Mulher-Hulk: A Musa de John Byrne!

_0004_Midgardshe-hulkResenha da Graphic Marvel “A Sensacional Mulher-Hulk”, com roteiro e arte de John Byrne e arte final de Kim DeMulder

AVISO: Este artigo contém baratas e spoilers.S_Final

Por Rodrigo Garrit

Ela precisa fugir de um porta aviões aéreo em queda livre, enquanto é perseguida pelos agentes da Shield ao mesmo tempo em que tenta proteger civis inocentes, especialmente seu namorado… tudo isso usando trajes sumários ou simplesmente nua.

E sim, é mesmo tão divertido quanto parece!

Jennifer Walters é uma advogada de sucesso, tem um namorado bonitão, e é cobiçada e invejada por muitos… ela é uma super-heroína, parte integrante do Quarteto Fantástico, tem 2,20 de altura, 294 quilos, olhos… cabelos… e pele verde. Ela pode erguer um caminhão com o dedo mindinho. É prima de Bruce Banner. Mas também é muito mais do que isso. Ela é a sensacional Mulher-Hulk!

Devido aos problemas de descontrole apresentados pelo Hulk na época da publicação dessa história, a Shield decide investigar a versão feminina e descolada do gigante esmeralda, muito a contragosto de Nick Fury, que decide “lavar as mãos”. O comando vai sendo delegado até membros menos escrupulosos da organização, o que faz com que o que deveria ser apenas uma investigação amistosa torne-se um sequestro brutal em meio ao East Village, onde agentes vestindo armaduras de combate investem pesado contra a verdona estonteante, que resiste bravamente mas acaba sendo teleportada  para a base da Shield junto com seu namorado Wyatt e alguns transeuntes que estavam próximos ao ataque.

Não bastasse os óbvios problemas burocráticos internos da Shield entre outras arbitrariedades que culminaram na clara violação dos seus direitos civis, ela foi submetida ainda a alguns constrangimentos desnecessários, dentre os quais ser revistada nua diante de uma equipe de agentes extasiados, e coagida a permitir invasivos testes e análises clínicas, aos quais ela foi obrigada a aceitar para preservar a integridade física de Wyatt e dos outros civis… sendo em seguida jogada exausta numa jaula, como uma aberração perigosa.

Como desgraça pouca é bobagem, um dos pedestres transportados para o porta aviões da Shield estava infectado por uma ninhada de baratas radioativas inteligentes, capazes de controlar hospedeiros humanos ao penetrar seu corpo através do contato boca a boca.

John Byrne é apaixonado pela Mulher-Hulk, isso é público e notório. Desde que ele pôs as mãos nela, ela deixou de ser a “Selvagem”, para ser tornar “Sensacional”… colocou-a como substituta do Coisa durante sua elogiada e espetacular passagem pelo título do Quarteto Fantástico, e fez com que ela se se tornasse uma das mais queridas e admiradas personagens da Marvel.

Essa história tem uma premissa simples, porém é muito contundente em sua simplicidade. Eu explico: não temos aqui um roteiro elaborado, repleto de reviravoltas ou tiradas geniais… mas é delicioso ver como ele retrata o cotidiano de uma  mulher verde com mais de 2 metros de altura, que chama atenção por onde passa, faz um tremendo sucesso com os homens… e adora tudo isso. Embora possa controlar a transformação e mudar sua forma para a da advogada sem graça, ela passa o tempo todo como Mulher-Hulk, por opção. Ao contrário da criatura irascível que seu primo se tornou, Jennifer vê sua mutação como uma dádiva e está muitíssimo feliz exercendo o papel de heroína. E esse é um dos pontos que faz essa história ser significativa para a personagem.

Essa HQ é um divisor de águas para ela, uma brusca e bem vinda mudança nos rumos que viria a tomar pela frente. Para evitar uma catástrofe que ceifaria milhares de vidas, ela se expõe a níveis altíssimos de radiação. Embora seu poderoso corpo seja perfeitamente capaz de resistir sem nenhum dano, ela perde o dom de reverter à forma humana. E agora, ela se vê obrigada a ser eternamente a Mulher-Hulk, não tendo mais o poder de escolher ser normal. Dizem que só damos valor as coisas depois que perdemos… e embora ela tenha lidado com isso de forma extremamente otimista, sabe em seu íntimo que alguma coisa preciosa se perdeu para sempre.

Byrne é daqueles artistas que dispensa apresentações, a menos que você tenha começado a ler quadrinhos ontem. Ele é um veterano, já tendo trabalhado com praticamente todos os grandes personagens da Marvel e DC, sempre deixando sua marca e uma legião de fãs. Seu traço é uma referência e serve de inspiração para as próximas gerações de grandes artistas.

A Sensacional Mulher-Hulk é uma história com muita ação, humor, sensualidade e uma boa dose de humanidade. É impossível não se apaixonar pela personagem ou não se deixar envolver pelo seu carisma, cultivado com tanto cuidado por Byrne.

E uma ótima lembrança do motivo dos quadrinhos existirem: diversão!

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Na semana anterior, aqui no Santuário…

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40 comentários sobre “Mulher-Hulk: A Musa de John Byrne!

  1. Faz muito tempo que li essa hq e como era/sou fã dos trabalhos do Byrne, gostei dos textos.Uma pena que hoje em dia pra apreciar os trabalhos do Byrne, tem de ser importando comics ou baixando scans, uma vez que ele não trabalha atualmente pra nenhuma das 2 grandes (DC e Marvel).
    Abraço.

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  2. Reli essa graphic novel mês passado! O argumento é esse mesmo: eram historias divertidas,… hj em dia, falta um pouco disso, e quando você se da conta de que só vê isso atualmente em HQs do DEADPOOL, começa a ver que que talvez os super-heróis se levem à serio demais.

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  3. A Mulher-Hulk é uma excelente personagem e Byrne mimou-a sim.
    Esses arcos que apresentas sãomuito bons e ao mesmo tempo, como bem dizes, são um ponto de viragem na vida dessa verdoca. Gosto bastante dele pela simples razão de que tem carisma, não é bruta tipo animal Hulk, e consegue ser muito feminina apesar da pele ser verde.
    🙂

    Abraço

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    1. Jonh Byrne é o “Shakespeare” dos quadrinhos, com a talento de um Da Vince, e a Mulher Hulk é sua Monalisa… opa, gente, calma… é brincadeira… Byrne não é Deus… parem de construir esse templo em homenagem a ele!! rs

      Falando sério, a verdade é que os quadrinhos devem muito ao talento desse artista… sua Mulher Hulk é apenas um exemplo da grande obra que ele deixou. Atualmente ele tem deixado muito a desejar, mas o objetivo aqui é lembrar as coisas boas que ele fez, e não das ruins.

      Abraços!

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  4. Essa Graphic Marvel está num lugar de ouro no meu armário, possivelmente foi a primeira que comprei e junto com “Triunfo & Tomento” do Roger Stern e Mignola (também lindamente resenhada por você), a do Homem Aranha (esqueci aqui o nome, mas é alucinógica), “A saga do Monolito Vivo” e a dos X-men do Chris Claremont : “Deus ama o homem mata”, fez parte de um momento maravilhoso dentro da editora. No caso da MULHER HULK, John Byrne tinha um caso de amor com a Jennifer, só pode!!! E que bom, pois ninguém nunca mais deu o valor que essa heroína merece dentro da editora. Sim eu acho ela a maior da Marvel! Também tenho que gritar aqui: MAKE MINE MARVEL!!!

    Ah… Aproveitando o ensejo, por quê não indicar o site mais interessante sobre o HULK e seus amigos???

    RADIAÇÃO GAMA: http://radiacaogama.blogspot.com.br/

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  5. E foi aqui que a Mulher-Hulk mudou o rumo de sua vida!!! Quando encontrou o mestre John Byrne (sou tiete do cara mérmo, e daí!!!???? Por causa dele eu ainda sou fissurado nessa coisa de quadrinhos!!!!) que colocou o seu traço minimalista e também fez dela uma personagem divertida (em primeiro para suprir a metade comédia do FF e depois porque incrustou o humor na personagem!!!). Lembro da última coisa que li dela (Civil War) e vi uma mulher dividida, amargurada. Tão diferente da mulher com quem eu me divertia tanto. Sinceramente não gostei!!!!
    Mas essa lembrança que o Rodrigo nos colocou me fez voltar no tempo. Como domingão é dia de eleição, devo passar o dia de amanhã na casa dos meus pais (pois infelizmente trabalho no Domingo “servindo a nação”). Vou aproveitar prá rever essa pérola, entre outras!!!!
    Valeu mesmo Garrit por trazer esse momento tão bacana prá nós!!!!

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    1. Nilson, o prazer é todo meu de compartilhar essa pérola com todos! Em vez de perder tempo com imensos textos falando mal de artistas, pessoalmente prefiro buscar aquilo de melhor que eles fizeram e deixaram. Infelizmente, algumas pessoas têm uma ideia errada de que falar mal de tudo e todos faz você parecer mais inteligente… o que é uma bobagem. É preciso muita inteligência para criticar uma obra de forma contundente sem levar para o lado pessoal… tenho observado isso em várias mídias e vejo que pouquíssimas pessoas conseguem fazer essa diferenciação. Também sou fã do Byrne, e embora ele tenha feito trabalhos bem mais fracos do que nos seus áureos tempos, só consigo me focar nas coisas boas que deixou… martelar na cabeça das pessoas que uma coisa é ruim, apenas evidencia o óbvio, é contraproducente e não ajuda em nada a melhorar o quadro atual dos quadrinhos. Enfim… eu tenho a felicidade de ver essa visão ser compartilhada por todos aqui no Santuário, sempre buscando ver as coisas com otimismo e mesmo quando criticamos algo que não gostamos, é de forma madura, sem ofensas pessoais. Nossa intenção é manter ou construir um público leitor de quadrinhos, não ajudar a afundar de vez o barco. Obrigado por estar com a gente nessa, amigo!

      Abraços!

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  6. Cara, que nojo desse lance das baratas mutuárias ou sei lá o que XDDD

    E ainda acho a She Hulk algo bizarro demais! 😄

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    1. Verdade, Letícia, ainda adverti no início da matéria sobre a presença dessas nojentinhas rastejantes para poupar aqueles de estômago mais frágil… hehe… Quanto a Mulher Hulk ser bizarra… sei lá, na verdade ela é sim, claro… mas nunca tinha pensado nisso desse jeito… para quem era fã da Estelar dos Titãs, outro mulherão, e ainda por cima alienígena, uma mutação de pele verde não choca tanto… rsrsrs…

      Abraços!

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  7. Excelente post, ainda mais que passei o dia todo lendo gente descer a lenha no Byrne. Comprei na época e sempre levava essa graphic pro banheiro… muita boa a Mulher-Hulk! =)

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    1. Eu posso até não gostar de alguns dos trabalhos atuais do Byrne, mas ninguém nunca vai me ver faltando com respeito a pessoa dele, nem menosprezando tudo de bom que já fez pelos quadrinhos. Essa Mulher Hulk substituiu muitas “playboys”… hehehe…

      Abraços!

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  8. Essa história é boa do começo ao fim, mas existe uma coisa muito forte que torna a narrativa tão interessante o prazer, alegria, satisfação de Byrne em desenvolver a personagem.

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