Steve Jobs, Tablets, Animações e Maçãs!

steveNão quero que vocês pensem nisso apenas como um filme, um processo de conversão de elétrons e impulsos magnéticos em forma de figuras e sons. Não. Vejam bem. Estamos aqui para fazer alguma diferença no universo. Senão, por que estar aqui? Estamos aqui para criar uma nova consciência, como artistas ou poetas. É assim que devem encarar. Estamos reescrevendo a história do pensamento humano”.

Disney Pixar

Por Rodrigo Garrit

Com essas palavras, vemos o ator que interpreta Steve Jobs abrindo o filme “Pirates of Silicon Valley”, de 1999. Ele se dirigia a Ridley Scott, o diretor do primeiro comercial do Macintosh, computador revolucionário da Apple. O Filme faz um paralelo com a obra “1984” de George Orwell, onde mostra um “futuro” regido por um governo totalitário e opressor, e se tornou um clássico.

Eu tinha uma noção de quem era Steve Jobs. Claro, difícil qualquer pessoa interessada em tecnologia nunca ter ouvido falar dele, apesar de não ser um astro de rock ou do cinema, ele era sim uma celebridade. Ou o mais próximo que um executivo, inventor, criador e gênio nerd pode chegar disso. Mas eu vou confessar, certos aspectos da biografia dele eram ignorados por mim, até pouco tempo antes da sua morte. Ultimamente, até por conta desse momento de transição pelo qual passam os quadrinhos, e a suposta nova forma de se comercializar os mesmos no formato digital, comecei a pesquisar melhor sobre essa maravilha tecnológica chamada “tablet”, comparei várias marcas, modelos, sistemas operacionais, tamanho de tela, velocidade de resposta ao toque… será mesmo viável ler meus quadrinhos preferidos numa tela? A grande vantagem a princípio, é claro, foi a questão do armazenamento, afinal, para quem tem um armário lotado de cima a baixo com todos os tipos de gibis colecionados ao longo dos anos, a simples possibilidade de liberar esse espaço seria uma benção muito bem vinda… principalmente para as pessoas que NÃO leem gibis e convivem comigo… e se isso seria benéfico para mim, imagine para pessoas que têm galpões inteiros de gibis? Certo, essa coisa dos galpões são uma minoria, mas a verdade é que todo colecionador de quadrinhos convive com esse dilema do espaço para o armazenamento.

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Mas será que um tablet substituí a sensação de ter um gibi nas mãos… virar as páginas, sentir o cheiro da tinta… certo, agora fiquei parecendo oficialmente bem obcecado. Mas o fato é que eu pretendo sim experimentar essa nova forma de leitura digital. Ainda não escolhi qual tablet devo usar, mas em minhas pesquisas, me deparei com o Ipad da Apple… e Steve Jobs. A mente por trás da máquina. E quando se aprofunda na história desse cara, não tem como não sentir essa grande admiração e respeito pelos seus feitos. Steve Jobs foi um gênio sim, mas mais do que isso, foi um cara de coragem. Não é como se ele tivesse tido ideias fantásticas e as guardasse para si dentro de uma garagem escura, cheio de medos e receios. Ele acreditou em si mesmo, lutou pelo que acreditava, sofreu várias derrotas, mas não desistiu… ele seguiu em frente… enfrentou gigantes, e no fim, tornou-se ele mesmo o maior dos colossos.

Como havia largado a faculdade que cursava, Steve Jobs decidiu assistir a aulas de caligrafia que eram oferecidas pela universidade. Na época, eram espalhados posteres e etiquetas por todo o campus, escritos com uma bela caligrafia. Steve aprendeu sobre fontes com serifa e sem serifa, e sobre como variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras.

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Mesmo que aparentemente nada disso tivesse muita utilidade, Jobs aplicou o conhecimento adquirido nas aulas ao criar o primeiro computador Macintosh. Esse foi o primeiro computador com uma tipografia bonita, fontes múltiplas e proporcionalmente espaçadas. Provavelmente, se Steve Jobs nunca tivesse frequentado essas aulas, nenhum computador teria uma tipografia maravilhosa como hoje.

Em 1974, ele começou a trabalhar na Atari com o objetivo de juntar dinheiro para fazer seu retiro espiritual na Índia. Jobs era “Zen Budista” e a viagem à Índia parece ter mexido mesmo com Jobs. Além de ter se dedicado ao Budismo, o fundador da Apple também aproveitou a ocasião para experimentar o LSD. Ele parece ter gostado da experiência e chegou a afirmar, sobre o alucinógeno: “uma das duas ou três coisas mais importantes que eu já fiz em minha vida.” Ao voltar de sua viagem, Jobs retornou ao seu emprego na Atari e ajudou a desenvolver o jogo “Breakout”.

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Ele chegou a cogitar se dedicar integralmente ao Budismo, abrindo mão dos negócios e vivendo como monge em um monastério do Japão, mas foi dissuadido da ideia e deu sequência ao seu trabalho como empresário. Trabalhou na Hewlett-Packard onde conheceu Steve Wozniak. Em 1974, de volta à Califórnia, passou a fazer parte do clube de Wozniak, o “Homebrew Computer Club”.

Decididos a criar uma empresa dedicada a vender computadores pessoais, conseguiram US$ 1,3 mil depois de venderem seus bens mais preciosos. Jobs se desfez de sua Kombi e Wozniak, de sua calculadora científica HP. Em 1976, começaram a comercializar o Apple I por US$ 666. No primeiro ano, as vendas alcançaram US$ 774 mil. Um ano mais tarde, depois de ampliar a empresa e conseguir mais dinheiro através de empréstimos e capital de risco, a Apple apresentou o Apple II, seu primeiro computador pessoal com interface gráfica, que logo se tornou um grande sucesso.

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Em 1986, Steve Jobs comprou a “The Graphics Group” por 5 milhões de dólares, mudou seu nome para Pixar, e deu mais 5 milhões de dólares para que a empresa fizesse experiências com animação, com um investimento de 10 milhões de dólares, fato que foi considerado pela Total Film, em 2004, como “a sexta decisão mais idiota da história do cinema”. Mas o fato é, a Pixar se estabeleceu como uma empresa sólida de animação: ganhou 28 prêmios da Academia, o famoso Oscar, seis Globos de Ouro e três Grammys, e muitos milhões. Em 1995, depois de anos perdendo dinheiro, é lançado seu primeiro grande sucesso “Toy Story”, considerado o filme de animação mais bem sucedido da história, perdendo somente para sua continuação, “Toy Story 3”. Nesse ano, Toy Story recebeu indicações de Melhor Música Original e Melhor Roteiro, e um prêmio especial, o “Special Achievement Award”, entregue para John Lasseter pelo desenvolvimento e inspiração aplicados em técnicas que tornaram possíveis o primeiro longa animado.A maioria das pessoas que assistiu aos filmes “Toy Story”, “Vida de Inseto” e “Monstros S.A.” pode não imaginar que por trás deles estava Steve Jobs – uma participação mais que especial que ajudou a impulsionar e revolucionar a animação que conhecemos.

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A Pixar nasceu como uma divisão da Lucas Films, a empresa de efeitos especiais de George Lucas, responsável pelos efeitos dos filmes “Guerra nas Estrelas”. Produções consideradas revolucionários no final dos anos 70.

Toy Story arrecadou 362 milhões de dólares no mundo todo. A distribuição do filme foi realizada pela Disney, que havia realizado uma parceria com a Pixar em 1991 para pequenas animações, o que foi uma grande motivação para Steve Jobs não revender a empresa na época.

Onze anos depois, a Disney comprou a Pixar por 7,4 bilhões de dólares e Jobs passou a ser o maior acionista individual da empresa. Ele era o maior acionista da Disney, com 7% das ações da empresa  em sua propriedade.

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No famoso discurso na Universidade de Stanford, Jobs disse:

Às vezes a vida te bate com um tijolo na cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me fez continuar foi que eu amava o que eu fazia. Você precisa encontrar o que você ama. E isso vale para o seu trabalho e para seus amores. Seu trabalho irá tomar uma grande parte da sua vida e o único meio de ficar satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único meio de se fazer um grande trabalho é amando o que você faz. Caso você ainda não tenha encontrado, continue procurando. Não pare. Do mesmo modo como todos os problemas do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer relacionamento longo, só fica melhor e melhor ao longo dos anos. Por isso, continue procurando até encontrar, não pare

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No mesmo discurso ele disse ainda:

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir pro Céu não querem morrer para chegar lá. A morte é o agente da mudança da vida, limpando o velho para trazer o novo”.

E finalizou, mencionando uma publicação chamada “The Whole Earth Catalogue”, de Stewart brand, um Almanaque da contra cultura dos anos 60 de onde ele retirou o ensinamento que lhe mostrou a importância de se manter sempre aberto ao aprendizado, as experiências e com humildade de reconhecer a própria ignorância: “Fiquem com fome, fiquem tolos”.

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Gibis em Tablets? Quem está pronto para o próximo passo?


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11 comentários sobre “Steve Jobs, Tablets, Animações e Maçãs!

  1. Tem algum tempo que leio meus quadrinhos no iPad e foi uma das melhores coisas que fiz na vida, falta experimentar LSD.

    O Estêvão Trabalhos era foda!

    (Estou postando este comentário de um iPhone.)

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    1. Crid, seu comentário foi perfeito, você é justamente um reflexo do que o futuro próximo nos reserva… só me tira uma dúvida, ler no Ipad é confortável MESMO? (Detesto ler qualquer texto muito longo na tela do computador).

      Quanto a parte do “O Estêvão Trabalhos era foda!” não entendo o que quis dizer? Acho que você usou LSD sim e não percebeu é isso mesmo? rs

      Só teria sido melhor se tivesse postado do Ipad, mas do Iphone tá valendo também…! 😉

      Abraços!

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    1. Certamente não era um novo messias, um novo “Buda”… gostava muito de dinheiro e fez por merecer o seu… com certeza muito esperto, cheio de manias e atitudes questionáveis, mas ainda assim admirável por suas criações…

      Abraços!

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  2. Assim como no caso da Amy, virou moda idolatrar o Jobs agora que elemorreu mas a verdade é que ele realmente foi um gênio e que bom que existiu.

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