O Santuário orgulhosamente apresenta: A ORIGEM DE DARKSEID!

Quarto Mundo

Por Rodrigo Garrit

James WhiteERA UMA VEZ… DOIS REINOS MUITO DISTANTES, ALÉM DO TEMPO E DO ESPAÇO… LOCALIZADOS NOS MAIS INCOMPREENSÍVEIS DEVANEIOS HUMANOS… ONDE VIVIAM DOIS IRMÃOS…

Drax e Uxas eram seus nomes. E eles eram príncipes de um poderoso império, detentor de inúmeras conquistas e orgulhoso de suas sangrentas vitórias em intermináveis guerras. Drax, o mais velho, era o preferido de sua mãe, a temida rainha Heggra e seu coração era livre e destemido. Apesar de ter sido criado em um mundo de trevas e ter aprendido desde muito cedo que apenas os mais fortes devem sobreviver, Drax alimentava em si o desejo de viver em paz com seus semelhantes, e não regozijava-se com o derramamento de sangue como os seus iguais. Não que ele não tivesse de fato cometido diversas atrocidades, mas para Drax, era preciso que houvesse um sentido para que a batalha acontecesse. E ele era um guerreiro fabuloso, temido e conhecido por suas habilidades na arte da guerra. Poucos sobreviveriam a seu jugo, salvo aqueles que por algum motivo foram poupados. Drax tinha dois grandes amigos. Um deles era Izaya, outro valoroso guerreiro, nascido no planeta irmão que orbita o seu. Em tempos de guerra, a fúria desses dois combatentes não poderia ser medida com meras palavras. Mas eles sempre se respeitariam e se reconheceriam como iguais. Mas acontece que esse era um tempo de tranquilidade, e a paz reinava entre os planetas que outrora quase se destruíram em sua insensata guerra. E Izaya era um companheiro com quem Drax gostava de estar.

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O outro amigo de Drax acabara de passar por um importante rito de passagem, no qual recebeu seus dons divinos e escolheu um novo nome, abraçando assim sua herança deixada pelos antigos deuses do Velho Mundo. Quase inseparáveis eles eram. Drax e Desaad.

O irmão mais novo de Drax, era muito diferente dele. Não tinha nenhum talento para o combate, sempre se esquivava de tarefas braçais e procurava manter-se sozinho. Ele era desprezado por sua mãe, e constantemente humilhado por seu tio, Steppenwolf. Ele viva à sombra de seu irmão, consciente de que no futuro, este herdaria o trono, e seu nome, Uxas, seria esquecido pelos livros de história.

Chegou um dia em que Drax deveria submeter-se ao seu rito de passagem, e ir de encontro a sua divindade. Como sucessor natural ao trono, lhe foi concedida a maior das dádivas… ou a pior das maldições. Ele deveria desbravar fossas ardentes rumo ao poder supremo, e se obtivesse vitória onde incontáveis tantos outros falharam, ressurgiria engolfado pelo até então indomável poder da Força Ômega, de onde retornaria em estado de graça, e teria um novo nome em reverência aos deuses do Velho Mundo.

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Ele foi paramentado com uma armadura projetada para proteger ao máximo possível seu corpo, porém, incapaz de fazer por ele o que apenas ele poderia… desafiar o destino, contemplar o outro lado do abismo… e retornar, se assim fosse capaz.

Drax não tinha medo. Ele apenas aceitou sua sina, entendeu o que estava em jogo e acreditava que certamente retornaria como um novo deus… poderoso como nenhum outro de sua geração, e ele lideraria seu reino com sabedoria e justiça… selaria a paz de forma definitiva com seu mundo irmão e a cultivaria através das galáxias infinitas… ele conduziria seu povo pelas estrelas e levaria divindade aos planetas primitivos… compartilharia sua graça e faria do universo uma vastidão infinita de luz e vida, onde deuses olhariam de igual para igual para os mortais…

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Mas acontece que Desaad já havia se aliado a Uxas e sabotado a armadura de Drax, fazendo dela não um escudo, mas uma fornalha de energias causticantes que devoraram seu corpo de dentro para fora…

…enquanto Uxas, trajando a poderosa armadura que deveria ser de seu irmão, jogou-se no Fosso do Infinito, engalfinhando-se com Drax, que por um breve momento chegou a acreditar que seu caçula se arriscava para tentar salvá-lo…

As energias ali empreendidas ficaram fora de qualquer escala conhecida.. nunca se soube de tamanha atividade no interior daquele fosso antes, como se esse dia estivesse predestinado a ser um marco para o futuro do universo…

Quando os soldados do império foram resgar os irmãos do fosso, havia apenas uma armadura. E de dentro dela apenas um se reergueu.

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A rainha ficou extremamente feliz ao saber que seu preferido havia sobrevivido e tomado para si a Força Ômega, e rejubilou-se em saber que sua linha de sucessão teria um herdeiro digno, quando recebeu seu filho na sala do trono, desfigurado, mas pulsando de poder… e sedento por mostrar a ela seu recém adquirido Efeito Ômega…

Mas antes de ser desintegrada, ela sussurrou o que poderiam ser suas últimas palavras: “E você realmente ousaria me eliminar… depois de tudo o que eu lhe fiz, Uxas”?

Pois ela sabia que diante de si estava não o guerreiro imbatível. Não o pacifista irrecuperável; era o filho que ela realmente amava. O que ela moldou à sua imagem e semelhança.

“Não, não Uxas”, ele disse, já refreando seu olhar, convencido a poupar sua vida.

“EU SOU DARKSEID”!

*

Texto baseado na origem de Darkseid publicada na forma de histórias curtas nas edições #2 a #5 da revista Jack Kirby´s Fourth World de 1997, com roteiro e arte de John Byrne.

Arte de Ed McGuinness.

Mais desespero

Ele nasceu no planeta incandescente, um fraco entre os bárbaros. Mas sua mente era astuta, e nas sombras, fazia planos. Movia as engrenagens da guerra, jogava irmão contra irmão, provocava discórdia, quebrava alianças e regozijava-se com o sofrimento alheio.

Mais solidão

Renegado pela família real a qual pertencia, sabia que merecia mais, mas eles nunca lhe dariam nada. Era um pária, um fraco, um inútil. Sem amigos, sem aliados. Apenas as trevas e seus planos secretos.

Mais alienação

Deslizava pelo orgulho de seus familiares. Incitava a vaidade de seus egos, instigava a luxúria, tecia ilusões e os conduzia como ovelhas à boca do lobo.

Mais medo

Inventava mentiras, fazia parecer que o inimigo era mais forte do que realmente era, falava do quanto seu império estava prestes a ser conquistado quando na verdade, ninguém poderia superá-lo. Fincava a insegurança e o receio no coração de grandes guerreiros.

Menos autoestima

Menosprezava as grandes conquistas, roubava ideias geniais e apresentava como sendo suas, desprezava a beleza e impunha um inalcançável padrão de perfeição, o qual levaria muitos a loucura. Partilhava zombaria, quebrava espíritos de forma irremediável. Aplicava a cruel condenação de convencer seus desafetos de que eram culpados. Levava-os ao equivoco. Levava-os a aceitá-lo como seu único e verdadeiro deus.

Um deus do mal

Ele rompeu a barreira das trevas e se enxergou do outro lado. O lado de quem não possuía nenhuma bondade. Temam Darkseid, seres da criação.

O lado negro vive dentro de vocês.

Darkseid, O Mal Absoluto” –  Texto originalmente publicado na Sexta Maldita.

Leia mais sobre o Quarto Mundo de Jack Kirby. Aqui.

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– A arte de capa para essa matéria foi produzida por James White baseado em original de Jack Kirby. Conheçam outras artes no seu blog, clicando aqui.  

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43 comentários sobre “O Santuário orgulhosamente apresenta: A ORIGEM DE DARKSEID!

  1. Gostei bastante da matéria! Sem dúvida, Darkseid é o maior vilão do Universo DC, um verdadeiro deus do mal! Qualquer um de nós, pobres mortais, tremeria de medo (no mínimo) só ao deparar-se com sua figura sinistra e imponente. Imaginem quando seus olhos emitem o brilho mortal da Força Ômega!

    Tremam diante do Senhor Absoluto de Apokolips!!!

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  2. Na formação de um grande vilão, sempre há questões referentes ao estado mais do que natural de suas origens. Crescendo desprezado da forma que cresceu e orientando-se nas sombras de suas maquinações mais do que silenciosas, Darkseid fomentou uma insurreição digna dos maiores tiranos universais. É um digno representante do Lado Obscuro Da Criação, tendo em si participações latentes no Mal Ativo que Dion Fortune bem vem a tornar conhecido no livro “A Doutrina Cósmica”. Uma parte ativa do que se conhece como Mal é Darkseid, a meu ver, um Grande Papel Cósmico e, não, apenas, um sujeito que cresceu ignorado pela família e com uma revoltazinha grande no coração.

    Aos interessados, recomendo a leitura do livro acima citado, que contém muitas informações sobre os Pápeis Cósmicos de todos os objetos e sujeitos em nosso universo e no Universo do Mundo Da Imaginação, onde vivem Darkseid e todos os demais personagens do mundo ficcional.

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  3. Sensacional texto Rodrigo. O maior vilão da DC, como disse o amigo aqui nos comentários.
    Ficou meio mal aproveitado durante um bom tempo (essa imagem do McGuinnes me traz más recordações), mas espero coisas muito boas para ele nos novos 52.

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  4. A rainha Heggra era uma mulher assustadora, dominadora e controladora. Ela tinha um forte domínio e influência sobre seu marido Yuga Khan, seu irmão mais novo Steppewolf e seus filhos Drax e Uxas.

    Uma verdadeira matriarca de uma das famílias mais temíveis do universo DC.

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  5. OLHA ALGUEM PODERIA ME ESCLARESCER UMA COISA? LI Q DARKSEID ERA UM SOLDADO NA CORTE DE UM IMPERADOR INTERGALACTICO ASSIM COMO ELE SE TORNARIA SECULOS MAS TARDE. E Q ESSE IMPÉRIO FOI DESTRUIDO POR DOOMSDAY (Q FORA CRIADO EM KRYPTON ANTES DESSE PLANETA SER CIVILIZADO. DEPOIS DARKSEID DEU O NOME DE APOKOLIPS P/ SEU MUNDO POR CAUSA DE DOOMSDAY.

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  6. DARKSEID É!!!!! E assim ele foi quando o conheci corrompendo todos aqueles que subjulgou em séculos e colocando contra a Legião dos Super Heróis. Triste saber que valorosos guerreiros teríam um fim tão cruel nas mãos desse vilão. Mas somente ele tem capacidade para tanto. E o reboot vem acentuar a imçortância dele e dos Novos Deuses (vide as ligações com a MM, Liga da Justiça e as tragédias na Terra 2). E o R.G. vem nos brindar com este que com certeza é o maior que a DC já produziu.

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  7. Darkseid é o maior vilão da DC Comics. O único que traz algum perigo real ao universo repleto de criaturas heróicas quase divinas deste universo fantástico. A razão pela qual sou fascinado por Crise Final. A razão pela qual sempre me lembrarei da insossa Legião dos Super-Heróis para toda a eternidade é Darkseid. Na tentativa de criar alguém com o porte destritivo do maior dos vilões deram a luz ao Antimonitor… que piada. Darkseid É. Escrever com paixão talvez seja o que torna os textos de Rodrigo Garrit tão bons! Dá pra sentir até nas virgulas o amor dele por esses personagens. Estou sempre lendo e aprendendo com você ( mesmo quando não tenho o tempo ou a energia para comentar após um dia cheio e corrido de trabalho). Parabéns!!!!!

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    1. Valeu meu amigo, eu sei que as vezes é dificil comentar tudo, participar de tudo, te entendo perfeitamente… mas só de saber que está aí, acompanhando e torcendo a favor de tudo, além de é claro produzindo de forma extraordinária como você faz, já faz tudo valer a pena! Abraços!

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  8. Começamos a ler a origem de certos personagens, heróis ou vilões sejam, e muitas vezes parece que são tirados de contos mitológicos. Não só pela origem em si, mas igualmente pela forma como são descritos os desenvolvimentos. A tal “musicalidade” da frase, o embalo do parágrafo, enfim. Garrit tem esse dom, o da palavra escrita, e presenteia-nos com tal, a nós, felizes afortunados.
    Mil vidas a Rodrigo Garrit!

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    1. Carlos, eu fico sem palavras diante de um elogio assim…. só me resta agradecer e dizer que fico imensamente feliz por existir pessoas como você que se se interessam e compartilham do prazer de falarmos das coisas que gostamos….ainda mais isso vindo de você que é um artista competentíssimo. Mil vidas a Carlos Rocha!

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    1. Essa história tem ainda muitas ramificações e pontos obscurecidos, como por exemplo a ligação entre a ascensão de Desaad ao receber seu nome divino e sua associação com Uxas… bem como a participação do personagem na transformação de Izaya no Pai Celestial, mesmo que involuntariamente… enfim, é muita mitologia, e aos poucos vamos destrinchando esse fascinante Quarto Mundo!

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  9. Ao contrário da origem do Galactus, nunca acertaram com a origem do Darkseid. Mas acho que em parte é culpa de uma certa falha do próprio Jack Kirby ao criar o personagem. Ele o fez humano demais para um deus, com direito à família e tudo, e isso infelizmente não se traduz numa boa origem.
    A origem do Darkseid deveria se resumir a “DARKSEID É!”. Nada mais importa.

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  10. EDITORIAL SANTUÁRIO :

    Segunda – Arte do devoto

    Terça – Fabulosos Vingadores #4

    Quarta – O Questão III

    Quinta – O que aconteceria se…

    Sexta – BATMAN!!!

    Sábado – Umas Tiras da Pesada!

    Domingo – O Quarto Mundo de Jack Kirby!
    o

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