Marvelman ou Miracleman? Capitão Marvel ou Shazam?

Bar da Barda

marvelman

Agora é oficial! A Marvel é a dona do Marvelman e vai republicar suas histórias clássicas escritas por Alan Moore e Neil Gaiman, além de concluir o trabalho de Gaiman que estava inacabado até então. A Personagem Ângela agora é parte integrante da Casa das Ideias, e Carol Danvers é a nova Capitã Marvel. Enquanto isso, na DC, o mortal mais poderoso da Terra assumiu o nome do mago que lhe concedeu seus poderes, Shazam. Mas peraí, o que uma coisa tem a ver com a outra?

S_Final

Por Rodrigo Garrit

Tudo começou com Superman. O sucesso do personagem inspirou a criação do Capitão Marvel cerca de um ano depois. Estava consolidada a nova era heroica, com seres superpoderosos, com capa e símbolos em destaque em seus peitorais.

A editora Fawcett Comics foi processada pela National Periodical – futura DC Comics – por plágio, alegando que o Capitão Marvel era uma cópia do Superman. O fato é que o campeão do mago Shazam tinha uma revista que vendia horrores… e todo esse sucesso começou a incomodar. A Fawcett perdeu o processo e foi obrigada a suspender a revista do personagem. Anos depois, a própria DC adquiriria os direitos do Capitão Marvel e o integraria ao seu universo.

Mike Moran, o Marvelman!
Mike Moran, o Marvelman!

Mas o Capitão Marvel era um sucesso enorme não apenas na América, mas em diversos outros países, principalmente na Inglaterra, onde era editado pela L. Miller & Son. Com a suspensão da publicação do personagem, eles temeram perder sua “galinha dos ovos de ouro”, já que além de ter altas vendas, já tinha uma legião de jovens fãs. Numa tentativa se manter no mercado, a editora contratou Mick Anglo, e propôs a ele a criação de um personagem que ocupasse o vazio deixado pelo Capitão Marvel. O autor aceitou o desafio, e assim, em fevereiro de 1954, nasceu Marvelman, o super herói britânico mais famoso de todos os tempos!

O novo personagem se chamava Mike Moran.  Era loiro e não usava capa. Seu uniforme era azul, com duas letras “eme” estilizadas no peito. E ele tinha uma palavra mágica: KIMOTA!

Suas histórias eram ingênuas, bem ao estilo da série do Superman da Era de Ouro. E a exemplo da “Familia Marvel”, Marvelman também tinha seus próprios companheiros superpoderosos: “Young Marvelman” e “Kid Marvelman”.

A revista do Marvelman foi um sucesso absoluto, ultrapassando as 350 edições, fora especiais e edições anuais. Mas com o passar do tempo, o público aos poucos começou a abandonar o personagem, trocando suas pueris aventuras editadas em preto e branco, pelos coloridíssimos super heróis americanos que desembarcavam aos montes na Europa.

Billy Batson, o Shazam!
Billy Batson, o Shazam!

O personagem chegou inclusive a ser publicado aqui no Brasil, ironicamente dentro da revista do Capitão Marvel, na época publicada pela RGE. Ele foi rebatizado por aqui como “Jack Marvel”.

Em 1963, a L. Miller & Son foi à falência, e seu personagem de maior destaque caiu no esquecimento. Ou quase. Alan Moore era fã do personagem e declarou numa entrevista que adoraria que ele fosse publicado de novo, pois tinha algumas ideias para usar nele.

O editor Dez Skinn da Quality Comics leu essa entrevista e entrou em contato com Moore, oferecendo a ele a revitalização do personagem. Moore propôs uma total desconstrução do mesmo… era o fim da ingenuidade nas histórias de Marvelman. Então, em março de 1982, o heroi voltava à ativa, a princípio como um homem de meia idade vivendo uma existência cinza e entediante. Ele havia esquecido sua palavra mágica anos atrás, e tinha apenas alguns flashes de memória, tidos por ele como devaneios onde ele podia voar… até que durante um ataque terrorista a uma usina nuclear, Mike Moran inadvertidamente relembra a palavra mágica Kimota, ao vê-la refletida em um espelho (“Atomik” ao contrário), e com isso reinicia sua carreira de super herói!

Marvelman passou a ser publicado dentro da revista “Warrior”. O título impressionava tanto pela qualidade dos roteiros como dos desenhos de Garry Leach, que misturavam aventura e ficção científica. O personagem chegou a ser desenhado por Alan Davis, quem também colaborou com Moore na série do “Capitão Britânia” para a Marvel UK. (Divisão europeia da Marvel).

Carol Danvers, a Capitã Marvel!
Carol Danvers, a Capitã Marvel!

O sucesso de Marvelman chamou atenção… e a história se repete, quando a Marvel Comics decide intervir judicialmente devido ao nome do personagem. Eles haviam adquirido os direitos sobre a marca “Marvel” (“eles podem fazer isso”? Você pergunta… aparentemente sim…) e embora não se importassem que o personagem fosse publicado como Marvelman dentro da revista Warrior, exigiam que nenhuma publicação tivesse a palavra “Marvel” como título. Por esse motivo, todas as revistas do Capitão Marvel da DC nunca tiveram seu nome como título nas capas das revistas, sempre sendo substituido por algo relacionado a palavra  “Shazam”. Some a isso desavenças entre Alan Moore e o editor da revista Warrior, que resultaram no cancelamento das histórias de Marvelman no número 21 da revista britânica, que sem o herói, só durou até o número 26. (deixando inacabado o “livro II” da série).

O personagem chegou a ter muitos fãs também nos Estados Unidos, (onde foi publicado inicialmente pela Pacific Comics, que acabou falindo, e depois pela Eclipse Comics, com o nome de MIRACLEMAN para evitar os já citados problemas judiciais com a Marvel Comics). Essa nova versão trouxe o material da Warrior colorizado, até a edição 6. Daí em diante, Moore produziu material inédito, com arte de Chuck Beckum, Rick Veitch e Jonh Totleben, onde pôde demonstrar a aplicação de uma estrutura narrativa mais voltada ao “o que aconteceria se os super heróis existissem no mundo real?” . Essa estrutura abriu caminho para obras que seguiram essa mesma linha, como “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller e “Watchmen” do próprio Moore, e mais recentemente em séries como “Rising Stars”, ‘Poder Supremo”, “O Reino do Amanhã” e “The Authority”.

Moore ficou no título Miracleman até o número 16, sendo substituído em seguida por Neil Gaiman, que ficou até o número 24. O 25 chegou a ser completado, mas com o colapso da Eclipse Comics, nunca foi lançado.

Na época do fim da Quality, parte dos direitos do personagem foram para Moore e outra parte foi adquirida por Todd Mcfarlane (vocês sabem, o criador do Spawn… um outro plágio que não vem ao caso agora…). Porém, Todd não conseguiu sequer publicar o personagem, já que não se entendia com Alan Moore, devido a problemas anteriores, onde Moore e Neil Gaiman escreveram histórias para o Spawn, mas entraram em desacordo sobre os direitos de alguns personagens utilizados, principalmente “Ângela” de Neil Gaiman, o que gerou um processo que durou alguns anos.

A providência divina de Neil Gaiman: Ângela!
A providência divina de Neil Gaiman: Ângela!

Para evitar mais dores de cabeça, McFarlane passou os direitos de Miracleman para Gaiman, e em troca, ele extinguiria o processo pela personagem “Ângela”. Porém, Mike Anglo, criador do Marvelman, encontrava-se idoso e com sua esposa doente. Assim sendo, Moore e Gaiman repassaram os direitos do personagem para ele, a fim de que uma antologia fosse publicada e a renda toda revertida para ele. No entanto, Joe Quesada, editor chefe da Marvel, comprou os direitos de Miracleman diretamente do Mick Anglo. Obviamente, o personagem voltou a se chamar Marvelman atualmente, tanto ele quanto Ângela passaram a fazer parte do universo Marvel. Quanto a marca “Captain Marvel”, também continua na Casa das ideias, sendo ostentada pela antiga Miss Marvel, Carol Danvers.  E com isso, Billy Batson, o jovem herói da DC que se chamava Capitão Marvel passou a atender pelo nome ao qual é também muito famoso: Shazam!

Sendo Billy Batson, ou Carol Danvers, o nome Capitain Marvel ainda é algo a ser lembrado constantemente pelos fãs. O Importante é que Shazam, Ângela e a Capitã Marvel continuem tendo boas histórias sendo publicadas, seja em qual editora estiverem. Quanto a Miracleman… ou Marvelman, não importa o nome, as acusações de plágio ou a guerra pelos direitos… o personagem é um marco nos quadrinhos, e só podemos desejar que ele tenha um retorno a altura… e quero estar aqui e escrever sobre isso quando acontecer.

NÃO DEIXE DE LER AS RESENHAS DAS HISTÓRIAS DE ALAN MOORE PARA O MIRACLEMAN CLICANDO NOS LINKS ABAIXO:

Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro I – Um sonho de Voar!

Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro II – A Síndrome do Rei Vermelho!

Miracleman / Marvelman de Alan Moore: Livro III – OLYMPUS

SHAZAM! KIMOTA!
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33 comentários sobre “Marvelman ou Miracleman? Capitão Marvel ou Shazam?

  1. bem que o stan lee poderia comprar os direitos do shazam e retornar ao estilo clássico do herói ,pois a dc comprou os direitos apenas por inveja do sucesso do herói frente ao superman ,e depois cagou no personagem ao longo do tempo ,mudando seu uniforme que é a marca registrada do shazam e criando histórias ridículas fazendo o herói parecer uma espécie de harry potter adulto…em suma …uma merda !saudades do tempo do c.c beck e bill parker,e até do kurt schaffenberger que era muito melhor que os desenhos atuais !

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  2. Nota: O resultado da Briga DC versus Fawcett foi um pouco diferente do que é alegado amplamente por aí. A briga começou porque o Cap Marvel vendia MUITO, mas MUITO mais que o Superman. Quando o público começou a ficar mais cínico com os super-heróis (pós guerra) . As revistas de supercoisos começou a vender menos… muito, muito menos…. a Fawcett não tinha mais lucros com o Cap. Marvel e nesse ramo (embora não pareça) não existe idealismo. Você só edita um quadrinho se ele tem apelo de público e vende muito. Sim o meio empresarial é frio e movido apenas por 3 coisas: dinheiro, dinheiro e dinheiro. Não fazia sentido pros executivos da Fawcett manterem uma contenda judicial em cima de algo que não dava mais lucros, então o final da causa foi por W.O. A Fawcett parou de brigar e os direitos foram parar nas mãos da DC COmics que ATÈ HOJE trata o Cap. Marvel como “terceira divisão”. Nunca na história da DC, nenhum time criativo teve oportunidade de dar cabo de um plano editorial mais longo para o Shazam. Ou seja, os executivos da DC sabotam (de propósito) o personagem para que ele nunca se torne novamente uma ameaça às vendas do Super.

    É mais ou menos aquele esquema que a Globo usa de comprar seriados e passá-los de madrugada para que outras redes de TV não possam usar esses seriados para concorrer com as novelas.

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  3. Texto muito bom como sempre cara. Tenho todas estas 24 edições e posso afirmar que são muito boas mesmo. Vale muito a leitura e se um dia isso for relançado em formato especial, certamente vai estar na minah coleção. Melhor ainda se o Gaiman finalizar a passagem dele na série.

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  4. A Marvel podia relançar um novo MIracleman, cuja identidade secreta seria um advogado. Aí, sim, seria um “super heróis no mundo real”. Eita personagem que gera brigas judiciais…
    Eu li alguns números da revista que foi publicada aqui nos anos 80. O começo é bem ruinzinho, mas aquele ruim de escritor iniciante promissor. Quem já leu as primeiras histórias do Capitão Bretanha do Alan Moore vai entender. Mas aos poucos, a coisa engrena. Pena que a editora faliu , e a revista não teve continuidade. Seria bem legal se pudéssemos algum dia ler toda a fase do Moore.

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  5. Excelente pesquisa, Rodriguete! Sabe dizer se a Marvel vai introduzir o MM em seu universo tradicional e lançar novas aventuras com ele ou isso foi só boato?

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    1. Eles adquiriram os direitos do personagem, Crid. Até agora ainda não fizeram uso dele… tudo gira em torno do nome “Capitão Marvel”, que foi a inspiração do Miracleman/Marvelman (que voltou em versão feminina – a nova “Capitã Marvel” é a antiga Miss Marvel – com um traje muito parecido com o do Marvelman). O fato da DC ter aberto mão do nome trocando-o por Shazam é um indício de que algum acordo foi feito entre as editoras.

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  6. Que eu me lembro, por 2 vezes foi publicado material do Miracleman no Brasil: uma edição do próprio Moore por uma editora que não me lembro o nome lá no meio dos anos 80 e depois a sua morte numa compilação de histórias do Cap. Bretanha da Marvel UK (que saiu pela Pandora Books). Essa segunda fácil de encontrar mas a primeira é uma pérola perdida no nosso país.
    Com certeza seria interessante ver todas as partes se acertarem para disponibiliza esse marco das histórias em quadrinhos.

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    1. Nilson, foi a editora Tannos que publicou as histórias de Moore no Brasil.

      E eu não sabia que aparecia uma versão do MM nessa minissérie do Capitão Bretanha. Muito menos que ele tinha um destino trágico.

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      1. Na verdade essa “aparição” do Miracleman no Capitão Bretanha foi uma cena de homenagem de Moore aos heróis criados na Inglaterra. Todos os nomes originais dos personagens são trocados, servem apenas de referência. Por isso Moore mudou Marvelman pra Miracleman nessa história, mas nem ele mesmo lembrava disso.

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  7. Dia desses tava olhando a quantidade de títulos e editoras lá fora que NUNCA tomamos conhecimento aqui…é triste…Miracleman !!!! Avante, ótima matéria, Rodrigo! Alan Moore e seu mau humor, talento criativo e marketing agressivo emocional, nunca saem de moda ou se tornam notícia velha!!! 🙂

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