Batman: A Morte e o Retorno de Bruce Wayne. Até o fim dos tempos!

 

Ou: “O mais interessante sobre o Batman, é que ele pensa em tudo”.

ATENÇÃO: Este artigo REVELA TODOS OS SEGREDOS!

Por Rodrigo Garrit

Esta é a trajetória do retorno de Bruce Wayne de volta ao manto do Batman, após os eventos cataclísmicos da CRISE FINAL.

O Santuário investigou os acontecimentos e ordenou cronologicamente o quebra-cabeças maluco do Grant Morrison. Esse é retorno do Batman original. E tudo começou… assim…

A Mansão Wayne foi projetada por Nathan Van Derm para Darius Wayne em 1795. Vista de cima, ela forma a letra “W”. Porém, se juntássemos a trilha da cripta de Alan Wayne com o caminho para o jardim fúnebre, a imagem que se forma é a de um morcego.

Na planta da construção da mansão existe uma sala secreta escondida sob um macabro jardim cuja sombra se projetaria ao longo do tempo e além dos mortos. A mansão existe há mais de duzentos anos, e o sistema de cavernas é usado desde a idade da pedra. O ambiente perfeito para se deixar uma mensagem através das gerações. O terreno da mansão foi construído sobre um labirinto de cavernas associados a tesouros enterrados e personagens como Jeremy Coe – o Pirata Negro, seitas satânicas e o antigo povo morcego.

No interior da mansão existe um corredor com uma galeria de quadros com as pinturas da linhagem Wayne, mas há um espaço vazio entre eles. O quadro que foi retirado, pertencia ao Thomas Wayne de 1760, a ovelha negra da família. Ele liderava uma seita de adoradores do demônio Barbatos, o antigo demônio morcego da tribo dos Miagani. Esse Thomas fez um pacto profano, que lhe concedeu vida eterna, e nos dias de hoje atende pelo nome de Simon Hurt. E a seita de adoradores do demônio Barbatos agora é conhecida como a Luva Negra.

Dentro da mansão, algumas pistas passaram despercebidas por muito anos, simplesmente porque ainda não era o momento de serem percebidas. A constelação de Órion no quadro de Darius Wayne, e o olhar fixo da pintura de Joshua Wayne para a biblioteca. Joshua aparece nesse retrato carregando um livro que se observado de perto, tem o símbolo de um morcego estampado na capa. Na biblioteca, é possível encontrar uma lareira com as três estrelas do cinturão de Órion, em ordem de magnitude. Através da lareira, há uma passagem para uma “Batcaverna secreta”. Em seu interior, há um altar ritualístico. Morcegos pintados em toda a parte, a palavra “Thomas” repetida várias vezes pelas paredes e no centro e em destaque a palavra “Barbatos”. Existe também uma horrenda escultura de um homem morcego de ponta cabeça, numa ala que ficou totalmente preservada apesar do terremoto que ocorreu em Gotham. No centro da sala, existe uma caixa com um entalhe de morcego.  E no fim da sala… está o traje que Batman usava quando foi atingido por Darkseid. Sempre esteve lá. Aguardando o momento certo de ser encontrado…

A última anotação do arquivo de casos inexplicáveis:

Em minhas tentativas para ver claramente na escuridão mais profunda, em meus esforços para chegar até o olho da tempestade da loucura, terei me aberto para alguma fonte do mal absoluto? Eu finalmente alcancei os limites da razão? E encontrei o demônio esperando? E aquilo eram lágrimas em seus olhos”?

Tempos atrás, Bruce Wayne se submeteu a ancestral técnica do Thorgal, onde o iniciado, em termos leigos, aprende o que os mortos sabem. O indivíduo é levado de volta ao seu centro negro e radiante.  O Thorgal é uma prévia da morte. Uma oportunidade de extinguir todos os traços de medo e dúvida da mente.

O Batman pensa em tudo. Ele quis se certificar de que havia experimentado cada eventualidade. Não por acaso, há alguns anos ele aceitou ser voluntário como cobaia em um experimento de total isolamento e privação de sentidos, simulando os efeitos da solidão em voos espaciais. O médico responsável se comprometeu a manter a identidade dele estritamente em segredo. Doutor Simon Hurt.

O Dr. Hurt tinha planos e motivos que até então Bruce nem sonhava. Ele organizou uma onda de eventos que levaram Batman ao seu limite físico e mental. Ele desconstruiu a mente de Bruce, enquanto ao mesmo tempo, o Coringa desconstruía os planos do Dr. Hurt, a quem via como um adversário. O Coringa agiu de forma aleatória, guiado por uma extrema Apofenia.

“Apofenia” é um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica. Inicialmente descrita como sintoma de psicose, a apofenia ocorre no entanto em indivíduos perfeitamente saudáveis mentalmente. Do ponto de vista da estatística é um Erro de tipo I, ou seja, tirar conclusões de dados inconclusivos. Em que um exame pode levar a um resultado falso positivo. Psicologicamente é um exemplo de viés cognitivo. Ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia, como a impressão de ver Jesus em uma torrada. No teste projetivo de manchas Rorschach a apofenia é estimulada com o objetivo de identificar padrões significativos na vida do indivíduo que ele projeta sobre a mancha.

No caso do Coringa, é uma aguda psicose. E tudo envolve morcegos.

Levado ao limite máximo de suas forças, vitima de várias drogas e toxinas alucinógenas e diversos transtornos de várias naturezas, Batman adquiriu uma nova identidade que o protegesse do colapso mental. Surgiu assim o Batman de ZUR EM ARRH, uma “persona de segurança”, elaborada por ele através da experiência com o Thorgal e ativada pela palavra gatilho criada pelo próprio Dr. Hurt durante a experiência de isolamento.

“O Zorro no Arkham”

Vagando pelas ruas, traído pela Jezebel Jet, a super modelo por quem se apaixonou e que na verdade estava mancomunada com Hurt. Atravessando uma onda de crimes. Mentalmente desequilibrado. Tudo parte do plano diabólico de Hurt e sua organização, a Luva Negra. Exaustão da mente. Perda de personalidade. Difamação de entes queridos. Segredos do passado. Mudanças na estrutura do tempo. Entropia. Paradoxo. Enterrado vivo.

Descanse em paz.

Anos de treinamento. Autocontrole. Desaceleração da respiração e metabolismo. Experiência de privação dos sentidos. Thorgal.

Ele saiu da cova renovado. E furioso.

Caçando Hurt até o Inferno se preciso, o inimigo, a peça que nunca se encaixa desde o começo. O buraco nas coisas. Nas palavras dele:  “Eu amaldiçoo a capa e o capuz, como você fará em breve! A próxima vez que você os vestir será a última”!

Perseguição. Helicóptero fora de controle. Queda no mar. Explosão.

Não descanse.

Bruce sobrevive a queda do helicóptero, mas não encontra Hurt.

Começa a Crise final.

Intervalo de tempo entre “Descanse em Paz” e “Sanção Ômega”: 30 dias.

Batman saiu para investigar um deicídio – a morte de um deus. Órion, filho de Darkseid foi atingido em cheio por uma bala de rádion, a única substância capaz de matar os novos deuses de Nova Genesis e Apokolips. Ele recolheu a bala para análise, mas foi atacado e subjugado pela Lanterna Alfa Kraken, que no momento servia de avatar para a Vovó Bondade, dona do orfanato de treinamento e tortura de Apokolips. Ele é aprisionado e levado para a Fábrica do Mal, onde é colocado em uma máquina que o conecta a uma criatura chamada de Tumor, um parasita telepático, que infiltra-se em sua mente roubando lembranças e material biológico.  A máquina controlada pelos cientistas de Apokolips, Sr. Simyam e o Dr. Mokkari gera diversos clones de Bruce Wayne e começa a produzi-los em massa, mas Bruce resiste, gerando uma retroalimentação de energia emocional crua, fazendo os clones arrancarem os próprios olhos, dentro de seus tubos de produção.

Que tipo de homem pode transformar suas lembranças de vida em uma arma”?

Batman consegue escapar e recolhe seu cinto com a bala de rádion. Ele vai ao encontro de um enfraquecido Darkseid, ainda debilitado após vencer a guerra contra Nova Genesis, e habitando o corpo do humano Dan Turpin, já transmutado para sua aparência tétrica.

Não existem meias palavras. Batman dispara a bala de rádion no deus do mal, ao mesmo tempo em que ele lhe atinge com a sanção ômega. Sinos são ouvidos.

Acertei”.

Ao ser atingido pela Sanção ômega, Batman foi arremessado ao passado, e seu corpo foi sobrecarregado com a energia ômega. Suas memórias foram embaralhadas. Restaram apenas algumas pistas e vestígios de quem ele era e será.

O Robin Vermelho nunca deixou de procurar seu mentor. O clone de Bruce estava na base do Comando D, que era usada como uma Fábrica do Mal durante a Crise. Esse clone foi encontrado pelo Superman que acreditou se tratar do verdadeiro Bruce.

A Sanção ômega é por definição uma maldição pior do que a morte. Ela arremessa sua vítima ao passado, obrigando-a a viver diversas vidas de dor e sofrimento, sempre morrendo e renascendo em outra época para sofrer uma vez mais. Uma armadilha infinita que nesse caso, teve um agravante: Darkseid usou a “Caixa Ancestral”, de onde libertou uma criatura horrenda, repleta de tentáculos. Um “Hiperadaptador”, programado para ligar-se à sua vitima e aprender tudo sobre ela, criando a armadilha perfeita através do tempo, sobrecarregando-a ainda com radiação ômega, a qual se acumula cada vez mais a cada nova vida amaldiçoada.

Batman é lançado na pré-história, onde se depara com Anthro, “o primeiro menino da Terra”, já idoso e com a marca de Metron pintada em seu rosto, o que lhe confere proteção contra a antivida e que foi útil a Kamandi, “o último menino da Terra”, que voltou no tempo e pegou com ele essa vantagem para enfrentar a antivida no futuro distante (que não se sabe de qual linha temporal se refere). Bruce está confuso e com suas memórias falhando. Ele encontra uma sonda espacial, com alguns objetos que se deterioram ao menor toque. Mas alguns equipamentos ainda funcionam. Ele grava uma mensagem com suas conclusões para Superman: “Eu sei que você procurará por mim quando tudo isso acabar. Você pode ouvir moléculas se unindo. Sei que ouvirá isso de alguma forma...”. A sonda espacial se torna então, possivelmente a primeira e mais longínqua cápsula do tempo feita pelo homem. Mas de onde veio essa sonda? Continue lendo…

Bruce faz contato com a tribo humana mais próxima. Ele lidera os guerreiros contra uma tribo inimiga, e acaba se tornando o “Homem dos Morcegos”. Nascem assim os Miaganis – O Povo do Morcego – descendentes diretos de Anthro. Mas o Hiperadaptador continua em seu encalço, e o arrasta para a era seguinte, algo próximo da idade média, onde conhece a “bruxa” Annie, conhecedora dos rituais dos Miagani, ela o leva até a caverna do povo oculto, e ele já com a memória bem variada, assume a identidade de Mordecai. Enquanto cuidava de seus ferimentos, Annie jurou que amaria Mordecai até o fim dos tempos. Mas quando foi presa e sentenciada a morte por Nathaniel Wayne, amaldiçoou a ele e a toda a sua família. Até o fim dos tempos.

Bruce é arremessado para águas conturbadas, onde é encontrado pelo pirata Barba Negra – que possivelmente é Vandal Savage, já que esse foi um dos nomes que ele usou durante sua  extensa vida – . Ele acreditava que Bruce fosse o lendário Pirata Negro que o levaria ao tesouro escondido do Povo Morcego, mas tudo que eles encontraram foi o manto que ele usava no momento do combate com Darkseid, emanando pura radiação ômega.

A interferência do Hiperadaptador produz retroativamente todas as coincidências e conexões que constituíram a vida do Batman, daquele momento até o dia da morte de seu pai e sua mãe, e retrocedendo mais, tocando praticamente todos os seus ancestrais.

Toda a linhagem de Bruce foi marcada, enquanto ele pontuava seu caminho de volta deixando pistas através das gerações. Mas não com migalhas de pão, e sim com um símbolo. Tudo tocado por ele virou um mito. Um símbolo de morcego, pintado nas paredes das cavernas pré-históricas e viajando nas páginas de um diário e uma caixa de conteúdo secreto que seriam guardados e protegidos por sua linhagem. Palavras secretas, quartos ocultos e mistérios de família. Foram encontrados símbolos-morcego feitos por homens das cavernas na faixa de terra que liga a Sibéria à Europa, e também em jardins do século 19, pistas que levaram a relíquia, o manto do Batman, impregnado de radiação ômega, acumulando-se através dos milênios até chegar ao século XXI como uma bomba do juízo final, conforme planejou Darkseid.

O TEMPO É A SANÇÃO ÔMEGA

Superman, Lanterna Verde Hal Jornal, Rip Hunter, Gladiador Dourado e Skeets encontram a mensagem de Bruce e partem em busca dele pelo tempo, rastreando a radiação ômega.

Uma agulha num palheiro cósmico”.

Em uma Gotham ainda em seus primórdios e bem ao estilo Velho Oeste, uma caixa marcada com um morcego é encontrada, a acredita-se que ela seja a chave para poderes além da compreensão. Mas ela só pode ser aberta por quem conhece seu segredo. O mercenário Jonah Hex é contratado para matar o Cavaleiro Negro, nova encarnação de Bruce, e cumpre seu objetivo, apesar de sofrer com o remorso pelo seu ato.

Bruce ressurge como um detetive particular numa Gotham Noir, onde investiga o assassinato de… Thomas e Martha Wayne! A Mãe de Martha,  Betsy Kane, acredita que ela foi assassinada pelo marido e que tudo não passou de uma farsa. Segundo Betsy, Thomas teria mandado matar a esposa e simulado a própria morte, cuidando para que seu jovem filho, testemunha ocular do crime, fosse enviado para um colégio interno. Betsy faz parte de um ramo da família que remete aos “Kane”, da qual fazem parte Kathy Kane, atual Batwoman e sua prima Bette Kane, a Labareda. (Ou “Águia Flamejante”, dependendo da tradução).  Bruce descobre a fraude da “cerimônia do morcego”, onde foram usadas imagens de Hurt disfarçado como Thomas Wayne e uma atriz se fazendo passar por Martha realizando rituais profanos, a fim de destruir a reputação deles. Hurt também providencia provas documentais contra os Wayne e o mordomo, além de fotos e cartas falsas. Segundo o enlouquecido Hurt, destruir a reputação é destruir a alma. E tudo faz parte do ritual para alimentar Barbatos. Bruce é aprisionado e colocado como alvo do sacrifício, onde é ateado fogo em seu corpo. Um dos seguidores de Hurt, Carter, rejeita o ritual e entrega a caixa a Bruce, que se liberta das cordas mas é engolfado pelas chamas. Vê-se a sombra de um morcego gigante que eles acreditam ser Barbatos e Bruce é arremessado para outra vida.

Batman surge no Ponto de Fuga, e seu corpo já apresenta limites extremamente perigosos de radiação ômega. Os robôs o recolhem e o preparam para ser infundido à configuração biorgânica a fim de preservar sua integridade. Eles o vestem com o traje de arquivista. Uma sonda é enviada para a pré-história acidentalmente. Essa sonda é o dispositivo Nichols, criado no ponto de fuga e que havia desaparecido em sua viagem inaugural. O sonda tem toda a informação da estação, registro completo da linha cronológica do universo zero. Nesse momento é detectada uma infestação de hiperfauna, classificada como “Máquina Caçadora Assassina Apokoliptika do tipo ‘Maldição’”, que nada mais é do que o Hiperadaptador liberado da Caixa Ancestral por Darkseid para seguir Bruce através dos tempos.

Os “robôs-cactus” conseguem conter o Hiperadaptador mas não por muito tempo, e o tempo do Ponto de Fuga está no fim, caminhando irremediavelmente rumo à entropia.  No Ponto de Fuga tudo acontece em sua condição limite, pela última e mais significativa vez.

Bruce pede que sua memória seja apagada para que não seja acessada pelo Hiperadaptador quando ele se libertar, e que seja mandado de volta a sua época, o que eles fazem ao evoluir o que restou do dispositivo Nichols, que por sinal é a tal sonda que foi enviada à pré-história e encontrada por Bruce.

Logo após a partida de Batman, Rip Hunter e a equipe de resgate chegam ao Ponto de Fuga e observam os monitores que mostram o momento exato do ataque de Darkseid a Bruce. Hunter explica que não podem impedir aquilo que deve acontecer, mantendo a sua rígida postura de não alterar o tempo. Além disso, a carga ômega teria deixado os momentos vivenciados pelo Batman através dos tempos impenetráveis para qualquer viajante do tempo, motivo pelo qual eles nunca conseguiram encontra-lo em sua busca.

Bruce volta ao seu período correto, chegando ao QG da Liga da Justiça usando o traje robô arquivista, sem memória, repleto de radiação ômega e com o Hiperadaptador na bagagem. Ele derruba sozinho toda a Liga, mas hesita ao ouvir Tim Drake. Ele diz ao seu pai adotivo que Darkseid planejou tudo para que culminasse nesse momento, quando Bruce se libertaria da Sanção Ômega, tornando-se uma arma definitiva que abriria um buraco pelo tempo que o engolfaria e o levaria ao completo colapso.

Bruce pede que a Mulher Maravilha o prenda em seu laço, que o compele a dizer somente a verdade. Ele então se lembra de quem é… se lembra de tudo e diz que planejou tudo isso para que pudesse salvar a todos, trazendo o Hiperadaptador ao período dos super heróis, onde seria apenas mais um monstro a ser derrotado. Para isso, foi preciso apagar sua memória para que a máquina não tivesse sobre o que funcionar. Ele enganou o dispositivo mais avançado de Darkseid. Porém, ao recuperar suas lembranças, é imediatamente possuído pelo Hiperadaptador, liberando quantidades absurdas da radiação ômega acumulada. O próprio tempo se contorce e começa a se desfazer. É a vingança de Darkseid em ação.

Superman e a equipe de resgate surgem nesse exato momento de sua incursão no tempo, mas o aparelho de Darkseid avisa que somente a morte do hospedeiro pode detê-lo. O próprio Bruce arranca o traje infestado de seu corpo e ordena que o mesmo seja colocado na esfera cronal de Rip Hunter, onde numa última tentativa de sobrevivência, a máquina usa deu dom de adaptação e se transforma num morcego gigante. A esfera é acionada e ricocheteia pelo tempo, fazendo aparições relâmpago por toda a trajetória do Batman, desde a pré-história em diante. Assim, o Hiperadaptador surge em determinados momentos chave, sempre com a aparência de um morcego gigante. Ele é batizado de “Barbatos” pelos Miagani, e torna-se alvo da adoração da seita que viria a se chamar Luva Negra.

Eu não me surpreenderia se essa aparição fosse justamente o morcego que Bruce viu certa vez entrando pela sua janela, e que o inspirou a criar sua identidade!

Por fim, a esfera cronal cumpre a sua programação, arremessando a arma final de Darkseid direto para o fim dos tempos.

O tempo, no entanto, continua se desfazendo, pois Bruce ainda está impregnado de radiação ômega. Só o fato dele respirar ameaça tudo que existe. Delirando, ele diz que Darkseid está tentando reencarnar no Doutor Hurt…

Os novos deuses são ideias conscientes. Usam armas conceituais, equações antivida e metáforas assassinas. A única solução para evitar a crise final do tempo é matando o Batman.

Depois de dois minutos clinicamente morto, a radiação ômega começa a deixar o corpo de Bruce e se dispersar, mas eles têm pouco tempo para reanimá-lo antes que o processo seja irreversível, coisa que não conseguem fazer mesmo com todo o empenho e os recursos disponíveis. Então, Tim Drake diz saber como trazê-lo de volta. Ele diz que Gotham está com problemas e precisa do seu guardião.

Como um milagre, o coração de Bruce voltou a pulsar, e seu espírito foi restaurado. Os sinos ainda estavam tocando.

Batman estava de volta.

E o Dr. Hurt também. Ele invade a Mansão Wayne em busca da caixa com os segredos de Barbatos. A caixa dos mistérios, o sinal da eternidade… o tesouro secreto dos Miagani. Ele consegue roubá-la, mas não pode abri-la sem danificar seu conteúdo. Ao encurralar Batman (Dick Grayson) e Robin, Hurt se prepara para novamente realizar o ritual de invocação a Barbatos, mas um assovio é ouvido, e a caixa é aberta, para espanto de Hurt. Barbatos não aparece, mas sim o verdadeiro Bruce Wayne, que veio ajustar as contas com ele.

A caixa só podia ser aberta com um comando de voz específico, um assovio – a linguagem morcego perdida dos Miagani. Dentro dela, havia um dispositivo em forma de morcego e um bilhete que dizia “Gotcha” – em algumas edições traduzidas pela Panini como “acertei” e em outras como “te peguei”. Mas o que importa é que foi a última palavra dita por Batman ao atingir Darkseid. A confirmação da sua vitória sobre o mal. “Gotcha”.

Batman e Robin partem numa missão de salvamento à Gotham, ameaçada pelo Professor Porko, e Bruce fica encarregado de Hurt, mas ele havia feito Alfred de refén numa armadilha mortal, e Bruce opta por salvar seu amigo e o deixa escapar…

…mas Hurt dá de cara com o Coringa, nada feliz com toda a repercussão das coisas até o momento. O Dr. Hurt acaba sendo enterrado vivo pelo palhaço do crime que gargalha satisfeito em sua cova. Apofenia.

Com a volta de Bruce, uma nova era se inicia, e ele anuncia publicamente que é o financiador do homem morcego…tem início a Corporação Batman…

… Mas iss é outra história.

 

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38 comentários sobre “Batman: A Morte e o Retorno de Bruce Wayne. Até o fim dos tempos!

  1. Parabéns pelo posto, sensacional !!
    gostaria de pedir, se possível, que mencione os nomes das sagas e ordem de leitura, pois gostaria muito de lê-las na ordem descrita pelo seu texto. mas se for pedir muito, não tem problema, foi um ótimo post !

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  2. Cara, muito show a resenha. Me explicou muito bem toda a complexidade d’O Retorno de Bruce Wayne. Te agradeço muito. Adoro o Batman, mas ando com as leituras bem desatualizadas. Acompanho agora só os encadernados. Coisas da vida.
    Excelente artigo. Valeu mesmo, brother.
    Abraços!

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    1. Obrigado amigo… realmente a resenha ficou longa, pensei até em dividir em duas ou mais partes… mas considerando as reviravoltas e a complexidade do roteiro de Morrison, preferi despejar tudo de uma vez só… sei que isso pode tornar a leitura cansativa, mas foi árduo trabalho de pesquisa, leituras e releituras… acho que consegui organizar a história de uma forma coesa e de melhor entendimento… tudo que o Morrison fez questão de NÃO fazer… rsrs… mas enfim, esse é o estilo dele e sou fã do cara também por causa disso.

      Abraços!

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  3. Quando o Batman estava na identidade detetivesca e sendo oferecido em sacrifício para Barbatos, aquele membro da Luva Negra, o Carter, lhe deu uma caixa que fez com que ele viajasse até o fim dos tempos.

    Caso não tenham lido Batman #700, se trata de um mistério envolvendo viagem no tempo e um cientista responsável pela máquina do tempo, que por um acaso é o Carter! Morrison não deixa escapar nada!

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    1. É verdade, embora tenha sido publicada antes, faz referência direta a esse evento. Reler tudo de novo faz a coisa ganhar outro sentido. Morrison tem muito planejamento para os seus roteiros e isso faz toda a diferença.

      Abraços!

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  4. Grant Morrison é espetacular, sou fã dele desde Homem Animal, a qual pra mim é sua obra- prima. Sua passagem no personagem é um dos melhores momento do Batman nos últimos anos, se brincar, desde Fank Miller na década de 80.
    Ótimo texto!

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  5. Eu curti uma meia dúzia de “melhores posts” aqui, esse agora é o sétimo e a lista continua. Falar de Batman é semore garantia de agradar! Parabéns!

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    1. O Morcegão é mesmo uma quase unanimidade, Fred… apesar de gostar de falar de coisas mais alternativas, de vez em quando não tem jeito, eu tenho que mergulhar no mundo do morcego também. Valeu, abs!!!

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  6. Antes de tudo.Gostaria de agradecer ao Henry,por esse texto incrível.Graças a ele,começarei o meu dia,de uma forma apofinética.O “Bátema” é um dos personagens mais grandiosos da DC comics.Digo isso,sem o menor vestígio de dúvida.Essa opinião tomou forma,após ler:Batma Ano Um e Batma O Cavaleiro das Trevas(nesta,há um dos confrontos mais sensacionais);Ambas escritas por Frank Miller.Eu creio,que todos conheçam a hsitória do morcego.Desde a sua criação,até o momento da construção do personagem,por isso,nâo vou entrar em detalhes.
    Cheguei a comentar:”Vai ser o melhor post”.E não errai,ao redigir essa frase.Parabéns Henry.

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    1. Valeu mesmo Felipe, apesar de eu achar que todos os posts são “o melhor”, a gente faz isso se divertindo muito e é ótimo quando conseguimos agradar nossos fiéis “devotos”. Abs!

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  7. Muito bom! Se o Santuário fosse algo perfeito, deveria haver uma coluna só para se falar de Batman assim como tem do Aranha, não só por ser um personagem do calibre que é mas pela infinidade de histórias, autores, séries, minisséries , títulos e material multimídia que sai do Cavaleiro das Trevas, mas o mundo não é perfeito e o Santuário AINDA não é. Ainda!

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  8. Parabéns Henry, mandou muito bem! Não sou fã do Batman, – deixemos para lá – mas seu texto está bem interessante e lucidador em alguns pontos =D

    Compartilhado!

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      1. Sim sim..mas Batman #107 e Sombra do Batman #17 mostram como os coadjuvantes estão lidando com o retorno de Bruce. É como se fosse um “epílogo” da saga 😀

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  9. EXCELENTE PESSOAL! Parabéns pelo artigo! Essencial para entender o Retorno de Bruce Wayne! Parabéns mesmo! Alguém poderia me ajudar a dizer onde Mestres do Tempo: A Busca por Batman se encaixa na história do retorno? Ah, por fim, as edições relacionados ao Retorno de Bruce Wayne no Brasil:

    Batman #102 – 105, Sombra do Batman #11 – 15, Batman #106 (mostra o que aconteceu com Bruce depois de Batman: Descanse em Paz, durante Crise Final e quando chegou no passado), Batman #108

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    1. Valeu muito Gus, fico feliz que tenha gostado. Perfeita a sua lista de leitura para quem quiser acompanhar o Retorno de Bruce no Brasil. Eu incluiria também Batman 84 só pra dar uma relembrada no fim de “Descanse em Paz”, e fazer o gancho pra Crise Final. Quanto a “Mestres do Tempo” do Dan Jurgens, é uma história legal, divertida, mas não influência em nada… eles meio que preparam o caminho da volta do Bruce, mas é uma busca que não dá em nada.
      Abração!

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  10. Bianca, seja bem-vinda a esta apofenia…

    “E mais uma vez o dia foi salvo graças ao… Coringa?”

    Muito bacana esse artigo GARoto. Explica tudim, tudim!!! Agora não preciso mais de cigarros de orégano para entender as coisas que esse tio inglês escreve, vou recorrer a você. É mais saudável!

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    1. Thanks Broilo… ah sim, qualquer dúvida, pode me consultar, eu atendo de segunda à sexta em horário comercial no meu consultório no Santuário.
      Só um detalhe: o tio em questão é escocês, e pode ter certeza que toma vários chazinhos de cogumelo antes de escrever esses gibis…rs

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  11. Achei excelente, o Morcego é um tesão , poderia ter posto em duas partes mas, domingo quem não está vendo o Faustão tem tempo pra ler aos poucos! beijos! Ah! virei devota já tem um tempo mas só agora percebi que vocês estão também no FACE, está ali grandão na minha cara, vou participar!

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