Agora imagine Neil Gaiman recriando o Universo Marvel em 1602!

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angelOu: “Onde os mitos de hoje provam que existem onde e quando são necessários, repletos em sua bravura e heroísmo”.

Uma resenha da série “Marvel 1602” em sua versão encadernada reunindo os oito números que a compõem. Texto de Neil Gaiman, arte de Andy Kubert e cores de Richard Isanove, com capas de Scott McKowen. Arte adicional da dimensão negra por Steve Ditko.

Este artigo contém spoilers revelações alternativas sobre vidas passadas.

Por Rodrigo Garrit

“Quanto a para onde vamos, nosso destino é uma escola, que chamamos de santuário. É lá que nosso mestre e professor responderá às suas perguntas”.

“ E estaremos a salvo do mundo lá”?

“ Sim. Talvez. Por algum tempo”.

Scotius Summerisle e o Anjo. 

Cerca de 300 anos antes do nascimento do universo Marvel como o conhecemos, alguns de seus mais ilustres representantes surgiram, e embora seus nomes, hábitos e costumes esteja sutilmente alterados, em essência, ainda é possível reconhecer neles seus sósias do século XX. Uma terrível ameaça de proporções cósmicas está prestes a decretar o fim de tudo que o que existe… não apenas do nosso universo, mas de toda a Criação. Uma anomalia no tempo causou um estrago quase irremediável nas bases primordiais da realidade, e para salvar tudo o que existe, foi preciso que a natureza adiantasse o surgimento de seus heróis… e consequentemente seus vilões.

Da Latvéria, o Conde Otto Von Doom tece seus planos malignos, e almeja roubar um “tesouro sagrado” dos templários, que pode ser a chave da salvação ante o fim de tudo. Em seu castelo, ele mantém Os Quatro Viajantes do Navio Fantástiko em cativeiro. Longe dali, na corte da rainha Elizabeth, Sir Nicholas Fury, seu fiel chefe de espionagem, já sabe sobre o vinda do tesouro, que precisa ser entregue aos cuidados do médico real, o doutor Stephen Strange. Ele, por sua vez, tem tido visões que ligam o apocalipse a jovem Virginia Dare, que recentemente aportou no Velho Mundo em companhia de seu amigo e protetor, o índio norte americano loiro conhecido como Rojhaz. Sir Nicholas Fury (sempre acompanhado de seu empenhado ajudante, o jovem Peter Parquagh) pede que seu agente de confiança, um bardo irlandês cego porém muito habilidoso chamado Matthew Murdoch vá ao encontro do ancião que transporta o tesouro dos templários, missão com a qual ele conta com a ajuda daquela que é conhecida como a mulher mais perigosa da Europa, a enigmática Natasha. Em visita ao “Colégio Seleto do Mestre Carlos Javier para os filhos da Sociedade”, Sir Nicholas Fury alerta seu amigo, o Professor Javier, de que quando a rainha Elizabeth cair, seu sucessor ao trono, James da Escócia, não será tão tolerante com os diferentes e não se esforçará em conter as tochas da inquisição contra aqueles que nasceram anormais, os assim chamados… Sanguebruxos. O que inclui alguns dos melhores alunos de Javier, que treinam suas habilidades na escola e empreendem verdadeiras jornadas mundo a fora a fim de salvar e oferecer abrigo a todos os Sanguebruxos perseguidos pela santa inquisição. Mas Javier e seus pupilos, mais do que os outros, estão plenamente preparados para enfrentar o futuro.

Acima e ciente de tudo, um ser de origens inimagináveis observa atentamente a tudo. Mas ele será capaz de intervir? Quando chegar o momento, o destino se encarregará de reunir esses heróis surgidos antes do seu tempo correto e uni-los em prol do bem maior?

E isso será o suficiente?

Neil Gaiman teve mesmo a pachorra de recriar o universo Marvel em 1602. E não é que fez isso magnificamente bem? Claro, não esperem Sandman… até porque, esse foi o objetivo dele.  Mas algo inovador e surpreendente? Pode ter certeza.

Vale lembrar que Gaiman só aceitou escrever essa série para a Marvel porque precisava do dinheiro para usar na batalha judicial contra Todd McFarlane na questão dos direitos autorais do personagem Marvelman. Saiba mais.

1602 é uma história difícil de ser contada, e admiro a coragem de Gaiman em se propor esse desafio. Encaixou os mais famosos personagens da Marvel no contexto da época, inserindo-os de forma tão harmoniosa nesse universo, que em dado momento, é possível relaxar e reconhecer ali todos os nossos heróis, apesar das roupas antiquadas e das falas pomposas.

Claro que existem algumas falhas… foram muitos personagens, muitas tramas que dão a impressão de não serem totalmente aproveitadas. Nesse caso, o erro de Gaiman foi nos mostrar tudo o que poderia ser feito, embora numa mini série de oito partes (como foi publicada no original), seria inviável de se mostrar. Mas mesmo essas falhas e a distância que existe entre alguns personagens e os motivos pouco prováveis de interagirem entre si, são perdoáveis. Temos alguns diálogos muito bons, as vezes fazendo referência ao universo Marvel habitual e outras tiradas de puro sarcasmo atemporal, especialidades de Gaiman.

Analisando friamente, a existência de alguns mutantes não alteraria muito o resultado final da batalha contra o inimigo principal, e a presença deles parece não ter uma razão muito funcional até certo momento, mas Gaiman conseguiu lidar bem com isso, encontrando utilidades para cada um, de modo que no fim das contas, todos tiveram a sua contribuição. Independente disso, QUE BOM que ele usou os mutantes! Algumas das personalidades mais marcantes estavam ali, mesmo que tenham tido uma participação pequena na história, como Henry McCoy, o adorável falastrão, ou o pequeno triângulo amoroso formado por Scotius, Anjo e John Grey (!?)

Uma história sobre o passado e o futuro do universo Marvel, sobre o valor do heroísmo, bom caráter e a força de nossos espíritos…

Omnia mutantur, nos et mutamur in illis” – Todas as coisas mudam, e nós mudamos com elas.

Aprovado e abençoado pelo Santuário, caros devotos. É para ler rezando.

S_Final

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NA SEMANA ANTERIOR, AQUI NO SANTUÁRIO

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13 comentários sobre “Agora imagine Neil Gaiman recriando o Universo Marvel em 1602!

  1. Mas uma vez o Santuário com o papel de disseminar o conhecimento sobre grandes obras. Caras, o quê esperar disso? Claro que, criatividade e inovação, pois essas são umas das características do Gaiman.

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  2. Tenho essa série em encadernado aqui em casa. Não vou dizer que achei lindo/maravilhoso, mas é legal.

    Não gostei muito da morte da Jean no final. O Gaiman poderia ter evitado esse clichê.

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  3. Deu vontade de passar na casa dos meus pais só prá ler essa maravilha denovo. E daí que ele fez pela grana? O Miller também o fez em DK II. Mas aí vai uma grande diferença entre os dois!!!!

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