Quem tem medo do Alan Moore?

Não é de hoje que em várias entrevistas, o mago inglês dos quadrinhos, Alan Moore declarou que os quadrinhos como os conhecemos não sobreviverão por mais cinco anos e que a indústria está falida. Ele diz ainda que a saga “A noite mais densa”, grande sucesso da DC, é uma cópia de uma história de oito páginas que ele escreveu para a Tropa dos Lanternas Verdes há cerca de vinte e cinco anos atrás.

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Por Rodrigo Garrit

Bem, agora a minha opinião sobre o assunto: que houve inspiração no conto de Moore, isso é inegável. Mas houve também a continuação e a REALIZAÇÃO daquilo que foi apenas mencionado pelo mago barbudo mau humorado supremo. Não vejo mal algum em usar histórias antigas e atualizá-las para os tempos modernos… isso é feito constantemente nos quadrinhos e faz parte das engrenagens que movem essa indústria. Isso não quer dizer que Geoff Johns (autor de “A noite mais densa”) SÓ faça histórias recicladas e que ele nunca teve uma ideia original na vida… dizer isso seria uma grande injustiça. Grant Morrison está baseando toda a sua saga do Batman em quadrinhos de décadas atrás… assim como fez com a Liga da Justiça quando escrevia o título. Mas só por isso ele nunca foi original? Já leram “Os Invisíveis”?

Alan Moore

Quanto ao Barbudo inglês (que eu adoro e vou morrer fã dele, mesmo com todas as sandices que ele fala), não vamos nos esquecer que “Watchmen” (a melhor história de todas, todas, todas) é uma releitura dos personagens da antiga editora Charlton Comics. A genial “Liga Extraordinária”, é uma releitura de clássicos da literatura.  E que ele escreveu personagens como Miracleman (repleto de elementos muitíssimos parecidos com o Capitão Marvel – Shazam) e SUPREMO criado por Rob Liefeld, onde ALAN MOORE RECICLOU TODAS AS ANTIGAS HISTÓRIAS DO SUPERMAN E AS ATUALIZOU PARA OS DIAS DE HOJE… e mesmo assim é um trabalho genial, todas obras de primeira qualidade e uma leitura obrigatória para todos os fãs!  Mas. São. Releituras. São histórias tão divertidas quanto as da saga A Noite Mais Densa… porque isso é o que elas devem ser; não obras literárias vencedoras de prêmios internacionais… mas, simplesmente DIVERTIDAS. E verdade seja dita, tudo que Alan Moore escreve fica SENSACIONAL.

Quero deixar claro que ao comparar “Supremo” de Moore com “A noite mais densa” de Jonhs, não estava me referindo à qualidade da história e sim ao fato de serem novas roupagens de conceitos já usados anteriormente. Sou fã do Moore em um nível Supremo (hehe) e também de Geof Jonhs, mas sem comparações. Só que em meio a tanto lixo nas bancas, as Hqs dele são as que tem me agradado mais.

alan-moore (1)

Mas a grande verdade é que eu não entendo Alan Moore. Ele deve ser genial demais para um mero mortal como eu poder entender. Já que ele passou a desprezar tanto os quadrinhos, por que não os deixa em paz? Por que gastar tanta energia tentando mover uma campanha de destruição a nona arte? E, principalmente, como pode o autor de algumas das melhores histórias em quadrinhos já publicadas odiar o próprio trabalho? A impressão que tenho ao ler certas declarações dele, é que se pudesse voltar no tempo, ele queimaria os roteiros de Watchmen antes que pudessem ser publicados. Eu sei que a decepção com as grandes editoras foi muito grande, que ele foi extremamente sacaneado, viu vários amigos e grandes artistas serem sacaneados… mas como ficamos nós, fãs do trabalho dele? Não ficamos, essa é a resposta. Talvez eu seja egoísta, talvez ele seja mau humorado demais. Ao contrário do que ele declara em entrevistas, eu acredito no futuro dos quadrinhos sim. E existem muitos criadores de qualidade que ainda não desistiram. Neil Gaiman, Warren Ellis, Grant Morrison, Jeff Lemire, Paul Cornell, Brad Meltzer e muitos outros não me deixam mentir.

Continuo sendo fã do trabalho de Moore em quadrinhos, mesmo ele tendo se “aposentado”, (será mesmo? Para quitar suas dívidas com a receita federal ele aceitou roteirizar a série “Neonomicon” para a editora Avatar), mesmo ele tendo se arrependido de ter escrito boa parte de sua obra. E vou continuar comprando todo e qualquer material relacionado a ele, pois gosto de bons quadrinhos, boas histórias. E por mais difícil, mais penoso e espinhoso que seja, eu gosto ainda desse chato do Alan Moore.

E quer saber? Se os atuais roteiristas tiverem que imitar alguém, imitem gente como Alan Moore. Ele é o melhor!

 

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13 comentários sobre “Quem tem medo do Alan Moore?

  1. Inomináveis Saudações a todos vós, Mestres e Servos do Santuário!

    Alan Moore tem todo o direito de criticar o lixo que ronda as bancas ultimamente, principalmente essa baboseira de Novos 52, que apenas danificou toda uma linha editorial por conta das sandices de gente como Dan Didio e Jim Lee (O Rabiscador). Por que ele deveria agir diferente? Por que ele não deveria agir assim? Noto que há nele uma vontade de modificar o panorama dos Quadrinhos atuais, onde se salvam poucos como ele, Neil Gaiman, Warren Ellis, Grant Morrison e uma galeria bem pequena de excelente autores originais e bastante imaginativos. A vontade dele, creio eu, é a de varrer paras fora do meio da Nona Arte os corruptores deste Gênero Artístico, mas lutar sozinho, bradar sozinho, não dá…

    Ele deve sentir o cansaço de guerrear assim, sozinho, contra uma indústria que, cada vez mais, privilegia a estética do conteúdo e, não, o conteúdo da estética. É muito fácil, hoje, escrever uma historinha qualquer, pôr um monte de bundudas com uniformes colantes e um bando de babacas ultramusculosos acerebrados para entrarem na porrada com supervilões megalomaníacos que querem dominar o mundo; mas, escrever, como Moore escreveu, com simplicidade, um clássico como O Que Aconteceu Ao Homem De Aço? é uma obra apenas cabível a gênios como ele. E, dentro dessa inominável lógica, eu apoio todo o direito dele em protestar e querer destruir um mercado que, não fosse os autores citados acima e outros que não citei, já teria terminado há dez anos atrás, mais ou menos, quando os scans começaram a rolar pela Internet.

    Apoio Alan Moore em sua revolta e me declaro um de seus fãs absolutíssimos!

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  2. O que você talvez não tenha se dado conta, Fernando Aoki (apesar de que eu acho que se deu sim) é que quando Moore parte de alguma referência (seja qual for), ele se distancia tanto do original, que a obra se torna original pelas qualidades próprias que ele aplica. Ficando assim “incomparável” com a obra referenciada. Assim, se Promethea partiu da Mulher-Maravilha, o resultado ficou tão melhor e tão diferente que já não tem nada a ver com a Mulher-Maravilha. Assim ocorre da mesma forma com as outras histórias que ele fez.
    Quanto à pergunta na matéria: ” Já que ele passou a desprezar tanto os quadrinhos, por que não os deixa em paz?” A resposta é simples: porque nunca deixam o Moore em paz e sempre ficam cutucando ele pra que ele fale mal da indústria dos quadrinhos.

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  3. O roto falando do rasgado…
    Tom Strong é basicamente uma releitura de Doc Savage, em quadrinhos, onde Moore acaba fazendo uma espécie de homenagem à era de Ouro dos comics, abrangendo desde os quadrinhos de aventureiros das tiras de jornal (parece uma mistura de Brick Braddford com Flash Gordon e Fantasma, pelo menos, no tom das aventuras. O Tom Strong É o Doc Savage cuspido e escarrado).
    Top Ten é uma brincadeira com os seriados de bastidores de delegacia de polícia (Hill Street Blues/Chumbo Grosso, Nova Iorque contra o Crime) que o filho-da-mãe do Moore era VICIADO em acompanhar antes de alegadamente ter pegado ódio aos meios tecnológicos de escapismo (TV e internete), aproveitando para ALFINETAR universos de super-heróis Marvel, DC e Image. Mas não deixa de ser um seriado de policiais televisivo, na forma de história em quadrinhos (muito boa, pelo menos pra mim).
    Amazing Stories é uma GRANDE zoação aos quadrinhos do pós-guerra, quando passaram das tiras de jornal para as revistinhas. Spirit é a primeira ideia. O menino-gênio que só faz m* me parece uma homenagem à MAD. Não consegui definir qual é a da personagem-fetichista que só se justifica para dar algo para a mulher dele, Melinda Gibbie, fazer nas séries normais. Também não saquei qual é a dos heróis trapalhões, parece uma gozação a todas aquelas imitações de capitão américa (inclusive o próprio) da época da guerra, e pós também.
    E Promethea? Porra, ele mesmo assume nas entrevistas: É A MULHER MARAVILHA como ele enxerga que deveria ser, efetivamente, com toda a carga simbólica devidamente colocada e atribuída! É a wonder-woman (na visão que ele julga) CORRETA, e mulher, como ele disse na série, é para TRAZER O FIM DO MUNDO! E tenho certeza absoluta: ele NÃO ALIVIOU A CARGA DE FETICHE MASCULINO que a personagem acabou assumindo (sem querer querendo, diria o Chaves!)

    Roto falando do rasgado… cuspa no prato que comeu, já que você não é judeu… Moore escreve e envolve bem pra dedéu…, mas vá ser ingrato com quem te paga assim lá adiante! (são as dogras, meu filho…)

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  4. Uma coisa muito comum que acontece ao se chegar em certa idade é deixar que mágoas e ressentimentos, transformem pessoa num ser ranzinza, amargurado contra todos e tudos, acredito ser este o caso do mr. Moore. Mas acho tanta raiva deveria ser dirigida aos editores que vêem apenas números, grana, bufunfa diante de si. Quadrinho é arte, beleza, mas, também é comercio. Allan Moore é um artista talentoso, isso ninguém discute claro. E como todo grande artista não se amolda a modelos dessa nossa sociedade industrial que vê maquinas, não homens, seres humanos. Um artista é rebelde, é contraditório e um gênio então nem se fala. Acho que o problema dele é simplesmente que guardou rancor demais, agora cospe ele em tudo em todos. Quem sabe um dia ele para um pouco pra pensar e esquece tudo o que passou… Opa! ia esquecendo, òtima resenha mr. Garrit! 🙂

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  5. Pingback: RAZORJACK |

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