Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá: Uma viagem por todas as possibilidades da vida!

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Resenha da série “Daytripper” da Vertigo.

Contém spoilers.

daytripper-cover1Por RodrigoGarrit

Eu não vou falar bem de quadrinhos só porque são feitos por brasileiros. Eu não gosto de quadrinhos nacionais. Eu gosto de quadrinhos de qualidade.

Mesmo assim, quando eu li as primeiras notícias sobre um projeto do selo Vertigo com os brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá,  fiquei empolgado. Ainda mais por se tratar de um projeto autoral deles, num mercado onde muitos brasileiros são famosos como desenhistas, mas que até onde eu sei, nenhum havia tido a oportunidade de ESCREVER uma história. Então, eles já romperam duas barreiras de uma só vez, não apenas cuidando do roteiro e da arte, como também tendo a liberdade de criar algo totalmente novo. A história trata de um personagem brasileiro, e é toda ambientada em nosso país. Mais um ponto extremamente positivo, pois apesar de ser publicado por uma editora norte americana, não foi preciso criar um reflexo do que já é produzido lá… não foi feita nenhuma referência aos gibis americanos, nenhuma imitação… fica esse ótimo exemplo para os quadrinhistas brasileiros que espelham seus personagens nos modelos americanos… em vez de criar uma simulação estereotipada de um país que talvez nunca tenham visitado, tragam suas histórias de volta, deixem elas criarem raízes genuínas… sejam vocês mesmos…

Mas estou fugindo do assunto.

Daytripper foi publicada no Brasil pela Panini, onde as dez edições foram reunidas em um encadernado de capa dura, com acabamento caprichado. O livro nos mostra a trajetória de Brás de Oliva Domingos, filho de um famoso escritor, que tenta encontrar seu próprio reconhecimento na literatura. Ele trabalha para um jornal, onde escreve obituários. E no final de cada capítulo ele morre.

Cada um dos dez capítulos de Daytripper mostra um momento diverso da vida de Brás. Seja com 11 ou 76 anos. Acordado ou sonhando. E cada história consegue ser mais fascinante que a anterior. Existe a curiosidade de saber como ele aparece vivo depois da morte anterior, mas essa curiosidade é sublimada pela ansiedade de sabermos como será a próxima morte. Os “Como” e “Porques” perdem a significância diante do plano geral que nos é apresentado.  Brás acaba se tornando quase um membro da família e senti saudades dele quando terminei a última página. Afinal, acompanhamos praticamente toda a sua trajetória de vida, desde o dia do nascimento, o qual presenciamos um pequeno milagre, até o dia de sua compreensão e aceitação da morte como algo inerente a vida. Somos testemunhas das inúmeras possibilidades que a vida pode nos trazer, os caminhos que podemos tomar quando morremos e quando vivemos. Essa não é uma história sobre a morte, por mais que pareça… mas uma celebração à vida. Não por acaso, recebeu os prêmios Eisner Award Eagle Award, nos Estados Unidos, e HQ Mix, no Brasil.

É pura poesia em quadrinhos, feita com muito coração e sensibilidade. Uma declaração de amor à família, aos amigos, e a tudo que vale a pena na vida.

Daytripper é tudo o que somos. Tudo o que podemos ser. Tudo o que podemos fazer com que seja.

Uma obra linda para guardar na estante e passar adiante de geração à geração.

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