A ESTONTEANTE MULHER ESTUPENDA – A Era de Ouro dos quadrinhos nacionais.

por Venerável Victor  “Fenomenal tratador de macacos”  Vaughan

Img-de-CapaMEEm homenagem ao aniversário do grande artista e amigo JJ Marreiro que fez aniversário domingo passado, por tudo o que ele faz e pelo ser humano que ele é, minha mais sincera admiração e respeito!

O que é um adjetivo? Segundo o pai dos burros: “é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se “encaixa” diretamente ao lado de um substantivo.” Muitos dos heróis americanizados que amamos são facilmente reconhecidos através de um simples adjetivo, muitas vezes tão importante em suas míticas quanto o próprio substantivo que o nomeia.

Ao ouvir: “O incrível…” , imediatamente reconhecemos o gigante esmeralda Hulk, ” O Espetacular…” , o nosso amigão da vizinhança Homem-Aranha, ” Os Fabulosos…”  , já fica claro que se trata dos filhos do átomo liderados pelo Professor X – e por aí vai. Mas será que apenas os heróis do Tio Sam têm o poder de, mais que representar qualidades, apropriarem-se delas?

Algum tempo atras, passeando pelas comunidades de quadrinhos e eventualmente clicando em uma ou outra postagens de diversos criadores de conteúdo e blogueiros afins, fui apresentado à maior heroína que os quadrinhos nacionais já conheceram; e o adjetivo pelo qual é conhecida, posso garantir, é tão emblemático quanto seu valor para nossa cultura nacional. Na verdade, no caso desta beldade nacional, ela mais que se apropriou de uma qualidade, ela fez do adjetivo seu nome e emblema! Que me perdoe a heroína Velta, que é maravilhosa, mas  essa mulher  é…estupenda!

Desde então procurei  conhecer um pouco mais dessa personagem e suas histórias , com isso tive o privilégio de conhecer seu criador, que é professor de desenho, ilustrador publicitário, editor independente, tirista, assessor de comunicação de si próprio e dono de um traço muito bonito que pode ser visto em seus trabalhos autorais, com vocês:

J.J. Marreiro

Antes de criar a Mulher-Estupenda eu não desenhava Super-Heróis. Só desenhava HQs de ficção científica, humor ou fantasia medieval.

Eu tinha uma trava com heróis porque um de meus professores havia dito: “Não há como criar mais um só super-herói! Os quadrinhos já estão abarrotados deles! Não há como alguém criar algo inédito nesse gênero!”

Isso ficou na minha cabeça porque era um mestre e eu o respeito muito ainda hoje. Bem, comecei a fuçar uns quadrinhos antigos e descobri que havia uma série de personagens em domínio público… aquilo ficou na minha cabeça, mas meu traço era “cartoonizado”. E eu nunca havia criado um herói …

Esbarrei numa publicação chamada Stunning Tales ou coisa assim e pensei…”Rapaz, que nome bacana pra um personagem: Stunning-Woman!”

Em português seria Mulher-Estonteante, mas isso não pegava, então pensei… “A Estonteante Mulher-Estupenda!”

Como eu também tinha muito mais facilidade de criar histórias legais para personagens dos outros…sério! Eu não me sentia muito confortável escrevendo meus próprios personagens…aí, pensei o seguinte:

“E se eu escrevesse a Mulher-Estupenda como se fosse personagem de outro autor. Sei lá, um autor esquecido dos anos 40? Tipo…como se “The Stunnung Woman”  tivesse sido criada para a Fawcett Comics por um cara chamado John Doe. E se de algum modo agora eu pudesse escrever suas HQs?”

Em comunicação a gente chama isso de factóide…É um recurso usado na criação ou exploração de um tema.

Escrevi minha primeira HQ da personagem, desenhei tudo em estilo cartoon e lancei um fanzine chamado “A Estonteante Mulher-Estupenda”. Lá tinha um texto sobre o John Doe, The Stunning Woman e a lenda toda. Fiz algumas artes emulando as capas de antigamente… Esta aqui é uma dessas que estou falando…

As HQs que tenho elaborado ultimamente trazem o velho conflito entre o bem e o mal, o certo e o errado. Estou meio saturado desse negócio de quadrinho adulto, tramas maduras, existencialistas e etc. Acho que as pessoas estão precisando redescobrir as noções básicas de ética, de moral, de certo e errado e os quadrinhos são assim como as fábulas uma excelente maneira de abordar esses temas.

Depois tive que desenhar outras coisas. Mas notei que o traço com levada clássica estava me animando muito mais que o cartoon. Foi quando decidi trabalhar com a personagem apenas o traço vintage.

Roberto Guedes citou a Mulher-Estupenda no seu livro

Nesse mesmo período criei um cowboy, um herói do espaço e duas Garotas da Selva…então fiz algumas HQs com esses heróis: As Garotas da Selva em Apuros; Beto Foguete e os patrulheiros benfeitores do Espaço e Colt Malone , O Bravo do Oeste (este ainda inédito).

A Mulher-Estupenda acabou ganhando destaque e sendo publicada em vários veículos alternativos,como revistas independentes e fanzines. Ela ganhou espaço também na web graças a meu amigo

Marcos Gratão e seu site www.HQNado.com

e ao Fernando Lima do www.armagem.com

Ali tem a Mulher-Estupenda pra qualquer um ler!!!

Estou produzindo várias hqs da Mulher-Estupenda por várias razões. A razão prática é que são histórias simples e divertidas e ocupam pouco espaço aonde quer que sejam publicadas. A questão subjetiva diz respeito a explorar um sentimento de nostalgia que acredito estar presente em todo leitor de quadrinhos, e em mim também. Lembro da época em que eu comprava revistas em quadrinhos na banca do aeroporto. As revistas eram cheirosas, as aventuras faziam a gente viajar longe e esquecer o mundo e toda aquela diversão era muito barata. Hoje os quadrinhos tradicionais estão caros demais. Até os mangás que são pb e tem papel mais pobre também são caros. No Japão você lê 400 páginas pelo preço equivalente a uma passagem de ônibus. Ora, mas é claro que tem muito mais coisa errada nesse país do que o preço das revistas em quadrinhos. Ta com tempo que as pessoas esqueceram o que é vergonha na cara… Os políticos são os primeiros a dar mau exemplo, além disso tem toda uma tradição brasileira de que gente importante ou rica está acima da Lei. Pois é, com tanta coisa podre ao nosso redor, acho bastante saudável lembrar que houve um tempo em que sabíamos claramente quem era o mocinho e quem era o bandido.

Agora, aqui entre nós caros devotos… que bom que o mestre do nosso “mestre” JJ Marreiro estava completamente errado quando afirmou que não havia mais espaço para super-heróis nos quadrinhos…

Nos “Arquivos do Cadmus” a ficha completa da Mulher Estupenda!

EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Brainiac VS Ultron – Quem vence?

Terça – Mulher Estupenda!

Quarta – Doctor Who, quem???

Quinta – 10 heróis que representam minorias étnicas na Marvel e DC

Sexta – Capitão Átomo # 12

Sábado – Umas Tiras da Pesada

Domingo – Destino: Crônica de Mortes Anunciadas!

TARDIS

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31 comentários sobre “A ESTONTEANTE MULHER ESTUPENDA – A Era de Ouro dos quadrinhos nacionais.

  1. Ah! Lindo demais! O João escreve como se estivesse conversando com a gente: descontraído, direto e muito sincero. Tão agradável de ler! Super interessante seu relato sobre a criação da linda Mulher Estupenda.
    Viajei no tempo ao lembrar do cheiro das revistas…
    Beijo grande, amigo!

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  2. Uma ótima personagem, que tem seu público e toda a chance de brilhar. Eu torço muito para que o Brasil encontre a sua maturidade na área dos quadrinhos e evolua, tanto editorialmente quanto criativamente.
    Parabéns pela matéria, Victor! E parabéns pela Mulher Estupenda, J.J. Marreiro!

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  3. Tive oportunidade de conhecer este trabalho graças a um fanzine que colaborava, hoje chamado Café Espacial, de Sérgio Chaves.Bacana personagem, ótimo texto, pra variar, VVV!

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  4. Essa Mulher Estupenda( que nunca ouvi falar ou se quer fez parte da Liga da Justiça) tem uma revista escrita por JJ Marreiro!!! E eu nem consigo que escrevam meu próprio epitáfio ??? Quiçá bula de remédio… cada vez mais tenho raiva da vida…

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  5. Não sou uma grande expecialista em quadrinhos, mas tive infância e adorava as minhas “revistinhas”. Esse blog me faz lembrar muito aquele passado ludico, onde deveriamos apenas nos preocupar em respeitar os mais velhos, comer nossos legumes, e as nocões de certo e errado eram tão simples.
    Passado onde idolos infantis, de todas as classes sociais eram os super herois, e não homems descalcos carregando fuzis. Bons tempos.

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  6. Não conhecia a personagem, pra falar a verdade conheço pouco sobre quadrinhos… mas achei muito interessante. É sempre bom ter acesso a um pedacinho da nossa cultura e desse passado fabuloso e tão colorido da criação dos super-heróis e suas aventuras. Gostei de saber que você está escrevendo pra cá Victor! Vou passar a vir mais vezes.
    Beijo*

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  7. Nossa! Estou “estupefata”!!! Eu realmente não conheço nada dos nossos heróis nacionais, mas amei a Mulher Estupenda, entendi o potencial e a homenagem a uma época onde os quadrinhos cumpriam exatamente sua função de entreter e encantar!!! Fora que a direção de arte , recriando os anos 40 está maravilhoso!

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  8. Um traço simples, eficiente e bonito! Relembra outras alturas bonitas artisticamente dos comics!
    A mulher Estupenda está estupidamente bonita!
    Parabéns ao JJ Marreiro!
    🙂

    Abraço

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  9. Estupendo! Criador e criatura!
    Conhecia JJ pelo trabalho em Comando, que o Victor linkou abaixo… E o nome “Mulher-Estupenda” tb não me era estranho… mas saber que os dois estão ligados é Estonteante!

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  10. DESLUMBRATE!!! Tanto a arte quanto o conceito da Mulher-Estupenda!!!

    Sem dúvidas ela se tornou uma diva dos quadrinhos nacionais!!!

    Parabéns pela criatividade JJ!!!

    Eu já era fã da personagem mas vale ressaltar: Sou fã do seu trabalho!!! 😀

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  11. Já conhecia a personagem pois tenho uma edição da Mundo dos super-heróis com uma matéria sobre ela. Gostei bastante da pegada meio “retrô” e do empenho em reproduzir a história da época.

    Em tempo:

    “Estou meio saturado desse negócio de quadrinho adulto, tramas maduras, existencialistas e etc. Acho que as pessoas estão precisando redescobrir as noções básicas de ética, de moral, de certo e errado e os quadrinhos são assim como as fábulas uma excelente maneira de abordar esses temas.”

    Só por essa frase, esse autor ganhou o meu respeito eterno e estará no meu rol de grandes artistas.

    O que posso acrescentar? Totalmente com o relator.

    ————————————————–

    Obrigado pela matéria. Me animou a tentar acompanhar a personagem.

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  12. Muito legal. Sempre gosto de descobrir novos heróis brasileiros e saber que existe gente fazendo quadrinho na raça, mesmo com todas as barreiras que nós enfrentamos por gostar de arte e tentar ser reconhecido.

    Destaco outros dois heróis brasileiros que são praticamente esquecidos, O Gralha (criado por um artista curitibano) e o Garra Cinzenta (que inclusive a Conrad editoral fez um encadernado lindo para nossa alegria.)

    Pois é pessoal, não é só de Mauricio de Souza e Ziraldo que vive o Brasil!

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  13. Muito interessante a criação do conceito retcon (idêntico ao feito na época com o Sentry) para promover a personagem: de fato ela é estonteante e estupenda!!!!!

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  14. Estupendo ver o trabalho desse quadrinista (entre diversas outras profissões, o cara só não faz vender pipoca na frente de cinema) aqui no site. Parabéns João Merreiro. Viva o quadrinho nacional !!! Viva herois brasileiros, como o Capitão Sete (o primeiro de todos!!!); Raio Negro, Judoca, Velta…ou heróis mais recentes como Penitente, Guerreiros da Tempestade…e agora um grande viva para a Estonteante Mulher Estupenda!

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    1. Fala Fred!!!
      Você lembrou de alguns heróis brasucas muito importantes pra os quadrinhos nacionais, eu indicaria esse link do LABORATÓRIO ESPACIAL para quem quiser viajar um pouco em cosplay de heróis brasileiros e saber um pouco mais sobre diversos outros:
      http://laboratorioespacial.com/?tag=herois-nacionais

      Tem também alguma informação sobre o “COMANDO V” que gosto muito (não, não é o MEU super grupo, não é o Comando Venerável…rs) http://laboratorioespacial.com/?p=42

      o Rodrigo Broilo fez uma matéria sobre esses heróis MUITO LEGAIs aqui no Santuário ano passado por sinal: https://osantuario.com/2011/12/19/surgem-novos-herois-no-ceu-comando-v/

      Para terminar quero lembrar de quadrinistas brasileiros que deixaram sua marca nesse mercado, como o Gedeone Malagola (1924-2008) e Eugênio Colonesse (também falecido em 2008).

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  15. Estupenda! Ela, Velta, Mirza e todas as damas heroínas que já abrilhantaram as páginas dos quadrinhos Nacionais! Agora, Razão ao JJ: mudamos nossa relação com quadrinhos por aqui: perderam seu caráter de entreterimento.

    Não sei se poderia ou caberia hoje em dia, com tantas outras concorrências (naquela época quem tinha Game Boy era rei durante a meia hora que a pilha durava), mas o fato é que uma geração leitora está ficando velha, sem ninguém atrás.

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