Eu, o Vampiro # 12 – Venha a Mim a Vossa Maldade…

1Continuando a série de resenhas de “Eu, o Vampiro” de Joshua Hale Fiakov (roteiro) e Andrea Sorrentino (arte).

Por Rodrigo Garrit

I, Vampire” criado por J.M. DeMatteis e Tom Sutton.

AVISO: Contém spoilers revelações em estado de decomposição sobre a história.

I_Vampire_12_Full-665x1024
A capa de Clayton Crain

Existe uma polêmica sobre o uso dos vampiros na cultura pop atualmente, principalmente quando as criaturas são descaracterizadas e mostradas de forma mais amena e romântica do que os fãs dos sangrentos predadores estão acostumados. Alguns personagens do terror clássico como Drácula e Frankenstein nunca deveriam cair em mãos erradas… mas o que vemos são dezenas de versões reformuladas desses pilares da cultura gótica… algumas vezes temos gratas surpresas… em outras, o resultado é desastroso. Hoje é possível encontrar livros, séries de tevê, filmes e quadrinhos aos montes, muitos deles embarcando na moda que se instaurou sobre o glamour dos vampiros, que apesar de todas as críticas, mantém um público fiel e rende franquias lucrativas fazendo uso de tais personagens. Não vou citar nenhuma das obras aqui, uma vez que existem fãs para cada “espécie” de vampiro, desde os que brilham ao sol até aos que se escondem nas sombras para cometer as mais inomináveis atrocidades.

Também não vou defender aqui, a qual dessas “espécies” de vampiros pertence o protagonista do título “Eu, o Vampiro”, alvo desta resenha. Que cada um leia, se assim o desejar, e tire suas próprias conclusões.

11
Edição de “Eu…o Vampiro” publicada em 1983 pela Ebal Editora. Produzida por J.M. DeMatteis e Tom Sutton, mostrava uma versão diferente do mesmo vampiro que conhecemos hoje. Foi originalmente publicada em 1981 no título “House of Mystery”. A arte dessa capa é do mestre Joe Kubert.

Quatrocentos anos atrás, meu beijo vampírico transformou a mulher que eu amava em uma coisa sem alma, chamada Mary, a Rainha de Sangue! Hoje uma ordem profana segue seus maus desígnios, e o sangue que derramar estará em minhas mãos! Assim, devo impedi-la ...” Andrew Bennett

Algumas informações interessantes sobre o personagem merecem ser destacadas. Uma delas, é que ele não é um personagem novo, criado depois do reboot da linha de quadrinhos da DC Comics, como algumas pessoas acreditam. Andrew Bennett surgiu em 1981, criado pelas mentes de J.M. DeMatteis e Tom Sutton para a revista “House of Mystery” (Casa dos Mistérios).  Tempos depois, o mesmo DeMatteis usaria o personagem novamente ao assumir o título do Senhor Destino, numa elogiada fase que misturava misticismo com bom humor (o qual DeMatteis provou ser mestre ao co-roteirizar a Liga da Justiça Internacional com Keith Giffen). Além disso, ele também foi usado no título “Tales of the unexpected” da Vertigo em 2007 e apareceu ainda em “DCU Halloween Special” de 2009. Ao seja, o personagem já tem uma longa trajetória nos quadrinhos de horror, tendo surgido bem antes da recente moda dos vampiros brilhantes e afins. A versão atualmente utilizada pela DC não é exatamente igual a criada por DeMatteis, mas mantém sua essência e tem seus elementos principais preservados. É possível que ele tenha retornado apenas devido a atual popularidade dos vampiros, mas aqueles que leram minhas resenhas anteriores do título conhecem minha opinião sobre a abordagem do personagem nas histórias e sabem o que eu penso sobre o assunto.

dc2000

Andrew Bennett apareceu como coadjuvante das histórias do Senhor Destino na revista “DC 2000” da Editora Abril, em 1991. J.M. DeMatteis comandava os roteiros e a arte era de Shawn McManus (Sandman). A história foi originalmente publicada em 1988 nos EUA no título “Dr. Fate”. McManus se encarregou pela arte desta capa.

Andrew é um vampiro benevolente, talvez o único da sua espécie a se importar com os humanos a ponto de trair sua própria espécie para protegê-los. Talvez por isso, ou por causa disso, ele tenha sido a maldição que confinou o primeiro vampiro a caminhar pela Terra – Cain – às profundezas do esquecimento. A citada maldição consistia que enquanto Andrew vivesse (?) como um monstro, Cain estaria aprisionado; porém os eventos ocorridos nas edições anteriores mostraram a morte de Andrew, a libertação de Cain, sua ressurreição promovida pela intervenção da Liga Dark e a consequente derrota do primeiro vampiro, deixando Andrew com toda a magia absorvida após seu retorno, fazendo dele o vampiro mais poderoso do planeta; um pastor de lobos, tentando guiar uma raça de predadores a um caminho de passividade e harmonia com os humanos.

Obviamente essa situação não se sustentou por muito tempo, pois embora obedientes a Andrew (e temerosos por seus novos e vastos poderes) a natureza vampírica não poderia ser contida por muito tempo, principalmente quando Mary, a Rainha do Sangue, e líder maligna das criaturas – além de ex-amante e ainda o amor da vida de Andrew – provocou várias insurreições tentando destituir seu antigo namorado do “trono” vampírico. Embora ela não tenha sido páreo para ele, o ataque da seita de caçadores Van Helsing com suas múmias (ou zumbis) enfeitiçados detonou uma nova onda de violência que derrubou de vez a frágil linha de equilíbrio que mantinha Andrew no controle.

Um evento dessa magnitude não passou despercebido pela autoridade do Stormwatch, que enviou Apolo, Meia Noite e Jack Hanksmoon até o centro da tempestade na tentativa de eliminar a ameaça, colocando-os contra todos os vampiros e zumbis (ou múmias), sem distinção de lados.

tumblr_m99ohnLRIs1qcuzdqo1_500
“Você acredita em vampiros?” Boa pergunta, Apolo…

A situação no entanto saiu desesperadamente do controle, e Andrew se viu obrigado a tomar uma atitude extrema… abriu mão de uma vantagem importantíssima… e alterou os rumos do futuro da raça vampírica para sempre, curando todos eles, fazendo-os reverter a forma humana… mas o preço disso foi absorver para si toda a sua monstruosidade.

O título “I, Vampire” só dura até o número 19 americano. Mas nem sempre o cancelamento de um título significa que ele seja ruim. Uma revista com baixas vendas não é necessariamente sinônimo de uma revista de baixa qualidade. Existem muitos fatores envolvidos. Revistas ruins podem vender muito. Tendo isso em mente, digo que essa edição arrebatou tudo de melhor que havia na revista até então, literalmente reuniu todas as forças em um único ponto, e o concentrou no mais puro dos males, o vampiro definitivo, o terror (des)encarnado. E seu nome é Andrew Bennett.

House-of-Mystery-Vol.-1-299-1981-Cover
House of Mystery (Casa dos Mistérios) Volume I, Nº 299 de dezembro de 1981. Título de horror que tinha  Bennett como uma de suas principais atrações.

Resenha anterior de Eu, o Vampiro? Siga seu instinto e morda AQUI!

Agradecimentos ao site Guia dos Quadrinhos.

S_Final

EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Astro City #1

Terça – Novíssimos X-men #12

Quarta – O Questão

Quinta – Heróis & Casamentos

Sexta – Eu, o Vampiro #12

Sábado – Umas tiras da pesada

Domingo – O Reino dos Malditos!

TARDIS

Eddie-Murphy

Anúncios

17 comentários sobre “Eu, o Vampiro # 12 – Venha a Mim a Vossa Maldade…

  1. Também não vou defender aqui, a qual dessas “espécies” de vampiros pertence o protagonista do título “Eu, o Vampiro”, alvo desta resenha. Que cada um leia, se assim o desejar, e tire suas próprias conclusões.

    Curtir

    1. Valeu parceiro… o trabalho de pesquisa foi facilitado pelo fato de ter vivido na época certa em que algumas dessas coisas foram publicadas. Mas eu garanto que tenho menos de quatrocentos anos… 😉

      Curtir

  2. Eu não comprei nenhum dos TPB porque ainda tenho a esperança de que a DC, já que cancelou a série, faça agora dois OHC ou um Omnibus com todos os números… vou esperar mais um ano, se tal não acontecer compro os TPBs. A série é bastante boa!
    😉

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s