Por que o mundo precisa de Donna Troy?

 

Não é novidade que de tempos em tempos uma onda da antimatéria ou os socos de um supermenino mimado alteram a realidade dos quadrinhos da DC Comics. Crise nas Infinitas Terras, Crise Infinita, Zero Hora e o escambau.  Quando um universo fica muito complicado, os fãs perdem o interesse, as vendas caem, e então é preciso fazer algo. Simplificar. (Ou “Ultimizar” no caso da Marvel, embora eles separem os brinquedos em caixas diferentes). Com as mudanças, alguns elementos amados pelos fãs acabam sendo deixados de lado. Donna Troy é um dos melhores exemplos disso.

Por Rodrigo Garrit

O título deste post foi inspirado na matéria que Lois Lane escreveu no (agora longínquo) filme Superman Returns. Mas não vamos perder o foco…

O mais recente “reboot” da DC aconteceu logo após a saga “Flashpoint”, quando as revistas foram reiniciadas, e os personagens reformulados… enquanto outros nem chegarão a existir nessa realidade, (pelo menos à princípio), como é o caso da já citada Donna Troy.

Assim são os quadrinhos, onde nossos queridos personagens ficcionais vivem a mercê de editores malignos que tramam constantemente a sua “não existência”, ou a sua “existência compacta”. Ainda bem que, embora muito queridos, a gente saiba que eles não são de verdade… quer dizer, se um personagem morre nos quadrinhos, ele sempre pode voltar. (E acaba voltando mesmo, ainda que demore um pouco). Na vida real, se perdemos alguém, isso sim é pra sempre. Isso sim é motivo de tristeza e até revolta. Embora a morte seja algo que queiramos evitar ao máximo possível, no fundo todos sabemos o quanto ela é inevitável e necessária. Parafraseando a famosa canção da banda Queen,   – “Quem quer viver para sempre”?

"Dianinha" estreia seu novo traje de Moça Maravilha...
“Dianinha” estreia seu novo traje de Moça Maravilha…

Mas esse não é o ponto. Não é o motivo desse texto ter sido escrito.

Sabe, eu andei pensando… na vida real, quantas vezes a nossa realidade é alterada? Quantos “reboots” nós passamos? Quantas transformações? Você muda de escola, de bairro, de cidade, de amigos… pessoas chegam, outras vão embora… você se apaixona, se decepciona, se apaixona de novo…

...e deixa de ser Moça Maravilha para assumir o manto de "Tróia".
…e deixa de ser Moça Maravilha para assumir o manto de “Tróia”.

Quanto eu tinha nove anos, ficava esperando o ônibus da escola me buscar. Durante o trajeto, conhecia outras crianças, de outras salas, mais novas, mais velhas. Tinha uma menina chamada Emanuelle. Ela era a minha melhor amiga. A gente conversava e ria muito durante o caminho de ida e volta pra escola. Durante aquele ano letivo, fomos inseparáveis.

Depois disso, nós nunca mais nos vimos.

Quantas outras crianças havia no mesmo ônibus? Elas também foram minhas amigas em algum momento, embora eu não me lembre mais do rosto de nenhuma delas. Pessoas de verdade, com sonhos, defeitos e virtudes. Mas elas foram apagadas da minha realidade. (…)

A evolução do uniforme.
A evolução do uniforme.

Donna Troy foi criada na época da clássica Turma Titã. Aqui no Brasil, ela chegou a ser chamada de “Dianinha” em suas primeiras aparições. Com o passar dos anos, a personagem cresceu, em idade e importância. Teve sua origem recontada algumas vezes, sendo a mais famosa a clássica história “Quem é Donna Troy”? de Marv Wolfman e George Pérez. Embora seja a mais empolgante, não foi a definitiva.

Donna foi muitas mulheres e nenhuma. Viveu várias vidas… irmã mais nova da Mulher Maravilha, réplica mística da princesa, órfã salva por Diana da morte e criada como amazona na Ilha Paraíso, órfã salva da morte pelos deuses Titãs e criada como uma de suas “sementes” no planeta Nova Chronos. Foi dito até mesmo que ela teria sido uma espécie de “Precursora”, salva pelo ser conhecido como Monitor, numa tentativa de encaixar a personagem no contexto da Crise Infinita. Um grande equívoco. Em certo momento, fomos apresentados a personagem “Anjo Negro” que perseguia Donna, fazendo-a morrer e reviver milhares de vidas… enfim, não resta dúvida do quanto ficou complexo explicar a existência dela em um universo DC que anseia por zerar e simplificar todos os seus personagens.

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Os Novos Titãs!

Moça Maravilha, Tróia, Darkstar, Deusa da Lua, Mulher Maravilha. Donna era muitíssimo querida especialmente pelos fãs mais antigos dos Novos Titãs. Fica difícil imaginar a trajetória da equipe sem ela.

Ela foi princesa, heroína, mãe, esposa, fotógrafa profissional, amiga, guerreira, deusa e mulher. Porém, quando o universo mudou novamente, os editores e roteiristas precisaram se perguntar: “Por que precisamos de Donna Troy”? E a resposta, prática e cruel não foi outra:

“Não precisamos”.

O que o futuro tem a dizer sobre isso, é outra história.

Por todas as pessoas que passaram pela minha vida, as quais eu não posso reencontrar em edições antigas de gibis, eu sinto essa pontinha de tristeza e saudade, e torço para que todos estejam bem e felizes. Por Donna Troy, personagem com quem vibrei, admirei e me emocionei só fica um único pensamento: “Bom descanso. E até o próximo reboot”.

“Por que o mundo precisa de Donna Troy?” Não existe uma resposta simples para isso. Ou talvez, a resposta seja a mais simples possível.

Precisamos dela, porque nós a amamos.

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12 comentários sobre “Por que o mundo precisa de Donna Troy?

  1. Sou do tempo da “Dianinha”. Eu adorava aquelas histórias da Turma Titã de quando ela trabalhar para o Sr. Jupiter. Saudade grande!

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  2. Nunca li nada que tivesse a presença dela e ainda não li os Novos Titãs pra saber se ela faz tanta falta assim xD
    Nem sei se lerei, por sinal. Apesar dos elogios, a arte é Pooodre, e isso desestimula bastante!
    O texto foi bonito, obviamente inspirado nas reflexões do Morrison, mas acredito que acima de tudo quem faz o personagem é a equipe criativa, então resta torcer para que ela esteja bastante “criativa” na hora de à ressuscitarem ^^

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  3. Engraçado que não li muita coisa desta personagem, mas sempre a achei interessante, apesar de não ter aquele sentimento de nostalgia, que seus fãs têm, mas acho que a personagem merecia uma chance nos Novos 52.

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  4. O grande problema é que Donna Troy surgiu de um engano. Precisavam de uma menina para a turma titã e algum escritor viu uma “moça maravilha” na capa de uma revista da Mulher Maravilha. O problema é que a Moça Maravilha na verdade era uma versão mais jovem da própria Diana – fazia parte de alguma capacidade bizarra da Mulher Maravilha convocar duas versões mais jovens dela para colaborar em algumas aventuras. Quando se deram conta disso, procuraram arrumar uma explicação para ela – e todas acabaram sendo meio tapa-buraco. O Byrne fez uma explicação mais racional, mas muito, muito complicada para a maioria dos seres humanos.
    Ela é como a Poderosa: um personagem que só precisava de uma origem firme e sólida, mas chega um roteirista e vai cavucar e cavucar na cronologia para tentar inventar aonde não devia.

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  5. Só um tolo pode afirmar que um personagem tão interessante como o de Donna Troy não tem serventia para o universo DC.

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  6. Donna Troy…

    Personagem que jamais me chamou a atenção e não haverá muita falta dela porque as demais que faziam parte dos Titãs, à época que a conheci, como a Ravenna, são bem mais interessantes.

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