Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 12 – “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria… significando nada”!

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CAPAContinuando a série de resenhas do título produzido por Matt Kindt (roteiro), Alberto Ponticelli (desenhos), Wayne Faucher (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história.

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A capa de Alberto Ponticelli.

Frankenstein, o monstro do clássico romance de Mary Shelley realmente existe.

Mas, mais do que um monstro, ele é um guerreiro com centenas de anos. Sua própria existência é uma afronta à vida e uma eterna zombaria à morte.  Ele foi usado por entidades de outras dimensões, cavalgou tempestades rumo ao inferno e lutou contra leviatãs em suas mais variadas formas. Ele é um combatente implacável, um soldado artificial extremamente poderoso e pronto para cumprir suas ordens. Único em sua imperfeição. Perfeito em sua unidade.

Embora seu próprio nascimento seja uma tragédia, e a dor algo com o que ele aprendeu a conviver, houve momentos mais amenos em sua vida. Ele se casou. Teve um filho. Mas perdeu ambos, o que fez dele alguém ainda mais amargurado e sem um propósito que não fosse a eliminação do mal.

Frankenstein possui um forte código de honra e apesar de existir no corpo de uma aberração onde é teoricamente incapaz de amar, ele sente a obrigação de reparar o mal causado no mundo pelos monstros semelhantes a ele e toda e qualquer forma de mal. Seu senso de justiça é tão apurado quanto a lâmina de sua espada e ele não hesitaria em chacinar um planeta inteiro se isso servisse ao propósito de um bem maior. (Na verdade ele já fez isso. Mais de uma vez).

Hoje em dia, residindo no Universo DC, ele é um agente especial de uma organização secreta conhecida como S.O.M.B.R.A. (Secretaria de Organização dos Meta-humanos em Batalha, Resgate e Auxilio) e designado para missões envolvendo as monstruosidades escondidas pelo mundo, geralmente atacando violenta e precisamente o alvo sem deixar vestígios. Embora a S.O.M.B.R.A. seja uma organização proativa e científica, eles não manejam o Frankenstein para esse fim, utilizando-se dele apenas como arma de destruição em massa. Trabalho que ele vem realizando com sucesso há anos.

Recentemente, ele foi apresentado a um batalhão de criaturas sintetizadas pela S.O.M.B.R.A. a qual ele deveria liderar. Embora tenha relutado de início, acabou por se afeiçoar por eles e forjar um elo de companheirismo. Ou algo mais, no caso da Dra. Nina Mazursky .

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Em sua última missão ele foi enviado para uma realidade separada da nossa que serve de asilo para os agentes aposentados da S.O.M.B.R.A. onde deveria localizar e capturar um suposto traidor da organização. Mas no decorrer dessa investigação, ele descobre que a S.O.M.B.R.A. não é exatamente o que ele pensava, o que o faz questionar sua própria lealdade para com ela. Além disso, ele é tomado por vários flashbacks de suas vidas passadas (inexplicáveis memórias dos vários cadáveres que compõem o seu corpo) e descobre detalhes sobre seu “passado” mantidos em segredo por centenas de anos…

Temendo que seu mais notável agente se volte contra ela, a S.O.M.B.R.A ainda precisa lidar com outra ameaça iminente: o retorno uma importante figura paterna do protagonista…

Uma história dentro da média, com alguns pontos interessantes, entre os quais os flashes de memória do Frankenstein. O principal problema é que ela evolui muito lentamente em relação ao número anterior, tendo seu melhor momento no final bombástico onde Frankenstein se ergue com um exército de “doadores” de material orgânico humano usado por Khalis para curar o monstro de um dano quase irreparável ao seu corpo; e o anunciado suposto retorno do falecido Doutor Victor Frankenstein, tendo se tornando um avatar do Podre

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Matt Kindt começou devagar mas melhorou, e até conseguiu prender minha atenção, embora muito disso se deva ao fato de que eu vinha acompanhando o título e tive bastante boa vontade… me pergunto se ele teria a mesma sorte com algum leitor de primeira viagem. Ele terminou muito bem esse capítulo da história, mas ainda falta algo. O que ele tem de melhor em sua trama é o enredo deixado por Jeff Lemire, seu antecessor. É natural que ele tenha mantido o ritmo, tendo inclusive sendo respeitoso com o trabalho deixado pelo seu colega, mas em um título mensal, é preciso se renovar rapidamente, e ficar incrustado nas ideias do escritor anterior já se tornou cansativo. Daqui para frente, é preciso abandonar o Frankenstein de Jeff Lemire e abraçar o de Matt Kindt… seja ele quem for.

A arte, por outro lado, mantém seu padrão monstruosamente exuberante, necessariamente exagerado, agradavelmente perturbador. Alberto Ponticelli é assim mesmo: contraditório, transgressor… de traço sujo e tintas fortes, e por isso mesmo um artista de primeira linha, nascido para desenhar o Frankenstein. Mas se sua tinta é forte e errática, quase tão distorcida quanto o próprio protagonista, as cores impostas por José Villarubia são amenas e precisas… como uma canção suave tocada ao final de uma turbulência… o som que acalma as feras, e mantém os painéis de cada quadro em um insano equilíbrio.

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Infelizmente o título solo do monstro mais amado de todos os cientistas loucos está a deriva… e próximo demais de um cancelamento, o que pode ter um lado bom: a migração definitiva dele para outro título… fazendo com que Frankenstein aporte pelos mares da Liga da Justiça Dark, de volta aos braços de Jeff Lemire…

Mas antes disso eu adoraria vê-lo chutando os diretores da S.O.M.B.R.A. ladeira à baixo. Se Matt Kindt fizer isso por mim, talvez até entre na minha lista de novos e promissores escritores… aqueles que não têm grandes pretensões além do simples exercício de criação de uma nova realidade, que embora fantasiosa, seja consistente o bastante para que em alguns momentos de leitura e delírio, possamos acreditar nela.

Pois, o que é uma história afinal? Para que serve? O objetivo de uma história é nada. Nada mais do que entreter, preencher em nossas almas aquilo que nos diferencia de um verme… ou de uma pedra. E qual a importância disso? Nenhuma. Ou talvez isso seja a única coisa que realmente tenha importância. É a arte dando sentido à vida. Ou vida, sendo usada pela arte. O supérfluo super necessário. Somos o que somos por causa da arte? Ou apenas sobrevivemos a ela… e vivemos para contar a história?

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A capa de FRANKENSTEIN, AGENT OF S.H.A.D.E. #2. Arte de J. G. Jones.

Resenha anterior Frankenstein? Não contenha sua fúria! Clique AQUI!!!

[…]”O amanhã, o amanhã, o amanhã,
avança em pequenos passos,
de dia para dia,
até a última sílaba da recordação,
e todos os nossos ontens
iluminaram para os loucos
o caminho da poeira da morte.

APAGA-TE, APAGA-TE, TOCHA FUGAZ !!!

A VIDA NÃO É MAIS

QUE UMA SOMBRA QUE PASSA .
UM POBRE PALHAÇO QUE SE PAVONEIA
E SE AGITA UMA HORA EM CENA,
E, DEPOIS, NÃO SE OUVE MAIS FALAR DELE.

A VIDA É UMA HISTÓRIA
CONTADA POR UM IDIOTA,
CHEIA DE SOM E DE FÚRIA,
SIGNIFICANDO NADA 
” 

William Shakespeare. Macbeth, ato v, cena v

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EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Vamos aprender!

Terça – Aquaman #20

Quarta – O que aconteceria se o Demolidor matasse o Rei do Crime?

Quinta – Cinco das maiores Pin-ups dos quadrinhos de heróis

Sexta – Frankenstein #12

Sábado – Umas Tiras da Pesada!

Domingo – Mistério Divino!

TARDIS

Eddie-Murphy

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16 comentários sobre “Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 12 – “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria… significando nada”!

  1. O agente Frankenstein é enviado para investigar as recentes atividades sobrenaturais perpetradas pelos servos da Podridão, ameaça com a qual o Homem Animal e o Monstro do Pântano se depararam recentemente. Ele e a Dra. Nina Mazursky seguem o rastro do detetive Karl Krenshaw, que estava desaparecido, mas foi possuído pela Podridão, conforme visto nas histórias do Homem Animal. Ao encontra-lo, Frank e Nina entram em combate direto com as abominações do Podre, e sendo criaturas praticamente imortais, é preciso que medidas drásticas sejam tomadas.

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  2. Gosto muito desse Frankenstein! Matt Kindt é um roteirista muito interessante, as histórias surreais que ele tem feito nessa revista me agradavam, pena que o fim virá. Mas uma coisa é boa, ela vai para a revista do Lanterna Branco, Kayle e a franquia dos guardiões esmeraldas só vai ganhar com isso.

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    1. É verdade… eu confesso que não curti o começo dele nesse título, se fosse me basear só naquilo teria sido o fim… mas então acabou me surpreendendo e acabou ciando no me gosto também… minha exigência como leitor é que ele nem supere e nem imite o trabalho de Lemire… mas que seja ele mesmo, mostre a sua versão da histórias… e é o que ele está fazendo. Além disso, há boatos de que ele irá assumir a revista Terra 2 no lugar do James Robinson… uma responsabilidade enorme… vai ser seu teste de fogo, que vai jogá-lo no esquecimento ou elevá-lo a um novo patamar. Otimista como sou, espero sempre o melhor. Mas aceito a decepção se ela vier. Vamos torcer, pelo bem dessa que é uma das melhores séries publicadas pelo DC no momento!
      Abraços parceiro!

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  3. Nossa! Gostei muito dessa resenha e já vou procurar as outras para ler! Gostei muito ao saber que ele iria ganhar uma revista só dele e com o desenrolar das atitudes da DC já me era previsto que ele irá/iria ser cancelado. Uma pena! Mas curto o personagem mesmo assim! =D

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    1. Muito obrigado Paulo! Fico feliz que tenha curtido, espero que se divirta com as outras matérias e resenhas do Santuário! O Frankenstein sempre foi um personagem incrível, eu sou fã confesso do monstro seja em qual mídia ele apareça… o título dele, até que durou bem mais do que o de alguns que se iniciaram com ele nos novos 52, mas o bom é que ele ainda terá importânica na Liga Dark.
      Abraços!

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  4. É Como você disse Rodrigo. Com Lemire a história sempre será outra. Mas me bateu uma dúvida. Toda a galera da S.H.A.D.O.W. é tão fdp assim???? Nem o antigo átomo não se salva??? Perguntto por gostar muito do histórico desse personagem que sempre foi muito solicito com seus pares e desde os acessos de loucura da Loring sofreu tanto.

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    1. Nilson, o Dr. Ray Palmer, conhecido como Atom nos EUA e como Eléktron no Brasil atuava somente como cientista na base da S.O.M.B.R.A. (e até o momento ainda não vestiu nenuma máscara nos novos 52). Ele forneceu a tecnologia que permitiu que a base da S.O.M.B.R.A. – conhecida como “Fazenda das Formigas” fosse miniaturizada e permaneça em constante movimento, sendo quase impossível rastreá-la. Quando ele percebeu os rumos que a organização estava tomando, pediu demissão e não foi mais visto desde então. E se tem alguém que sabe desaparecer é o Dr. Palmer…

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