ASTRO CITY #1 – Bem-vindo à nossa cidade, tenha uma agradável estadia!

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por Venerável Victor “tratador de macacos metropolitanos” Vaughan

Img-de-Capaastrocity#1Imagine você acordar um belo dia e descobrir que próximo às margens do rio que passa por sua cidade uma espetacular porta se materializou flutuando sobre as águas, bem à frente de sua casa… O que ela abriga do outro lado? Quem irá passar por ela a qualquer momento e fazer o primeiro contato com nossa civilização? E o que será de nossa sociedade, como nós a conhecemos, após isso? A inteligência que possivelmente está atrás dela será amiga ou inimiga de nosso mundo? E o mais importante de tudo, nossos poderosos campeões, serão suficientes para garantir nossa proteção?

Os moradores da pequena cidade que antigamente era chamada de Romeyn e que hoje em dia é a famosa metrópole conhecida como, Astro, é casa de dezenas de super humanos, cada um deles totalmente diferentes de todos os outros que você já conheceu no passado. Ao mesmo tempo em que representam arquétipos de personagens totalmente reconhecíveis. Não se assuste, estranhas e maravilhosas coisas acontecem todos os dias nessa cidade.

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Como dizia o grande músico, Paul Young, “Don’t Drean Its Over!!!”

Astro City #1 é Santuário! Um trabalho repleto de referências visuais à Era de Ouro dos quadrinhos, à obra de Jack Kirby e aos grandes clássicos de heróis de todos os tempos, trazidos para o leitor, mais uma vez graças aos deuses, por uma das mais abençoadas reuniões de virtuosos artistas do mercado de todos os tempos: Kurt Busiek (Marvels/ Vingadores e Liga da Justiça); Brent Eric Anderson (X-men;Deus ama o homem mata) e Alex Ross (O Reino do Amanhã, Marvels, Justiça).

Kurt Busiek, Brent Eric Anderson e Alex Ross
Kurt Busiek, Brent Eric Anderson e Alex Ross

Pelo fato de acompanhar histórias em quadrinhos por vinte e cinco anos, Astro City para mim é algo memorável, mesmo a pior edição já lida dessa série é muito superior a uma boa revista mensal de mesmo gênero que normalmente é lançada. Importante; apesar desse ser um novo começo, para fãs antigos, essa edição também pode ser considerada a de número #60. Continuando de onde o volume anterior parou.

Quando essa revista começa, imediatamente somos recebidos pelo “Broken man” (ainda sem tradução para o português), um novo personagem criado para a mitologia da série. Esse mês, ele também faz às vezes de narrador da edição, apresentando para novos e velhos leitores a cidade de Astro City assim como tudo o que está por vir.

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Essa técnica narrativa, apesar de não ser nova na indústria, funciona perfeitamente com os fãs, inserindo-nos no contexto da série e nos apresentando referências que podem ou não já terem sido vistas antes. Quando um novo super herói aparece, imediatamente o narrador nos explica um ou outro detalhe que é preciso entender sobre esse personagem, deixando bem claro que pelo menos algumas coisas aconteceram há até trinta anos, em alguns casos.

Artisticamente, a revista não perdeu nada de sua qualidade, com novas e velhas personalidades dividindo os holofotes esse mês e uma pagina estonteante ao velho estilo “super heroico” padrão, com diversos meta humanos de Astro City tentando abrir uma porta “especial” que apareceu flutuando sobre um rio na frente de sua cidade.

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E o que tudo isso significa? Bom, muita coisa o “Broken Man” sabe, mas está guardando segredo. Mas o que essa revista trata mesmo é de um maravilhoso retorno à sua histórica primeira edição anos atrás. Para quem teve a oportunidade de ler o referido número, o primeiro super humano a aparecer naquela edição foi o famoso, Samaritano, portanto esse mês tivemos uma celebração de tudo o que aconteceu antes, assim como o grandioso retorno dessa franquia para a continuidade regular, após um hiato de alguns anos, devido à enfermidade que o roteirista vinha passando.

Capa de Alex Ross
Capa de Alex Ross (clique para ampliar em toda a sua glória)

Como nos melhores números dessa série, todas as batalhas de heróis e as demonstrações grandiosas de seus poderes e habilidades, nada mais são que secundários para a história que é contada. Para muitos leitores deve ter sido fascinante ver a continuação de um arco de histórias que se passou há quinze anos mais ou menos e especialmente ver personagens que eram crianças, hoje crescidos. Se essa edição teve algum ponto fraco, foi a preocupação que ela causa no leitor de que Astro City em algum momento pare de ser publicada por mais alguns anos novamente, logo quando todos os fãs mais uma vez estiverem acostumados com ela voltando a ser um título mensal.

A última página apresenta uma nova reviravolta impressionante (que pode passar despercebida para alguns) e nos faz pensar que talvez o tal “Broken Man” na verdade seja alguém que os leitores antigos talvez já tenham visto rapidamente em duas encarnações distintas da revista. Revelação essa que é interessante do ponto de vista meta contextual e brilhante ao mesmo tempo. Para você que está a ler essas linhas e já conhecia a série, faça como o ET Bilú:“busque conhecimento”, principalmente sobre tudo o que tiver referência com a morte do “Silver Agente” no passado da franquia.

Capa de Alex Ross (clique para vê-la em toda a sua glória)
Capa de Alex Ross (clique para vê-la em toda a sua glória)

Se você nunca teve a oportunidade de acompanhar essa revista ou nunca se interessou, preste atenção no que digo: se liga, devoto! Ela homenageia tudo o que já se passou nas antigas sessenta edições anteriores, sem a necessidade que um eventual novo leitor precise dessas referências para embarcar nessa viagem. Assim como apresenta novos heróis para uma nova encarnação do título, que ora, mais do que nunca, fica em casa sendo publicado pelo selo, Vertigo.

Assim como aconteceu anos atrás no primeiro volume dessa série: “A vida numa grande cidade”, esse nova estreia faz bonito em ser não apenas uma boa história adulta de super heróis, mas também uma boa história introdutória de heróis, permitindo aos leitores antigos conhecer muito mais do panteão de “divindades” clássicas dessa fantástica cidade, que gostaríamos muito que existisse de fato em nosso planeta..

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Astro City #1 dá aula para a Marvel e a DC “regular” de como se relança uma revista, caros devotos. E se você não pretende ler esse título, você vai perder a oportunidade de acompanhar algo maravilhoso, um série que merece seis estrelas numa pontuação máxima de cinco. Algo que me faz querer ser um nerd melhor.

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Saiba mais sobre a influência do rei “Kirby” na vida artística de Busiek e Ross, aqui!

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TERÇA-FEIRA… AQUI NO SANTUÁRIO.

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26 comentários sobre “ASTRO CITY #1 – Bem-vindo à nossa cidade, tenha uma agradável estadia!

  1. Astro City, é uma das provas de como a liberdade editorial engrandece o roteiro.
    Gosto dessas versões homenagens que nos permitem exercícios de imaginação.
    Um outro exemplo é o Irredimível do Mestre Mark Waid.
    Lembro que li a história do Jack-In-the-box. Uma do Samaritano e do seu Arqui-inimigo, onde um vai corroendo o outro (A Águia e a Montanha, uma das poucas que guardei o título). E a da Primeira Família, onde a menininha se perde. Acho que Astro também foi a primeira revista que eu li a se focar no vilão. Tentando se readequar ao mundo, depois de sair da prisão e pagar sua divida com a sociedade. Como sempre mais uma prova de bom gosto, Sr. Venerável.

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  2. Astro City é maior que a vida!!! 🙂 lógico que vou acompanhar! Achei um barato justamente uma coisa que você falou, certos personagens que eram crianças em um arco anterior, agora adultos, me lembrou muito , O Reino do Amanhã!!!

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  3. Astro City é Santuário! É tudo na vida das pessoas e um adianto instantâneo de vida! Que maravilhoso o resgate dessa obra, que desta vez ela venha para ficar e que aindaabra muitas portas na imaginação dos leitores… obrigado por trazer isso à tona, Victor. Excelente matéria!

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  4. Imagine você acordar um belo dia e descobrir que próximo às margens do rio que passa por sua cidade surge um monte de mexicanos.E o que será de nossa sociedade, como nós a conhecemos, após isso? A inteligência que possivelmente está atrás dela será amiga ou inimiga de nosso mundo(EUA)? E o mais importante de tudo, nossos poderosos campeões(Policia,exército e o cacete a quatro), serão suficientes para garantir nossa proteção?Não gosto do Kurt,acho ele um roteirista nota 3.Isso até poderia virar filme ou game.Não gosto do cara,ele escreveu o pior Superman e Vingadores que eu já li.Passo.

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  5. Um dos meus maiores arrependimentos foi não ter comprado os originais gringos na época. Vários amigos o fizeram e eu centrado em Liefeld, Carlos Pacheco, Bill Jaaska e outras tosquices que a gente pensava que daria fortunas vinte ou trinta anos depois. Ledo engano.
    Logo depois quando saiu pela primeira vez no Brasil (se não me engano pela Pandora) fiz questão de remediar parte do meu erro. Um mundo incrível estava a minha frente. Todos magníficos mas ao mesmo tempo tão frágeis em suas identidades civis. Com certeza a DC melhorada com todo o apelo humano que a Marvel desemvolveu nos anos 60. Um material sim, que merece ser mostrado (se liga Panini) e arrebatar milhares, não, milhões de leitores prá reflexão de que mesmo na mediocridade das nossas vidas mundanas podemos sempre fazer a diferença.
    Só espero que os “corporativos” da DC tratem muito bem desse material, como de seus autores.

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  6. Astro City é algo que eu sentia falta, o que mais me impressionou é ela ter saído no selo Vertigo , não estou reclamando, muito pelo contrário! Com a sucate do selo, para transformar tudo em “Novos 52” , achei que ia ser esse o destino do título! Adorei.

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  7. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – Astro City #1

    Terça – Novíssimos X-men #12

    Quarta – O Questão

    Quinta – Heróis & Casamentos

    Sexta – Eu, o Vampiro #12

    Sábado – Umas tiras da pesada

    Domingo –
    O Reino dos Malditos!
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