O MARAVILHOSO MÁGICO DE OZ – versão Marvel Comics

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por Venerável Victor “tratador de macacos alados” Vaughan

Img-de-CapawizardOZQuantas vezes já vimos o “Mágico de Oz” no cinema ou na TV? Como a história entrou em domínio público, uma infinidade de projetos usando esse universo de personagens parecia infinito particularmente nessa última década. Mas, se você souber separar o joio do trigo de diversos filmes, livros e quadrinhos, o que você vai encontrar é algo inspirador e belo. Pude comprovar isso ao ler essa série publicada pela Marvel comics.

Originalmente postado no site: Iluminerds

Selo-Macaco

Produzido como parte de um projeto da editora de adaptar clássicos da literatura para o formato da arte sequencial, os roteiros de Eric Shanower fielmente seguem o trabalho do autor L. Frank Baum. Enquanto o desenhista Skottie Young (aquele das capas variantes Marvel com os personagens transformados em bebês) consegue capturar e, porque não, trazer ainda mais beleza e maravilhas para esse reino encantado e tão revisitado ao longo de décadas. Isso é impressionante porque diversos outros quadrinhos publicados regularmente não possuem essa qualidade visual. Talvez por falta de tempo? Já que os prazos dos editores para que uma página fique pronta são cada vez mais apertados?

Eric Shanower & Skottie Young
Eric Shanower & Scottye Young

Homem-Aranha, “Superior” ou “Inferior”, não recebe esse cuidado. Tudo bem que, por ser de domínio único da Marvel, ele não precise ser redefinido visualmente, cada vez que o tempo passa, de forma mais fantástica para garantir que sua versão seja a que venda mais, como acontece com quem lida com o universo de “OZ”. No entanto, os fãs não iriam se importar nem um pouco com títulos de heróis que tivessem na arte interior o cuidado de um projeto como esse, pois cada mês teríamos um sucesso arrebatador e uma obra de arte única.

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Os personagens desenhados por Young são definitivamente impossíveis de não serem reconhecidos, até mesmo pela sua silhueta – como são todos os de Jack Kirby, um artista que é sinônimo de universo Marvel. Tudo nessa revista é bem detalhado e desenvolvido, sem distinção alguma de importância, desde a arquitetura da Cidade Esmeralda até o traçado das árvores que cercam seus limites.

As cores de Jean-Francois Beaulieu adicionam texturas e tons para as páginas de uma forma que nunca foi vista numa revista especial da Marvel ou DC. Existe até preocupação em colorir as bordas das páginas para dar a impressão de que elas são envelhecidas pelo tempo e não branquinhas e reluzentes, o que possivelmente iria contrastar negativamente com a arte interna.

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Shanower é um especialista em “OZ”, tendo adaptado uma série do mesmo universo uma década atrás. Desta vez, ele procura ser o mais preciso com a história original, até mesmo usando os diálogos e narrações originais do livro quando possível. Para quem conhece o livro, “OZ” é uma coleção de pequenos eventos que se sucedem, nos quais muitas vezes nada acontece de verdade ou evolui demais. Cada personagem francamente expressa seus mais íntimos desejos antes de se unir para alcançá-los de fato, sendo literalmente levados pela estrada de tijolos amarelos através de uma aventura atrás da outra e assim até o fim.

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A aventura é melhor lida em pequenas partes, assim como foi lançada originalmente pela Marvel. Ao contrário de um encadernado, as tramas são relativamente curtas e contidas em si, enquanto a história principal que as liga ao todo é fácil de ser entendida de qualquer ponto que você entre. Não se preocupe se seu personagem favorito desaparecer do nada, for preso ou até morto. Um novo personagem irá aparecer em algum momento apenas para mostrar o poder necessário para trazê-lo de volta!

Essa também não é uma história sutil ou repleta de mistérios, mesmo que você nunca tenha visto nenhum dos filmes, seja o último sobrevivente da Deep Web ou de um planeta que explodiu em uma galáxia distante, é possível imaginar como ela vai terminar desde os primeiros minutos de leitura. Afinal, como explicar que os melhores planos para se sobreviver vêm do camarada que quer um cérebro? Ou de as situações que mais requerem bravura vêm de um personagem que deseja ardentemente ser corajoso? Isso não é culpa do roteirista, é claro, e sim do texto original de “OZ” que foi escrito para um público infantil, mas com o passar do tempo, essas soluções rápidas do roteiro ganharam seu charme, aliados aos carismáticos ‘heróis” e o criativo cenário onde ela se passa.

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“O Maravilhoso Mágico de Oz” derrotou todos os preconceitos de leitores mais fundamentalistas de heróis e se tornou a melhor publicação de 2009. Todos os créditos estão voltados para Shanower e sua equipe de arte por terem sido extremamente fiéis ao romance original. O mundo dos quadrinhos precisa de mais revistas como essa e, para nossa alegria, uma continuação da mesma e outros clássicos serão ou já foram produzidos de lá para cá.

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34 comentários sobre “O MARAVILHOSO MÁGICO DE OZ – versão Marvel Comics

  1. Porquê uma obra dessas não é publicada por aqui? Porquê? PORQUÊ?
    Talvez porque se fosse publicada aqui, custaria os olhos da cara, e eu não teria como comprar? Bem, dependendo do preço, valeria um esforcinho.
    Mas o que raramente me acontece, os desenhos me chamaram mais a atenção do que a história. Maravilhoso! Lembra um pouco Sam Keith. Uma ótima referência!
    Bem, vamos sonhar, e seguir pela estrada de tijolos amarelos. Quem sabe encontremos um mágico que possa trazer essa hq pro Brasil…?

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  2. Esse material é fantástico! Skottie Young nada nas águas que gosta mais, e sempre que isso acontece sai uma obra maravilhosa. Nunca gostei dos super-heróis de Skottie Young, mas neste tipo de desenho e história ele é de topo!
    😉

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  3. Senta-te. Recosta-te. Respira fundo e olha à tua frente; ela ali está, esperando-te.

    A folha em branco.

    Virgem do carvão que dará à sua existência sentido, ela implora-te que avances. E tu, qual marinheiro encantado belo doce cantar da sereia assim vais. Mergulhas nela. Sempre brandamente, pois as coisas que se querem perfeitas pedem tempo, paciência, devoção. Coração.
    Ela dar-te-á luta, podes contar com isso, mas desengana-te se achas mesmo que valeria a pena se assim não fosse. Hás de sangrar, se for o caso, mas as feridas apenas as lamberás no final de tudo, depois do suspiro último. Do êxtase.
    E por momentos, breves ou longos, tanto faz, sentir-te-ás o ser mais forte do mundo. Porque vais olhar o resultado com orgulho, foste um vencedor. Um sobrevivente.

    Mas não te atrevas a adormecer sobre os recentes louros; não te atrevas a ti mesmo o pecado da sobranceria. Amanhã é um dia que depressa vem, e outra sereia cantar-te-á ao ouvido. Esperando por ti. Outra luta.

    Outra folha em branco.

    ps: Será com esta disposição que nascem as mais bonitas obras?

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