Monstro do Pântano # 0 – Os novos frutos de velhas sementes.

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fireContinuando a série de resenhas do título “Monstro do Pântano”, de Scott Snyder (roteiro) e Kano (desenhista convidado).

Contém spoilers revelações arrancadas como a carne dos ossos sobre a história.

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A capa de Yanick Paquette.

Por Rodrigo Garrit

A origem do Monstro do Pântano, personagem horripilante criado por Bernie Wrightson e Len Wein é recontada nessa edição zero, levando-se em consideração todas as revisões pelas quais o personagem já passou, sem necessariamente desconsiderar nada que foi feito. Mérito de Scott Snyder, roteirista regular do monstro, que levou sua versão da origem até o limite máximo que pôde sem comprometer eventos que devido ao reboot da DC, talvez não tenham ocorrido na nova continuidade, ou ocorrido de forma de diferente.

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Scott Snyder revisita mais uma vez a longa linhagem de avatares do Verde… os antigos “Monstros do Pântano”. O artista, Kano, tem qualidade, mas não se adapta ao clima da história.

Os elementos clássicos da origem estão lá. O Doutor Alec Holland se estabeleceu em um laboratório em pleno pântano da Lousiana para estudar de perto as propriedades químicas existentes em algumas plantas, e depois de muitos testes, desenvolveu uma fórmula biorrestauradora, que na versão original apenas acelerava o crescimento das plantas, mas que agora Snyder incrementou com o benefício da substância fazer com que ela também seja capaz de fortificar os organismos vegetais a ponto de eles serem capazes de sobreviver nos ambientes mais hostis e em locais que antes seriam considerados inóspitos e inadequados para o plantio. O restante acontece de acordo com o que os velhos fãs já conhecem: a cabana onde Alec trabalhava é incendiada, seu corpo fica impregnado da fórmula biorrestauradora, e ele desesperado e em chamas, corre para fora, onde mergulha nas profundezas do pântano. A primeira versão contava que devido ao efeito da fórmula, ele sobreviveu e se transformou no monstro. Mas a revisão famosa do mestre Alan Moore para a mesma história surpreendeu a todos quando explicou que na verdade Alec de fato morreu, mas os organismos vegetais que se instalaram em seu cadáver no fundo do pântano, afetados pelo efeito da fórmula, mimetizaram o corpo do cientista, simulando da melhor forma possível um corpo humano constituído de madeira, folhas, e seiva. Moore também citou o exemplo das planárias, espécies de vermes marinhos que possuem a incrível capacidade de se regenerar. Estudos mostram que se uma planária é colocada em um labirinto e ensinada a encontrar o caminho do alimento e em seguida é cortada ao meio, a metade que se regenera adquire uma memória instintiva da original, adquirindo o mesmo conhecimento de onde encontrar o alimento. Da mesma forma, Moore nos apresentou a um personagem que não era um homem transformado em planta… mas plantas que se tornaram um simulacro do homem, inclusive herdando todas as suas memórias. Em épicas histórias com a participação dos personagens sombrios do universo DC como Desafiador, Vingador Fantasma, Etrigan e Espectro, o Monstro do Pântano vai ao inferno para resgatar a alma de sua alma Abgail, numa alusão ao clássico “Orfeu”. Mas ele também passa pelo Paraíso, onde fica frente a frente com a alma de Alec Holland…

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A reação do Monstro ao saber que nunca foi Alec Holland. Texto de Alan Moore e arte de Stephen Bissette.  Scott Snyder levou essa história em consideração ao recontar a origem da criatura nessa edição zero.

Então chegamos a versão de Scott Snyder do Monstro do Pântano para os Novos 52.  A situação descrita por Moore continua a mesma, exceto pelo fato de o evento ocorreu devido a manipulação do Parlamento das Árvores, os mestres ancestrais do Verde, que temerosos por perder aquele que estava destinado a ser seu maior avatar e rei guerreiro, aproveitaram-se das propriedades da fórmula biorrestauradora para conjurar seu próprio golem oriundo do pântano, a fim de que juntasse forças com o Vermelho contra a podridão. A criatura do pântano morreu, mas Alec Holland ressuscitou no momento em que o Verde mais precisava. A história não deixa claro de ele voltou dos mortos devido ao poder da Bateria Branca conforme visto na saga “O Dia Mais Claro” ou por outros meios, apesar de que, até segunda ordem, tanto essa saga quanto “A Noite Mais Densa” ocorreram também no universo pós reboot. Como os detalhes de como esses eventos se encaixam nessa nova realidade onde a Era Heroica surgiu há apenas cinco anos, Snyder espertamente evita o assunto, deixando a questão aberta a interpretações posteriores.

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O Monstro do Pântano no traço espetacular de seu co-criador, Bernie Wrightson.

Embora essa edição zero prometa e cumpra recontar a origem da criatura do pântano, o grande protagonista dessa HQ é Anton Arcane, que revela um passado muito mais longínquo de associação com o Podre, aumentando ainda mais seu nível de ameaça e fazendo dele um inimigo digno de assustar outros monstros.

O desenhista Yanick Paquette  regular da série, descansou mais uma vez e produziu apenas a capa. Em seu lugar, foi escalado o artista Kano, que tentou muito criar um clima de terror à altura da narrativa de Snyder. Kano é um bom desenhista e é preciso dar crédito a ele pelo esforço, mas ainda assim, não funcionou. Ele se sai melhor desenhando outros estilos mais aventurosos ou até mesmo cômicos. O nível de realidade necessário para reproduzir no papel todas aquelas vísceras espalhadas no chão, carne sendo destacada da pele, globos oculares saltando de suas órbitas e cabeças desfiguradas sufocando bebês não combina com seu traço… não causa impacto, não convence.

Mesmo assim, ainda temos uma ótima história de terror, que prepara o terreno para a grande batalha entre as forças elementais da Terra pelo controle da vida.

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Swamp Thing by Stephen Bissette.

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Quer ler ou reler TODAS as resenhas anteriores do Monstro do Pântano?Basta clicar nas capas abaixo! 

1
Resenha de Monstro do Pântano # 01
2
Resenha de Monstro do Pântano # 02
Resenha de Monstro do Pântano # 03
Resenha de Monstro do Pântano # 03
4
Resenha de Monstro do Pântano # 04
5
Resenha de Monstro do Pântano # 05
6
Resenha de Monstro do Pântano # 06
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Resenha de Monstro do Pântano # 07
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Resenha de Monstro do Pântano # 08
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Resenha de Monstro do Pântano # 09
10
Resenha de Monstro do Pântano # 10
11
Resenha de Monstro do Pântano # 11
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Resenha de Monstro do Pântano # 12 (interligado com Homem Animal # 12, também resenhado).

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EDITORIAL SANTUÁRIO:

Segunda – Mulher Maravilha # 21

Terça – Novíssimos X-men # 14!

Quarta – Quadrinhos

Quinta – Os 10 +

Sexta – Homem Animal # 0!

Sábado – Umas Tiras da Pesada!

Domingo – O Terror está presente!

TARDIS

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15 comentários sobre “Monstro do Pântano # 0 – Os novos frutos de velhas sementes.

  1. Puta resenha, acabei de adquirir uma mega edição especial do monstro do pantano que me arrancou uns bons tostões dos bolsos contando suas origens, obra prima que vai ficar na minha estante eternamente, e a arte dessas novas está perfeita, agora vem a dificuldade de conseguir arrumar esses titulos novos, ainda bem que vc me mantem muito bem informado sobnre o meu personagem predileto, obrigado amigo…

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  2. Ótima resenha, mago teen! Eu só acho que nos próximos meses, quando o avatar do Verde, se juntar com o avatar do Vermelho e tiverem o apoio da Lanterna Branca, o FLUMINENSE FUTEBOL E REGATAS vai ser homenageado na Nona arte americana!!!! Salve!

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  3. Deixando de lado as decisões editoriais (por mais resoluto que seja Snyder não pode nem falar sobre elas:”Faz o que eu mando e não faz o que eu faço”). A idéia de se preservar todos os conceiyos de Moore apenas acrescentando as premissas do Parlamento, da luta do Verde e Vermelho e a ascenção do Rei Guerreiro, foram as melhores sacadas dessa edição. Quem sabe num futuro possam explicar melhor ou até recontar A Noite mais densa e O dia mais claro (já que de certa forma, ele vale para este Universo). acomo a guerra ainda não terminou e Arcane ainda pode aprontar muito, estou de olho no material que está por vir. Valeu pela matéria Rodrigo.

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  4. Acompanho o personagem, estava curioso para ver essa edição zero, como Scott Snyder iria abordar a origem do personagem, mas irei esperar mais um pouco, é a próxima edição a ser publicada aqui pela Panini. Garrit sempre ótimo nas resenhas!

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