série eu tenho TODINHA em formato original americano, importava na época. Adorava. Apesar de não achar que – fora a Mulher Hulk – o Byrne desenhe qualquer outra mulher bonita, todo o mais era tão legal… E a Diana dele sabia direitinho o que queria da vida. A batalha dela com o Apokalipse (sem spoilers) me deixou nervoso, era muleke, pensei naquele momento: “Putz se esse bicho feio pra dedéu (parece personagem que o Liefeld criaria) “matou” o Super-Homem, o que não vai fazer com a MM!!!” mas no fundo desejei que ela esculachasse com o vilão e mostrasse o quanto era foda! PERFEITA escolha para ficar no lugar do Quarto Mundo enquanto você descansa um pouco dos novos deuses, sem precisar descansar dos “deuses”!!!! 🙂 🙂 🙂

    o

    Curtir

    1. Você sempre foi um canalha sortudo, VVV…………… eu odiei a Editora Abril por muito tempo por não te publicado essa saga como devia… mas a justiça acabou sendo feita, de certa forma. Águas passadas.
      E, sim, a Mulher Maravilha deu um descanso para os deuses nesse domingo, mas ela não ficará fixa… por enquanto! Na próxima semana ainda teremos algo de maravilhoso; a resenha de MARVELMAN (ou Miraclemen se preferir) em sua fase obscura, mística e fundamental de ALAN MOORE!
      Os deuses estão estarão bem representados ou não?

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s