Resenha literária: “O Livro do Cemitério” de Neil Gaiman!

arte sacra

neilO Santuário orgulhosamente apresenta a resenha de “O Livro do Cemitério”, no qual vida e morte são separadas por portões velhos e enferrujados, um assassino está a espreita, e antigos poderes há muito adormecidos voltam à tona para proporcionar aventura a uma vida rodeada de morte…

Por Rodrigo Garrit

Você conhece a história de Mogli, o menino lobo não é? Longa metragem de animação famoso e recorrente nas histórias infantis. Nascido do romance “O Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, nos mostra as aventuras de um menino que é criado por lobos.

Mas, e se ao invés de selva, fosse um cemitério? E se ao invés de lobos, fossem fantasmas e outras criaturas sinistras?

A resposta a isso está em “O Livro do Cemitério”, de Neil Gaiman, com ilustrações de Dave McKean. A dupla já realizou diversos trabalhos juntos, entre eles a ótima Graphic Novel “Mr. Punch

Neil Gaiman tem o raro dom de conciliar de forma bem sucedida situações bizarras ao mundo infantil, agradando os fãs de ambos. Ele é uma espécie de Tim Burton, que nos fez amar um estranho ser com tesouras no lugar das mãos.  Seguindo essa linha tênue entre a pureza e aberração, Gaiman nos traz seu Livro do Cemitério, onde  somos apresentados a trágica história de um bebê que consegue escapar de um verdadeiro banho de sangue e do assassino de sua família, alguém identificado apenas como “um homem chamado Jack”. Engatinhando a esmo pelas ruas, ou talvez guiado pelo destino, a criança chega ao cemitério, onde é recepcionado por um casal de fantasmas que se compadece de sua situação. O garoto então é “adotado” pelos fantasmas, que nunca tiveram filhos em vida. Mas claro, existia um pequeno inconveniente: o garoto estava vivo. Como mantê-lo assim ?

Nem só de fantasmas vive (ou morre) um cemitério. Muitas outras criaturas perambulam ocultas. Algumas vivas, outras mortas e ainda aquelas que nem uma coisa nem outra. Categoria na qual se enquadra Silas, que torna-se tutor do menino, providenciando abrigo para ele em um mausoléu abandonado, e provendo-o com roupas e alimento. E também educação, na forma de aulas que ensinam não apenas matemática, mas também alguns antigos feitiços, além de outras “disciplinas”, as quais ele teria com outros fantasmas e afins.

O garoto que sobreviveu segue então o seu destino, e antes que seja feita alguma comparação com um outro certo garotinho inglês da literatura juvenil, vale destacar esse trecho da página 33:

Ele parece meu sobrinho Harry – disse Mãe Abate, e parecia então que todo o cemitério estava prestes a se juntar, cada habitante propondo suas comparações entre o bebê e alguém há muito esquecido, quando a sra. Owens interrompeu.

– Ele só se parece consigo mesmo – disse a sra. Owens com firmeza. Ninguém é parecido com ele. Então se chamará Ninguém, disse Silas. – Ninguém Owens.  

E assim começou a vida do menino, no mesmo local onde a de tantos outros terminou.

Com o consentimento da Dama de Cinza (aquela que todos encontraremos no fim), foi dada ao menino Owens a Liberdade do Cemitério.  Um encanto que permite a ele, embora ainda vivo, perambular como um fantasma, invisível aos olhos dos outros vivos. Mas apenas dentro dos muros do cemitério, já que do portão para fora, ele torna-se tão visível quanto qualquer outro mortal de carne e osso. Ninguém Owens, ou simplesmente “Nin”, aprenderia ainda muitos outros encantos, como o Passeio dos Sonhos, por exemplo, o qual lhe permite se comunicar com outros vivos através seus sonhos.

O livro então vai aos poucos nos mostrando o crescimento e educação do menino e seu relacionamento com os pais fantasmas e outras criaturas… ele vive algumas aventuras empolgantes que quase o levam a se tornar um fantasma de fato. Com sua demasiada curiosidade, descobre os antigos segredos do cemitério e conhece uma menina viva que faz com que ele deixe a segurança do seu lar e procure saber mais sobre o homem chamado Jack, e tentar entender o motivo dele ter matado toda a sua família e de até hoje, ainda estar procurando por ele para terminar o serviço!

Mas por que Nin é tão importante a ponto de ser caçado por uma seita de antigos místicos? Quem é na verdade Silas e qual seu interesse nisso tudo?

Todas as respostas estão nesse belo conto, repleto de poesia e aventura.

“O Livro do Cemitério” foi lançado no Brasil pela editora Rocco e é uma leitura recomendadíssima para os jovens de todas as idades.

Vivos ou mortos.

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13 comentários sobre “Resenha literária: “O Livro do Cemitério” de Neil Gaiman!

  1. Sou apaixonada por esse livro, alias, Gaiman é um dos melhores escritores e sou sua fã incondicional. Não costumo me apaixonar por personagens de estórias, mas graças a ele existe um personagem que é meu sonho, mas é do livro Neverwhere =D

    O Livro do Cemitério é doce, divertido e ao mesmo tempo sinistro! Ótima leitura, rápida e apaixonante.

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