Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 0 – “O Prometeu Moderno”!

2122Continuando a série de resenhas do título produzido por Matt Kindt (roteiro), Alberto Ponticelli (desenhos), Wayne Faucher (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Contém spoilers revelações desmortas sobre a história.

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Por Rodrigo Garrit

Frankenstein é um ser deformado, composto por diversos cadáveres, e animado pela ciência sombria de homem desequilibrado. Mas o monstro horrendo, embora repleto de ódio, dúvida, e força descomunal, nasceu com uma necessidade primária de descobrir quem é, de onde veio… e porque veio. O Frankentein já fez coisas horrendas. E também praticou atos de impressionante pureza. Nisso, ele e os humanos são iguais.

Nesta edição zero do título da DC Comics que pega emprestado o mito do Prometeu moderno de Mary Shelley e o insere em seu universo de heróis Dark, os leitores descobrem detalhes sobre a criação dessa versão do monstro, e conhecem melhor seu famigerado criador, a figura mais próxima que ele já teve de um “pai”: O Doutor Victor Frankenstein.

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Sabemos que Frank é o melhor agente a organização secreta conhecida com S.O.M.B.R.A, mas a misteriosa organização está na ativa há muito mais tempo do que se pensava, e monitorava as ações de Victor, considerando até mesmo recrutá-lo para as suas fileiras. Mas a sua criação provou ser de um potencial muito mais aproveitável. Manipulando seus caminhos, fez com que ele encontrasse sua improvável humanidade, e desabrochou em seu ser um já inato senso de justiça. Mas monstros não caminham impunes pela Terra, não sem sangue e morte ao redor de suas vidas. Victor Frankenstein é mostrado pelo roteirista Matt Kindt como um cientista genial, fazendo-se valer de equipamentos muitíssimo à frente de seu tempo, mas também adepto as artes ocultas, ou pelo menos transitando na tênue linha que separa a magia da ciência. Sua criação foi energizada por um gerador alimentado por almas agonizantes, mortas com toda a dor que se é possível infligir a outro ser humano. O laboratório de Victor era um pedaço do inferno na Terra, a nada nascido de sua loucura doentia poderia estar livre dessa maldição. Mas a vida prega peças, e faz nascer algumas flores nos mais inóspitos terrenos.

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Usando o legado deixado por Victor, a misteriosa organização trouxe a vida a noiva do monstro, a única além dele a sair daquele laboratório de forma bem sucedida. Dentro do possível.

Ao lado da S.O.M.B.R.A., a cria de Victor passou por guerras, enfrentou abominações que o fariam parecer gentil e delicado, e mudou a face do mundo, as vezes em nome da justiça, outras em prol de interesses maiores e menos dignos.

Não existia escuridão grande demais para ele. Não existiam ameaças, sobrenaturais, científicas ou politicas das quais ele não pudesse se livrar.

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Victor refletia a loucura de um homem que desejou brincar de Deus e criar vida com suas próprias mãos, não importando o custo, ou as consequências. Mas quem poderia imaginar que dessa experiência macabra, uma dança demoníaca a cortejar a insanidade, surgiria o monstro mais contraditório da história da literatura mundial? Que outro fim ele poderia esperar para si mesmo, senão ser morto pela própria criação, tal qual os deuses gregos que assassinaram seus pais Titãs?

E essa foi a história de um monstro chamado Victor Frankenstein, e de sua maior criação, a criatura que superou seu criador em termos de caráter de decência.

Roteiro morno de Matt Kindt, embora agitado em dados momentos. Incluir elementos místicos a ciência do Doutor Frankenstein foi quase um sacrilégio, mas ele soube medir de forma equilibrada as doses, e até mesmo tornou um pouco mais perturbadora a forma com sua cria é trazida à vida, não sendo apenas uma colcha de cadáveres atingida por um raio.

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E não, a fala “Ele está vivo, ele está vivo!” não foi usada. Embora seja parte de um elemento clássico, já sofreu bastante desgaste, e Kindt optou por nos poupar da repetição.

A arte de Alberto Ponticelli como sempre é monstruosa. E para aqueles que ainda têm dúvida: isso é um elogio!

Falando em elementos clássicos, essa história poderia ter tido momentos em preto e branco, evocando a essência dos filmes antigos do personagem. Mas dispensar as cores deslumbrantes de Jose Villarubia não me pareceria mesmo uma decisão sensata.

Kindt vem me surpreendendo com roteiros bem construídos, e ainda considero que ele começou substituindo muito mal seu antecessor, Jeff Lemire, mas parece estar mais à vontade com o personagem agora. Ainda não é o tipo de história que eu esperaria ler, mas ele tem seus méritos.

Até o momento, a Panini ainda não se manifestou sobre a continuidade da publicação desse título por aqui, que teve revista própria por apenas dois números e continua interrompida desde então. Uma compilação desse material na sua linha “DC Terror” nos moldes do que eles fazem com Etrigan e os Cavaleiros Demoníacos seria bem vinda.

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S_Final

A VERDADEIRA GÊNESE DO MONSTRO:

Em 1815 o Monte Tambora na ilha de Sumbawa, na atual Indonésia, entrou em erupção. Como consequência, um milhão e meio de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, deixando o ano de 1816 sem verão no hemisfério norte.

Neste ano, Mary Shelley, então com 19 anos e ainda com o nome de solteira Mary Wollstonecraft Godwin, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão a beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron. Forçados a ficar confinados por vários dias em ambiente fechado pelo clima hostil anormal para a época e local, os três e mais outro hóspede, o também escritor John Polidori, passavam o tempo lendo uns para os outros historias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês.

Eventualmente Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron escreveu um conto que usaria em parte mais tarde na conclusão de seu poema Mazzepa. Inspirado por outro fragmento de história de Byron desta época, Polidori mais tarde escreveria o romance “O Vampiro”, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. Porém, passados vários dias, Mary Shelley ainda não conseguira criar uma história. Eventualmente ela veio a ter uma visão sobre um estudante dando vida a uma criatura. Essa visão tornou-se a base da história de Frankenstein, a qual Mary Shelley veio a desenvolver em um romance, encorajada pelo seu futuro marido.

Desta forma, é curioso notar que o Frankenstein e o Vampiro vieram a ter sua gênese literária na mesma ocasião.

Shelley relatou sua versão da gênese da história no prefácio à terceira edição de seu romance.

Frankenstein by Mary Shelley

Quer MUITO MAIS? Clique nos links abaixo para ler TODAS as espetaculares resenhas anteriores!!!

Frankenstein # 01

Frankenstein # 02 e 03

Frankenstein # 04

Frankenstein # 5

Frankenstein # 06

Frankenstein # 07

Frankenstein # 08

Frankenstein # 09

Frankenstein # 10

Frankenstein # 11

Frankenstein # 12

TARDIS

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7 comentários sobre “Frankenstein: Agente da S.O.M.B.R.A. # 0 – “O Prometeu Moderno”!

  1. Como todo cientista louco,esse Victor Frankenstein é muito…louco!Gostei de mais essa resenha sobre a revista,Rodrigo!

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    1. Obrigadão Jorge… a loucura do Victor é talvez a mais conhecida, e ele provavelmente foi o pioneiro dos cientistas loucos… o ruim é que ficou aquele bordão chato e repetitivo: “Ele está vivo! Ele está VIVO!!” rsrsrs

      Abraços!

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  2. Ótima resenha!
    Seria legal ver este título no mix Dark, mas agora já tá tarde pra isso e também a revista vai virar bimestral, então pode ser que a Panini reúna histórias do título para um encadernado.
    Muito curiosa a origem da história do Frankenstein.

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    1. Valeu… essa ideia do encadernado é ótimo, a Panini lançou alguns materiais de gosto bem duvidoso, será que sou só eu que sou louco, não tem mais ninguém que curta o título do Frankesntein?

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  3. Mais uma grande matéria sobre o Frankenstein-agente da S.O.M.B.R.A.,mostrando que o Victor Frankenstein é pior do que se sabia…de quebra a história do romance criado pela genial Mary Shelley!

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