Uma Criança Inocente…

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INOCENTEARTE SACRA: Os Contos do Santuário!

Mais alguns distintos devaneios trazidos até vocês pela Nau Santuário, capitaneando os mares da vastidão improvável da qual são feitos os sonhos…  

S_Final

Por Douglas Henrique

“Todas as crianças

que não chegam a amadurecer

encontram o Paraíso.

Já que ainda não aprenderam

a diferenciar o certo e o errado,

seus erros não podem ser chamados de pecado.

E sua inocência está sempre conservada.”

 

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Olá, o meu nome é Miguel. Eu não deveria falar com os vivos, principalmente por que eles tem medo de mim. Mas essa não é a primeira vez que eu faço algo que não deveria. Eu acho que fiz algo errado, mas sou apenas uma criança e… talvez um adulto consiga me dizer com mais clareza.

Eu posso ler seus pensamentos. Não precisa ter tanto medo de mim. Não vou lhe fazer mal. Eu nunca faria mal a ninguém! Pelo menos não de propósito. Vejo que está curioso para saber o que eu fiz. Acalme-se, vou lhe contar.

Tem a ver com o meu vizinho. Acho que ele não gostava de mim. Nas frequentes ocasiões em que minha mãe o convidava para tomar um café ou jantar conosco, ele me olhava de um jeito muito estranho… dava para ver nos olhos dele o quanto a minha presença o incomodava. Eu sempre dizia à minha mãe o quanto eu tinha medo dele, mas ela insistia em dizer que o Sr. Eduardo era um homem bom, e que eu não precisava ter medo dele.

Eu nunca entendi os adultos! Por mais que eu falasse, eles nunca me escutavam. Deviam prestar mais atenção no que as crianças dizem, não acha? Ainda bem que eu nunca vou me tornar um deles!

Além de medo, eu sentia pena do Sr. Eduardo. Ouvindo algumas conversas entre ele e minha mãe, descobri que ele já teve um filho. Mas ele foi assassinado. Imagino o quanto ele deve ter sofrido. Um dia eu ouvi ele dizendo pra minha mãe: “vocês tem muita sorte por ainda poder ver seu filho vivo e saudável. Cuidem bem dele, o mundo está cheio de assassinos cruéis, que sentem prazer em ver outras pessoas sentindo a mesma dor que já sentiram um dia.”

De vez em quando, eu olhava pela janela, e avistava ele lá na rua, me encarando com o mesmo olhar frio de sempre. Quase sempre que eu olhava pela janela ou saía com minha mãe, ele estava lá, sentado em uma cadeira de praia, atento a tudo o que acontecia em minha casa. Parecia que ele queria saber de cada coisinha que eu e meus pais fazíamos.

Um dia a mamãe precisou ir no supermercado. Como sempre, o papai estava trabalhando. Antes de sair, ela mandou eu não ir lá pra fora ou abrir a porta pra alguém até ela chegar. E eu disse que não o faria. Mas eu me cansei de brincar com meus carrinhos e de desenhar com lápis de cera. Eu não estava mais aguentando esperar pela mamãe. Ela havia escondido a chave antes de sair, então eu saí pela janela da frente.

GHOST BOY

Já era noite, e a rua estava deserta. A única fonte de iluminação era a luz fraca que emanava  de um poste. Mas eu nunca tive medo de escuro. Aquela era considerada uma vizinhança tranquila, e a única casa que tinha cercas era a do Sr. Eduardo.

Eu fiquei brincando ali por um tempo. Estava indo tudo bem, até eu sentir dois braços fortes me segurarem por trás. Era o Sr. Eduardo. Eu tentei gritar, mas ele tapou minha boca com força. Naquele momento, eu senti tanto medo quanto já havia sentido na vida.

Ele me ergueu, ainda com uma das mãos em minha boca, e começou a caminhar em direção à porta de sua casa, que estava escancarada. Eu esperneava, chorava, e tentava gritar, mas ele era forte demais. Com um braço, ele imobilizou minhas pernas, e com o outro, abafou qualquer som que eu tentava emitir.

Chegando à entrada de sua casa, ele me levou pra dentro e fechou a porta com a perna. Depois me carregou até a cozinha e me colocou de forma agressiva sob a mesa. Usou uma das mãos pra pressionar meu peito, me impedindo de me levantar. E com a outra mão, alcançou uma faca de açougueiro, que se encontrava pendurada em um suporte acima da pia.

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Ele fazia silêncio o tempo todo. A última coisa que eu vi foi um sorriso maléfico estampado em sua face, e seu olhar negro, me encarando de forma zombeteira enquanto usava a faca para fazer um corte profundo em minha garganta, de orelha a orelha. Mamãe sempre dizia que se uma criança morre, vira um anjo. Eu descobri da pior forma que ela estava errada. Doeu um pouco, mas foi rápido. Depois disso, tudo ficou escuro.

Mas eu ainda não queria ir para o céu. Mamãe dizia que lá tem um anjo com o nome igual ao meu, e que poderíamos ser amigos um dia. Mas esse momento podia esperar.

Acho que Deus percebeu que eu ainda não estava preparado para conhecê-lo. Instantes após a minha morte, minha visão voltou, mas eu não vi o céu, nem o rosto do Sr. Eduardo. Eu vi as costas dele, à sua frente, meu corpo sem vida. Depois disso eu o observei enquanto ele cortava todo o meu corpo em pedaços. Que atrevido! Eu adorava aquele corpo. Sempre usei ele pra brincar!  Mas eu nada podia fazer.

Ele colocou o meu corpo em sacos de lixo, e o enterrou no terreno dos fundos, ao lado de uma enorme mangueira.

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Foi muito triste ver o quanto a mamãe chorou quando chegou em casa e a encontrou vazia. E foi ainda pior quando o papai recebeu a notícia. Chamaram a polícia, mas eu sabia que isso não adiantaria. O Sr. Eduardo seria a última pessoa de quem desconfiariam. E ele ainda veio consolá-los, como se nada tivesse acontecido…

Com o tempo, eu descobri o quanto ser um fantasma poderia ser divertido. Já que eu não tinha mais corpo, agora eu podia atravessar qualquer coisa. Acho que após a minha morte, a minha mente se expandiu. Eu não podia mais tocar nenhum objeto, mas podia fazer as coisas se moverem, e podia influenciar a mente das pessoas.

As brincadeiras que eu fazia eram muito divertidas. Tanto à noite quanto de dia, eu fiz o Sr. Eduardo sentir tanto medo quanto eu sentia dele. Eu o assustava, derrubava coisas, fazia ele ouvir meus sussurros. Ele fazia uma cara muito engraçada quando estava com medo, e isso me motivava a lhe causar mais medo ainda. Para isso, eu fazia ele ouvir meus risos.

Ele procurou um terapeuta, e eu o segui. Assim, não foi difícil descobrir seus medos. Ele tinha medo de palhaços, e na infância ele caiu de cima de uma árvore, e desde então tinha medo de altura. Era claustrofófico, pelas conversas dele, deu pra perceber o que isso significava. À noite eu invadia seus sonhos, e incluía neles todos os seus maiores medos, transformando-os em completos pesadelos.

    Depois de um tempo ele nem tinha mais coragem para dormir, e chorava muito. Isso fez eu me lembrar dos meus pais. Assim como o Sr. Eduardo, eles haviam passado muitas noites em claro, chorando pelo meu sumiço.

Eu devia ter obedecido a mamãe quando ela mandou eu não sair de casa… afinal, de vez em quando os adultos estão certos.

    Um dia o Sr. Eduardo se olhou no espelho, e através do reflexo, eu apareci atrás dele. Subitamente, sua expressão se encheu de medo e horror, e ele começou a soluçar e tremer. Olhou para trás, mas ali ele não podia me ver, então voltou seu olhar novamente ao espelho. E eu perguntei:

– Por quê você me matou? O que eu fiz pra merecer esse castigo?

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Nesse momento ele correu para o quarto, e escreveu um bilhete que dizia: “Fui eu quem matou o Miguel. E agora aquele diabinho voltou para me atormentar! O corpo dele está enterrado no terreno, nos fundos da minha casa, ao lado da mangueira onde também encontrarão o meu corpo! Eduardo.”

    Ele jogou o bilhete por baixo da porta da minha casa. E depois, pegou uma corda curta, subiu na mangueira, que se encontrava ao lado do lugar onde ele enterrou o meu corpo, amarrou uma ponta da corda em um galho, com três nós apertados, e a outra no próprio pescoço, dessa vez, com um laço. Eu pude ouvi-lo sussurrar para si mesmo: “A morte será a minha fuga deste tormento. O inferno será melhor do a minha casa”. E assim, ele se deixou despencar do alto da grande árvore, ficando pendurado pelo pescoço. Ele nem se mexeu. Obviamente, a morte era bem vinda para ele.

Mas não consigo entender os motivos dele para fazer isso. Eu fiz alguma coisa errada? Eu só queria brincar com ele. Afinal, sou apenas uma criança inocente…

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 *Imagens retiradas das internet. 

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