Diego Monte Castelo: O Caçador de Mistérios!

arte sacra

monte casteloConsiderado  inconsequente por uns e admirado pela sua bravura por outros, ele corre o mundo sempre em busca de novas aventuras. A adrenalina é o que dá sentido a sua vida. Perigo é o ar que ele respira. Ele é Diego Monte Castelo, o caçador de mistérios!

Conheça aqui sua origem e leia suas aventuras!

S_Final

Por Rodrigo Garrit

Diego no traço de Milton Estevam.
Diego no traço de Milton Estevam.

Quem é Diego Monte Castelo?

Herdeiro de uma fortuna, filho de um famoso herói fantasiado dos anos 60, Diego tinha tudo para se tornar mimado e fútil. Mas em vez disso ele resolveu nadar contra a corrente do seu destino e ganhar o mundo, aproveitando tudo o que ele tinha a oferecer. Formado em arqueologia, conhecedor de diversos idiomas e com vários troféus de atletismo guardados na estante, ele corre o mundo em busca da aventura definitiva, renegando a alcunha de “herói”, embora por vezes acabe fazendo as vezes de um.

Diego é capacitado em várias artes marciais, treinado em diversas categorias de lutas armadas, inclusive arco e flecha, embora não seja um lutador de primeira linha, fazendo mais o tipo “cabeça”. Ele aceita com facilidade o sobrenatural, já tendo tido várias experiências com o mesmo.

Apesar de manejar com maestria a maioria das armas de fogo, prefere acreditar que nunca será preciso tirar a vida de outro ser humano.

Diego não é um herói. Embora tenha grande pretensão de fazer o bem, não possui a vocação para vestir um uniforme e combater o crime, como seu pai, o vigilante conhecido como Arqueiro Verde e Amarelo, hoje, dado como morto.  Seu maior objetivo na vida, talvez seja viver. Sentir na pele tudo  que a vida pode oferecer. Mesmo que para isso ele corra o risco de, ironicamente, perdê-la. Ele nasceu para ser o cara que faz tudo aquilo que a a maioria de nós tem vontade, mas que dificilmente vai conseguir. Ele tem quase tudo aquilo que a maioria de nós deseja e que provavelmente nunca chegará perto de ter. Afinal, TUDO o que se pode imaginar acontece na vida de Diego Monte Castelo.

Como surgiu o personagem?

Tudo começou quando Francinildo Sena (criador do “Crânio”, personagem que tive o prazer de escrever algumas histórias) me falou sobre uma cooperativa formada por quadrinhistas que pretendiam lançar um material independente. A ideia logo me agradou. No mesmo dia comecei a rascunhar umas idéias, ensaiar algo sobre um personagem brasileiro, que não seguisse exatamente os moldes preestabelecidos dos ditos super herois americanos. Sem poderes, sem uniforme colorido, mas com uma agenda cheia de acontecimentos no mínimo bizarros.

Algumas pessoas comparam as histórias dele com as aventuras de Indiana Jones ou Lara Croft, muito embora eu encare o tom de suas histórias como se fosse um título do selo Vertigo. Mas na verdade o que me inspirou realmente a criá-lo do jeito que ele é, foram os antigos “pulps” dos anos 40, embora eu não tenha tido muito contato com esse material, eles vieram antes dos super heróis com roupas coloridas e tudo relacionado a eles sempre me fascinou. Diego é um pulp moderno, mas não perde a atmosfera clássica da coisa.

Assim, o personagem faria sua estreia na revista Brado Retumbante, e teria suas histórias publicadas nos seus primeiros quatro números. Eu não sou desenhista, por isso ficou combinado que a minha primeira participação seria com um conto do Monte Castelo, algumas páginas de texto sem ilustrações. Nesse conto eu sintetizei tudo aquilo que tanto me fascinava nos pulps. Uma verdadeira avalanche de problemas caindo seguidamente na cabeça do protagonista. (Você poderá ler esse conto na íntegra, no final do post).

Felizmente, e para minha grata surpresa, o Milton Estevam assumiu os desenhos de Diego, dando forma aquele caleidoscópio textual, trazendo-o definitivamente para o mundo dos quadrinhos, embora essa adaptação tenha feito a estréia ter ficado mais com cara de “livro ilustrado”. Quem tiver a paciência de ler até o final vai ter uma boa surpresa. Fiquei muito satisfeito, não pensaria numa estréia melhor para Diego. (Que nessa história é apresentado como “Diego del Monte Castelo”. A partir da segunda, eu aboliria o “del”, aproximando-o mais de suas raízes brasileiras, apesar dele ser mesmo descendente de espanhóis).

A partir da segunda história, o esquema já foi feito com toda a estrutura de HISTÓRIA EM QUADRINHOS (E eu agradeço muito a ajuda e as dicas dos meus parceiros, principalmente o amigo Leonardo Santana, premiado roteirista que me ajudou muito).

A arte do Milton conseguiu dar vida aos personagens de forma tocante, além de captar exatamente a mensagem passada.

Embora um ciclo tenha se se fechado na quarta edição da Brado, já havia pensado (e escrito) os próximos passos da história de Diego. Se essas histórias um dia serão publicadas… esse é um mistério que nem o próprio Monte Castelo conseguiu desvendar…

Por enquanto…

Monte Castelo por Emir Ribeiro.

S_Final

A Primeira história de Monte Castelo!

Por Rodrigo Garrit 

“O nome dele é Diego Del Monte Castelo. Nascido no Brasil, descendente de espanhóis, esse aventureiro é considerado o mais famoso explorador da América Latina. Herdeiro de uma fortuna estimada em trezentos milhões de reais, hoje ele vai falar um pouco sobre sua carreira, suas aventuras e seus planos para o futuro. Meu nome é Marta Machado e eu tenho a honra de receber no programa Celebridade Verdade de hoje… O Grande Desbravador!”

Uma onda calorosa de aplausos invade o estúdio. Uma platéia polvorosa saúda de pé o homem que entra tímido, com um sorriso acanhado que tenta disfarçar o nervosismo. O maior estrondo vem dos gritos e assobios das moças ali presentes, não se contendo diante dos dotes físicos do galante convidado da noite, um metro e oitenta e seis de altura, moreno claro, olhos azuis e aparência de galã da novela das oito.

– Er… trezentos milhões é tanto de exagero, Marta… – ele diz.

– Esse programa é líder de audiência no horário, não? O que as pessoas vão pensar? – continua.

– Ah, perdão, querido. Você com certeza já triplicou esse valor, não é? – ela responde, cínica.

– Pode ser clichê, mas eu gostaria de ter metade… hã…  das amantes e dos reais que me são atribuídos. – devolve ele. As mulheres na platéia lançam um novo coro de gritos eufóricos. Diego começa a rir nervosamente.

– Ora! – retruca a apresentadora – Isso vindo de um homem que acabou de ser apontado pela revista “Nova época” como um dos mais sexys do século…

–  Eu não ligo para esse tipo de publicidade, Marta. Prefiro me concentrar no meu trabalho, divulgar só o lado profissional.

– Tudo bem, Diego. Não precisa ficar vermelho. Vamos começar então pelo início da sua carreira. Conte como foi essa loucura de se tornar um explorador. Uma loucura maravilhosa, eu quero dizer.

–  Eu entendi. Bem… um belo dia eu pus uma mochila nas costas e decidi viajar pelo mundo. Aconteceram coisas que… não sei bem como explicar…

– E pra onde você foi?

– Bem, logo de cara eu fui parar na ilha de Gaia. Ela não constava em nenhum mapa oficial até então. E não consta até hoje, visto que ela nem existe mais. Pra ser sincero, eu não planejei nada do que

aconteceu… não planejei detonar aquela seita de monges assassinos… a quadrilha de plantadores de maconha… nem tudo mais o que houve. Deus, como eu poderia imaginar o despertar do Kalatos…

– Kalatos?

–  Um vulcão que estava adormecido há seiscentos anos.

–  Oh. Certo, vamos devagar. Como você chegou na ilha?

–  Eu embarquei como clandestino em um navio de carga no Rio de Janeiro e..

–   Clandestino?

–   Sim. Eu tinha dezessete anos na época, não tinha acesso ao dinheiro da família. Não o suficiente, pelo menos. E meus tutores recusaram-se a financiar minha “insana” jornada. Então decidi fazer do meu jeito.  Saí só com a roupa do corpo e uma mochila com alguns objetos pessoais. Embarquei furtivamente no navio. Eu soube que seu destino era a África. Achei que seria um lugar exótico e estimulante. Mas a ilha superou minhas expectativas…

–   Mas você disse que a ilha não constava em nenhum mapa oficial. Como é que…

–   Bom, aconteceu que depois de um tempo, eu fui descoberto no navio. Primeiro, a tripulação não foi muito gentil. Depois alguns tentaram ser gentis até demais. Houve briga e confusão. Gritaria, cadeiras voando, tiros varando o ar. E por fim um incêndio. Os marinheiros então se ocuparam em conter o fogo, mas não estava fácil. Para piorar, o acidente evidenciou uma carga ilegal escondida sob algumas caixas de madeira. Não pude identificar de imediato o que era, mas depois fiquei sabendo que eram armas e explosivos. A tripulação se dividiu e houve um motim. O capitão e os outros oficiais mais elevados foram assassinados. O equipamento de rádio foi destruído, impossibilitando qualquer tipo de comunicação externa. Tudo estava muito fora de controle. Foi então que o incêndio dominou a embarcação. Parte do navio explodiu. A carga ilegal contribuiu muito nesse sentido. Vi muitos homens morrerem. Os que sobreviveram ao impacto principal estavam feridos e cansados demais para brigar entre si. Fizemos então uma trégua. Nos unimos para apagar o incêndio e concertar o que pudéssemos da embarcação. Mas estávamos perdidos, à deriva. Metade do suprimento de comida virou carvão. O restante estava encharcado, mas nos manteve vivos por alguns dias. Só que mesmo essa comida sub-humana acabou e a fome começou a nos afetar profundamente. O cozinheiro me atacou com um facão. Acho que pretendia cometer canibalismo. Eu consegui coloca-lo fora de ação, mas era óbvio que era só questão de tempo até que outro tentasse algo parecido. A tensão crescia e era impossível pregar os olhos e dormir. Não se podia confiar em ninguém. Eu perdi a noção do tempo, por isso não posso precisar quando aconteceu… uma terrível tempestade caiu sobre nós. Ela nos envolveu furiosa e nos engoliu com toda a voracidade que lhe fora concedida pela fúria de Deus. A tormenta se abateu impassível sobre a precária embarcação em que nos encontrávamos, com ventos capazes de arrastar um homem de encontro ao firmamento enquanto enormes ondas castigavam a frágil estrutura do navio, sob a luz periódica dos relâmpagos. Lembro-me de ter pensado numa nova praga bíblica naquele momento.

–   Nossa Diego… foi tão ruim assim?

–   Isso sem mencionar o frio, Marta. Você não imagina como era frio.  Era como se a morte lançasse uma baforada gélida em nossos pescoços desprotegidos.  Depois disso, uma enorme escuridão cobriu o céu. Nesse momento eu devo ter desmaiado, ou simplesmente só me rendido ao cansaço. Minha primeira recordação pós-naufrágio é de estar numa praia deserta, acompanhado de enormes destroços de madeira e pedaços de marinheiros por todos os lados. Eu fui o único sobrevivente. E foi assim que eu cheguei na minúscula ilha.

–    Bom, e depois que você chegou na ilha, o que houve?

–    Bem, depois de um tempo vagando desorientado, eu encontrei a seita dos monges assassinos…uma sociedade secreta que vivia há séculos naquele lugar. Tudo era muito secreto e eles queriam que continuasse assim. Eles teriam me matado, não fosse o pequeno incidente com o Kalatos…

–    Pequeno incidente? Pelo que consta, você lançou trezentos quilos de dinamite no interior do vulcão! A ilha foi completamente destruída.

–    Essa informação não está confirmada. Porque se for, eu posso ser preso… sob a acusação de destruir um lugar que não existe. Digamos que a ilha não estava em nenhum mapa antes, e continua desse jeito agora.

–    Oh. Entendo. Bem… vamos pular então para a sua fuga. Foi algo bem mirabolante pelo que fiquei sabendo. Você roubou… hã… furtou… hã… pegou emprestado um helicóptero dos…

–    Não foi bem assim. Desculpe, acho que me adiantei um pouco. Antes de encontrar os monges sanguinários eu já havia desbaratinado a quadrilha dos plantadores de maconha. Só que a filha do chefão deles decidiu ficar de meu lado e…

–   Eu também ficaria querido!

–   Bom, é que depois de termos ficado dias em uma gaiola prestes a ser devorados por índios canibais, acabamos descobrindo várias afinidades mútuas. Sabe, esse é o tipo de situação que une as pessoas.

–   Canibais?

–    É. Isso foi na segunda semana na ilha, eu acho. Não posso dizer que o lugar é exatamente um modelo de monotonia, mas água de coco todo o dia  acaba com o bom humor de qualquer um.

–    Entendo. Bem, só pra eu entender… primeiro vieram os plantadores de maconha, depois os canibais e por fim os monges assassinos e o vulcão. É isso?

–    Bem, você pulou os gorilas gigantes e o episódio com os zumbis, mas essa parte foi bem rápida mesmo, nem sei se conta. Houveram outros motivos… coisas estranhas que descobri, e que me levaram a acreditar que que havia uma motivo para eu estar naquela ilha… Mas é melhor não estender muito a entrevista. Não vou nem comentar os animais pré-históricos. Pra resumir, depois que o vulcão convenientemente despertou depois de seiscentos anos de inatividade e começou a cuspir bolas de fogo de dez toneladas nas nossas cabeças, eu corri de volta para o que sobrou do acampamento dos plantadores de maconha, onde a Lena estava me esperando. Lena é a filha do chefão que decidiu me ajudar. Foi então que nós pegamos o helicóptero do pai dela. Ele sobreviveu ao… hã… episódio com os mortos-vivos, mas não pôde vir com a gente. Depois de passar por tanta pressão, ele fumou uma quantidade obscena do produto de sua plantação e saiu correndo em direção a lava derretida, gritando alguma coisa sobre as minas do rei Salomão ou coisa parecida. Foi uma morte horrível. Mas ele parecia feliz. Então nós sobrevoamos a ilha e fomos ao arquipélago mais próximo. De lá nós embarcamos em navio para a África e fizemos uma excursão pelo Egito. Você não tem idéia das coisas bizarras que aconteceram comigo nas pirâmides de…

–     Calma, calma, calma! Vocês simplesmente entraram no helicóptero e foram embora numa boa?

–    Sim. Lena é uma grande piloto, felizmente. Na época eu ainda era inexperiente. Não teria pousado tão bem como ela, considerando que o helicóptero foi atingido por um pedregulho flamejante. Certo, tudo bem que foi uma aterrissagem forçada, mas você sabe o que dizem: toda a aterrissagem em que se sai vivo é uma boa aterrissagem. Eu era jovem e essa foi a minha primeira aventura. As coisas foram ficando mais interessantes com o tempo.

–   Mais interessantes?

–    É. Se quiser, eu posso contar outras de minhas excursões pelo mundo… mas acho que isso estouraria o tempo do programa.

–     Nós ainda temos algum tempo. Mas antes, Diego, uma pergunta: você não tem medo de… sei lá… ser chamado de mentiroso?

–     Sim, isso já me ocorreu. Por isso eu tomo o cuidado de sempre levar uma câmera portátil em todas as minhas recentes viagens. Eu sempre filmo todas as minhas aventuras. Isso ajuda na divulgação e captação de recursos. Os patrocinadores adoram.

–    V-Você… sempre leva uma… daquelas mini-câmeras?

–    Eu entreguei algumas fitas para a produção.

–   Então… nós temos imagens de tudo o que você acabou de relatar?

–    Claro que sim. Quer dizer, não. Não especificamente da minha ida a ilha de Gaia… infelizmente não tenho registro disso. Mas de outras excursões… tenho horas de imagens!

–    Ora, o que estamos esperando, então? Vamos assistir tudo agora!

S_Final

Baixe gratuitamente os quadrinhos com as aventuras de Diego Monte Castelo clicando  AQUI!

Leia também os  outros contos do personagem publicados Aqui!

Agradecimentos especiais para Francinildo Sena do blog MUNDO HQB

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13 comentários sobre “Diego Monte Castelo: O Caçador de Mistérios!

  1. Eu tive essa primeira edição com o Monte Castelo. Foi o único personagem que me encantou na revista. Vou baixar as histórias. Não o abandone, pois ele tem potencial. Quem sabe, quando menos você esperar, surge a oportunidade pra voltar a trabalhar com ele?

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  2. Estive aqui para matar as saudades do Monte Castelo e me deparei com o belo texto deste resumo da vida do personagem, Rodrigo! Boas lembranças da Heróis Brazucas que espero retornem. Abração!

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  3. Eu estou encantado cara. Quanto mais venho aqui mais vejo talento e talento, Quero muito e vou ler isso. Nosso país é agraciado com competentes roteiristas e me parece que você é um deles. Parabéns!

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