Arlequim – A hora de se fazer a fantasia

_0011_Quintessencia

por Carlos “ainda bobo” Lenilton

Img-de-CapaarlequinaAntes de começar a “falar” sobre o que realmente me proponho hoje, quero pedir desculpas a quem procurava uma nova resenha sobre o Questão. Preferi dar uma semana de descanso pra mim, que tenho apenas uma pauta por semana e dezenas de assuntos que gostaria de tratar, e também pra vocês, senão podem enjoar do mesmo assunto por mim trabalhado sempre.

Sendo assim resolvi falar um pouco de um zine que me caiu nas mãos e que me deixou boquiaberto. Decerto deixou várias pessoas boquiabertas, tanto que venceu o prêmio SBAF – Sociedade Brasileira de Arte Fantástica. apenas um ano depois de sua publicação em 1997. 1997?! Você deve estar se perguntando. Sim, de fato demorei um bocado pra descobrir esta impressionante obra, mas antes tarde do que nunca, certo? E no entanto ela continua com sabor fresco de coisa nova.

arlequim_cover_album

Confesso que não sou muito adepto de zines pois os que me caíram nas mãos antes desse sempre me pareciam cópias pálidas do que se faz lá fora, mais precisamente nos EUA. Ninguém tem culpa disso a não ser eu mesmo, resumindo: SOU UM ANALFABETO EM ZINES. Mas leio há quase três décadas e acho que sei quando estou diante de algo verdadeiramente bom. Bom e original! Ok, já elogiei pacas o zine Arlequim, mas ainda não expliquei-o.

O autor Roberto Holanda teve a belíssima ideia de criar uma história envolvendo personagens da literatura, tanto nacional quanto estrangeira, e transporta-los para a nossa realidade tão carente de fantasia. E isso bem antes de Bill Willinghan e sua “Fábulas” que só ganhou o mundo em 2002 ou mesmo da Liga Extraordinária de Alan Moore, como comenta no prefácio César Silva, autor do blog Mensagens do Hiperespaço.

Porém em Liga Extraordinária Mister Alan Moore não joga os personagens fictícios em nossa realidade vindos de um outro plano dimensional, nas páginas da “Liga” eles sempre autoestiveram por aqui e são tão humanos quanto nós… Bem quase tão humanos. No caso de Arlequim os personagens sabem que não pertencem ao nosso plano dimensional,o que traça um paralelo maior com Fábulas (lembrando novamente que Arlequim data de 1997 e Fábulas de 2002).

Em Arlequim, Roberto Holanda, apoia-se em vários elementos do universo mítico de Monteiro Lobato e transforma Emília na personagem título Arlequim, onde ela é guardiã do mundo das fábulas ( nenhuma tentativa de se fazer piada aqui) servindo entre outras coisas de perseguidora das fábulas que ousam fugir pro nosso mundo. Ela é obrigada a vir ao nosso mundo deixando seu reino de nome: Reino das águas Claras e enfrenta um misterioso ser que está assassinando várias personagens femininas da ficção. Sua arma nos assassinatos são negros e violentos corvos (isso mesmo, a ave). Para investigar o caso, Emília, ou Arlequim, chama ninguém menos que o maior detetive do mundo das fábulas: Sherlock Holmes ( isso mesmo, não é o Batman). Quem também a ajuda é Brás Cubas que havia acabado de entrar em nosso mundo na pele e corpo de um defunto, dessa forma assumindo a identidade de um zumbi (fato que já o havia colocado na lista de punições de Arlequim). Outros personagens que podem ser vistos é o Gato de Botas e o Visconde de Sabugosa entre outros.

O mágico de Oz não aparece, mas sua presença é sentida em toda a história, até porque os assassinatos tem ligação com ele de forma indireta. Contar mais é estragar as surpresas e encantos desta maravilhosa história.

Roberto Holanda mora no Rio de Janeiro. Nasceu em 1976. Desde já sou seu fã. E se você quer ser também aceite um conselho: Dê um jeito de ler este zine.

Uma forma de consegui-lo é atravéz do e-mail: arlequimhc@yahoo.com.br

S_Final

Aliens-01

Anúncios

19 comentários sobre “Arlequim – A hora de se fazer a fantasia

  1. Que interessante! Acho ótimo, quanto mais forem reaproveitados e reapresentados, personagens fantásticos como os de Monteiro Lobato, Machado de Assis e demais, nessas novas HQs independentes, mais gente vai acabar por se interessar de ler seus livros originais.!

    Curtir

  2. Quem diria, assim como hoje em dia temos o youtube, onde diversos artistas podem “broadcast yourself”, mostrando sua produção cultural (outras nem tão culturais assim), os zines antigamente eram umas das poucas formas existentes, dos autores se divulgarem entre a sua sociedade. Eu mesmo no ginásio já tive o meu “periódico” que era xerocado e distribuído no meu colégio (durou algumas duas edições). além de guardar até hoje com o maior carinho as histórias em quadrinhos de diversos colegas, todas produções artesanais. Com o surgimento da internet achávamos que essa forma de arte ia se extinguir,como quando a TV surgiu no mundo e muitos julgavam que era o fim do teatro e do rádio. Não podíamos estar mais enganados… Agora, esses mesmos zines que pareciam não ter mais vez, aja visto a troca de mídia, de papel para o digital, têm a possibilidade e o alcance milhões de vezes multiplicado, bastando apenas “ser bom” para que alcance o maior número possível de pessoas. Longa vida a produção cultural independente, que nunca antes teve tantas ferramentas para manter sua “guerrilha de resistência cultural” como hoje em dia.

    Curtir

    1. Vc sempre fala as palavras certas. Concordo com tudo que disse.
      Devo confessar que tbm ousei criar um zine nos tempos de colégio. Éramos um grupo chamado “Literal”. Tínhamos mais fama que produções mas ainda fizemos uns 4 gibis.

      Curtir

  3. Eu sinceramente nunca fui adepto a este tipo de trabalho, mas depois de ver esta matéria fiquei convencido de que até garimpando esse canal de mídia (ainda mais porque hoje em dia encontramos vários online), é possível encontrar preciosidades como esta.
    Não teve Questão nesta semana, mas o Lenilton representou muito bem o trabalho tupiniquim.

    Curtir

  4. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – Novíssimos X-men #11

    Terça – Aquaman #18

    Quarta – Arlequim – A hora de se fazer a fantasia

    Quinta – Parem de falar mal do Aquaman!!!

    Sexta – Homem Animal # 12

    Sábado – Umas Tirinhas da Pesada!

    Domingo – Marvelman de Alan Moore e Gary Leach
    y

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s