AQUAMAN “Anual” #1 – “Eu tenho dezessete anos, vovô! Eu preciso ter minha própria vida!”

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por Venerável Victor “tratador de Aqua-macacos”  Vaughan

imagemdecapaAquamanA#1Estaria John Ostrander velho para o trabalho de escritor de quadrinhos? Será que roteiristas têm prazo de validade no que diz respeito à qualidade de seu trabalho? Não necessariamente. Jim Shooter fez um trabalho muito bom recentemente em um arco de três edições com a Legião dos Super Heróis e ele é só alguns anos mais novo que Ostrander.

Aquaman – criador por Paul Norris

Selo-MacacoSe por um lado as premissas de suas histórias costumam ser sólidas, a execução com “mão pesada” feita pelo autor revela nitidamente o quanto ultrapassado em narrativa ele está. Sob sua batuta, Aquaman e os Outros ficam bastante teatralizados, eles são melodramáticos demais para as personalidades introspectivas que sabemos que possuem.

Boa parte do drama da edição se centra no romance proibido e escondido entre Aaron, o neto do personagem: Operativo e Sky, a índia Navarro e nova integrante dos Outros. E é nesse ponto que é revelado o estilo ultrapassado de Ostrander para construir uma narrativa. Obviamente, além do autor se focar nas diferenças culturais e raciais entre os jovens, o casal ainda tem que lidar com o preconceito e atitude super protetora do avô do rapaz, culminado em falas dignas de uma novela brasileira de alguma concorrente da Globo (não posso falar qual seria o canal, vai que alguma hora eu mesmo trabalho nela)…

“Eu tenho dezessete anos, vovô!!! Eu preciso viver minha própria vida!”

Primeiramente o leitor não consegue se importar tanto com esse relacionamento, já que da outra vez que acompanhamos uma aventura dos Outros, não foi plantado se quer alguma pista sobre essa química entre Sky e Aaron, muito menos qualquer menção ao foto que eles viriam a ter algum “affair”. Portanto quando a tragédia aqui se mostra sendo o surgimento de criaturas marinhas e macacos voadores que pretendem separar o casal de pombinhos, o fã do título acaba por torcer para que os macacos tenham sucesso em sua missão.

Aquaman (2011-) - Annual 001-007

Morgana Le Fay é uma escolha inteligente para ser uma vilã da equipe de heróis que possuem poderes e habilidades concedidas por meios sobrenaturais. Ostrander, no entanto sofre bastante para definir ao leitor quais seriam de fato os objetivos da bruxa. O roubo do capacete de Vostok leva a lugar nenhum e uma vez que ela perde o interesse por ele, o roteirista não se esforça nem um pouco para tentar recuperá-lo através de seus heróis – já que esse era o mote inicial dos personagens para a aventura, achar o capacete atlante…

Aquaman (2011-) - Annual 001-026

Suas motivações ecológicas parecem banais e cansadas para esse tipo de personagem, é uma pena. Com o nível de poder que essa feiticeira possui – por sinal, ela é irmã de Madame Xanadu – perdeu-se ali uma ótima oportunidade de mostrar o limite das capacidades e poderes dos Outros contra tal oponente. E a revista termina de forma clichê, mesmo com a traição de um integrante.

Falando nisso, todo a tensão com a índia brasileira Ya’wara pode muito bem exemplificar a raiz dos problemas desse “Anual”. O conflito da guerreira com os forasteiros que tentavam desmatar um setor da Floresta Amazônica e seu relacionamento com o “Espírito da floresta” são fracos e mal desenvolvidos, fazendo com que o investimento do autor em mostrá-los seja desperdiçado na melhor das hipóteses. E o fato de que ela é a única integrante da equipe que sucumbe às tentações de Morgana Le Fey acaba por ser muito pouco convincente. Já que fica muito difícil de acreditar que seu compromisso com sua “terra natal” seja forte o suficiente para superar a lealdade que ela teria por Aquaman e os Outros.

Aquaman (2011-) - Annual 001-013

A arte dessa edição é um verdadeiro balaio de gatos, o que não é de se surpreender já que ela foi feita por dois desenhistas, um bando maior de arte finalistas convidados e dois coloristas diferentes se revezando aqui e ali. É muita falta de uniformidade para uma edição só…

A primeira metade da revista aparenta certa consistência, quase como se tivesse sido feita por um Ivan Reis sofrendo de dores abdominais enquanto desenhava. Mas a segunda parte é onde a coisa realmente fica feia. O estilo alterna entre algo totalmente rudimentar para algo quase digno de profundidade artística. Apesar de muitas vezes fiquemos numa área cinza entre os dois exemplos.

Os Outros foram um dos melhores conceitos que apareceram nessas novas aventuras do Aquaman, mas cada vez que Ostrander mexe com eles muito do que os torna interessantes se perde, assim como o interesse dos leitores por eles como conclusão. Tomara que Jeff Parker, o novo roteirista oficial da revista, saiba lidar de forma virtuosa não só com eles, mas com todo universo de personagens secundários do herói aquático.

capasAquaanual

S_Final

Na semana anterior, aqui no Santuário

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KillBill

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5 comentários sobre “AQUAMAN “Anual” #1 – “Eu tenho dezessete anos, vovô! Eu preciso ter minha própria vida!”

  1. Gostei muito do seu texto venerável Victor. Fico feliz que o Aquaman voltou a ser um personagem de destaque no mundo das HQs. Os desenhos estão muito bonitos. Fond. James Fond.

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  2. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda: Crise Final – A história que não foi contada

    Terça: I wanna ser burro

    Quarta: Diablo III

    Quinta: Aquaman Anual #1

    Sexta: Quadrinhos

    Sábado: Umas tiras da pesada

    Domingo: Quadrinhos

    Tardis

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