Zombie World de Mike Mignola – Sobre Vermes e Monstros!

mignolaResenha de “Zombie World – O Campeão dos Vermes” da Dark Horse Comics, publicado no Brasil pela Editora Pixel.  Mike Mignola assina o roteiro e Pat McEown a arte.

Por Rodrigo Garrit

Apague as estrelas e pinte a Terra de preto. Eu só permitirei uma luz brilhante no meu império de morte… minha rainha“.

Um feiticeiro adorador dos deuses vermes que viveu cerca de 42 mil anos atrás e quase provocou o apocalipse ao trazer os mortos de volta a vida foi trancafiado vivo em uma tumba por misteriosos místicos atuando em favor da humanidade. Nos tempos atuais, sua tumba é encontrada e levada a um museu, onde esse terrível feiticeiro, Azzul Gotha, tem finalmente a oportunidade de terminar o que começou eras atrás.

É uma época pré-Hellboy para Mike Mignola, mas ele já tinha todos os esquemas de terror montados na sua cabeça. Com uma grande influência Lovecraftiana e seu próprio toque pessoal, concebeu um conto de terror que deu início ao assim chamado “Mundo Zumbi”, e que explica o motivo da existência dos mortos-vivos nessa série, dando margem a publicação posterior da mesma linha. O que Mignola fez foi dar o grande pontapé inicial que originou uma série de histórias que mais tarde seria tocada por vários artistas diferentes e teria vida curta dentro da editora Dark Horse.

Pat McEown é um grande artista, mas não para histórias de terror. Seus desenhos cartunescos são muito bons, mas não combinam com a história… funcionaria bem numa HQ mais leve, e embora o roteiro de Mignola para essa história não seja dos mais assustadores, perdeu ainda mais credibilidade com sua arte infantilizada (“tintinesca” como Mignola diz no posfácio da edição, em alusão personagem francês Tintin). O fato das capas e algumas artes internas terem sido desenhadas por Mignola, nos mostram o que essa HQ poderia ter sido, e que talvez ele devesse ter considerado desenhá-la de fato.

Mignola mostra um de seus trabalhos mais fracos, mas ainda assim, consegue prender a atenção e concede ritmo e agilidade para a história e seus personagens. A equipe de “especialistas” contratada pelo museu para investigar os estranhos acontecimentos funciona muito bem e renderia uma boa equipe de investigadores do sobrenatural  com direito a um título próprio se fosse aproveitada posteriormente por Mignola ou outro escritor de qualidade, o que infelizmente não foi o caso.

Quando falo em influência Lovecraftiana no roteiro, estou cometendo o eufemismo do ano. Todos os monstros são claramente alusões as criaturas de H.P. Lovecraft… até mesmo a coroa ritualística de Azzul Gotha possui uma escultura muitíssimo similar as descrições de Cthullu, provavelmente o mais famoso dos “Antigos” de Lovecraft, embora Mignola tenha preferido não mencionar isso na história.  E não digo isso de forma pejorativa… por mim, ele deveria adaptar toda a obra de Lovecraft, eles têm tudo a ver e Mignola É O CARA. Mas no caso de Zombie World as semelhanças terminam por aí. A história não tem nem de longe a profundidade da obra de Lovecraft ou a preocupação de tentar tornar crível sua mitologia assustadora. Quem adquiriu essa edição acreditando se tratar de uma história fechada, pode se decepcionar, em termos. Ela é o estopim do que viria acontecer depois, e ao contrário de outra grande HQ de zumbis, The Walking Dead, que faz um grande mistério sobre a razão dos mortos terem se levantado, Zombie World já explica tudo logo de cara, e não é um dos motivos mais originais ou interessantes do mundo. Nenhum das sequencias dessa história chegou a ser publicada no Brasil, e considerando sua vida breve nos EUA, dificilmente será.

O grande problema a meu ver, foi que a história não aconteceu porque Mignola tinha uma grande ideia, ou mesmo o desejo profundo de fazê-la. Ela foi feita apenas para tentar criar uma linha de publicações zumbi dentro da editora… e o próprio Mignola, admitiu não ser muito entusiasta do tema.

Valeu a tentativa.

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17 comentários sobre “Zombie World de Mike Mignola – Sobre Vermes e Monstros!

  1. Cara, sou um grande fã do Mignola e mesmo esta não sendo a melhor obra dele eu achei legal hehe
    E ainda tenho minha meta nerd de ter tudo o que saiu no Brasil do Hellboy e relacionado a ele. hehe
    No momento estou esbarrando nos preços sem noção da Mythos, mas pelo menos tenho toda a primeira fase do personagem, até ele sair do BPRD.:D
    Abs meu

    http://www.palitosnerds.blogspot.com

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  2. Quem já leu Hellboy muito dificilmente se deixa levar por outros artistas a desenhar as histórias de Mignola, sem ser o próprio Mignola.
    Assim sendo, e logo nesta premissa, esta história estava condenada ao fracasso. Isto para além de se colar muito ao mundo de Lovecraft, mostrou logo os trunfos todos no início, ou seja ficou sem mistério.

    Acho que fizeste uma crítica mito certeira, é isso mesmo que eu penso sobre “Zombie World”!
    😉

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  3. Sempre tive curiosidade em ler, mas agora, ao saber que o que foi publicado aqui é apenas um primeiro volume, e que os outros podem nunca sair… Deixa pra lá. Só se achar beeeeeeeem baratinho em algum sebo.

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    1. Lexy, apesar dessas edições se passarem no mesmo contexto criado por Mignola para o Zombie World, são HQs fechadas e assinadas por artistas diferentes, não sendo necessariamente continuação uma da outra, utilizando-se até personagens diferentes, e até podem ser lidas separadamente numa boa, então essa edição da resenha pode de certa forma ser considerada uma história fechada…

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      1. Peraí, deixa eu ver se entendi: Lá fora foi uma série de mini-séries, é isso? Mas cada mini é um arco fechado?
        Mas ela deixa pontas soltas, como nas histórias do Hellboy?

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