Capitão Átomo # 12 – Aquilo que nos faz humanos…

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ATOMContinuando a série de resenhas de “Capitão Átomo” de J.T. Krull (história), Freddie Williams II (desenhos) e Jose Vilarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história e sobre o abismo existente no extremo do universo.

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Nesta edição o protagonista decide fazer uma experiência em si mesmo, alterando  e descumprindo mais algumas leis da física. Ele se divide em duas personas. Uma delas é o Capitão Átomo, o ser praticamente todo-poderoso capaz de realizar o impossível. Ele ressuscita os mortos, altera o tempo, manipula a matéria e desvirtua a realidade. Junto com o Dr. Megala, ele viaja até o ponto mais extremo do universo onde eles observam um Big Bang reverso… enquanto o universo que eles vivem se expande, outra realidade é destruída para que essa possa prosperar. (Seria essa outra realidade o antigo Universo DC pré-52? E esse processo poderia ser revertido? Hmn… quem sabe..?)

Ao mesmo tempo, a outra persona se materializa como  Nathaniel Adam, humano, sem poderes e apaixonado pela Dra. Ranita, com quem desfruta de pequenos (e grandes) prazeres, impossíveis (ou simplesmente insignificantes) para sua forma de energia.

Mas é mesmo possível que alguém possa ter tudo? Ser ao mesmo tempo deus e homem desde os confins do universo até uma fatia de torta… O que realmente nos torna humanos? O que nos faz querer sermos humanos?

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Seres de energia não podem dormir de conchinha…

Mas como nada é perfeito, o paraíso começou a ter problemas. Enquanto a forma de carne e osso do Capitão parece ser a mente dominante, sua versão “azul celeste” não se contenta em ficar apenas guardado na embalagem de vidro. Ele causa uma série de eventos caóticos, como uma criança que busca atenção, o que obriga Nathaniel a intervir. Mas sendo o ser de energia uma outra persona dele, isso não significa que no fundo, para uma parte dele, era isso o que ele queria?

Esse número conclui algumas das questões apresentadas desde o início da série, muito embora essas questões não tenham sido realmente cativantes aos leitores, vindas de um personagem que apesar de quase divino, tinha um lado humano que poderia ser explorado de forma a criar algum tipo de vínculo com com o leitor, o que definitivamente não aconteceu. J. T. Krull teve bons ganchos para suas histórias, e em certos momentos chegou a empolgar, criando alguma certa expectativa, e gerando alguma curiosidade sobre decorrer dos eventos mostrados, mas ao fim, não obteve êxito, cometendo erros fatais em sua narrativa, desde sua deficiente tentativa de prender a atenção até a fraca construção e o quase inexistente desenvolvimento dos personagens. Uma pena.

Nada mudou em relação as edições anteriores a respeito do estilo superficial de J.T. Krull e seu fraco desempenho em conceder uma vida crível aos personagens. Existiram alguns bons momentos, algumas boas promessas. Mas não houve tempo ou competência do autor para mostrar o que quer ele tivesse de melhor para dar aos leitores.  Como já deixei claro em resenhas anteriores, a proposta dessa nova roupagem do personagem me agrada, e parecia promissora, apesar do retorno do personagem à sua própria versão parodiada por Alan Moore em Watchmen, o Doutor Manhattan.

Analisando o conjunto da obra até aqui, a arte da revista ainda é seu maior atrativo, desde que você não se importe com o estilo caricato de Freddie Williams II, preenchido pelas cores exuberantes de Jose Vilarrubia. 

A edição seguinte, a última, é o número zero que conta a origem do personagem em forma de flashback. Com este número 12, a história finaliza a trajetória do título do Capitão Átomo reformulado para os novos 52 e nos deixa com a resposta sobre a sua escolha sobre qual vida ele decidiu viver. A questão que ele tanto explorou desde o começo da série, parece ser finalmente respondida. O que o faz querer ser humano? O que o faz querer ser um herói?

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Resenha anterior de Capitão Átomo? O fenômeno se origina AQUI!

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EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Brainiac VS Ultron – Quem vence?

Terça – Mulher Estupenda!

Quarta – Doctor Who, quem???

Quinta – Casamentos nos quadrinhos

Sexta – Capitão Átomo # 12

Sábado – Umas Tiras da Pesada

Domingo – Destino: Crônica de Mortes Anunciadas!

TARDIS

Eddie-Murphy

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14 comentários sobre “Capitão Átomo # 12 – Aquilo que nos faz humanos…

    1. Jose Vilarrubia é o mago das cores, e vale a leitura só por isso. Mas recomendo a todos que apreciem o trabalho de colorização que ele fez no título Promethea, com texto de Alan Moore… é muita magia para uma HQ só…

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  1. Partindo do pressuposto da DC de querer juntar mais ainda seus Universos (a galera do Watchmen tá por aí, flutuando em alguma Terra alternativa, certo?), tirar uma fotocópia colorida do Dr. Manhattan e, de quebra, perder o Capitão Átomo original (que eu julgava um personagem pra lá de interessante) não me parece bom negócio. EMBORA, admita, que a trama é até interessante, e pra lá de acima da média de cerca de 40 das 52 hqs da DC…
    (não, eu não li todas. Tá a fim de me torturar?) 😀

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  2. O personagem é muito profundo e traz alternativas que o tornam o maior e mais poderoso desse reboot. Comercialmente isso é ruim pois pode vir atrapalhar os medalhöes. Mas como pensar num Capitão Átomo menor com a sombra de seu “irmão” que sempre perambula?? Não vejo o escritor como medíocre mas o que tem ao redor sim.

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    1. O Krull tem alguns bons trabalhos (Novos Titãs) e outros péssimos (Arqueiro Verde). Capitão Átomo ficou no meio termo, e eu tentei muito acreditar na história dele pro personagem… admiro a coragem dele de comprar essa ideia e seguir com ela até o fim… sem apelar pra robôs gigantes ou casamentos gays. Achei a premissa muito boa, e desde o início sempre foquei no lado positivo, esperando alguma coisa que fizesse a HQ valer à pena… no fim… eu digo que valeu à pena, teve bons momentos, mas também uma decepção, talvez pelo fato até mesmo dele não ter conseguido finalizar da forma que queria devido ao cancelamento do título. Agora temos um “Dr. Manhattan” à solta no universo DC … só resta saber o que vão fazer com ele.

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    1. Em um contexto geral, temos algumas coisas bem legais acontecendo no decorrer da história, do Big Bang até o fim dos tempos através de várias realidades alternativas e questionamentos existenciais… só faltou alguma coisa, pode ter sido só uma pitada de sal, mas faltou…

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