O MYSTERIO DA GARRA CINZENTA !!!

garraEste é um momento muito especial, pois não é todo dia que se pode falar sobre aquela que é considerada a primeira HQ de terror do Brasil. Uma coleção de histórias que ficaram na história.

Por Rodrigo Garrit

Esse mysterioso personagem já deu as caras aqui no Santuário, numa das mais terrificantes Sextas Malditas já publicadas. Se quiser conferir, benza-se e clique aqui.

Publicada originalmente na Gazetinha (que também foi a primeira casa de personagens como Superman e Fantasma no Brasil), era um complemento do jornal A Gazeta e tinha o formato de uma história semanal de apenas uma página, o que já era muito comparado as tiras de três ou quatro quadrinhos costumeiros. Teve forte influência dos “pulp” americanos e segundo estudiosos no assunto,  influenciou a publicação de outros personagens estrangeiros na Itália (Kriminal e Satanik) e nos EUA, o Blazing Skull (Caveira Flamejante) da Marvel Comics. Era o inconsciente coletivo viajando pela linha invisível da imaginação e tocando as mentes criativas ao redor do mundo no mesmo período de tempo, sem limites ou fronteiras. Mas esse é apenas um exemplo de uma teoria lançada por Alan Moore no documentário “The Mindscape of Alan Moore”, que não vem ao caso agora.

Teria o “Caveira Flamejante” da Marvel sido influenciado pelo Garra Cinzenta?

Com roteiros de Francisco Armond e arte de Renato Silva, “Garra Cinzenta”, além de uma leitura deliciosa é uma preciosidade imensurável. Um dos grandes mysterios fica por conta do autor, Francisco Armond. Sabe-se que usava esse nome como pseudônimo, e nunca revelou-se ao grande público. Existe uma suspeita que nunca foi de fato confirmada. Especula-se que tratava-se da jornalista e poeta Helena Ferrz de Abreu, ocultando-se para evitar o preconceito existente na época contra uma mulher escrevendo quadrinhos, e pior, de terror!

Não me aprofundarei aqui na fascinante história dessa história, isso pode ser encontrado pelo leitor na caprichada edição de capa dura publicada pela Conrad, com texto fantástico de Worney Almeida de Souza, um verdadeiro documento histórico de valor incalculável das raízes quadrinhisticas brasileiras. Uma viagem inspiradora ao passado, numa semana em mergulhei de cabeça em vários filmes de Mazzaropi (que completaria 100 anos de idade este ano) e Charles Chaplin, dois mestres distintos e unidos pela genialidade imortalizada nas projeções de cinema e sonhos que semearam em suas carreiras. E tudo isso ao som de Dalva de Oliveira, num “intercâmbio” cultural e atemporal inesquecível entre minha avó e eu.

Renato Silva (1904-1981), desenhista de A Garra Cinzenta publicou o manual “A Arte de Desenhar Histórias em Quadrinhos”. Na imagem podemos ver os comparsas do Garra, Flag e a Dama de Negro.

A Garra Cinzenta é um sinal de morte. Aqueles que recebem seu cartão, estão com os dias contados. Uma série de crimes e assassinatos assombra todo o país, fazendo desse criminoso um verdadeiro mito urbano. Cabe ao Inspector Higgins desvendar o mysterio e dar um fim aos actos do facínora.

E não penses que por tratar-se de uma história publicada entre 1937 e 1939 seu enredo será ingênuo ou pueril; o mysterio sobre a identidade e o motivo dos crimes da Garra Cinzenta não são meramente lançados ao acaso, eles têm consistência e uma razão de existir e funcionar em favor da história.

Confesso que fui narcotizado ao entregar-me a essa leitura, mas sou duro de roer, meu velho. Em alguns momentos dessa experiência surpreendi-me com a desfaçatez desse velhaco, cujas barbaridades rivalizam com as de vilões que nasceriam décadas depois. A maldade, pelo que pude constatar, não envelhece.

“Será dono do mundo quem tiver a chave”. Mas não queira ter a chave do sombrio laboratório secreto de torturas e ciências ocultas da Garra Cinzenta. Um lugar que ele apelidou de “Mansão da vida e da morte”, repleto de passagens secretas que levam a labirintos ocultos em enormes galerias sob a cidade, onde armadilhas mortais são encontradas e podem ser a última coisa que um bisbilhoteiro incauto pode descobrir. Mas se sobreviver a eles e insistir em percorrer os sinistros corredores infectos de puro mal, poderão vislumbrar algumas celas da verdadeira fábrica de monstros mantida pelo “Homem-Caveira”, como alguns também se referem ao Garra. Então, não será surpresa esbarrar em múmias e autômatos assassinos de puro aço e maldade, frutos de uma distorcida e maculada alchimia medieval e de suas terrificantes experiências.

A “Fábrica de Monstros” incluí um feroz espécime gigante de “Homem-Macaco” e uma combinação maligna de robótica com engenharia genética, que gerou seu perturbado ajudante chamado “Flag”, que não pode falar ou exprimir sentimentos… apenas enterra-los dentro de si e libera-los na forma de sua fúria assassina e incontrolável… além de outras surpresas bizarras.

Gênio do mal, Garra Cinzenta usa todo seu intelecto de brilhante cientista experimentando mutações dolorosas em seres humanos…. e não poupa requintes de crueldade contra seus inimigos e todos aqueles que obstruírem seus planos.

O objetivo máximo desse maquiavélico criminoso é reproduzir e aperfeiçoar a fórmula do “Licor da Vida” de Nostradamus… o segredo mais bem guardado e nunca revelado dos grandes alchimistas, e até mesmo negado por eles: o dom de reverter a morte. Um objetivo que pode estar bem próximo de ser alcançado na figura de sua mysteriosa Dama de Negro… e que ele não vai parar de tentar obter, não importa quantos mais tenham que morrer, não importa quantos cadáveres mais ele tenha que roubar…

Durante toda a narrativa somos iluminados com a sensatez e proeza do Inspector Higgins, que além de grande detetive, parece não ter medo da morte ou de dar sua vida em troca da solução desse mysterio.

Terias essa coragem?

S_Final

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19 comentários sobre “O MYSTERIO DA GARRA CINZENTA !!!

  1. não influenciou autores americanos, o que acontece é que não acharam outro exemplo nas HQs de personagens usando símbolos de caveira, esse é um dos maiores hoaxes do quadrinho nacional, quando que o importante são as obras.

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  2. Não há inconsciente coletivo nenhum, Alan Moore é só mais um dos plagiadores do quadrinho nacional! Garra Cinzenta foi crimosamente plagiado assim como muitos outros super-heróis e personagens brasileiros. A divulgação desses personagens é importante, mas a valorização tem que ser ainda maior.
    AQB – AÇÃO DO QUADRINHO BRASILEIRO

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    1. Bom, sinceramente não acho que o autor inglês tenha tido qualquer contato com quadrinhos brasileiros, muito menos da década de 30, sendo assim não poderia plagiá-los, mas quem sabe? Nunca subestime uma boa teoria da conspiração. Eu sei que infelizmente existem muitos ótimos quadrinhistas brasileiros que insistem em copiar o trabalho dos americanos… isso sim desvaloriza a produção nacional. Enquanto os quadrinhos brasileiros não descobrirem a sua própria identidade, vão ficar à margem dos estrangeiros. Eu mantenho a mesma postura de sempre, não gosto de quadrinhos nacionais, gosto de quadrinhos de qualidade, não importando sua origem. Não vou me tornar um bairrista xenofóbico como alguns estrangeiros… apesar deles terem se rendido a qualidade do trabalho dos desenhistas brasileiros.

      Um abraço!

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  3. Essa matéria é pra calar a boca dos que desvalorizam a produção nacional! Material de 1ª ambientada nos áureos tempos da sociedade cristã brasileira que tem como protagonista um vilão realmente mal! O Brasil tem ótimos autores e desenhistas, o que falta é divulgação desse material ao público. Excelente iniciativa Garrit!

    🙂 SANTUÁRIO: Cultura, a gente vê por aqui!

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  4. Salve o Garra! Alguns anos atrás, Emir Ribeiro colocou o Garra como o vilão na segunda edição de Raio Negro e Velta, mas em uma história pequena não houve muito espaço para explorar melhor o personagem.

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  5. O próprio Nilson levantou essa bola, “Homem Macaco Gigante” ??? Garrit , você teria o e-mail do profissional e muito admirado por mim Garra Cinzenta ? Preciso saber se ele não pode me dar essa criatura para minha coleção (ele anda sumido, talvez não queira mais, esteja ocupando espaço e dando trabalho) ou quem sabe ele possa fazer um pra mim!!!

    VIVA O QUADRINHO NACIONAL !!! O Garra Cinzenta é o nosso rei!

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  6. Toda a marca da literatura pulp, passada aos quadrinhos ^^. Bem clássico do inicio das HQs de ação e aventura, inspiradas por figurassos como o Fantomâs original (de 1911), o Morcego Negro e o sinistro Doutor Morte, assim como heróis como o Morcego Dourado (Ogon Bat) e o Sombra.

    Não sei o porque, mas a Mascara em si me faz pensar na personificação da peste em “Masque of the Red Death”, ou no Fantasma da Ópera… Ou com mais força, no Caveira Vermelha original, do Doc Savage, de 1933. Coisas da época, eu acho.

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  7. Foi o que eu li muito bem???: Homem-macaco??? Esse passou em branco pelo seu cativeiro, ó grande tratador e catalagador de símios???
    Tive xontato com esses personagens pela Conrad e sem sombra de dúvida mais uma vez mostrando que os brasileiros sempre estiveram na vanguarda do terror mundial.

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