A UNIÃO QUADRINHOS

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por Guy Santos

Img-de-CapaveltaNeil Gaiman disse uma vez que um dia lhe deram uma caixa de revistas em quadrinhos,  na verdade não era só uma caixa cheia de gibis, era uma caixa de sonhos. Eu também tinha uma caixa de sonhos e entre as revistas estava uma série de quadrinhos que gostava muito, uma das primeiras que li sem ter um tema infantil como Turma da Mônica  e os gibis da Disney. Tratava-se de A União Quadrinhos, talvez você não conheça esta HQ. Na verdade é um suplemento do Jornal A União, que teve grande importância – mesmo com sua rápida passagem – para os quadrinhos na Paraíba. Eram edições de mais ou menos 18 páginas, cada uma trazia uma história, ou duas, com temas variados. Irei falar um pouco de cada uma das edições que li.

A primeira edição desta série trás o personagem Itabira, do polemico desenhista Emir Ribeiro. A história é roteirizada por Emilson Ribeiro e é desenhada por Ailton Elias. É um bom começo para o suplemento, com um personagem índio, a arte cai bem para este estilo de história. O título explica boa parte da trama. A HQ mostra Itabira, um Tabajara, se apaixonando por Janaína, uma Potiguara. Estas duas tribos são rivais aí já imagina o que aconteceu.

Na número dois temos duas histórias. Para começar temos Folhas ao Vento, com a parceria pai e filho, Deodato Borges no roteiro e Mike Deodato Filho na arte. Aqui conhecemos O Ninja (criado por José Augusto e Deodato Filho), onde ele é designado para encontrar um felizardo que levou o premio da Mega Sena, mas que pode estar com a vida ameaçada, pois um temido assassino anda atrás do bilhete premiado.

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“Bondade e maldade. Predadores e presas. O que se passa em seus pensamentos? O que se passa em suas almas? Talvez as pessoas nunca saibam a verdade sobre eles, Felizmente… eu sei”

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A segunda história da edição dois tratasse de Predadores  com arte do J. B. Neto, argumento de Carlos Martins, Januncio Neto e do próprio J. B. Neto e texto de Jacinto Neto. A história é mais um prólogo, apresentando uma senhora que conheceremos melhor na edição quatro. Januncio Neto (Studio Made in PB) falou ao Santuário  como foi participar do projeto:

“Fomos convidados para participar do projeto por Henrique Magalhães e Juneldo Moraes, que na época era repórter do Jornal A União e responsável por selecionar artistas para o projeto que foi idealizado por Francisco Pontes (falecido) que era o diretor de produção do jornal, responsável pela maioria das publicações do Jornal. No dia marcado eu e Carlos Martins fomos conversar com Juneldo e seu Pontes para debater sobre o projeto. Ele falou que tinha a segunda edição praticamente pronta com HQs antigas do Mike Deodato e do seu pai (Deodato Borges), mas que se pudéssemos entregar uma HQ de 10 páginas no outro dia iríamos fazer parte da segunda edição. Então de imediato saindo da sede do Jornal penamos o que era possível ser feito, chegando ao centro da cidade tive uma ideia, conversei com o Carlos e ligamos para o J.B Neto. Expliquei o plano e de imediato fomos para a casa do J.B, lá pegamos uma antiga HQ dele, uma historia de terror chamada Predadores, a ideia era reescrever a historia usando o texto original como base e J.B iria redesenhá-la do zero. Cada página que eu escrevi J.B. ia desenhando e fomos até o limite do horário pra fazer a HQ. Mas ainda faltavam algumas páginas e pela manhã o J.B. iria pro trabalho, voltei pra casa e fui buscar as páginas no dia seguinte logo cedo e de imediato levando para Jornal. E no final de semana em todas as bancas da cidade o segundo número da revista A União Quadrinhos tinha em sua ultima capa a foto dos membros do estúdio ao lado da foto de Mike Deodato Jr.”

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Por Trás de Bruxas e Fadas  é a história que abre o terceiro número. É um conto infantil, onde uma pequenina duende que se apaixona por um príncipe, procura uma Bruxa para lhe ajudar. Mas isso acaba por trazer conseqüências. A segunda parte tem uma história do Homem de Preto, de Emir Ribeiro.

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Chegamos então á edição quatro, minha preferida, Predadores Genesis. Um história cheia de mitologia, com uma arte do J. B. Neto que me agrada bastante e diálogos de Januncio Neto e J. B. Neto. Vemos novamente a senhora mostrada no número dois, desta vez ela conta sua história para seus sobrinhos, conseqüentemente o motivo de seus poderes. Essa edição faz você querer ler mais sobre cada um dos personagens mostrados na primeira página. Podemos perceber aqui, assim como nas edições dois e seis, um estilo de história que lembra os títulos publicados pelo selo Vertigo, o que é bem interessante.

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O quinto número possui duas histórias típicas da personagem Velta de Emir Ribeiro.

Na sexta edição, temos Shiko um grande artista paraibano (que esta trabalhando na Graphic Novel MSP  do  Piteco). Shiko adapta dois contos, o primeiro de Albert Camus para á história Estado de sítio, a segunda de Moacyr Scliar para Hard core story. Falar destas histórias  é difícil, pois são de uma singularidade extrema. Shiko só mostra um pouco do que sabe e já mostra muito, sua arte é expressiva em diversos pontos.

Houveram outros dois números, o sete com um especial de natal e a edição oito com uma historia do personagem Monan  mais um do Studio Made in PB. Algumas das histórias de A União Quadrinhos  foram republicadas em outros volumes, outras podem ser encontradas na internet para baixar. Algo curioso é que a edição de natal teve algumas páginas artes-finalizadas por Jack Herbert, hoje internacionalmente conhecido por seu trabalho em Kirby: Genesis ao lado de Alex Ross e Kurt Busiek, além de outros trabalhos.

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Ao ler estas histórias quando criança não sabia quase nada sobre as pessoas por trás da série, não sabia que Mike Deodato já fazia fama no mercado internacional. E Atualmente podemos perceber o quanto este suplemento foi marcante, Januncio Neto falou sobre essa importância:

“Foi um momento importante pra todos nós, na época ainda estávamos no começo de tudo, apenas com 2 anos de existência do estúdio e com apenas 2 fanzines produzidos ate então. O projeto A União Quadrinhos foi um projeto muito interessante, acredito que na época ainda éramos muito inexperientes ainda, hoje provavelmente teríamos aproveitado melhor a oportunidade, estávamos diretamente envolvidos na produção das edições, pois mostrávamos interesse e Junaldo e Seu Pontes viram este interesse. Foi muito importante ter feito parte do projeto e seria muito bom se ele voltasse a ser produzido. Dos oito números o estúdio participou de cinco.”

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Assim  como a caixa de sonhos de Neil Gaiman a minha caixa de sonhos também foi levada, mas pelo tempo, não me lembro qual foi seu fim e me arrependo disso. Mas existe sempre a possibilidades de conseguimos a caixa de volta. Encontrei todos os números que li na infância em um sebo e as comprei. Agora seguras de volta a sua caixa de sonhos.

“As folhas secas continuam soltas  ao vento. Ziguezagueando sem destino!”

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16 comentários sobre “A UNIÃO QUADRINHOS

  1. E quem diz que a produção nacional não tem bons frutos. Desde lá de trás com a invenção do Morcego Vermelho (nem vou tão a fundo. O espaço seria pequeno) até as dezenas de estúdios que trabalham em parcerias prodysindo material proprio da terrinha ou personagens gringos. Tudo prá exaltar os nossos artistas. Espero em breve ver uma matéria com o Francenildo de quem sou muito fã também.

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  2. Conheço muito o trabalho do Emir e curto bastante seus personagens. Já tive o prazer de colaborar com roteiros de alguns deles (nem todos publicados), porém sempre é bom lembrar que além de Velta, existem outros como o Homem de Preto e a androide Nova (minha preferida.

    Parabéns pela matéria, vamos torcer que os personagens brasileiros tenham boas histórias publicadas e ganhem as bancas e o gosto dos leitores!

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  3. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda – A União Q!

    Terça – Aquaman # 22!

    Quarta – O Questão!

    Quinta – Os 10 +

    Sexta – Liga da Justiça Dark # 0!

    Sábado – Umas Tiras da Pesada!

    Domingo – A ficção científica está presente!
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