O Transponível Super Empty

1Quem pode preencher o vazio que existe no coração dos homens? O Super Empty pode… (talvez).

Por Rodrigo Henry Garrit

Embora eu já tenha tido o inconveniente de ler algumas obras nacionais muito fracas, algumas vezes tenho a sorte de me deparar com alguns livros em quadrinhos brasileiros de qualidade excepcional. Este é o caso de “O Transponível Super Empty”, de Luciana Pessanha e José Carlos Lollo. O livro é voltado para crianças, mas qualquer adulto de bom gosto vai devorá-lo em questão de minutos.

Imagine o desafio de escrever um livro voltado para o público infantil, onde são levantadas tantas reflexões sobre o vazio interior que existe em cada um de nós; e mostrar que nem sempre isso precisa ser uma coisa ruim. Não é fácil escrever uma obra infantil sem ser infantilizada a ponto de subestimar a capacidade de raciocínio e compreensão dos pequenos. Mas transmitir mensagens e agregar valores enquanto entretém, sem ser didático, chato e robotizado, é algo que beira a genialidade. Existe no Brasil, uma tradição de excelente qualidade na literatura infantil, de Monteiro Lobato a Ziraldo, mas essa dupla não tão conhecida de autores cativou este adulto que vos escreve com a sua forma inteligente e respeitosa de se dirigir as crianças.

Publicado pela Editora Planeta, o livro, todo ilustrado na linguagem dos quadrinhos, conta as divertidas aventuras de Super Empty, um inusitado super-herói que tem um grande vazio no peito… literalmente! O que é bom, por que as balas passam através dele, (embora palavrões possam deixa-lo magoado) e ainda existe o inconveniente dele dificilmente se apaixonar, pois o cupido tem certa dificuldade em atingi-lo…

Essas e outras situações muito engraçadas fazem valer essa deliciosa leitura, que conta a história desse jovem que sofria com um terrível buraco no peito, mas ao descobrir os livros, encontrou um novo mundo, onde ele poderia ser o que quisesse… até mesmo um super-herói!

“O Buraco na Substância”

O Super Empty  também tem seu próprio panteão de super amigos, que costuma frequentar o Bar da Justiça; entre eles o “Testa de Ferro”, “Inversão Térmica”, “Grand Cru Boudeaux (safra 62)”, “Brocha Humana”, “Invisível Mascarado”, “Axé Woman”, “ The Silver Banana”, Forty-Eight-Pencil-Color-Box” e o Coelhinho das Trevas.

Outro fator muito positivo é que ele não é retratado como algumas sátiras que já se tornaram clichês quando se fala de super-heróis brasileiros: uma versão empobrecida e fracassada dos heróis americanos, sempre envolvido com situações de humor escrachado e de cunho sexual.

Mas por que “Super Empty”? Ele não podia ter um nome em português? Os próprios autores questionam:

Mas por que será que todo super-herói tem que ter nome em inglês? Por que ele não se chama Supervazio, com um símbolo ‘º’ no peito? Seria tão mais brasileiro, contemporâneo e matemático! Por que esse nome colonizado? O que o Ariano Suassuna vai achar disso”?

Mas a grande verdade é que o protagonista é um herói bem diferente de todos os estereótipos… certo, ele tem mesmo um nome em inglês… e sim, ele tem uma letra “E” no peito (ela fica flutuando no vazio do peito dele), mas ao mesmo tempo, ele prefere dialogar a sentar a porrada nos inimigos. Discutir racionalmente os problemas dos super-vilões a destruir meia cidade em batalhas cinematográficas. Não é muito “superprodução”, mas com certeza bem mais civilizado. Tanto que sua maior vitória, foi descobrir que não é preciso que haja um herói para salvar as pessoas dos buracos de suas vidas… basta que elas mesmas aprendam a olhar por eles e tentar enxergar o caminho certo. Um buraco vazio pode ser uma janela por onde é possível descobrir outras possibilidades, outras respostas… e outras pessoas com vazios ainda maiores que o seu… com as quais você pode aprender e ensinar.

Tem filhos? Sobrinhos? Afilhados? Não importa. Senta com eles para ler esse livro. A recompensa não tem preço.

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12 comentários sobre “O Transponível Super Empty

  1. Oi Henry,
    Eu estava procurando uma imagem do SE no Google, pelo celular, para mostrar a uma amiga que não o conhecia e me deparei com esse seu texto tão lindo sobre o livro.
    Muito obrigada por gastar seu tempo escrevendo sobre o nosso super-herói.
    É muito bom encontrar um texto desses tantos anos depois.
    Um beijo grande e tudo de bom para você.

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  2. Pessoal quero agradecer a todos vocês que gostaram da matéria e comentaram aqui e no grupo do Facebook… muito obrigado mesmo, vocês com certeza são parte importante no preenchimento do vazio do MEU peito… 😉

    E um agradecimento especial para GLAYCE que foi a pessoa que me deu esse livro de presente… te amo, maninha!!!!

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  3. Fiquei curioso em conhecer esse novo herói! “Sua maior vitória, foi descobrir que não é preciso que haja um herói para salvar as pessoas dos buracos de suas vidas… basta que elas mesmas aprendam a olhar por eles e tentar enxergar o caminho certo.” Cara, já quero esse livro pra mim!

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  4. Garrit
    Que “da hora” cara , a gente abriu o site horas atrás para atualizar o layout e o que vimos? Uma das matérias mais sensacionais já vistas no Santuário, a sexta-feira ficou mais maravilhosa para nós…to encantado com o Super Empty! Esse vazio no peito todos nós temos, mas ele não impede o Super Empty de lutar pela verdade e a justiça! Sempre tentando levar um lero e trocar uma idéia com o vilão antes ! LINDO. Parabéns !!!

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  5. Meu Deus! Ainda bem que isso existe, digo, um blog que dá espaço ao Super Empty e uma pessoa que o traz até aqui, com seu (nosso?) ENORME vazio no peito! Vou arrumar um pra minha filha, enquanto lia a matéria imaginava ela lendo o livro pela primeira vez, depois mais velha redescobrindo ele num baú ou caixa esquecida, depois já adulta lendo de novo e anos depois presenteando o velho Super Empty para meu neto enquanto ele olha para aquela coisa estranha feita de papel… Viajei séculos com o SuperEmpty, já me emocionei antes de ler!

    Henry, hoje vc foi o MEU HERÓI! ! Três gargalhadas para o Henry Garrit!

    hahah
    hahahah
    hahahahahaha

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