BATMAN # 0 – Os garotos (e a garota) perdidos!

_0009_Primeira ImpressaoCAPAContinuando a série de resenhas do título Batman, de Scott Snyder (roteiro), Greg Capullo (desenhos) e Jonathan Glapion (arte-final); com história secundária de James Tynion IV (roteiro) e Andy Clarke (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a origem do Batman, embora quase todo mundo já saiba praticamente tudo o que é preciso saber sobre a origem do Batman.

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Bem vindos aos primórdios de Bruce Wayne, ainda ensaiando os passos para se tornar o maior detetive do mundo. Um passado já revisitado inúmeras vezes por diversas óticas distintas. Uma edição que precisa provar para os leitores algo muito importante: Por que recontar mais uma vez essa história?

Batman Zero fala mais alto em mim sobre os Robins do que sobre o Morcego. Sim, temos a história principal de Scott Snyder  (uma história que não é finalizada na edição), que mostra um Bruce Wayne desajeitado, cometendo erros e que nem imagina ligar sua cruzada de justiça a imagem de um morcego.

Bat caverna em pré-produção

Os primeiros passos do Batman (assim como do Superman) já foram contados e recontados muitas vezes, tanto nos quadrinhos quanto no cinema. É uma história de origem que já existe inconsciente coletivo, mesmo quando você não é fã de quadrinhos. E é claro que quase todos os elementos básicos estão lá na HQ de Snyder; temos um pouco de “Batman Begins” e “Batman Ano Um” (como desvincular uma coisa da outra?) e o jovem Bruce arriscando a vida para combater o crime (para desespero do sempre sarcástico e essencial Alfred) enquanto tenta descobrir um ícone que lhe permita permanecer oculto e nas sombras. Numa de suas primeiras tentativas, ele faz tantas trapalhadas que chega a dar pena. Além de não conseguir prender a gangue do Capuz Vermelho, ainda é incapaz de impedir a morte de inocentes. Mas como sabemos, ele se encontra ainda numa encruzilhada rumo ao seu destino… é como se ele, mesmo com todo o treinamento, toda a determinação e inteligência… só conseguisse alcançar resultados quando transfigurado em morcego, como que tomado pela entidade que habita os becos sombrios de Gotham alimentando-se do medo dos covardes e supersticiosos criminosos… mas isso é uma análise minha, nem foi abordada na história.

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O que me leva à segunda trama publicada na revista, com roteiro de James Tynion IV, que em muitos aspectos superou a história principal da revista. Sua abordagem nos leva a um local que gerou muita curiosidade após o reboot da DC. Como em apenas cinco anos, Batman teve tantos Robins? Como os conheceu, e como eles chegaram a ele? A verdade é que essas questões ainda não ficam totalmente respondidas, mas uma grande luz é jogada sobre o assunto, quando vemos pequenos momentos simultâneos de quatro jovens, todos ligados pela imagem de um morcego luminoso no céu: Timothy Drake, Dick Grayson, Jason Todd e Bárbara Gordon. Cada um em sua respectiva realidade, já predizendo aquilo que viriam a se tornar. Tim, um hacker de computador nato, e Q.I. elevadíssimo desmascara um diretor corrupto. Dick, o acrobata principal do Circo Halley interrompe sua apresentação para prestar socorro a pessoas em necessidade. E Jason, um inexperiente assaltante com consciência que quase compromete sua liberdade ao se recusar a matar sua vítima. Estão lançadas aí as sementes dos Robins, três garotos com potencial enorme, muitíssimo diferentes entre si, e que terão suas vidas totalmente modificadas pela influência do Batman, ao descobrirem em si sua real vocação… talvez acionada em sua almas pelo ícone de um morcego projetado nos céus de Gotham…

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Ah sim, e não vamos esquecer-nos da linda e ruiva Bárbara Gordon, que não será uma Robin como sabem, mas que terá a mesma inspiração dos garotos para assumir o manto de Batgirl. Um detalhe interessante, é que eles têm agora supostamente quase a mesma idade, coisa que embora não ficasse exatamente explicita na continuidade anterior, sempre deu a entender que Dick era o mais velho, seguido por Jason e Tim, que mal saíra da adolescência. Como essa história retrata fatos de quatro anos atrás, Damian Wayne não é mostrado, uma vez que ele só surgiria na vida de Bruce depois que os outros Robins já estivessem “formados”.

barbara gordon

Scott Snyder não joga para perder, ele sabe muito bem o que está fazendo e onde está pisando. Começou essa história nesse número e sabe que uma legião de fãs vai segui-lo aonde quer que ela termine. Achei interessante o uso do Capuz Vermelho, e como mesmo numa história de origem já contada tantas vezes, ele consegue deixar certo mistério no ar. Quem era esse Capuz Vermelho? O mesmo homem que se tornará o Coringa? Qual sua relação com Jason Todd?

capuz vermelho

Se existe um motivo para essa história ter sido recontada, ele vai além da habilidade narrativa de Snyder, que é indiscutível. O objetivo é reforçar os alicerces dessa nova continuidade que foi criada para o Batman, que embora menos radical do que no caso de outros personagens, gerou lacunas que precisavam ser respondidas.

Uma boa pedida para os fãs do Homem Morcego, numa história que até tem sua cota de ação, mas é mais focada em detalhes do passado do personagem e se não responde algumas das perguntas feitas após o reboot, pelo menos abre caminho para que essas respostas surjam em breve.

Greg Capullo como sempre dá um show dentro da proposta do seu estilo, o que me agrada pelo fato de ter seus momentos caricatos e ao mesmo tempo passar realismo quando necessário. A arte de Andy Clarke por outro lado é bem mais realista, parece ter uma grande preocupação com isso e cumpre bem essa função. Ele faz uma boa caracterização dos personagens e obtém êxito na árdua tarefa de nos fazer conseguir distinguir as feições de Dick, Jason e Tim… coisa que não é exatamente o forte de Capullo mas, ei! Ele ainda é um dos meus desenhistas favoritos.

GOSTOU? ENTÃO LEIA TAMBÉM AS RESENHAS ANTERIORES:

BATMAN # 01 e 02

batman 1 e 2

BATMAN # 03

batman 3

BATMAN # 04 e 05

batman 4 e 5

BATMAN # 06

batman 6

BATMAN # 07

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BATMAN # 08

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BATMAN # 09

batman 9

BATMAN # 10

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BATMAN # 11

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BATMAN # 12

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EDITORIAL SANTUÁRIO :

Segunda – Conta Outra!

Terça – Novíssimos X-men!

Quarta – Aquaman!

Quinta – Os dez personagens que representam minorias étnicas na DC e Marvel!

Sexta – Batman!

Sábado – Umas Tiras da Pesada!

Domingo – O Inescrito!

TARDIS

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Eddie-Murphy

20 comentários sobre “BATMAN # 0 – Os garotos (e a garota) perdidos!

  1. Pessoal gostaria de agradecer a resenha,pois fiquei sabendo mais como anda os novos 52.Meus Parabens.Eu particularmente não gostei e não gosto de nada desse reboot.Eles não criaram nada de novo,ou mesmo vilões novos.Essa coisa dos robins terem quase a mesma idade só prova que a DC estragou de vez tres personagens super importantes e de quebra o Bruce.batman sempre foi meu persongem favorito e acompanho todas as revistas antes dos novos 52 e uma coisa eu digo…. O dick é o melhor,mais velho e mais experiente dos tres.Jason Todd não deveria ter voltado estragaram isso e uma história otima de se ler.è o segundo melhor,mas não tem motivação pra ser Robin,esse posto foi dado a ele como uam tentativa dele se recuperar(antes era criminoso).Tim ainda é Jovem e é mais novo que os dois primeiros,ainda bem que mantiveram ele como hacker.A Barbara tem quase a idade do Dick e é mais inteligente e esperta que Jason e Tim,além de ajudar bastante os dois.Quando os autores colocam os tres com quase a mesma idade significa dizer que o Robin banalizou apenas como um incentivo a jovens(programa de treinamento) para se tornarem novos combatentes.Mas essa é minha opinião e não uma ira ou afirmação,para quem gosta ok eu respeito,mas descaracterizou os Robins.

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  2. Mais uma ótima matéria,Rodrigo!O bom do personagem é que sempre se pode contar algo de novo,sempre mantém o interesse!Queria que você fizesse uma matéria sobre o Homem de Ferro…um abraço!

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  3. Incrível resenha… Me senti por dentro da história sem ter lido e com muita vontade de ler. Acho q os Novos 52 vieram pra explicar melhor algumas coisas, não sei se acham o mesmo, mas foi isso o que percebi nas revistas do Superman e Batman (pelo que vi de algumas opniões e resenhas de outros sites, eu ainda não li).

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    1. Obrigado Lúcio, com esse seu comentário me sinto com a sensação do dever cumprido! Agora só resta que você leia e tire suas próprias conclusões, concordando ou não com o que foi dito…
      Abraços!

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  4. Uau! Show de bola a resenha. Sabe, místico, enigmático e misterioso Garrit, Snyder fez exatamente isso, não arrumou a casa, mas chegou trazendo todo o material de limpeza necessário para que alguém ponha a mão na massa e resolva de vez esse dilema, achei genial.Quanto mais Batman, Snyder e Capullo (no título regular) melhor. Amo muito tudo isso.

    PS.: Gostei do fato dos 3 Robins e a Batgirl agora terem “quase” a mesma idade. Gostei muito.

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    1. Valeu parceiro, eu sei que ainda tem muita coisa pra ser explicada na evolução desses Robins e como eles se encaixaram em tão pouco tempo no “cargo”… até me pergunto se eles não foram Robins ao mesmo tempo ou quase ao mesmo tempo para que tudo ficasse no cronograma… Mas o que ficou nítida pra mim foi a ideia de que Dick, Jason e Tim são como os “garotos perdidos”, Bárbara é a Wendy e Bruce, Peter Pan, o menino que nunca cresceu, ou que mesmo adulto ainda veste uma fantasia e vai lutar com os piratas da Terra do Nunca…

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