Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro II – A Síndrome do Rei Vermelho!

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7Uma análise de Miracleman – Livro II: A Síndrome do Rei Vermelho, de Alan Moore (roteiro), Alan Davis, John Ridgway, Chuck Beckum e Rick Veitch (arte). (Incluindo histórias adicionais de Mick Anglo)

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações essenciais sobre a história.

ATENÇÃO: Contém imagens fortes mostrando um parto. Pessoas sensíveis, leiam por sua conta e risco.

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“Brilha, brilha

Estrelinha.

Brilha, brilha sem parar.

Essa noite meu apelo,

Meu pedido vai me dar”.

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Leia a análise do Livro I aqui.

Liz Moran é sequestrada pelo Dr. Gargunza e levada para sua instalação na Argentina, onde ele parece ter grandes planos para a criança que ela traz em seu ventre, fruto da união com Miracleman. Desesperado, o herói busca ajuda ao Agente Cream, o assassino com dentes de safira, a fim de tentar descobrir onde sua esposa se encontra. Sem ter certeza de quem a levou, ele cogita que Johnny Bates possa ter voltado a ser o sociopata “Kid Miracleman”, mas o garoto continua em um hospital, sendo assombrado pela sua versão adulta e pervertida. Dentro da mente de Johnny Bates, sua persona maligna luta para se libertar, e através de seus jogos mentais, está prestes a conseguir o que quer.

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Clique nas imagens para ampliar.

Ao mesmo tempo, o leitor fica sabendo mais sobre o passado do herói, mais precisamente no período em que estava sofrendo a programação mental do Dr. Gargunza. Em determinado momento, ele e seus companheiros conseguiram se libertar do sonho programado (onde, basicamente se passam as aventuras de Marvelman em sua versão mais pueril produzidas pelo seu criador Mick Anglo) e se transportam para um mundo lúdico criado pelo seu inconsciente, tentando-os fazer acordar da armadilha onírica de Gargunza.

No livro “Através do espelho e o que Alice encontrou por lá” temos a figura do Rei Vermelho, e quando ele dorme ninguém ousa se aproximar, temendo ser parte de seu sonho… assim sendo, ao acordar tudo ao redor dele deixaria de existir…

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“Tudo o que vemos ou acreditamos ver, é apenas um sonho dentro de outro sonho” – Edgar Alan Poe.

A detalhada história da origem da Família Miracleman é contado pelo Dr. Gargunza a Liz Moran, que lhe revela que ele foi um foi jovem mexicano radicado no Rio de Janeiro, onde enfrentou a pobreza com sua genialidade tornou-se poderoso ao comandar o crime local. Com o tempo ele viajou para a Europa, conheceu Hitler e foi contratado pelo governo britânico como um dos cientistas mais bem conceituados do mundo. Ele estava presente quando a nave alienígena foi descoberta… e presenciou o descoberta de seu estranho tripulante, morto na queda, um curioso ser de duas cabeças, que como a pesquisa de Gargunza comprovou depois, era capaz de trocar de corpos transmitindo sua consciência, usando assim o corpo mais adaptado para a suas necessidades.

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“O Milagre veio do Espaço…”

Gargunza acreditou ser possível reproduzir a experiência com humanos e assim escolheu suas cobaias… pessoas de que supostamente ninguém sentiria falta. O experimento consistia em clonar o corpo da cobaia e aplicar nele os aprimoramentos alienígenas. Enquanto o corpo original estivesse na Terra, o aprimorado ficava reservado em um local batizado de Infra-Espaço, podendo ser acessado pelo seu usuário através de uma palavra gatilho implantada como uma sugestão pós-hipnótica na cobaia. Assim, a transferência mental era feita, e os corpos trocavam de lugar, após um efeito explosivo parecido com um raio.

Não satisfeito, Gargunza queria dominar totalmente as mentes das cobaias, implantando memórias falsas através de sonhos simulados como uma espécie de realidade virtual. Ele decidiu fazer as cobaias acharem que eram super heróis com poderes fantásticos que deveriam lutar pelo bem da humanidade. Sua inspiração veio de um antigo gibi chamado “Shazam”, protagonizado pelo Capitão Marvel e sua família. Assim nascia Marvelman/Miracleman e sua família heroica.

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Em busca de sua esposa, Mike Moran, ou melhor, o Miracleman, juntamente com o agente Cream voam até a Argentina, apenas para descobrir que Gargunza tem uma palavra gatilho: “Abraxis”, que faz Miracleman reverter a forma humana por uma hora. Por outro lado, ele posiciona seu cãozinho de estimação e diz a palavra: “Steppenwolf”, fazendo-o se transformar numa terrível monstruosidade assassina… o “Miracledog”!

A primeira vítima do monstro é o agente Cream, que tem sua cabeça separada do corpo e devorada, fazendo o cão cuspir sangue e safiras… Mas o que parecia ser a morte certa para Mike Moran, foi resolvido de forma simples e lógica… a “palavra mágica” do Miracledog não pode ser dita por ele, mas é acionada quando ele a ouve. Bastava lembrar qual era a palavra… esse meio tempo custou-lhe dois dedos. Mas enfim ele lembrou…

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“Steppenwolf”, era a palavra, e ao dizê-la o monstro voltou a ser um frágil cãozinho, e Moran não hesitou em afundar seu crânio com uma pedra. Passado o período de uma hora, ele voltou a se transformar, repleto de ódio, e foi ao encontro de Gargunza, que tentou novamente dizer a palavra que o reverteria à forma humana, mas com seus dedos poderosos pressionando sua garganta, ficou impossível proferir qualquer coisa que fosse… Miracleman voou com ele para o espaço… mostrou-lhe um pouco de seu poder e tudo o que ele havia perdido… ele beijou os lábios de seu “criador”, e o arremessou ao solo… muito pouco sobrou do corpo…

Refletindo sobre a morte de Gargunza, Miracleman precisou fazer uma pausa forçada, onde duas histórias antológicas da Era de Ouro foram republicadas no lugar da continuação do Livro II de Alan Moore… isso aconteceu devido ao fato do escritório da Eclipse, editora que publicava esse material nos EUA ter sido inundado quando o rio Russian transbordou na primavera de 1986. Ninguém se feriu… apenas a paciência dos leitores pela sequencia da história… …

Uma sequencia onde simplesmente foi mostrado o parto mais real já feito até então numa história em quadrinhos, quando Miracleman traz sua filha ao mundo… uma cena impactante na época ( e talvez até hoje), mas repleta de uma verdade explícita, típica da mente sempre a frente de seu tempo de Alan Moore. A recém nascida que segundos após ser colocada nos braços de Liz, já é capaz de dizer “Mamãe”. A verdadeira natureza desse bebê está cercada de mistérios ainda ignorados pelos pais…

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Alheios aos acontecimentos (mas nem tanto)  um casal “estrangeiro” conhecido como Sr. e Sra Smith inicia uma investigação sobre os corpos sobressalentes no Infra-Espaço, o que nos faz pensar no quanto eles são estrangeiros. Eles fazem uma busca por todos aqueles que fazem uso dos benefícios da fonte de poder do Miracleman… e eles estão em maior número do que se imagina. Várias perguntas são feitas no decorrer da história, perguntas que só serão respondidas  no próximo arco de Alan Moore, o Livro III de Miracleman.

Falaremos sobre isso na próxima semana… Até!

Kimota!

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Arte de Todd McFarlane

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EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda –  Homem de Ferro 3  *- A RESENHA! -* 

Terça –       Guardiões da Galáxia # 2

Quarta –     O Questão?

Quinta –      Vida longa e próspera! Curiosidades sobre Star Trek!

Sexta –       Monstro do Pântano # 12

Sábado –    Umas Tiras da Pesada!

Domingo –  Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro III.

TARDIS

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20 comentários sobre “Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro II – A Síndrome do Rei Vermelho!

    1. Valeu mesmo querida Bianca… a arte de Garry Leach e Rick Veitch faz muito a minha cabeça… Alan Davis entrou no clima, embora ele tenha enveredado por um estilo menos perturbador, esses seus primeiros trabalhos tinham o toque sombrio da história de Alan Moore. Hoje em dia, não sei se ainda teria o mesmo resultado, apesar de achar que ele tem um traço lindo… apenas se distanciou das trevas…

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  1. O que dizer sobre Alan Moore, Alan Daves e Mick Anglo? Apenas agradecer a Deus por compartilhar sua estdia neste plano conosco. Usaram seus dons prá fazer sonhar e colocar alguns valores nas cabeças dos seres humanos. Esse material merece sim fazer parte não só de quem gosta de quadrinhos, mas na literatira universal. Tão clássico como um Dante Alighieri, Camões, Platão, Gil avicente ou Manuel Bandeira.

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    1. Alan Moore fez o caminho inverso ao tempo, escreveu suas mais delirantes e fantásticas obras no começo da carreira para se aposentar tranquilo e tendo cumprido sua missão……… quer dizer, se é que ele realmente vai levar a sério a aposentadoria………..

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  2. Mais um texto muito bem escrito sobre uma obra maravilhosa. Nesta parte, Alan Moore “justifica” seu plágio do plágio, ao citar a ‘homenagem’ feita ao Capitão Marvel.
    Aguardando a terceira parte.
    Parabéns Garrit. Obrigada por trazer-nos uma obra que comprova o quanto a nona arte pode surpreender e ir além de roteiros simplistas e artes massavéias.

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    1. A menção dele ao Capitão Marvel “Shazam” foi uma forma simples e genial de explicar sem comprometer o passado do personagem… respeitou os fãs antigos e seguiu adiante para uma nova geração… (embora essa “nova” geração tenha ficado congelada por anos, e só agora talvez haja alguma chance de retorno).

      Pra mim é um prazer escrever sobre o Miracleman, Lucy… valeu mesmo! Semana que vem estamos de volta!

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  3. Artigo maravilhoso! Série fantástica! Gasta-se capa dura e papel especial com tanto material mediocre… acho que deveriam tentar republicar este material no Brasil. Abração e parabéns!!!!!!!!!!

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