Superman, O Homem de Aço Assassino! Culpado ou inocente?

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CAPA

Herói ou monstro?  Exemplo a ser seguido ou má influência? O que aconteceu com o Homem de Aço?

Vamos tentar chegar a um veredicto.

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!

Por Rodrigo Garrit
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Com a estreia do filme O HOMEM DE AÇO, muita polêmica se formou em torno da controversa atitude do herói de matar o General Zod antes que ele transformasse uma família inocente em cinzas. Afinal, o Superman não mata. Certo? Bem…O fato é que o personagem é um exemplo e uma inspiração de tudo de melhor que a humanidade pode alcançar. Ele luta por um mundo mais justo, e tenta manter o planeta em paz. Ele é total e completamente contra o assassinato. Mas isso não significa que em casos extremos, ele já não tenha sujado suas mãos. Várias vezes. Conforme veremos a seguir.
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Julgado e condenado?

O ato da execução de Zod em si não desonera todo o bem que o Superman fez ou representa, não desmente todo o seu discurso pacifista. Nada disso muda sua postura em relação a preservação da vida. É preciso parar de generalizar o ocorrido, taxando-o apenas como um assassino frio, e entender de uma vez que ele agiu em um caso extremo e isolado. Situações assim acontecem tanto na ficção quanto na vida real e nessas horas, medidas desesperadas precisam ser tomadas. No caso específico do filme, vamos ser sinceros: você deixaria aquelas pessoas morrerem para poupar a vida do Zod? E se essas pessoas fossem seu pai, sua mãe e sua irmã?

Quando um policial mata um criminoso para proteger outra vida inocente, isso faz dele um assassino ou apenas um defensor da lei cumprindo seu dever?

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Analisando mais profundamente os novos parâmetros adotados pela DC, vemos que agora nos quadrinhos o Superman mata criaturas alienígenas sem dó nem piedade, como fez com os parademônios de Darkseid no título da Liga da Justiça, mas como já foi dito em análises anteriores “não é assassinato quando você está salvando o mundo”… certo? O Superman sempre dizia que havia outro jeito… mas isso era verdade ou apenas uma forma de nos confortar? Na revisão de John Byrne, ele não matou os três criminosos kryptonianos (incluindo Zod) muito antes desse reboot?

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Teoricamente, a Kryptonita dourada já havia anulado os poderes dos três criminosos. Mesmo assim, o Homem de Aço optou por executá-los.

Claro que o fato teve consequências… ele se exilou no espaço, se achou indigno de si mesmo… mas o fato já havia sido consumado. O Superman havia matado sim… pelo menos uma versão dele, entre tantas…

Muitas pessoas não lembram, mas no clássico filme com Christopher Reeve, onde ele também enfrenta o General Zod e seus comparsas, qual foi o destino do vilão? Na versão oficial exibida nos cinemas, Kal-El o engana na fortaleza, fazendo-o passar por um procedimento que anula seus poderes, enquanto o próprio Superman fica protegido dentro de uma câmara de cristal. Zod se tornou tão ameaçador quanto qualquer outro humano, logo, ele poderia ter sido preso e levado a julgamento… mas em vez disso é arremessado em um abismo entre as frestas de gelo da fortaleza…

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“Ajoelhe-se diante de Zod”… É, mas não por muito tempo…

De volta aos quadrinhos, na emblemática história “A Morte do Superman”, Dan Jurgens deixa claro que ele “matou” o monstro Apocalypse antes de “morrer”… (embora ambos tenham ressuscitado depois, o que valeu foi a intenção). Mas era uma situação extrema… muito bem… num mundo onde a vida das pessoas depende de suas ações, situações extremas devem ser mesmo frequentes…

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Para impedir a devastação da cidade e mais milhares de mortes, Superman mata Apocalypse através de um violento espancamento, durante o qual ele também perde a vida.
Saibam também que ele matou – MATOU mesmo – o Sr. Mxyzptlk no clássico “O que aconteceu com o Homem de Aço?” de Alan Moore… pois ao mesmo tempo em que o duende da Quinta Dimensão disse seu próprio nome ao contrário, gatilho mágico que o fazia voltar para seu mundo, Superman ativou o projetor de zona fantasma que literalmente rasgou o vilão ao meio, lançando uma metade para cada dimensão. Um ato assumidamente calculado, que também teve suas consequências… ele abandonou a carreira heroica, sendo dado como morto.
O Sr. Mxyzptlk desistiu de ser brincalhão e decidiu passar os próximos mil anos sendo maligno. Para impedir que essa ameaça praticamente incontrolável se abatesse sobre o universo, Superman engendrou uma armadilha fatal, que deu cabo da existência do ser da Quinta Dimensão.
O Sr. Mxyzptlk desistiu de ser brincalhão e decidiu passar os próximos mil anos sendo maligno. Para impedir que essa ameaça praticamente incontrolável se abatesse sobre o universo, Superman engendrou uma armadilha fatal, que deu cabo da existência do ser da Quinta Dimensão.

Não estou dizendo que essa é a forma normal do personagem agir. Muito menos estou dizendo que matar é certo. Nem de longe quero insinuar que o Superman seja um assassino desalmado. Só estou apontando que durante a carreira dele, alguns atos extremos foram necessários. O que não significa que ele não tente de tudo antes de chegar as últimas consequências. A história “Olho por olho?” de Joe Kelly, onde ele enfrenta a equipe de “heróis” Elite é o ápice do exemplo e da inspiração de tudo de bom que o Superman representa. Apesar de serem poderosíssimos, Kal-El os derrota, os coloca em seus devido lugares, sem precisar matar, provando que escolhas difíceis existem sim; mas que isso não pode ser tomado como a solução de todos os problemas, desde que não seja forçado a isso por forças maiores. Cada caso é um caso e a vida deve ser preservada ao máximo, dentro dos limites humanos aos quais até mesmo um Super-Homem está atado. São esses momentos de decisões difíceis e dolorosas que definem um verdadeiro herói. Ou um verdadeiro hipócrita.

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Ao poupar a vida dos membros da equipe Elite, Superman mostrou que em muitos casos é possível manter um código de moral, mesmo que esse seja o caminho mais difícil. Matar, apenas em último caso. E pagar o preço por isso, se é que esse preço possa ser pago.

Em última análise, será que o Superman não deveria ter dado aquele golpe final no Antimonitor ao fim de Crise nas Infinitas Terras? Na saga de Marv Wolfman e George Pérez, ele é colocado no limite de seus princípios… toda vida é sagrada… mas e se uma vida ameaça a existência de todas as demais? O final a maioria dos fãs conhece… a cena em que ele massacra o que sobrou do Antimonitor jogando-o contra o sol é épica, arrepiante.
Não é assassinato quando você está salvando o universo. Ou é?

Alguém gostaria de tentar reabilitar o Antimonitor?
Alguém gostaria de tentar reabilitar o Antimonitor?

A versão original do Superman da Era de Ouro era implacável contra os bandidos, defendia os fracos e oprimidos sim, mas não poupava os meliantes. Justamente essa versão foi espelho da reformulação feita por Grant Morrison após o reboot (ainda que muito mais amena), onde temos ainda a figura do herói, embora tenha perdido cedo demais a bússola moral dos Kent… e vai saber o quanto isso redefiniu o seu caráter.

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Em suma, o Superman ainda é meu o herói preferido de infância, não julgo a atitude dele como uma desconstrução dos seus valores, assim como não entendo a mesma como uma nova tendência de heróis para uma nova era. Eles são semi-deuses falhos, tentando fazer o certo, mesmo que tudo seja difícil e pesado demais… eles ainda tem os valores que espero que perdurem na continuidade da história… e dentre esses seres extraordinários, Superman, o primeiro deles, ainda é o maior de todos.

Mas essa não é uma questão sobre o Superman… é sobre tudo o que as pessoas entenderão como certo e errado, bem e mal. Essa discussão não se trata de criar um novo Superman implacável, fruto dos novos e violentos tempos. É sobre as escolhas que as pessoas vão fazer para as suas vidas, sendo inspiradas ou não por um mero personagem da ficção, ou por um pai, tio ou policial ferido em serviço. Não precisamos nos preocupar sobre a influência de um filme sobre crianças produzindo novos “Seriais Killers”. Mas podemos apostar na mensagem de esperança de um novo herói que luta para que um novo tempo venha a acontecer. Se de paz ou de guerra, isso cabe nós, pobres mortais, decidir.

Leia a resenha do filme O HOMEM DE AÇO clicando AQUI! 

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Metropolis - Final

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EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Astro City # 2!

Terça – Fabulosos X-men # 8!

Quarta – O Questão!

Quinta – Super-Homem Jr & Batman Jr!

Sexta – Superman, O Homem de Aço Assassino!  Culpado ou inocente?

Sábado – Umas Tiras da Pesada!

Domingo – Monstro do Pântano # 0!


Eddie-Murphy

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38 comentários sobre “Superman, O Homem de Aço Assassino! Culpado ou inocente?

  1. tudo que um diretor faz em um filme é no fundo decidido pensando em uma sequencia.
    e essa morte vai pesar nas escolhas do super nos próximos filmes.
    parem de mi mi mi e vejam as coisas pelo método dos diretores e escritores.
    abraço

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  2. O Superman agiu como um policial defendendo a ordem. Em momentos extremos um policial mata. Naquele momento, tinha que matar o Zod mesmo.

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    1. Bom, sobre o filme, gostei bastante. Finalmente fizeram um filme a altura do Superman depois do mais ou menos Superman return. E sobre esse dilema sobre o Superman matar, acho que foi uma boa jogada do Christopher Nolan, para dar pano pra manga e os fãs ficarem se debatendo sobre esse assunto. Acho que ele fez o que tinha que fazer. Ele pode ser Super mas é tão humano como qualquer um de nós e suscetível a falhas.

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  3. “Tudo bem você querer salvar o mundo, mas destruir prédios e ruas, já é vandalismo.” ¬¬

    Sério, as pessoas pensam que ele poderia levar a luta pra um lugar deserto como se ele tivesse total controle da situação, como se aquela não fosse a primeira batalha dele, fala sério, ele fez o que pode.

    Quanto a ele ter matado o Zod, preferiria que o buraco negro tivesse durado mais ou levasse mais tempo pra que lançassem uma nave na outra e assim, após a luta, o super tivesse jogado o Zod na singularidade, mas isso não aconteceu. Não ligo dele ter matado, só achei ele bobo e desnecessário o jeito que aconteceu, tipo, ele poderia ter voado com Zod e salvado aquela familia, e se ele teve força pra quebrar o pescoço do cara, tinha força pra virar a cabeça dele pro outro lado.

    Por fim, matar é errado, mas do jeito que foi feito, não tacaria pedra em ninguém, porém o super teria que encarar um tribunal, ele é um civil, e mesmo que fosse polícia, não tem direito de matar ninguém.

    Enfim, acho bobeira que se inspira em qualquer tipo de personagem ficticio, eles não são reais, não entendo essa relação que alguns leitores tem.

    O que não gostei foi o discurso do Jor-El, o filho dele guiará a humanidade só porque é um alien poderoso, então ele é melhor do que nós? Jor-El é racista.

    O que “aprendi” com o filme é que quando militar se mete com política dá m.

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  4. Perfeito Rodrigo! Assim como o amigo aqui embaixo, acho que essa choradeira já encheu. Era o que a situação pedia e não havia nada a ser feito. Outra coisa: Zod, em decorrência de seu ódio, afirma que vai matar todos os humanos, ou seja, o Super iria segurá-lo pra sempre? Como iria prendê-lo??

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  5. Achei que foi um exagero ele matar Zod, ele poderia apenas deixá-lo inconsciente ou então tampar os olhos do cara… Porém acho que a morte é um fim mais digno para Zod, afinal, como o próprio personagem fala ele perdeu tudo, é alguém sem nenhum ideal ou sentido para viver. Só que na minha opinião, a situação não foi tão extrema ao ponto de ter apenas uma saída, mas não é nada que prejudique a história do filme ou que fere o personagem, o filme é excelente e esse é o superman que estou acostumado a ler, ele é o escoteiro sim e mesmo com os poderes, é humano e falho. Antes de ver o filme, eu achei que ele seria aquele superman babaca dos novos 52, tive uma ótima surpresa, essa filme fez eu engolir minhas palavras.

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  6. Ótimo texto Rodrigo, eu acredito que ele fez o que tinha que fazer sim, mas morreu junto com o Zod muito do que o personagem representa, no entanto, ele é um herói porque está disposto a fazer decisões difíceis ao contrário de nós.

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  7. Concordo plenamente com à atitude do super no final do filme, afinal a situação precisou de uma medida bem mais desesperada do que até mesmo seu senso de moralidade poderia impor..O superman fez o que deveria ter feito mediante a situação, era o General Zod sacripanta tocando o terror ou o super salvaria aquela família desesperada. Assim como o próprio Zack Snyder disse o tempo da inocência já passou, não que dizer que isso justifica, mais o super fez o que deveria ter feito e mais eu faria o mesmo no lugar dele.
    #MAN OF STEEL estou contigo e não abro hehehehehehehe

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    1. Concordo que o fim não justifica os meios, mas deixar uma bomba atômica como o General Zod à solta e sem possibilidade de confinamento seria o mesmo que condenar a raça humana à extinção. Também estou com ele nessa, Emerson!

      Abraços!

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        1. E outra coisa até parece que ninguém viu o grito de dor do superman ao ter praticado tal ação, eu vir bem nos olhos do último filho de krypton a dor extrema que o mesmo sentiu, não foi fácil e nunca será fácil pra alguém ter que carregar o peso do mundo nas costas….

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          1. Exato, não é como se tivesse feito aquilo por um prazer sádico…. felizmente, a maioria das pessoas não entende que em certos momentos é preciso agir de forma radical para ajudar aqueles que se ama. Tomara que nunca saibam mesmo… abraços!

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  8. O caso, Rodrigo… é que O DIRETOR do filme disse com todas as letras que queria um Superman que fizesse mais sentido aos “novos tempos”. Um Superman “sangue no zói”, um Superman fodão, que, aliás, nem se importa em levar uma batalha contra inimigos superpoderosos para fora de uma cidade. Que se danem. Se nos próprios quadrinhos essa prática é feita. Levar a batalha para longe dos civis. E no fim vem com papinho de salvar dois ou três???

    Havia várias formas naquela cena de não precisar matar Zod. Várias, considerando os poderes do personagem. Eu posso pensar em, pelo menos cinco.

    E quanto ao Zod em Superman II.. oras, aquela era claramente uma encarnação dos tempos da Guerra Fria. Zod é o malvadão do comunismo que quer acabar com a democracia perfeita dos EUA, com a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a torta de maçã e a manteiga de amendoim. Ele queria fazer todo mundo usar vermelho blablabla. Basta ver a última cena daquele filme. Superman, com a bandeira dos EUA, faltou beijar o presidente ao prometer nunca mais abandonar o país e o jeito americano… blablabla bem recorrente nos filmes da época. Assim como recentemente com os filmes sobre terroristas. E “matar” o comunismo era algo que os estadunidenses queriam.

    Mas, voltando ao caso… bem…
    ele É O SUPERMAN. Não é um policial, não é um bombeiro, não sou eu ou você.
    E não sou eu quem diz isso. É o Batman. Aliás, ainda bem que o Superman da Liga da Justiça nos Novos 52 não é esse do filme, que mata e vai ao cinema, mata e beija a mocinha, mata e vai dormir.
    Confesso que esperava o mesmo personagem nos quadrinhos. Ainda bem que não.

    E daqui pra frente, vou me lembrar como Batman estava sempre certo (!!) sobre temer o Superman e se preparar para enfrentá-lo e/ou até matá-lo. Aliás, espero que Luthor venha no próximo filme questionando a presença deste deus que toma suas próprias decisões entre humanos. Um perigo ambulante!
    Mas, como disseste, esse é um tema que não tem meio termo, é gostar ou desgostar. Eu odiei. Você não viu nada de mais. Mas, daquela cena em diante eu simplesmente passei a olhar no relógio aguardando o fim do filme.

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    1. Lucy, não tem mais o que ser discutido quanto a isso. Você odiou o filme, e eu amei… algumas outras pessoas odiaram, e umas outras amaram… não vou convencer ninguém de nada… e ninguém vai me convencer de coisa alguma…
      Você é uma pessoa maravilhosa que sempre participa com suas opiniões contundentes. Eu por outro lado tenho minha própria opinião contundente que por acaso diverge da sua. Então, proponho o seguinte: Vamos nos valer do conceito deixado por Grant Morrison nos seu Grandes Astros Superman?

      “O que acontece quando a força irresistível encontra o objeto inamovível”?

      – Eles se rendem.

      (E vivem felizes para sempre) 😉

      Beijos!

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  9. Concordo perfeitamente.
    E quem diz que o Superman não mata é porque não conhece a personagem… ouvi muita gente dizer essa frase ignorante sobre o super um bilhão de vezes a seguir ao filme…
    Ou seja, não são verdadeiros conhecedores da personagem. O Super já matou várias e vezes e vai continuar a matar sempre que a situação for extrema!
    😉

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    1. EXATAMENTE, Nuno. Matar não é o problema. Os MOTIVOS que levam alguém a matar é que importam. Uma pessoa pode matar em legítima defesa, ou para defender a vida de outros. Matar por motivos mesquinhos ou por pura maldade é totalmente diferente. O Superman nunca matou ninguém por esses motivos.

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  10. Grande texto Garrit. Olha eu vou dizer: Em Batman Begins, Bruce já com a mascara do morcego enfrenta sua primeira luta, uma cena pra lá de confusa. Pra justificar, os fãs dizem que a luta foi filmada propositalmente para causar confusão, pois o Batman ainda estava no inicio de sua jornada como heroi. Não acredito nisso, acho que o Nolan errou mesmo. Mas o fato é que o Superman está nascendo neste filme, muitas cenas mostram seu amadorismo nisso, ele matou Zod, pois não havia outra escolha (se não me engano a família que o Super tentou salvar também morreu), isso vai trazer (é o que espero) conseqüências em sua atitude como heroi em filmes futuros.

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    1. Ele apenas mostrou que apesar dos poderes, não é perfeito, não é Jesus, não é o ideal imaculado que todos esperam que ele seja. Mesmo um Super-Homem ainda é um homem, que escolheu fazer o bem, e paga o preço por tentar fazer tudo o que pode para ajudar a humanidade.

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  11. Ótimo texto, Rodrigo!
    Ele me fez pensar em uma coisa: o final do filme NÃO é sobre o Super, mas sobre os fãs. Afinal, ele está servindo pra mostrar como as pessoas pensam a respeito. Eu estou vendo poucas pessoas por aí analisando como o assassinato reflete na vida do personagem, mas sim uma espécie de “síndrome de Datena”, onde a maioria das pessoas estão dizendo que “bandido bom é bandido morto!”
    Poucos julgam os fatos ali mostrados no filme, o Zod, a família (que eu já li em um site que foram mortos antes do Super matar o Zod – e, realmente, se eles estiverem vivos, pra onde foram? Foram cortados na edição do filme? Aparece uma fumaça onde eles estavam… Será que foram carbonizados?)
    Triste essa barbárie da sociedade.
    Da sociedade! No filme é outra coisa, com outro contexto.

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    1. Concordo totalmente. A reação das pessoas foi mais importante do que o personagem… essa mesma polêmica ocorreu quando ele matou o Zod na fase Byrne, ou quando ele se casou com a Lois, ou deixou de usar a cueca por cima das calças… o que as pessoas esquecem, é que se um ser humano DE VERDADE tivesse os poderes do Superman, DOMINARIA o mundo, MATARIA quem quisesse e ninguém poderia fazer nada. O cara escolheu ajudar essa raça de humanos primitivos e é julgado pelos puristas porque ele matou um GENOCIDA na intenção de impedir mais mortes. Sem mais…

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  12. Todas as vezes que Superman matou mesmo justificado o tempo provou ser um erro.Byrne destruiu parte da essência do personagem ao fazer ele executar friamente 3 inimigos indefesos e sem poderes.O que não foi dito aqui é que essa estúpida história foi rebotada e apagada anos depois.Aquela história que ele mata Mxypltlk foi um elseworld,um final alternativo pro Superman Silver Age e Moore foi coerente em preservar seu juramento de que se tirasse uma vida ele desistira de ser Superman.Alguns super-heróis jamais devem matar,alguns deles representam o horizonte moral que é seguido por todos os demais heróis.E Superman é um deles ele sozinho carrega o gênero super-heróico e o quanto os outros personagens da DC se aproximam ou se afastam do modelo de conduta dele é que o diferência eles dos demais.

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    1. As histórias podem ter sido “rebotadas” mas ainda são e sempre serão referências de algumas das melhores coisas feitas com o personagem. Dizer que são estúpidas fica por sua conta e risco. De qualquer forma, antes de qualquer reboot, durante e depois, o Superman sempre matou quando necessário. Ele é CONTRA isso, o que não significa que não faça quando necessário. Um assassino frio é um câncer para a sociedade. Uma pessoa que mata EM ÚLTIMO CASO para proteger os inocentes é a cura.

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  13. Bom, ainda não decidi se gostei do filme. Esperava uma coisa que tirasse a visão do Superman de pancake do filme anterior, mas que me deixasse sem folego.

    Sempre achei o conceito geral do Superman meio maçante. Um cara bom demais para assumir uma “nacionalidade” como os EUA, coisa que não combina com o que ele deveria ser. Achei que iam mexer com isso.

    Agora fui ao cinema e vi um filme sobre Jesus Cristo. Queria ter sido informada que era um filme religioso contendo cenas de Dragon Ball Z.

    O grande trunfo do filme foi o Russel Crowie, ele fez um Jor-El muito bom. Ah, o Zod… então, ele parecia alguém com dor de barriga lutando para poder ir ao banheiro…

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    1. Eu acho que a comparação entre Jesus e Superman é possível, mas não pertinente… Jesus poderia até matar o Zod, mas depois o perdoaria e o ressuscitaria… (eu acho)… bom, Russel Crowie estava mesmo espetacular, as cenas da guerra em Krypton foram magníficas. O fato de você ter mencionado o filme anterior com as observações do filme atual me dão uma dica de que você gostou do filme recente… e que o Japão se inspire e faça um filme decente de Dragon Ball!!! 😉

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  14. Texto excelente. O grande triunfo desse filme (e em geral as adaptações da DC Comics) é exatamente essas discussões morais e filosóficas que suas narrativas levantam, questionamentos sempre inexistentes nos filmes da Marvel, por exemplo. Gosto muito do entretenimento das adaptações da Casa das Ideias, mas essa visão de que “filmes de super-heróis são feitos apenas para entreter com efeitos especiais” é desmerecer um gênero que já provou que pode ir além. SPOILERS: Superman é tão inocente quanto culpado. Culpado porque toda aquela destruição é, ainda que indiretamente, oriunda de seu povo. Inocente porque dada as circunstâncias do clímax, ele não tinha escolha. Aliás, adorei o General Zod do Shannon. Primeiro, porque ele é tratado de maneira tridimensional. Compreendemos suas motivações que o levam a agir como um monstro: ele nasceu para proteger Krypton, e como ele mesmo diz, Superman e os humanos “tiraram sua alma”. Outro ponto, ele diz que destruiria a Terra (que era a única coisa que o restava) e que aquilo só terminaria com ele ou com Kal-El morrendo. Ou seja, só ele morrendo para detê-lo; assim, a atitude final do Superman torna-se crível. Aí que vem a decisão mais acertada desse clímax: colocar uma situação que não deixa o Superman agir como o tal escoteiro, que sempre tem um plano B, que o fizesse impedir Zod sem necessariamente matá-lo; por fim, não deixando-o escolha. Ou era Zod (representando Krypton), ou a família ameaçada (representando a Terra). Como ele deu um voto de fé para a Terra (aceitando se render à humanidade), logo depois veio a confiança (os militares reconhecendo que ele não era uma ameaça), como sugeriu o Padre, na cena da Igreja. Ou seja, a Terra se mostrou confiável para ele. Pra mim, este clímax representa muito bem todas as passagens, reflexões e conflitos que o roteiro estabelece, além de ser executado de uma maneira pesada e chocante, com uma trilha-sonora angustiante evidenciando o desespero da família e do próprio Kal-El. “Se você ama tanto essas pessoas, então poderá chorar por elas”. “Não, Zod, pare”. “Nunca!”.

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    1. Concordo plenamente! O confronto final com Zod o coloca numa situação extrema, mostrando que nem sempre é possível fazer tudo ao modo “escoteiro”. Acho que este foi um grande acerto do filme, que supera, e muito, o anterior (Superman – o retorno). Dá para esperar que as sequências também sejam boas. Parabéns pelo texto xará! Quem é fã de quadrinhos e do super com certeza se sentiu tão respeitado ao lê-lo quanto pelo diretor ao assistir o filme.

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  15. O “S” no peito dele simboliza esperança… Matasse o Zod de tédio, mostrando os quadrinhos desenhados pelo Rafael Albuquerque e o Rob Liefeld, mas a solução rápida que teve, não representa esse “S”. (eu adorei o filme, mas essa solução massavéia não me representa)

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