O Estranho Beijo de Warren Ellis: “I am Providence”

kiss“Strange Kiss”, ou”Estranho Beijo”, foi um projeto de Warren Ellis para a editora americana  AVATAR PRESS, publicada no Brasil em 2003 pela extinta Pandora Books, sob várias acusações de pirataria, as quais não cabem a este artigo julgar, tampouco condenar. A quem interessar possa, o assunto foi amplamente divulgado na época, inclusive com a ótima entrevista que o site UNIVERSO HQ fez com o então editor da Pandora Books, Maurício Muniz.

Este artigo contém spoilers.

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Por Rodrigo Garrit

Mas vamos de Warren Ellis e suas peripécias quadrinhísticas. “Estranho beijo” não foge à regra. Ele tinha 32 anos de idade quando essa história foi lançada nos EUA, conforme ele deixa escapar na introdução. Se comparado ao Warren Ellis de hoje, já consagrado após tantos trabalhos realmente dignos de nota, dentre os quais eu poderia citar Authority e Planetary (uma verdadeira obra prima dos quadrinhos e também a sua maior auto-homenagem), “Estranho Beijo” está bem aquém do que se esperaria hoje em dia de Ellis, mas apesar da velha e batida história sobre alienígenas invasores de corpos, existem ali vários momentos interessantes e de puro terror, que vai agradar em cheio todos os fãs do gênero. Espere muitas cenas nojentas de mutilação e corpos sendo despedaçados, além da crueldade com a qual os invasores usam suas vitimas, que também é de embrulhar o estômago.

Os desenhos, infelizmente não contribuíram muito com a história… o estilo de Mike Wolfer (apesar da valiosa ajuda de Dan Parsons e seus tons de cinza) é ao meu ver inapropriado para o estilo de narrativa proposto por Ellis, além de em vários momentos lembrar aqueles planos padrão usados por estudantes iniciantes de desenho. É verdade que ele consegue dar forma a algumas cenas realmente nauseantes (não por serem mau desenhadas, mas pelo contexto violento em que acontecem), mas na maior parte do tempo fica a impressão de se tratar de um artista amador ainda com muita técnica e estilo próprio a adquirir.

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Strange Kiss foi publicado originalmente em 1999. É possível que seu estilo hoje seja bem mais maduro.

As referências ao personagem “Cthulhu”, da obra do cultuado escritor de terror americano H.P. Lovecraft existem e enriquecem, porém são exploradas apenas no fim da HQ e sem toda a polpa e circunstância merecida pelos “Antigos”.

Para os que desconhecem a obra, fica a dica: procurem por “O Chamado de Cthulhu” do autor, que entre outras coisas é o criador do mito do Necronomicon (Do grego: O Livro dos Nomes Mortos).

Mas não espere tanta profundidade na história de Ellis. Alías, outra dica: nunca espere demais em obras baseadas na mitologia deixada por H.P. Lovrecraft. Nem que ela tenha sido escrita por Alan Moore. (Ei, e ele fez isso mesmo! “Neonomicon“, minissérie em quatro partes que Moore escreveu para a mesma Avatar press de Strange Kiss. O barbudo admitiu ter aceitado esse trabalho para pagar suas dívidas de imposto de renda…)

Essa edição reúne os três números da série original “Strange Kiss”, que no Estados Unidos teve ainda outras séries interligadas, como Strange Kisses, Strange Killings e uma série chamada Gravel, com o Major, mago e agente secreto criado em Estranho Beijo. Ele é de uma linhagem milenar que combate ameaças sobrenaturais. Me lembrou um pouco o “Doutor”, personagem que Ellis usaria com maestria na série The Authority, e claro, também John Constantine. Alías, com algumas pequenas alterações, essa história se tornaria facilmente uma aventura padrão Constantine em seu título Hellblazer.

A história prende, graças a habilidade nata de Ellis, mas analisando profundamente, é evidente a falta de compromisso com o roteiro, que segue por uma enxurrada de eventos tão estapafúrdios que soam como um grande deboche do autor para com o genêro, os leitores e ele mesmo.

A contra capa da edição brasileira menciona que a HQ faz algumas coisas que não se vê em nenhuma outra revista em quadrinhos. E é verdade. Mas expor órgãos sexuais masculinos em avançado estado de decomposição, apesar de não ser algo que se veja todo dia, não faz disso um novo clássico do terror em quadrinhos, por si só.

Mas a imagem ainda fica na cabeça algum tempo depois.

S_Final

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18 comentários sobre “O Estranho Beijo de Warren Ellis: “I am Providence”

  1. Uma boa hq do Ellis, mas eu achei muito parecido com Arquivo X, e acabei não curtindo muito, porque, durante a leitura, ficava martelando na minha cabeça a ideia de “já vi isso em um episódio da série”, mesmo que a escatologia do Ellis nunca tenha aparecido nas aventuras de Mulder e Scullt.

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  2. Li Estranho Beijo esperando um ápice, uma virada decente na história, mas nada que realmente me agradou aconteceu. A arte fraca e sem personalidade desanimava… Enfim, tudo isso ajudou a transformar esse material em uma de minhas opções de troca no Sebo no mesmo dia…

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  3. BOA HENRY! FAÇO AS PALAVRAS DO INTELIGENTE E SAGAZ VENERÁVEL VICTOR VAUGHAN AS MINHAS.
    A ÚNICA DIFERENÇA É QUE WARREN ELLIS, ME FEZ CONTINUAR GOSTANDO DE HQS!

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